Por Hiroshi Bogéa
Ainda repercute nas redes sociais post da colunista social do jornal O Liberal, Yáskara Cavalcante, desejando aos eleitores que reelegeram a presidente Dilma Rousseff (PT) “tudo de ruim pra essa gente pobre e ignorante”.
Em outro parágrafo da nota, a “colunista” se diz aliviada pelo fato “da minha filha mais velha estará deixando esse país de ratos e porcos em alguns meses”, e que a “mais nova vai em alguns anos”.
A moçoila-mãe deveria aproveitar o embalo para ir juntas, se possível, carregando, também, a tiracolo, o cantor Lobão.
Esse tipo de “jornalista”, o Brasil abre mão, porque só contribuiu com mazelas ao atiçar o fofoquismo das madames em beira de piscinas.
Na eleição que reelegeu Dilma, houve violência para todos os gostos.
Os gays foram achincalhados porque… são gays.
Mulheres sofreram violência porque… são mulheres.
Nordestinos chamados de paraíbas quase como um elogio carinhoso, ou como símbolos de sinais preocupantes de perda de seiva de um partido.
Agora, a colunista de O Liberal escancarou o ódio aos pobres – porque a maioria do povo brasileiro reconduziu o PT para mais um mandato presidencial.
Se a direção do jornal O Liberal não compartilha com esse tipo de intolerância e preconceito, registrado no texto da moça nas redes sociais, o demitiria na hora.
Um veículo de comunicação de massa não pode ter entre seus quadros a extensão do reacionarismo demonstrada por essa mulher.
Na tese da cordialidade do brasileiro (eternizada pelo historiador Sérgio Buarque de Hollanda nos anos 1930), seríamos o país da generosidade, da civilidade, da hospitalidade gratuita – a terra do coração. Negando a violência, a capacidade de manifestar nosso ódio, nosso racismo, nosso ressentimento social, agiríamos pelo coração, passionalmente. Inclusive quando odiamos.
Sérgio Buarque, lá de cima, deve estar bastante decepcionado com as mudanças ocorridas no país, nos últimos doze anos – depois que seguidos governos dos trabalhadores tiraram cerca de 40 milhões de gente da miséria absoluta, formando nova Classe C.
Aqueles que continuam a ganhar muito – ou se exibem como assim o fossem, não sendo capaz – ao fundo – de honrar nem o aluguel do prédio onde moram – não suportam ver tanta gente feliz, protegidos por governos populares.
Yáskara faz parte dessa elite desapontada com o riso largo no rosto da empregada doméstica, depois de ter conquistado seus direitos trabalhistas, patrocinados pelo governo que ela tanto odeia.
O desconforto é tanto, no lar desses almofadinhas de quinta categoria que eles nem mais conseguem ocultar passagens memoráveis do ódio, do preconceito e de seus ressentimentos sociais.
Veja prints das postagens de Yáskara Cavalcante, tanto no Facebook quanto no Instagram:



Já vão tarde, levando-se em conta que burrice familiar virou brasão. Curioso é que antas dessa espécie abrem a boca e chamam todo mundo de ignorante só porque são excluídos economicamente. Já o tal ser desprezível vomita seu ódio ignorando viver em um país republicano, logo, infenso a direitos divinos que colocam certas pessoas acima da lei, e mostra-se revoltada quando isto aflora no seu momento mais decisivo.
E olha que a nossa ordem tributária é uma das mais regressivas do planeta, o que permite a infames dessa sonegar com as duas mãos e ladrar contra a lua. como se cobrança de impostos fosse uma heresia. Repito aqui o que postei em relação a uma vigarista dessas no facebook: VAI, CADELA!
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A leitura de relatos desta natureza sempre me causa uma certa dúvida quanto a densidade fática do conteudo. Soou e soa assim como algo hiperdimensionado, seja pela onda da campanha, seja pelos arroubos da vitória.
