Bresser: ricos têm ódio de Dilma e do PT

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Do economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, fundador do PSDB, que está lançando o livro “A Construção Política do Brasil”, em entrevista à Folha neste domingo:

(…)

Surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente. Não era preocupação ou medo. Era ódio.

Esse ódio decorreu do fato de se ter um governo, pela primeira vez, que é de centro-esquerda e que se conservou de esquerda. Fez compromissos, mas não se entregou. Continua defendendo os pobres contra os ricos. O ódio decorre do fato de que o governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas.

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O risco do canto da sereia

POR GERSON NOGUEIRA

Sempre que a dupla Re-Pa se atrapalha no campeonato estadual surgem os defensores empedernidos do “modelo interiorano”, seja lá o que isso queira dizer. É comum que a sugestão venha acompanhada de um recado direto aos dois grandes do nosso futebol: recomeçar do zero, buscando purificação depois de tantos pecados cometidos. Algo radical, como 8 ou 80, tudo ou nada, ou vai ou racha.

Tais propostas carregam vícios de origem que a paixão cega do torcedor não permite observar. E o pior é que, sob pressão insuportável e no calor da hora, já houve dirigente que se deixou embalar por esses argumentos – apenas para quebrar a cara um pouco mais adiante.

Tudo porque é improvável que a receita seguida pelas equipes medianas possa ser aplicada plenamente na gestão dos grandes.

unnamed (12)Quando Independente, Cametá, Tapajós e Parauapebas se classificam para decidir o primeiro turno, suplantando a Remo e Papão, é natural que o trabalho desenvolvido no interior chame a atenção de todos e chame a atenção de todos.

Sob o comando de técnicos regionais (Cacaio, Lecheva) ou meras apostas (Victor Hugo, Léo Goiano), os emergentes mostram desempenho compatível com seus gastos. É certo que atingiram tal patamar por seus méritos, mas não se pode ignorar que os grandes também colaboraram decisivamente para isso.

É importante que o sucesso momentâneo não dê à fórmula dos interioranos a aura da perfeição absoluta, como se fosse imune a erros. Em primeiro lugar, os clubes dispõem de orçamentos modestos e formam equipes para durar apenas três meses e contratam jogadores em disponibilidade, quase sempre recrutados entre atletas refugados por Leão e Papão.

Às vezes, dá muito certo. Como em 2011 e 2012, com Independente e Cametá campeões estaduais. Outras vezes, muitas outras, nem tanto, embora os êxitos sejam – justificadamente – mais lembrados.

A dupla da capital é normalmente sacudida por esses exemplos sazonais de sucesso. As tais receitas certeiras são citadas a todo instante, inclusive por alguns de nós, da crônica esportiva, como curas para todos os males. Seria maravilhoso se fosse verdade, mas a realidade desaconselha esse raciocínio.

Clubes de massa não podem ser comparados a equipes formadas no interior, sem tradição ou torcida por trás, cujo intuito imediato é apenas o de disputar dignamente o Parazão. É mínima a cobrança em cima desses times, o que dá aos técnicos e jogadores tranquilidade para trabalhar. Ao contrário do que ocorre com os da capital, vigiados e acompanhados diariamente pelas massas torcedoras. Qualquer vacilo pode desencadear reações furibundas e até insanas.

Vai aí uma imensa e fundamental diferença. Com torcedores a exigir-lhes resultados e conquistas, Leão e Papão tendem a ceder a pressões por contratações mirabolantes, massivas e que nem sempre se revelam satisfatórias. E têm dificuldades de controlar o impulso gastador, mas são levados a isso pelo peso da responsabilidade junto ao torcedor.

Dirigentes sabem que, em caso de frustração, as torcidas condenam as diretorias ao limbo, sem chances de redenção futura. Há inúmeros casos até de ameaças físicas e constrangimentos a familiares.

Contribui decisivamente para este cenário a baixa conscientização do torcedor apaixonado, cuja compreensão do universo futebolístico raras vezes avança além do interesse pelo seu clube de coração. Incapaz de vislumbrar toda a complexidade de um esporte que virou negócio, e negócio caro.

Enquanto o torcedor seguir avaliando a performance de um time pela quantidade de vitórias que acumula, sem se preocupar com a estrutura que sustenta isso, os gestores da dupla Re-Pa estarão acuados e propensos ao erro.

Mais do que macaquear o sucesso passageiro dos interioranos, os gigantes precisam rever suas relações com as torcidas, explicar claramente a elas o quanto custa fazer futebol competitivo hoje no Brasil e não recuar de projetos austeros de equilíbrio contábil.

Sem essa providência, os milagres dos emergentes tendem a seguir encantando os ingênuos e empurrando Leão e Papão para a beira do precipício absoluto. Daí, para o fim, será apenas mais um passo.

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Em Santarém, a ousadia contra a prudência

Na segunda partida das semifinais do turno, o Tapajós recebe o Independente hoje no estádio Barbalhão, em Santarém. Disposto a fazer história como o estreante que vira sensação do campeonato, o time de Victor Hugo busca o triunfo tentando corrigir os erros que determinaram sua primeira derrota, na quinta-feira, frente ao Gavião.

O Independente, depois de tropeços consecutivos diante do Brasília e do Parauapebas, quer estancar o que parece um processo de queda. Nada melhor do que vencer em campo inimigo. Lecheva é o mais experiente entre os técnicos em ação nas semifinais e conhece como ninguém as peculiaridades do Parazão.

O Tapajós se ampara na velocidade e vigor de peças como Wendel, Patrick, Moisés, Felipinho e Adriano Miranda. O Independente valoriza o conjunto e a distribuição tática. O Tapajós é agressivo, o Independente é mais contido. Pelos ingredientes, tem tudo para ser um bom jogo.

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Um clássico à moda antiga

Faz tempo que o futebol não nos brinda com um clássico disputado com a saudável liberdade dos tempos áureos e sem o esquematismo que encarcera as equipes atuais. Talvez só os campeonatos estaduais ainda permitam que times entrem em campo de peito aberto, quase sem medo de arriscar.

Rio, com Flamengo x Botafogo, e Porto Alegre, com Inter x Grêmio, têm hoje a chance de reeditar esses momentos que fizeram a história e a glória do Brasil como berço do bom futebol.

Estou convencido de que, mais que dos craques – quase inexistentes hoje –, o jogo sente falta do descompromisso.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir de 00h10, na RBATV, com a participação de Eduardo Ramos (Remo). Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 01)