As 10 melhores torcidas do mundo

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Enquanto a atmosfera tende a higienizar os estádios, ainda existem alguns times no mundo com fãs apaixonados vestindo camisolas e cachecóis, cantando e gritando a plenos pulmões. São torcidas tão importantes e decisivas que em certos casos parecem mais fortes que o próprio clube que idolatram. A revista francesa “So Foot” selecionou dez clubes que podem verdadeiramente se orgulhar de possuírem fãs incondicionais. Curiosamente, nenhum clube brasileiro foi citado. No ranking, a número 1 das torcidas é a do Boca Juniors, da Argentina, cujo templo é La Bombonera (foto acima). As imagens do caldeirão lotado, com os cânticos de incentivo ao clube xeneize, impressionam o mundo há décadas. Poucos clubes no mundo têm seguidores tão apaixonados quanto os que formam a hincha boquense.

Logo abaixo, vem a massa torcedora do Borussia Dortmund, dona da melhor média de comparecimento a estádio em todo o mundo. A famosa Muralha Amarela se impõe e intimida qualquer adversário. O Celtic Glasgow, da Escócia, apesar de não ser dos clubes mais badalados do mundo, tem a terceira torcida mais influente. A surpresa na lista é o quarto lugar do Raja Casablanca, de Marrocos. Conhecidos como os Águias Verdes, os torcedores do Raja se destacam pela poder vocal nos estádios.

Os tifosi napolitanos são os mais arrebatados da velha Itália e incendeiam as arquibancadas do estádio San Paolo nos jogos do Nápoli. Segundo a revista francesa, ocupam o quinto lugar entre as melhores torcidas do mundo. Ridicularizados pela maioria dos rivais de norte da Itália, eles foram capazes de transformar esse ódio em força. São eles contra todos os outros.

O sexto lugar pertence à massa do Galatasaray, da Turquia. Em Istambul, a batalha de três vias travada Galatasaray, Fenerbahçe e Beşiktaş pela supremacia nacional leva a uma rivalidade sem medida nas manifestações nos estádios. Mas os fãs do Galatasaray levam vantagem com seu grito de guerra: “Bem-vindo ao inferno!”.

O Athletic Bilbao, com cem anos de história, foi sempre seguido por devotos fiéis no estádio San Mamés, conhecido como “A Catedral”, que está sendo demolido para que seja construída uma arena mais moderna. Só não há qualquer mudança no fervor de seus torcedores, que ocupam o sétimo lugar no levantamento francês.

O Estrela Vermelha de Belgrado (Sérvia) tem a oitava torcida do mundo. Ela ocupa espaço no “Marakana” Belgrade, impressionante estádio. Apesar da força de seus incentivos, a torcida sérvia é também conhecida como uma das mais violentas do mundo.

É do Urawa Red Diamonds (Japão) a nona melhor torcida do planeta, segundo a So Foot. O futebol cresceu de maneira expressiva no conceito dos japoneses nas últimas duas décadas e isso é particularmente forte em Saitama, em cujo estádio acolhe regularmente mais de 50 000 pessoas para os jogos do Urawa.

Finalmente, a décima colocada no ranking é a torcida do Saint-Etienne (França). Se não há uma cultura de futebol tão desenvolvida como nos países vizinhos, há um templo respeitado por todos no país: o tradicional estádio Geoffroy-Guichard, em Saint Etienne. As arquibancadas são dominadas pela frenética vibração dos jovens torcedores, a maioria dos quais não viu a glória do clube no passado.

Sobre chegadas e partidas

POR GERSON NOGUEIRA

Ronaldo Fenômeno ensaia um retorno aos campos. Confirmou a intenção em entrevista concedida à Maradona, outro useiro e vezeiro em idas e vindas. Como tantos outros jogadores que saíram de cena e cederam à comichão de voltar a correr atrás da pelota, o melhor atacante do mundo na virada do século parece mesmo disposto a reaparecer nos gramados pelo time do qual é sócio na Liga Norte-Americana.

Para os padrões do futebol nos EUA a pretensão de Ronaldo não chega a ser absurda. O nível técnico do campeonato é fraco e permite que veteranos se apresentem sem grandes atropelos. É, por assim dizer, o paraíso da enganação. Kaká já está por lá, Léo Moura está indo.

Mas Ronaldo se engana ao julgar que reaparecer nos States não arranhará sua imagem. Há quatro anos, quando se despediu no Corinthians, seu ritmo já era capenga, situação agravada pelo mau condicionamento atlético. Os aplausos que ganhou no final têm mais a ver com a boa vontade geral pelo muito que fez ao longo da carreira.