Todavia, ontem, ao vivo e à cores, presenciei algo semelhante. Tenho pra mim que só não foi pior porque, quando notada, minha presença talvez tenha inibido o vir à tona da parte mais apurada do sentimento que vem dominando o espírito de certas pessoas após a derrota, a ponto de trazer à tona posturas que o mundo civilizado já não tolera mais.
Bom, este comentário foi só para registrar o testemunho do infeliz episódio que em muito se assemelha com a parte objetiva da crônica, aquela onde o autor relata o desatinado e politicamente incorreto desabafo da colunista social.
Mais adiante talvez eu faça outro comentário, agora sobre a parte subjetiva do texto, a qual, certamente, merece um contraponto. No entanto, neste momento, melhor não misturar as coisas.
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Amigo Oliveira, arroubos de vitoriosos e perdedores podem de fato ser hiperbólicos ou até delirantes. Faz parte. Só não se concebe é um profissional de Jornalismo, pretensamente alguém disposto a combater as desigualdades, fazer discurso tão odioso, ofensivo e reacionário. Não vejo justificativas para tal atitude.
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O esforço pessoal pode ter como recompensa um bom salário sim. Mas até chegar aí é preciso passar por várias etapas, ou seja, por várias seleções. Isso quer dizer exclusões. Vivemos num sistema de exclusões sucessivas. Desde antes de o jardim da infância o processo já tende a eliminar vários candidatos a uma carreira na medicina ou no direito, por exemplo. Desde muito cedo, as políticas de crédito já estão traçadas e limitadas a patamares muito baixos às pessoas pobres e miseráveis. Desde sempre o rico é privilegiado pelo ciclo ininterrupto da desigualdade. Seria preciso muito investimento para superar os adversários num sistema justo e igualitário. Mas é preciso menos se há candidatos desfavorecidos… Que culpa tenho eu se eles não conhecem as pessoas certas? Se eles não têm berço? Esse é o peso da desigualdade. Se se pressupõe um sistema justo, como se poderia pressupor que seja o capitalismo, então os valores morais neoliberais são canhestros, bisonhos, ridículos até, quando comparados ao lema maior do vale tudo para enriquecer. Como pode haver igualdade num sistema desigual e injusto desde o início? Na lógica canhestra da manutenção do poder aquisitivo passa a valer a exclusão da concorrência, inclusive da mais qualificada, daquela que pode excluir do mercado o produto de pior qualidade. A lógica do mercado é insuficiente para fazer valer a justiça social. No capitalismo vale mesmo impedir o surgimento de um aluno promissor, capaz de belos feitos, para se garantir o filhinho ou a filhinha bem na foto, afinal, para quê investir em tecnologia e em qualificação se o pobre só quer saber de cachaça? No fim das contas, o que se quer ´manter o status quo… Mas também, preventivamente, o sistema cuida daquele que ouse enfrentar o próprio sistema e ir contra ele. Dondocas não são mulheres estúpidas, estudaram em boas escolas, e sabem como ninguém o poder do papel feminino na sociedade. O preconceito contra o pobre não é novidade. Todo o expertise da classe rica sobre a pobre se dá em função da individualidade, da relação patrão-empregado, vendedor-consumidor, etc… na clara desvantagem do recurso da retórica vigente pelo modo de produção de que quem tem mais é porque merece. Não é, quem tem mais é porque explora o trabalhador até a alma… A relação nas eleições é diferente, aí se vê classe contra classe, pobres contra ricos. A eleição é caracteristicamente uma união, ainda que o fato de o voto ser pessoal sugira a fragmentação da vontade popular, ela se impõe como expressão do todo à medida que representativa da experiência diária e da vontade da maioria. Sempre foi assim e negar isso é como negar a lua. Ou a maioria ainda tem que ter a boa vontade com os pobrezinhos dos ricos?
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De uma pseudocolunista de merda, só merda mesmo poderia se esperar!
