Nacional x Papão (comentários on-line)

Copa Verde 2015 – 2ª fase, jogo de volta

Nacional-AM x Paissandu – estádio da Colina, em Manaus, 18h30

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Na Rádio Clube, Jorge Anderson; Carlos Castilho comenta. Reportagens – Dinho Menezes, Giuseppe Tommaso. Banco de Informações – Adilson Brasil e Fabio Scerni.

Um jogo de risco calculado

POR GERSON NOGUEIRA

Deveria ser quase um amistoso, mas virou jogo de alto risco. O esquema montado em Manaus para Nacional x Paissandu, neste domingo, no estádio Ismael Benigno – a Colina – indica que há expectativa de um grande público. Algo em torno de 10 mil torcedores são aguardados, levando as autoridades a mobilizarem mais de 400 homens para a segurança dentro e fora do estádio. Está previsto até monitoramento de câmeras em áreas próximas ao estádio, como ocorria nos jogos da Copa do Mundo, no ano passado.

unnamed (47)É mais do que uma sinalização de que o torcedor nacionalino não jogou a toalha em relação à classificação. O desafio é arrojado. O time baré precisa vencer por três ou mais gols de diferença para se classificar. O revés em Belém, quando a equipe então dirigida por Sinomar Naves levou de 4 a 1, ainda não foi devidamente digerido e o Naça nutre esperanças de uma reabilitação heroica.

Diante disso, mais do que nunca, o Papão precisa estar precavido. Sua vantagem é expressiva. Pode perder até por 2 a 0 ou dois gols de diferença. Caso faça um gol, praticamente sepulta as possibilidades do Naça, que seria obrigado a marcar cinco.

Como futebol é dado a falsetas, o técnico Dado Cavalcanti procedeu bem ao definir a partida como decisão e sem favoritismos. No raciocínio dele, o representante paraense deverá entrar no gramado da Colina pensando exclusivamente nos 90 minutos, esquecendo-se do jogo de ida. Truque psicológico para fazer com que todos se empenhem em busca de uma vitória ou até mesmo um empate, sem se contaminar pelo favoritismo decorrente da goleada em Belém.

Dado não fará mudanças drásticas em relação ao jogo em Rio Brilhante, quando uma vitória certa foi frustrada por erros de posicionamento. A única mudança deve ser na defesa, com a saída de Marquinhos. Os demais setores permanecem inalterados, garantindo o entrosamento.

A experiência de jogadores como Augusto Recife e Radamés pode ser fundamental para que o Papão desenvolva um jogo tranquilo, sem se deixar influenciar pela pressão dos donos da casa. Caso funcione bem desde o início, o ataque terá papel decisivo, com Carlinhos funcionando como suporte para os homens de frente, além da habitual presença de Pikachu como falso atacante pelo lado direito. Marcar um gol é tudo que o Papão precisa para levar as coisas a bom termo.

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Percalços atormentam o Leão

A sexta-feira reabriu a porta da desesperança no Evandro Almeida. Explodiram, via diferentes fontes, as notícias de cisão na diretoria, com presidente e vice que mal se falam. Diretores ameaçam pedir o boné e, em meio a isso, surge o risco de um motim a bordo do elenco de jogadores. A crise não podia eclodir em pior momento, quando o time acaba de renascer no campeonato estadual e está em vias de se classificar à semifinal da Copa Verde.

Na verdade, tudo começou lá atrás, ainda em 2014. O pior dos cenários para o Remo, desenhado há meses, era o da malquerença interna. O conflito entre grupos políticos sempre ameaçou a estabilidade da gestão. A primeira eleição direta da história do clube foi feita, forçosamente, em dois turnos e Pedro Minowa emergiu das urnas como o grande vitorioso, reunindo novos e velhos azulinos em torno de uma plataforma confusa e mal explicada.

Como todos aprendemos a pensar que renovação é sempre saudável e sinal de vigor democrático, os buracos negros dos planos de governo de Minowa não foram levados em conta. Preferiu-se acreditar que tudo se arrumaria com o tempo. Ledo engano.

A herança de gastos e dívidas deixada pela diretoria anterior caiu sobre os ombros dos novos dirigentes. A reação de surpresa indica que não se informaram sobre a real situação contábil do clube. Com a necessidade premente de contratar um técnico e formar elenco, a diretoria tratou de engordar as dívidas.

Internamente, falava-se em discórdia entre o presidente e seu vice, Henrique Custódio. O que era apenas rumor se confirmou nesta semana, depois que os jogadores começaram a se manifestar, incomodados com o distanciamento em relação aos dirigentes. O técnico Zé Teodoro ainda conseguiu represar as insatisfações do elenco, mas na sexta-feira eram fortes os rumores de que alguns atletas estariam insatisfeitos.

A coisa degringolou de vez com a notícia de que Flávio Caça Rato e Mateus Carioca teriam sido despejados de um hotel e abrigados às pressas em outro, por consideração de um dos abnegados do clube.

De erro em erro, o Remo vem cavando sua própria desdita, diretoria após diretoria. A de agora apenas reproduz um velho script. O torcedor, que nada tem a ver com a incompetência dos gestores, a tudo assiste, impotente, sem ter como agir.

As mazelas administrativas conspiram até mesmo contra as possibilidades de receita. Além da queda, o coice: os ingressos para a partida contra o Princesa do Solimões, neste sábado, chegaram com muito atraso, prejudicando consideravelmente a venda.

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Bola na Torre

O atacante Val Barreto, do Remo, é o convidado deste domingo no programa Bola na Torre (RBATV). Guilherme Guerreiro apresenta, com as participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Começa logo depois do Pânico, por volta de 00h15.

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Rio de raivas e desconfianças

O clássico Vasco x Flamengo, válido pelo Campeonato Carioca, marca o retorno oficial de Eurico Miranda à arenga das rivalidades do sempre turbulento futebol do Rio. Depois de voltar à presidência do Vasco, Eurico vinha se mantendo razoavelmente discreto, mas nesta semana voltou a ser o Eurico de sempre, pressionando arbitragem, provocando os rubro-negros e se aproximando da cúpula da Federação Carioca de Futebol. O Flamengo age como se nada estivesse acontecendo, mas todos sabem que algo mudou na paisagem. E, certamente, não foi para melhor.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 22)