Se naquela época já era constrangedor vê-lo em ação contra jogadores mais rápidos, embora menos talentosos, imagine o desconforto que ele causará envergando a camisa da equipe ianque como um peladeiro de fim de semana.

Os fãs que eternizaram na memória suas grandes jogadas pela Seleção Brasileira, Barcelona, Internazionale e Real Madri não merecem tamanha desfeita. Deveria haver um meio de proteger os grandes ídolos do esporte da tentação de estragar o próprio passado.

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A melhor estreia possível

unnamed (31)E quis o destino – ou as bolinhas viciadas dos sorteios da CBF – que o Botafogo seja o primeiro adversário do Papão na Série B. Não podia haver escolha mais perfeita. O jogo será na véspera do Dia das Mães, banquete para 300 e tantos talheres, elevado à condição de principal atração da rodada de abertura.

Caso o preço dos ingressos seja bem calculado e bem explicado ao torcedor, o Papão pode embolsar até R$ 2 milhões logo na estreia. Ao mesmo tempo, há o lado da exposição positiva. Enfrentar o Botafogo, time mais badalado do campeonato, renderá ao Papão preciosos espaços no noticiário da mídia nacional, condição que pode ser capitalizada para obter patrocínios exclusivos para o jogo.

Do ponto de vista técnico, encarar o Botafogo assim de primeira será bom negócio também, pois os times ainda estarão em fase de ajustes e as chances de sucesso do Papão serão potencialmente maiores. Em caso de vitória, dará ao time paraense entusiasmo (e moral) para entrar na competição como um dos candidatos ao acesso.

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Os Flamengos de Moura e Luxemburgo

Uma das virtudes do futebol está no fato de ser sempre uma obra em aberto. Todos têm liberdade para analisar, criticar e fazer juízo de valor sobre jogadores e times. Por isso, raramente enganações prevalecem por muito tempo. É natural que algumas opiniões sejam divergentes sobre determinado atleta, mas no geral o senso comum acaba falando mais alto.

Vanderlei Luxemburgo, na entrevista após o jogo de despedida de Léo Moura no Flamengo, mostrou certa impaciência e disse que o clube não pode ficar eternamente a lamentar o adeus do lateral-direito. À parte o lado descortês da declaração, cabe entender melhor a posição do treinador.

Na penúltima passagem do técnico pelo Flamengo, quando Ronaldinho Gaúcho mandava prender e soltar por lá, alguns jogadores se juntaram ao veterano meia-atacante em campanha interna contra Luxemburgo, que acabaria demitido por força de seus conflitos com o grupo. Léo Moura era um dos melhores amigos de Gaúcho no clube.

Obviamente, o técnico jamais esqueceu a história e olha para a saída de Léo sem qualquer tristeza. Ex-jogador e torcedor rubro-negro, Luxemburgo tem a exata noção do papel do lateral na história do Flamengo, sabendo que ele jamais pode ser comparado a um Leandro, um Jorginho, por exemplo, para ficar somente em dois nomes recentes.

Como muita gente, o técnico deve imaginar que os rapapés e salamaleques são exagerados, embora funcionem como bom evento de marketing. Não está sozinho. Ontem mesmo, Leandro lamentava nunca ter sido lembrado para uma festa de despedida pelo clube. E olha que Leandro, comparado a Moura, merecia uma semana inteira de folguedos e fuzarcas sob o rufar dos tambores e queima de fogos.

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A façanha do Galo Elétrico

Para surpresa geral, o Independente disparou categórica goleada sobre o Icasa-CE, quarta-feira à noite, no estádio Navegantão. Com incrível facilidade, o Galo Elétrico de Lecheva envolveu e trucidou o adversário nos 45 minutos finais. A goleada de 5 a 0 praticamente põe o Independente na 2ª fase da Copa do Brasil, o que lhe garantirá dinheiro em caixa e bala na agulha para se reforçar.

Foi o melhor resultado de um clube paraense diante dos nordestinos nos últimos anos, superando até os 4 a 0 que o Papão (do mesmo Lecheva) aplicou no Sport, então sob a direção de Mazola.

O triunfo pode também ter reflexos positivos para o Galo na decisão do returno do Parazão, domingo, contra o Parauapebas, lá mesmo em Tucuruí.

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Uma breve faísca de futebol-arte

Andrés D’Alessandro é um dos maiores craques em atividade no mundo e deu anteontem mais uma prova insofismável de seu talento. No primeiro gol do Internacional sobre o Emelec, o meia apanhou a bola à altura do meio-campo e entre seis jogadores adversários conseguiu descobrir Nilmar deslocando-se pela esquerda.