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Gerson Nogueira, ontem pela manhã ao ouvir a rádio clube, o teu companheiro Nonato Santos falava em alto e bom som que a população paraense que vou no Simão Janete não poderia reclamar de nada pois votou errado e que deveria arcar com as consequencias que tu achas disso? vais usar de corporativismo e defender o teu colega de profissão?
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Apesar da condição de fake, responderei porque como baionense de fibra não deixo pergunta sem resposta. O Nonato Cavalcante (você não sabe nem o nome dele, portanto nem deve ter ouvido o comentário na rádio) externou uma crítica pessoal em tons normais e equilibrados, sem ofensas ou injúrias a quem quer que seja. Não misture as coisas. Não há como comparar o comentário dele com as palavras da mencionada colunista, recheadas de ódio, revanchismo, intolerância e racismo.
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Página do face dela foi excluída.
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Por óbvio. Típica atitude de quem tenta se esquivar das consequências.
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Lopes, de fato, a exclusão social é uma realidade histórica. Mas, conheço muita gente, mas muita gente mesmo, cuja trajetória mostra que este suposto determinismo ao qual você se refere pode ser rompido. Conheço muita gente, mas muita mesmo, pobre de muitas gerações, que à moda do Belchior, cumprindo as etapas naturais, ocupou profícuos espaços inclusive nestas duas áreas que você destaca, ou mesmo noutras de cunho prático ou técnico. O nosso ex operário e ex presidente é um exemplo lapidar deste rompimento do determinismo e sem ter qualquer boa vontade com os ricos durante o processo de rompimento.
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Sobre o post: Gosto de voltar meu olhar para o discurso, para os enunciados, para os ditos e não ditos. Começo dizendo que não é apenas essa cidadã (nunca tinha ouvido falar dessa criatura, amigos) que assume essa posição de sujeito, muitos outros, inclusive pobres que foram diretamente beneficiados pelos programas do governo, assumem posição semelhante proferindo enunciados que forjam o pobre ignorante e analfabeto político, enunciados que produzem um país separado entre ricos e pobres, um país que não melhorou. Entretanto, parece óbvio que tais enunciados produzem isso, daí minha questão é entender como tais enunciados ganharam status de verdadeiros nas redes? Como eles reverberam na sociedade? Que sociedade eles estão produzindo? Em síntese, não se enganem amigos, esse não é um discurso exclusivo dos ricos há muitos pobres que fazem o mesmo discurso dessa criatura do post.
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Não me preocupa se há possibilidade de quebrar essa predestinação ou não. Sei que isso é bem possível. Me incomoda, isso sim, a estatística. Assim como você, também conheço um monte de gente que superou as dificuldades e foi bem longe numa carreira acadêmica e na vida profissional. Mas, assim como citei Joaquim Barbosa em outro post, esses “iluminados” são exemplos de exceção. A regra é a oferta uma educação básica que não desperta o senso crítico e a reflexão, a saúde que não atende o doente de verminose, a segurança policial que recebe propina de traficante e por aí vai… Acho que o pobre por si só sabe investir o dinheiro nas necessidades da família e por isso mesmo a economia melhorou muito no nordeste. A divisão de renda é necessária para o Brasil.
Particularmente, me preocupa muito mais esse comportamento conservador mostrado nas eleições e essa deriva improvável à xenofobia. Outros preconceitos vêm a reboque nessa onda maluca, como a homofobia, o machismo e o racismo. Uma explicação pessoal para isso é a de que, como sul e sudeste possuem maior cobertura de mídia que as outras regiões, são as mais influenciáveis pela imprensa pitbull ostensivamente pró-Aécio. É claro que a imprensa tem grande parcela de culpa nessa suposta nova divisão do Brasil.
