Invencibilidade e sofrimento

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POR GERSON NOGUEIRA

Quem chegasse ao Mangueirão sem conhecer direito os times iria imaginar que o mandante era o Gavião, pois era quem tomava a iniciativa de atacar na maior parte do tempo. Como se fosse um time pequeno, o Remo tinha domínio, mas preferia ficar segurando o jogo atrás, à espera de um contra-ataque, estratégia normalmente de times visitantes e menos qualificados.

Depois que estabeleceu a vantagem, a situação piorou ainda mais para os quatro mil torcedores presentes, pois o Remo passou a se preocupar em segurar o resultado. E o que já era feio se tornou horroroso, com excesso de faltas, troca de passes a esmo e chutes tortos de lado a lado.

Vale observar que organização tática é algo que passa longe do desenho de jogo do atual time azulino. Há apenas uma concentração de jogadores à frente da defesa e um meio-campo que busca se movimentar, mas sem planejamento ou articulação. A única opção de chegada é o avanço de Eduardo Ramos e Bismarck com a bola dominada.

Por sorte, como ambos jogaram bem nos primeiros 45 minutos, o Remo estabeleceu a vantagem necessária para vencer a partida, acumular sete pontos no returno e se manter com boas chances de ir à semifinal. Fica a dúvida: se os dois meias-atacantes estivessem em noite pouca inspirada a vitória seria conquistada? Improvável.

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No começo, o Remo foi superior. Reteve mais a bola e, como de costume, comportou-se bem do meio para a frente. Na defesa, porém, a história era sempre aflitiva. O mau posicionamento da zaga, principalmente da dupla central, inquietava o time inteiro. Os seguidos cruzamentos causavam um pandemônio.

Apesar disso, o Remo marcou logo aos 11 minutos, com Bismarck, seu mais desembaraçado homem de frente. Três minutos depois, cedeu o empate. Monga, aproveitando buraco deixado por Levy na marcação, marcou o gol do Gavião.

O jogo se desenrolava com boas chances para o Remo, mas a finalização deixava a desejar e a defesa sempre provocando sustos, mesmo depois que Yan substituiu Rafael Andrade, lesionado. Dois penais foram cometidos pela zaga do Gavião e o árbitro marcou o segundo, mas Eduardo Ramos perdeu – na verdade, o goleiro Urías fez grande defesa.

O Remo continuou em cima, mas se atrapalhava na má condução por Alex Ruan, que embolava no meio e visivelmente não conseguia dar conta da improvisação como meio-campista. Dadá então passou a acompanhar Ricardinho de perto, anulando o velocista que incomodava a defesa.

Pela insistência, o Remo acabou chegando ao segundo gol. Aos 38 minutos, Bismarck voltou a balançar as redes tranquilizando as coisas momentaneamente. Mesmo atuando com cautela exagerada, o time desperdiçou duas boas chances de definir o jogo.

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Quando a bola rolou para o segundo tempo, a defesa remista voltou a aprontar das suas. Erros seguidos, pouca combatividade e muita sorte no cruzamento que passou por todo mundo e explodiu na trave de Fabiano.

Os minutos finais mostraram um Gavião aguerrido e confiante, procurando se aproveitar da timidez ofensiva do Remo. Às duras penas, a vitória (importantíssima) foi conquistada, a invencibilidade chegou a nove jogos, mas o torcedor tem motivos para ficar preocupado com o que viu. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Papão: um tropeço que não estava nos planos

Com apenas três pontos no returno, o Papão elegeu o confronto contra o Independente como prioritário para encaminhar a arrancada rumo à classificação para a semifinal. Pela firme resistência do time interiorano, esses planos acabaram frustrados no estádio Navegantão.

O começo lembrou o jogo de Castanhal, quando o Papão teve ampla superioridade enquanto o campo estava seco e permitia a troca de passes em velocidade. Na ocasião, o gol saiu logo e a reação do adversário na etapa final não foi suficiente para impedir a vitória.

Anteontem, porém, a coisa foi bem até a paralisação em função da falta de energia. Depois, veio o sufoco. O Papão não tinha estabelecido vantagem e enfrentou imensas dificuldades em conter a empolgação do Independente nos instantes finais do primeiro tempo.

O Independente voltou para o segundo tempo com o mesmo ímpeto e fez seu gol logo aos 9 minutos, em cabeceio de Dudu entre os zagueiros do Papão. Logo depois, outro gol em cruzamento vindo da linha de fundo. Joãozinho, sozinho na pequena área, tocou para as redes.

Em menos de 20 minutos, o Galo conseguiu desmontar o sistema defensivo do Papão e poderia ter feito mais dois gols, em lances com Douglas e Daniel Piauí. O primeiro forçou um erro do zagueiro Willian Alves, que desviou a bola na trave de Andrey. Depois, Piauí mandou bola perigosíssima que o goleiro Emerson espalmou para escanteio.

O Papão só conseguiu se reequilibrar nos 15 minutos finais, quando o Galo recuou, cedendo espaços no meio-campo. Só então Carlinhos, Jonathan e Djalma (que substituiu a Radamés) conseguiram jogar. Pikachu e Jonathan quase marcaram, mas não havia muito tempo para engatar uma reação.

Uma atuação ruim dos bicolores, prejudicada pelo estado do gramado e complicada pelo aplicado desempenho do Independente, sempre determinado a garantir os três pontos.

