Em 2018, não agora

POR LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, EM ‘O GLOBO’

O Brasil vive um momento cheio de contradições. No curto prazo há um grave problema econômico causado por um enorme e crescente déficit em conta-corrente, que está aumentando o endividamento do país e o ameaça com uma crise de balanço de pagamentos, e uma crise de confiança interna que resulta do superávit primário que se tornou negativo e da inflação que aumentou.

No longo prazo, o quadro econômico é mais grave. Um país cujo crescimento per capita foi de 4,1% ao ano entre 1950 e 1980, passou a crescer menos do que 1% desde 1980. Está quase estagnado.

Igualmente preocupante é a crise política que está paralisando o governo. Essa crise começou em 2013, quando aos erros do governo na área econômica e ao baixo crescimento somou-se o mensalão. A partir desse momento, os ricos, inclusive a alta classe média, que não estavam satisfeitos com a clara preferência pelos pobres revelada pelo governo em um tempo de baixo crescimento, passaram a olhar o PT e a presidente não mais como adversários, mas como inimigos, e nos vimos diante de uma coisa surpreendente: o ódio substituindo o desacordo e a crítica.

Entretanto, não obstante o desgaste que estava sofrendo por boas e más razões, a presidente foi reeleita. Ganhou por uma pequena diferença, contando principalmente com o apoio dos pobres. Contou, portanto, com o apoio daqueles que têm um voto — e não com o apoio da sociedade civil, ou seja, da soma daqueles cujo poder é ponderado pelo dinheiro, pelo conhecimento e pela capacidade de comunicação e organização que cada um tem.

Ora, o poder real em uma sociedade moderna está na sociedade civil, não no povo, o que configura uma crise política grave. Mas uma crise que pode e deve ser administrada. A sociedade civil, em particular os ricos e a oposição política, precisa assumir sua responsabilidade para com a nação, aceitar a derrota nas eleições e voltar a ajudar o país a ser governado, em vez de falar em impeachment ou em tentar inviabilizar o governo. O próximo embate eleitoral é em 2018, não é agora.

(*) Luiz Carlos Bresser-Pereira é ex-ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique

2 comentários em “Em 2018, não agora

  1. Recebí uma mensagem via WatsApp em meu celular, onde um individuo pedia para que durante o pronunciamento do vice presidente e alguns ministros, desligássemos a TV…

    Esses oportunistas pensam que todo mundo é alienado.

    Ora, quem quer o bem do Brasil ou de qualquer coisa que seja, tem que tá aberto ao dialogo, tem que ouvir o que se tem pra dizer, tem que fazer sua parte para que se possa chegar a uma condição em que todos dê a sua parcela de contribuição.

    Quando a minha presidente fala e eu bato a panela, estou sendo ignorante, além de não quer ouvir, não quero que ninguém ouça.

    Quando desligo a TV e peço para que todos desliguem, não quero ouvir aquilo que pode pelo menos gerar em mim uma opinião que aceite o diálogo.

    O que essas pessoas querem é exatamente isso, botar gasolina no fogo.
    Não querem acordo, não querem dialogo, não querem nada.
    Querem apenas o que perderam, pois quando tinham nas mãos, não foram povo.

    Mas se enganam, pois, se quiserem o Brasil de volta, vão ter que recuperar no voto em 2018, na marra não vão conseguir.

    Até porque o povo na sua maioria escolheu a Dilma a pouco meses, e é com ela que vamos.

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  2. E uma das grandes contradicoes que o Brasil assiste na atualidade é ver figurss como Bresser Pereira, Delfin Neto, Maria da Conceição Tavares, justamente estes, surgirem de repente, do nada, para defender o governo p e t i s t a, justamente o governo p e t i s t a. Note que aqui falo em contradicão e não em surpresa. Já não há com o que se surpreender. Não mais. Depois que já fizeram o mesmo caminho figuras como S a r n e y, C o l l o r, M a l u f, dentre outros menos votados, mas tão perniciosos quanto, ninguém que não tenha nascido ontem pode se surpreender, ou não notar, ou não entender Que sao todos banhistas das mesmas águas.

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