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Amigo Gerson, sobre a parte objetiva da postagem, a que diz respeito ao relato do autor do texto, eu também não vejo nenhuma justificativa. Pensei ter deixado isso claro quando qualifiquei a atitude de desafinada e politicamente incorreta, que já não se admite no mundo civilizado. Aliás, registros até um testemunho presencial que abona o relato da postagem.
O que eu disse merecer um contraponto é a parte subjetiva do texto. E esta nada tem a ver com o relato da atitude desatinada da jornalista.
A parte subjetiva está relacionada com as assertivas e interpretações que o autor do texto faz acerca do resultado do pleito, da vitória petista, enfim, da reeleição da presidente. Como por exemplo aquela passagem onde o autor do texto diz que a maioria do povo brasileiro reconduziu a presidente ao cargo de presidente, dentre outros equívocos.
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Famosa quem? A opinião dela é do tamanho do mundinho medíocre que lhe cerca a cabeça. Colunista do tipo de caderno que muitos usam apenas para juntar o excremento do cachorro. É o típico exemplo de gente que é tão pobre que só tem dinheiro. Chamá-la de jornalista é sacanagem.
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Não há limites para a estupidez humana, como alguém já muito bem disse…
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Lopes, é muito comum esta assertiva de que o progresso das pessoas no período anterior a estes últimos 12 anos é meramente excepcional. Mas, na realidade, tal não se dá. O progresso foi muito aquém do que poderia ter sido, mas foi bem além do excepcional. Conheço famílias numerosas (mais recentemente é que os filhos não passam de 2), estruturadas naquelas condições econômicas que referi no comentário anterior, cujos pais conseguiram criar, formar e empregar até cinco filhos. Outras que de 10, 13 filhos, conseguiu o mesmo resultado numa faixa de 80, 90 por cento da prole. A Viação Guajará e a Viação Rio Guamá (acho que eram estes os nomes) ganharam muito dinheiro lotando os seus “coletivos de pobre”. De manhã, de tarde e de noite se formavam verdadeiras procissões indo e vindo ali na Augusto Correia e na perimetral. E quem não conseguia de um jeito, conseguia de outro, através de um mecanismo chamado credito educativo. Alguns conseguiam dos dois jeitos. Não, Lopes, o progresso destas pessoas não era excepcional, tanto que hoje elas estão em grande número nos escritórios da iniciativa privada, nas repartições publicas, delegacias, consultórios, academias de ginástica, redações, gerindo escolas, ministrando aulas, fóruns, nos bancos, nas indústrias, nas engenharias da construção civil, nas agro profissões etc. Era difícil, com muita luta, muita incompreensão, muito sacrifício, como bem cantou o Martinho da Vila, mas o progresso vinha, veio.
Quanto ao Ministro Joaquim, um dos poucos quadros escolhidos pelo ex presidente merecedores de distinção, independentemente de seus maus bofes, ele é acima da média, mesmo quando comparado aos quadros provenientes da elite que também são numerosos no governo destes 12 anos. Este é exceção não somente entre os de origem humilde.