De cabeça erguida, D’Alessandro mandou um passe perfeito no único espaço possível entre os marcadores diretos do atacante. Nilmar entendeu a senha e recebeu a bola. Na sequência, driblou um zagueiro e bateu na saída do goleiro. Um gol que contém a história da arte aplicada ao jogo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 06)

Todos esperando por Zavascki

POR TEREZA CRUVINEL

Se antes da cortina do sigilo ser levanta a lista de Janot já produziu tamanho estrago político, imagine-se quando o ministro Teori Zavascki divulgar os nomes contra os quais o procurador-geral Rodrigo Janot pediu a abertura de inquéritos. Agora estão todos esperando Zavascki, que promete fazer isso amanhã, uma sexta-feira de Congresso vazio: pelo menos não haverá retaliações imediatas de terceiro grau, como a de Renan Calheiros na terça-feira.  Enquanto isso os bombeiros atuam, entre eles o ex-presidente Lula, tentando através de emissários convencer Renan e Eduardo Cunha que não houve a conspiração palaciana que os teria “empurrado” para dentro da lista. O fim do sigilo deve trazer alguma distensão política.

Mas ninguém se iluda: o tempo que vem aí será de vaca estranhando bezerro,  num processo que está apenas começando. Só vamos saber, por exemplo, se haverá outro grande julgamento político, como o do mensalão, lá na frente, quando Janot optar por uma denúncia coletiva como a de Roberto Gurgel, ou por várias denúncias individuais. Neste último caso os julgamentos se diluirão no tempo, reduzindo as repercussões políticas.

O levantamento do sigilo, amanhã, jogará luz sobre a fumaceira que está no ar desde terça-feira. Nem por isso, as coisas ficarão melhores mas já estaremos tratando com fatos, não com versões ou boatos. A lista oficial trará elementos que vão fortalecer ou enfraquecer a teoria conspiratória segundo a qual – na leitura de Cunha e Renan – o Planalto atuou para que fossem incluídos.  Uma suposição que, de resto, ofende o procurador-geral. A isso ele se refere muito sutilmente em sua carta aos colegas do Ministério Público, quando diz: Não guardo o dom de prever o futuro, mas possuo experiência bastante para compreender como a parte disfuncional do sistema político comporta-se ao enfrentar uma atuação vigorosa do Ministério Público no combate à corrupção. Não acredito que esses dias de turbulência política fomentarão investidas que busquem diminuir o Ministério Público brasileiro, desnaturar o seu trabalho ou desqualificar os seus membros. Mas devemos estar unidos e fortes.” Cunha e Renan o desqualificam quando dizem que foram empurrados para dentro da lista pelo Planalto para dividirem com o Congresso os danos sofridos com a Operação Lava Jato.

Relativamente ao papel de Dilma (ou auxiliares) será estranho que, tendo poder para “empurrar” os notáveis peemedebistas, não o tenha usado para tirar da lista petistas como os ex-ministros Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo (se a inclusão deles também for confirmada).

Renan e Cunha têm experiência suficiente para avaliar que Dilma e seu governo teriam que ser estúpidos demais para entrar num jogo de alto risco como este. Um governo com alta necessidade de recompor sua base e garantir a governabilidade no meio de uma crise política e econômica estaria brincando na beira do abismo com tal jogada. Na política há espaço para enganos e autoenganos de todo tamanho mas a lógica não endossa a teoria conspiratória. Ainda que tivesse havido tal espúria negociação, Janot  só poderia poupar nomes – como fez com Dilma e Aécio –  não “empurrar” pessoas contra as quais não houvesse indícios.

Suposição por suposição, pode-se dizer, com base na experiência dos anos recentes, que Renan nunca segurou a alça do caixão de ninguém. Sempre pulou do barco antes que a água subisse. Afastou-se de Collor em tempo, deixou de ser ministro de FH quando a impopularidade apontou para a mudança de 2002. Contou com o apoio de Lula e do PT quando enfrentou o chamado “Renangate”, em que foi acusado de ter despesas de pensão alimentícia pagas por uma empreiteira. Agora, estaria preparando um desembarque que o preservaria para novas alianças – já virou herói do PSDB – e ainda o colocaria no papel de vítima, deslocando-o do círculo das maldições em torno do PT e do governo Dilma.

O que vem pela frente?

No melhor cenário, PT e PMDB firmam um pacto de convivência e defesa mútua e a vida segue, mas com muita turbulência, pois o moinho da CPI vai produzir fatos que vão engrossar os inquéritos agora abertos.

No pior, a situação política desanda para valer e contamina também a economia, com a inviabilização do ajuste fiscal. E o país pagará caro, muito caro, pelos erros de sua elite política.