Um passeio alviceleste

unnamed (15)

POR GERSON NOGUEIRA

Foi pouco. Pelo que o Papão produziu durante o primeiro tempo, o placar deveria ter sido bem mais dilatado. O 3 a 1 retrata a tranquila superioridade no jogo, mas não é revelador do que foi a pressão avassaladora dos primeiros 20 minutos, quando o ataque alviceleste fez um gol e perdeu três. No segundo tempo, o Remo voltou a sofrer gol logo de cara e se perdeu de vez. Ainda descontou, mas levou o terceiro logo em seguida.

A tarde foi inteiramente favorável ao Papão no Mangueirão. A vitória se desenhou logo nos primeiros instantes, fato raro em clássicos. Não pelo placar de 1 a 0, plenamente reversível, mas pelo espírito vencedor que o Papão trouxe para o confronto.

Enquanto o Remo parecia hesitar até nos arremessos laterais, o Papão verticalizava o jogo. Os volantes Augusto Recife, Ricardo Capanema e Jonathan participavam intensamente das ações de bloqueio e não permitiam qualquer esboço de reação por parte dos remistas, que só deram o primeiro chute aos 19 minutos, com Val Barreto.

unnamed (56)

Antes disso, Bruno Veiga e Aylon já tinham aprontado o diabo na defesa azulina, incluindo uma bola na trave logo depois do gol de Dão. Com volantes menos participativos do que os do adversário, o Remo encontrava imensas dificuldades para se estabilizar em campo.

Eduardo Ramos, o mais lúcido, sofria de isolamento crônico, retendo a bola excessivamente por falta de opção de tabelas ou triangulações. Val Barreto mal pegava na bola entre os zagueiros do Papão e era obrigado a cair pela esquerda, deixando o ataque despovoado.

Do lado bicolor, Bruno Veiga e Aylon não entrava na área, mas puxavam o jogo pelos lados, atraindo a marcação dos zagueiros e abrindo espaço para que Rogerinho, Pikachu e Marlon se arriscassem no ataque.

Dado Cavalcanti deu mostras de que observou muito bem o Remo e seus muitos defeitos. Notou, por exemplo, que o time de Zé Teodoro costuma entrar desplugado e apático. Ao longo do campeonato, o Remo cansou de evidenciar esse déficit de atenção. O Papão entrou preparado para explorar isso e se deu bem.

O reinício da partida no segundo tempo premiaria a capacidade de observação do técnico do Papão, pois na primeira incursão bicolor rumo à área nasceu o penal infantil cometido por Jadilson. Pikachu converteu e o time passou a administrar inteligentemente o 2 a 0, tocando a bola e exasperando um atabalhoado Remo.unnamed (16)

Sem encontrar um lugar para Bismarck, perdido entre os marcadores, e com Eduardo Ramos sobrecarregado com a dupla função de armador e atacante, o Remo mal trocava três passes. Expostos, os laterais Levy e Jadilson eram constantemente envolvidos pelas manobras de Pikachu, Jonathan, Veiga e Aylon. No centro da área, Ciro Sena e Igor João não escondiam a insegurança.

Imperturbável, o Papão conduzia a bola com passes curtos e rápidos, envolvendo todos os jogadores de meio e encontrando sempre alternativas pelos lados. O desenho de jogo, simples e óbvio, não era percebido por Zé Teodoro, que trouxe Flávio Caça-Rato para o lugar de Barreto. Rony substituiu Dadá. Como o time estava encaixotado pela melhor distribuição dos bicolores, nenhuma mudança de jogadores tinha como dar certo.

Quase ao final, Rafael Paty entrou no lugar de Bismarck para tentar o tradicional abafa. O Papão, acomodado, tocava a bola para os lados, deixando o tempo passar. Minutos depois, Levy foi empurrado por Romário e Paty bateu o pênalti, reanimando o combalido esquadrão azul.

unnamed

O gol reanimou o Remo. Havia tempo para pressionar em busca do empate imerecido. Ocorre que quem chegou ao gol foi o Papão. Aproveitando-se de seguidos erros de passe nas laterais, Bruno Veiga, Pikachu e Jonathan voltaram a rondar com perigo a área.