(…)
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Pois é Oliveira, você conhece muitas pessoas e muitas famílias bem sucedidas que emergiram da pobreza. Mas isso não prova que o liberalismo funciona. Sendo mais objetivo e prático, há muitas pessoas e famílias que desconhecem esses tantos e tantos, esses numerosos e incontáveis que fazem essa regra da nobre e infalível justiça social histórica do Brasil. Cresci em Belém, uma capital que reúne as melhores condições para quem quer trabalhar e estudar nessa nossa região, formidavelmente não rica em oportunidades para todos, mas para poucos. Belém é um polo que atrai mão de obra, estudantes e empresários. Aqui, as condições são economicamente um pouco mais favoráveis para vermos a ascensão econômica de alguns, mas não de todos, nem da maioria. Mas no interior… A situação é bem pior. As grandes cidades aglutinam sonhos de melhorar de vida justamente porque reúnem as melhores condições socioeconômicas. Com tudo que se sabe sobre os problemas de saúde, educação e segurança da capital, aqui ainda há as melhores condições, mesmo que haja ótimas notícias vindas do interior nesses quesitos, de cidades como Castanhal, Parauapebas, Marabá, Paragominas, novas forças econômicas [bem vindas, aliás]… Mas pergunte a alguém de Faro quantos podemos citar nesse rol de bem sucedidos? Chaves, Almeirim?… A desigualdade é nacional e a falta de oportunidades também. O bolsa família não é uma solução para a capital dos bem sucedidos e dos sortudos, mas é uma alternativa para amenizar o sofrimento alheio de irmãos brasileiros que não têm nem a nossa péssima saúde e segurança da capital por lá pelo interior, pelo sertão… Já conheci alguns desses sertões do norte e do nordeste e sei muito bem que falta água para florescer a vida econômica por lá, e bastou a garoa do bolsa família para mostrar o quão cruel é a política do cabresto e arrocho com essa gente. Quero dizer, além de investir em educação, saúde, segurança e saneamento, cujos resultados nem sempre são imediatos, e imediata deve ser a solução para quem tem fome, provam que há bastante acerto nas políticas públicas sociais e que o avanço é sim significativo, mas não é sentido aqui, na capital onde a economia está nas mãos de uma velha oligarquia paternalista e retrógrada, como é o caso em muitas outras grandes cidades do Brasil…
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Mas, Lopes, eu não disse que prova, e nem poderia dizê-lo. E não poderia porque não prova. Na verdade, as pessoas progrediram exatamente porque venceram o liberalismo, ou, mais exatamente, determinados caracteres nefastos do liberalismo. E venceram porque lutaram, porque não se conformaram, não se satisfizeram, se organizaram e pressionaram, exigiram, impuseram, quiseram mais.
Neste período, também houve assistência social. Só que eu consigo recordar assim de imediato, havia Cobal, havia Cohab, havia crédito educativo, LBA, Montepio. Fora sesc, senai, senac e quejandos, mas ninguém se satisfazia, se deixava iludir, a sociedade teimava em querer mais, os campesinos, os bancários, os metalurgicos, os estudantes, padres etc. E os anos foram de chumbo e mesmo depois que ocorreu a abertura muita gente ainda sofreu, morreram estudantes, morreram padres, morreram lideres populares em defesa d’algo mais do que terra em palmos medidas. E o ponto culminante de tudo isso foi a eleição do ex metalurgico, depois de três tentativas frustradas.
Ocorre que depois disso, se distribuiu as bolsas no campo e na cidade e em troca a teologia da libertação desapareceu, virou o melhorismo do possível, a une calou a boca para ir construir a sede nova, a cut se enfastiou, o campesinato virou mst e inspirou o movimento dos trabalhadores sem teto na área urbana, mas a reforma agrária empacou. E por aí vai.
E vai, vai, vai e já lá se vão 12 anos e o quadro é este que você descreve aí nos seus dois comentários mais recentes, onde “a regra é a oferta de uma educação básica que não desperta o senso crítico e a reflexão, a saúde que não atende o doente de verminose, a segurança policial que recebe propina de traficante e por aí vai…” onde o interior segue muito sacrificado, podendo ser apresentado como símbolo paraora deste sacrifício o município de melgaço cujo idh é um insulto aos direitos humanos e o desnudamento de uma política que deliberadamente não avança do assistencial mantenedor do status quo.
Repito Lopes, nã há que se suprimir as “bolsas”, sequer é lícito cogitar isso, e eu não penso, não cogito, não defendo isso. O que é impositivo é que a sociedade não se contente só com isso e retome a luta que foi interrompida, ou, no mínimo, drasticamente refreada, há 12 anos.
Antes não se cultuava falsos Messias, as políticas assistenciais eram consumidas, mas não eram aceitas como “cala boca” e a sociedade civil organizada não era adestrada.