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Viagem valoriza conforto e faz bom uso do marketing

A derrota impediu que se valorizasse adequadamente a iniciativa da diretoria do Papão, que mandou a delegação para Tucuruí em voo fretado. Além da ousadia, uma decisão acertada, pois livra os jogadores de uma viagem normalmente cansativa.

Mais que isso: o gesto revela boa estratégia de marketing e sinaliza para a modernização dos procedimentos, colocando o representante paraense na Série B no patamar dos grandes clubes, que se utilizam do mesmo expediente para garantir mais conforto aos seus atletas. Este é o caminho.

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Vitória segura e merecida sobre a França

Apesar da dependência (ainda) excessiva de Neymar em muitos momentos, o Brasil de Dunga venceu a França no melhor amistoso da fase preparatória para as eliminatórias. Com jogadores bem ajustados ao esquema, o time equilibrou o primeiro tempo e se soltou no segundo. Neymar, Marcelo, Felipe Luís e Oscar foram os melhores, juntamente com o paredão Jefferson lá atrás.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 27)

Igreja tenta excluir fan page de cartunista

DO COMUNIQUE-SE

charge-vitor-teixeira-300x223A Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) notificou extrajudicialmente o cartunista Vitor Teixeira pedindo o fechamento de sua fan page no Facebook, sob alegação de “incitação ao ódio religioso”. A polêmica foi originada por uma charge publicada na rede social, que critica o projeto “Gladiadores do Altar”, criado pela igreja. O setor jurídico da Iurd enviou um documento na última semana diretamente ao Facebook e, além de pedir a exclusão da página, solicitou os dados do administrador.

Na rede social, o ilustrador compartilhou o documento e falou sobre o caso. “Publico esse comunicado aqui, e o repudio, pois considero uma ameaça clara à liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação. Diga-me quem te processa e eu te direi quem és”.
Teixeira esclareceu, ainda, que se sentiu obrigado a fazer um acordo com a igreja. “Eles aceitaram que eu excluísse apenas a imagem, e não a página. Prometeram não me acionar mais judicialmente, depois da censura ser concluída. Me senti intimidado com o comunicado deles. Não apenas temi pela minha liberdade de pensamento, como pela minha integridade física, já que agora eles possuem um exército”, revelou em contato com a revista Fórum.

Árbitro paulista comandará o Re-Pa

A FPF confirmou na tarde desta quinta-feira o trio de arbitragem para o Re-Pa do próximo domingo. Rafael Clauss (Fifa-SP) será o árbitro central, auxiliado por Marcelo Von Gasse (Fifa-SP) e Alexandre Rocha Matos (Fifa-BA). Dewson Freitas (Fifa-PA) será o quarto árbitro e Joel Alberto Resende será o quinto.

O tucano morto e o tucano que se finge de morto

tucanos

DO BLOG CONVERSA AFIADA

Uma das coisas que me enchem de esperança é a imparcialidade da mídia brasileira.
Ontem, seu herói Sérgio Moro, deixou publicar seu relatório em que, a respeito do suposto operador de propinas Fernando Baiano,  afirma textualmente: “com o levantamento do sigilo sobre os depoimentos da colaboração premiada de Alberto Youssef e de Paulo Roberto Costa, veio à luz informação de que teria havido pagamento de propina a parlamentares para obstruir as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás dos anos de 2009 e 2010″.
E os confirma, adiante, dizendo que há “prova de que ele teria intermediado o pagamento de propinas para obstruir o regular funcionamento de Comissão Parlamentar de Inquérito de 2009 e 2010, evidenciando risco à investigação e à instrução”.
É obvio que não se pode abrir inquérito sobre um morto, como é o caso de Sérgio Guerra.
Mas poderia ter, sozinho, Sérgio Guerra, “vendido” por R$ 10 milhões o “fim” da CPI da Petrobras?
Obvio que não, porque não tinha este poder.
Nos jornais não há uma palavra sobre o que aconteceu no dia 10 de novembro de 2009, quando foi “entregue a mercadoria”  pela qual se teriam pagos os R$10 milhões .
A foto aí de cima é daquele dia, quando o senador Álvaro Dias, sob o olhar matreiro e o mal contido sorriso de Guerra, anuncia que ele – autor do requerimento que criou a CPI – está desistindo da investigação, tal como Guerra e o outro oposicionista que a integrava, “senador filho do senador” Antônio Carlos Magalhães.
O argumento foi que não os deixavam investigar. E o fato é que ali se deu a consumação do crime de concussão praticado por Guerra ao pedir dinheiro para que a CPI não causasse problemas a quem estava roubando na Petrobras.
Mas, claro, Álvaro Dias não sabia de nada e apenas cedeu aos argumentos do colega  tucano, que apareceu na véspera em seu gabinete trazendo um bolo de rolo bem pernambucano e dizendo: “Alvaro, vamos terminar com esta CPI…”
“Tá bom, Serginho, amanhã eu anuncio isso e a gente bota a culpa no Governo”. Escuta, esse bolo de rolo aí é só para você?”
Dias está quietinho. Não fala, até porque ninguém pergunta, sobre como foi este episódio onde executou o ato que Guerra “vendeu”.
Dr, Janot, como o MP é a “esperança do Brasil”?