Em jogada nascida de um arremesso lateral, a zaga hesitou na marcação, Jonathan foi mais rápido e a bola chegou a Bruno Veiga, que bateu rasteiro no canto direito de Fabiano. Festa da torcida do Papão, feliz com a partida impecável de seu time e as mexidas certas de seu técnico. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

————————————————————

Veiga e Jonathan em tarde inspirada

O Papão jogou muito, fez por merecer o triunfo e isso deve ser atribuído ao excelente desempenho do conjunto, que se mostrou afiado e atento às orientações do técnico Dado Cavalcanti. Alguns jogadores, porém, estiveram em plano ligeiramente acima dos demais. Casos de Bruno Veiga, incansável nas investidas sobre a defesa remista; Augusto Recife, seguro como rocha em frente à zaga; e Jonathan, voltando aos bons tempos de quase meia-armador, esbanjando habilidade.

Veiga não perdeu uma disputa sequer com Levy e Alberto, seus marcadores mais constantes. Quase ao final, aplicou uma finta que fez Levy perder o equilíbrio e sair de campo. Marcou um gol em lance que combina bom posicionamento e perícia no arremate.

Jonathan foi quase perfeito atuando pelo lado direito do ataque, sem se descuidar do combate ao lado de Augusto Recife e Capanema, este mais dedicado a acompanhar Eduardo Ramos. No final da partida, antecipou-se aos dois beques do Remo e deu o passe para o gol de Veiga.

Augusto Recife fez o mais do mesmo. Quase não erra passes, mantém um estilo sóbrio e econômico, evitando se desgastar e ainda assim conseguindo impor marcação eficiente.

Do lado azulino, os melhores foram Fabiano, fazendo três excelentes intervenções; Bismarck, enquanto teve fôlego; e Eduardo Ramos, que, mesmo vigiado por Capanema e jogando sozinho, demonstrou lucidez e capacidade de organização.

———————————————————–

Papão renasce e Leão corre perigo

Em termos de campeonato, a vitória renasce todas as esperanças do Papão, que agora só precisará se impor dentro da Curuzu contra São Francisco e Parauapebas para chegar à semifinal do returno. Mais que isso: tira a equipe da desconfortável rabeira na classificação geral.

Por ironia, todos os demais resultados da rodada favoreceram o Remo, que não conseguiu se ajudar e agora se encontra em situação aflitiva, pois terá que decidir sua classificação dentro da Arena Verde, em Paragominas. Não precisa ir muito longe para descobrir o quanto o Remo se atrapalha jogando lá, ainda mais tendo Charles Guerreiro no comando do PFC.

Com sete pontos, o Remo precisa vencer para ir à semifinal. Um empate pode até servir, dependendo dos outros jogos, mas a derrota praticamente decreta a eliminação e o fim do sonho de chegar à Série D.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 30)

Diretoria recua e não confirma saída de Zé Teodoro

unnamed

Contra-ordem no Remo. Zé Teodoro continua como técnico do Remo, pelo menos até amanhã. Confusa como sempre, a diretoria decidiu afastá-lo depois da derrota desta tarde contra o Paissandu, mas não oficializou a dispensa e o treinador não entregou o cargo. Os dirigentes entendem que a fraca atuação do time tornou insustentável a situação, mas ele só deverá ser desligado oficialmente do clube nesta segunda. O gerente de futebol Fred Gomes também estaria saindo.