Não havia sorte, havia luta, pelo menos creio que não pode ser considerado sortudo o histórico de vida de pessoas que muita vez tinham apenas uma calça e uma camisa que usavam até o máximo possível, só para cuidar para que os muitos filhos estudassem, vestissem e comessem, ou mães que dividiam o mesmo sapato com as filhas, para ambas frequentarem a escola, uma de manhã outra de noite (vejaque neste caso, mãe e filha estudavam), e muito menos é sortudo o desfecho da tragetória de militância política como Paulo Fonteles e João Batista, dentre outros.
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Pode até ter sido sem querer, mas defendeste a livre iniciativa como medida social natural e sabemos que o mercado por si não faz justiça social. Também não quis dizer que medidas como o bolsa família sejam a solução dos problemas sociais, não, elas são insuficientes para isso. No entanto, melhoraram, e muito, a condição de vida de muita gente. Ainda há muito o que melhorar, mas com essa pequena medida muita gente ganhou um pouco em qualidade vida… Há dois ou três dias, li uma matéria lá no site do globo.com onde a chamada se referia a uma suposta falta de vontade de trabalhar por parte de quem ganha o bolsa família. Na reportagem, a comunidade apontava que havia beneficiários que simplesmente não queriam mais trabalhar na roça. A reportagem foi até uma das famílias supostamente preguiçosas. A mãe respondeu naturalmente que com o bolsa família deu para melhorar as condições de vida da família, que o marido aproveitou para aprender o ofício de pedreiro e que ganha bem mais desse jeito que na roça. Quer dizer, a preguiça é só um julgamento moral da comunidade que deixou de ver o pai daquela família lá no roçado, como se ele estivesse, a partir do bolsa família, o dia todo numa rede… Em Sousa-PB, Parnamirim e Cabrobó-PE, Paulistana e Afrânio-PI, no Crato-CE e Bacabal-MA, e por aí vai, sei que o bolsa família fez e faz muita diferença na economia desses lugares. Meus cunhados, piauienses, estão de volta ao sertão porque cansaram da humilhação de São Paulo e porque já deu para ter o próprio negócio lá no sertão do Piauí. Sem renda, as famílias não apoiam a economia local. E assim sem apoio, não há oportunidades. A emigração é praticamente inevitável. A economia nordestina começa a melhorar, aos poucos, e tomara que seja um processo contínuo por muitos anos.
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Pegou pesado, mas esse tira de uns, dar para outros, tem cunho verdadeiro.
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Fascismo e intolerância social não contêm nenhum aspecto positivo, cidadão.
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Lopes, o que eu defendi, e quis defender, foi que deve haver luta dos atores sociais mais prejudicados pelo liberalismo para vencer os efeitos nefastos deste. O que eu defendi, e quis defender, foi que os beneficiários diretos dos programas sociais, os utilizem, mas não se contentem apenas com as medidas de assistência social, e que pressionem para obter mais. Dendendi ainda que aqueles que tem poder de mobilização social retomem sua luta, cobrando efetivamente do governo mais atitudes capazes de efetivamente garantir o progresso social, como era de sua tradição fazê-lo, o que neste pouco mais de uma década deixou de existir. E que tudo isso deve ocorrer, sob pena do status quo ser mantido eternamente.
Enfim, não obstante a livre iniciativa seja um dos fundamentos do Brasil republicano, garantido logo no primeiro artigo da Constituição, no meu mais recente escrito eu não defendi, nem tive a intenção de defender a livre iniciativa, o mercado, o liberalismo ou coisa que o valha, como elemento instituidor, promotor ou ganrantidor de justiça social. E se o que escrevi passou esta impressão, foi realmente sem querer.
De outra parte, nunca achei, e nem tenho elementos pra achar,
que você defende a suficiência em si, só por só, das bolsas, que sejam a solução dos problemas sociais.
Também não achei que as coisas não melhoraram neste particular da pobreza suprema, da fome absoluta. Claro que melhoraram. Afinal, se foi possível superar a linha da extrema pobreza absoluta, não há como negar a melhora.
Só lembro que a missão não era assim tão modesta. Mais do que melhorar, o projeto, o querer, era o de transformar. Isto é, o objetivo era o de garantir autonomia social deste segmento da população, de molde que ele não ficasse assim tão dependente do poder executivo. E recursos, tempo e base parlamentar para garantir esta transformação houve mais do que suficiente. Aliás, dentro do próprio governo, os pensadores minimamente mais responsáveis, distinguem nitidamente a pobreza financeira, daqueloutra que tem a ver com o acesso aos bens essenciais de qualidade, tais como saúde, segurança e educação, por um minguado exemplo. E, nestes três campos, para a esmagadora maioria da população, a situação é pra lá de indigna, mesmo com o Mais Médicos, Prouni, Pronatec etc. Aqui a pobreza impera, a falta de autonomia prevalece. No próprio “Minha Casa, Minha Vida”, Programa dos mais essenciais para a dignidade humana que pode haver, o quantitativo de contratos e bem mais elevado do que a de lares entregues. Lopes, com a verba e o tempo que o governo dispôs até aqui, o saudoso e pranteado Betinho, mais do que apenas melhorar, já teria efetivamente transformado as condições humana e social de muito mais pessoas.
A respeita à questão da suposta preguiça, é dizer que se trata de generalização abjeta. Todavia, vale lembrar que é um discurso que não surgiu agora, não é mesmo?! Você deve lembrar que o próprio ex operário e ex presidente, antes de chegar ao poder, discursava deste mesmo jeito generalizado e abjeto. Lembras disso, não é mesmo? Aliás, eu até postei aqui mesmo no blog um vídeo que contrapunha o ex na sua fase anterior pretensamente progressista, e na sua fase atual, nitidamente entusiasta do simples melhorismo. Num ele ataca “as bolsas”, noutro ele as defende. Em ambos, o que há de comum é só a veemência.
No mais, é só regozijar. Parabéns pelo doce regresso aos seus entes queridos. E, de coração, comungo com você deste auguro: que esta melhora, e, subsequente transformação, seja uma tendência contínua e irreversível.
Lopes, sucesso para todos nós, inclusive para o governo!
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ULTIMA DA REVISTA VEJA:
PIRÃO E TIAGO PASSOS>>>> REMO SEM DIVISÃO EM 2015>>>>>>> ELES SABIAM DE TUDOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!
KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKA
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TANTO SABIAM QUE CONTRATARAM ELPR, LENDRÃO, ZE SOARES, ATHOS, POR SALÁRIO MILIONÁRIO.
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É o tipo de opinião que nem merece respeito, por isso, a julgar por este posicionamento, pra mim esta mulher é simplesmente uma vadia!