Nomes começam a ser cogitados para a vaga. Ricardo Lecheva, atualmente no Independente, já teria sido sondado. João Galvão, ex-técnico do Águia, também foi lembrado, bem como Flávio Araújo, ex-Sampaio Corrêa. Há, também, a possibilidade de efetivação de Agnaldo de Jesus, que trabalha como auxiliar técnico de Zé Teodoro. (Com informações do repórter Paulo Caxiado, da Rádio Clube)

Tribuna do torcedor

POR CAMILO FERREIRA

Continuo me perguntando o porque do Clube do Remo insistir em forasteiros e preterir os “cabanos”. Trocaria um Zé Teodoro por um João Galvão, trocaria um Caça-rato por um Kariri/Ricardinho/Soares/Flamel/Robinho. Trocaria sem sombra de dúvidas um Fred Gomes por um Agnaldo/Arthur/Gian/Valter Lima.
Nobre amigo colunista desde 2003 és testemunha das lamentações deste pobre azulino e desde 2008 defendo categoricamente a formação de um time cabano (regionais mais os promovidos da base azulina), aaaa Gerson, não consigo entender como entra diretoria, sai diretoria e eles continuam dando murro em ponta de faca. Pior que essas diretorias é o torcedor que agoura os jogadores regionais, mas ora, quantos leandrões, zé afonsos, caça-ratos já não passaram pelo Clube do Remo e esses mesmos torcedores, acredito que por medo, tiveram esperança em ver esses forasteiros tornarem-se ídolos?!
Convenhamos, o Zé Teodoro foi um dos maiores fiascos da história do Clube do Remo.
Ta na hora, álias, passou muito da hora de acreditarem que santo de casa faz milagre sim.

Remo x Paissandu (comentários on-line)

Campeonato Paraense – Returno, 4ª rodada

Remo x Paissandu – estádio Jornalista Edgar Proença, às 16h

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Claudio Guimarães narra; Carlos Castilho comenta. Reportagens – Valdo Souza, Paulo Caxiado, Dinho Menezes, Paulo Sérgio Pinto e Saulo Zaire. Banco de Informações – Adilson Brasil e Fábio Scerni 

PFC vence Independente e assume liderança

Os dois jogos iniciais da quarta rodada do returno do Parazão deixaram o Paragominas muito perto da classificação à semifinal e o Tapajós em segundo lugar no grupo A2. Na Arena Verde, o time de Charles Guerreiro mostrou determinação na vitória por 2 a 0 sobre o Independente, campeão do primeiro turno.

Com apoio da animada torcida presente ao estádio, o PFC marcou aos 23 minutos, com Rodolfo Bastos, concluindo boa jogada de Aleilson. O próprio Aleilson fez o segundo gol aos 38 minutos, batendo da entrada da área. O Independente não conseguiu reagir no segundo tempo e quase sofreu o terceiro gol – Uander desperdiçou cobrança de pênalti.

O PFC chegou a 8 pontos e encerra a fase classificatória no próximo dia 12 de abril, recebendo o Remo na Arena Verde. Já o Independente encara o Tapajós na quarta-feira (01 de abril), em jogo atrasado da segunda rodada.

Em Santarém, o Tapajós superou o Parauapebas por 3 a 1 e chegou ao segundo lugar na classificação do grupo. O artilheiro Welton abriu o marcador logo no primeiro minuto, cobrando pênalti. Aos 28 minutos, Welton voltou a marcar, ampliando a vantagem do Boto Tapajônico.

O Parauapebas perdeu uma penalidade (com Juninho) logo no início do segundo tempo. O time de Léo Goiano continuou insistindo e chegou ao gol aos 17 minutos, com o centroavante Célio Codó. O Tapajós não se abalou e fechou a contagem aos 28 minutos, através de Tiago Costa, desviando de cabeça.

O Tapajós chegou a 4 pontos e assumiu a vice-liderança, tendo um jogo a menos que o Paragominas – joga na quarta-feira com o Independente, em Tucuruí. O Parauapebas, que ainda não venceu no returno, enfrentará o Paissandu no dia 8 de abril, na Curuzu, em Belém.