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Oliveira, alguns discursos podem ser mais interessantes que outros dependendo do ouvinte/leitor. Lembro de FHC chamando os aposentados de vagabundos… Lembro de o discurso do PT, antes de Lula no planalto se dirigir a questão de bolsas pelo governo federal como que poderia ser melhor. Lembro de Maria da Conceição Tavares defendendo o desenvolvimento do mercado interno naquela primeira eleição de Lula. O mercado externo é secundário. Exportar não é primário, depende das condições socioeconômicas do país que quer exportar, e da dos clientes. Investir no mercado interno é mais acertado. Esse foi o primeiro passo da China de hoje, há mais de 50 anos. Historicamente, a China fez isso pelo menos outras duas vezes, antes desse atual boom econômico. Com a Índia também foi assim, e ainda mais uma vez com a Rússia e com a África do Sul, ou você acha que todos eles já possuem um parque industrial de dar inveja? Qual a diferença entre nós e eles nos BRICS? Uma, nós não valorizávamos antes nosso mercado interno, e nem nossa produção, como hoje, mesmo que ainda subestimada. Outra, não valorizamos a educação e a pesquisa tecnológica, mesmo sabendo que há brasileiros notáveis esperando investimento. Por uma questão de imediatismo, inverte-se a lógica da educação empregando mais dinheiro proporcionalmente na universidade e menos na educação fundamental e técnica. Pessoalmente, penso que seja preciso encontrar uma forma de fomentar a indústria brasileira, porque essa é a maneira de importar menos e exportar mais. Penso que é preciso inverter a lógica do resultado imediato e estabelecer metas para o futuro, e investir mais nas crianças e jovens… Não acho que seja necessário apelar ainda mais para o pobre lutar, ele já faz isso desde sempre. Nada mudou quanto a isso. Para sobreviver o pobre não tem medo de ir à luta. Não faço a mais vaga ideia de como um programa social tirará as forças do pobre pela luta diária para pelo sustento da família, os tempos nunca foram fáceis para quem tem pouco. Concordo que é necessário olhar para o futuro para construirmos um país forte, e apostar mais nas crianças e jovens, mas não podemos descuidar da população que não teve essa oportunidade.
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Lopes, concoordando quase que integralmente com você, me permita só duas ponderações.
A primeira é que, no campoda política, e dos políticos, além do espírito do leitor/ouvinte, me parece que ainda existem dois fatores que também influenciam deveras para tornar o discurso mais ou menos interessante, nomeadamente do ponto de vista do político que profere o discurso, quais sejam, o poder e o tempo.
De fato, no tempo em que quer assumir o poder, o político acha interessante um determinado discurso. Agora, no tempo em que já exerce o poder, este mesmo político passa a achar interessante um outro discurso sobre o mesmo tema.
A segunda é que, não sei bem o que você entendeu por luta. Talvez eu não tenha conseguido me explicar direito. Mas, uma coisa é certa, nada se consegue ou mantém, ou melhora, ou transforma pra melhor, ou progride sem luta, luta permanente. E, em se tratando de governo, se o interessado não protestar, não pressionar, não exigir, vai tudo ficando sempre no mesmo, ou até involuindo. Enfim, é necessário não se conformar com o pouco, quando se sabe que há mais a conseguir, quando se sabe que há gente conseguindo mais, conseguindo muito mais.
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Pois é Oliveira, o Brasil vinha conquistando esse muito mais no governo Lula, antes e no começo da crise internacional. Não custa lembrar que a crise começou naqueles grandes bancos de investimentos e nas agências classificadoras de riscos, e na forma como eles funcionavam, tinha tudo mesmo para dar errado. Não há imparcialidade nem na imprensa, nem no mercado financeiro. A crise mostrou que certas políticas de remuneração de comissão por metas que superestimavam resultados é um erro, além dos super salários dos altos executivos… A crise que quebrou a economia da Grécia, que gerou instabilidade em economias sólidas como a japonesa e a norte-americana, não passaria sem efeitos pelo Brasil, não por muito tempo. De fato, a crise [marolinha] foi subestimada por Lula, mas não há o que negar que seus efeitos foram menos danosos sobre o brasileiro que a crise da Rússia, por exemplo, enfrentada desastrosamente por FHC. Sabe?, o Brasil não é uma ilha a imune às mudanças da economia. Métodos a parte, perguntei a muita gente mais velha sobre lembranças do arrocho salarial, da falta de crédito e do alto desemprego. Isso é objetivo e não é nem de longe a campanha “reginaduartica” do medo, mas de consciência da melhora significativa da qualidade de vida. Controle rigoroso da inflação é muito pouco para o Brasil e o povo não quer a continuidade do entreguismo. Isso é uma vitória, uma grande vitória contra a elite, contra a imprensa partidária e tendenciosa, contra a especulação financeira e altos juros pagos aos bancos… É uma vitória do povo, por mais que atualmente a economia não esteja como queremos.
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