Papão vence Tupi e conquista acesso à Série B

Com um golaço de Ruan aos 41 minutos do segundo tempo, o Paissandu derrotou o Tupi de Juiz de Fora e garantiu o acesso à Série B 2015. A partida valia pelo mata-mata da Série C e o time paraense suportou bem a pressão inicial dos donos da casa e depois equilibrou as ações. Com grande atuação do setor defensivo, já no final do primeiro tempo o Papão era superior, criando algumas situações perigosas. Na etapa final, mais plantada no campo defensivo, a equipe controlou o ímpeto do Tupi e passou a explorar os contra-ataques, com Pikachu pela direita e Ruan pela esquerda.

Quando era mais forte a presença ofensiva dos donos da casa, Ruan recebeu bola junto à área, passou por um marcador e chutou pelo alto, encobrindo o goleiro Rodrigo, aos 41 minutos. Um golaço que tirou todas as esperanças do Tupi na partida – precisaria fazer dois gols para provocar uma disputa em penalidades. O acesso obtido hoje é a principal conquista do Papão no ano de seu centenário.

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Em Belém, o feito bicolor foi acompanhado em bares e restaurantes da cidade, que ficaram lotados de torcedores. Quando o árbitro encerrou a partida, a torcida alviceleste iniciou um verdadeiro carnaval pelas principais ruas do Centro festejando o retorno à Segunda Divisão.

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A imprensa conivente com a censura

Por Sylvia Debossan Moretzsohn, no Observatório da Imprensa

Um tribunal muda as regras do jogo na fase final da disputa. Pior: proíbe a divulgação de reportagens e depoimentos de eleitores. Tivéssemos uma imprensa digna desse nome, esses dois fatos exigiriam nada menos do que manchetes, daquelas que escancaram um escândalo.

Mas, não. Tudo foi apresentado como se fosse a coisa mais natural do mundo, e até desejável: uma saudável providência para conter o “vale-tudo” na campanha para a presidência da República.

Assim, O Globo noticiou, em tímida chamada de capa (17/10): “TSE tenta inibir ofensa na propaganda de TV”. No subtítulo da página interna, registrou: “Uso de terceiros e reportagem de jornal passam a ser proibidos”. Editorial do dia seguinte apoiava a decisão.

O Estado de S.Paulo seguiu nessa linha. Da mesma forma, a Folha de S.Paulo, que, em seu espaço de reportagem, parece só ter despertado para o assunto na segunda-feira (20/10).

Entre os colunistas dos grandes jornais, apenas Janio de Freitas, na Folha de domingo (19/10, ver aqui), apontou o absurdo, dando-lhe o devido e sintético nome no título de seu artigo: “Censura”. Pois, “ainda que se destine a restringir o conteúdo e a forma da propaganda, a proibição incide sobre a divulgação dos artigos e reportagens. Logo, restringe a liberdade de imprensa com antecedência. O que caracteriza censura prévia”.

Já a proibição de depoimentos que sustentem denúncias de campanha poderia ter o objetivo de evitar a disseminação de falsidades. Então, para conter-se um abuso, elimina-se a possibilidade de se expressarem críticas, queixas ou preferências eleitorais. “Ou seja”, conclui Janio, “ao cidadão fica proibido mostrar que é cidadão.”

Falta de critério

A medida, que mudou a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral a pouco mais de uma semana das eleições, foi tomada por quatro votos a três, em resposta a uma representação da candidatura de Aécio Neves contra a veiculação de um depoimento da presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais – acusando o então governador do estado de impor constrangimentos a quem divulgasse informações que o desagradassem – e contra a exibição de reportagem sobre demissões de jornalistas em Minas.

Em seu artigo, Janio apontou, além do mais, a falta de critério: durante o primeiro turno, a campanha de Aécio usou à vontade as denúncias convenientemente vazadas em pílulas – como ocorre com todos os vazamentos desse tipo – oriundas do acordo de delação premiada através do qual o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa tenta reduzir sua pena. Denúncias, até o momento, sem comprovação – o que, aliás, já mereceu reiteradas críticas quanto às responsabilidades da imprensa no trato de matéria tão delicada, ainda mais no contexto especialíssimo e potencialmente explosivo de uma campanha eleitoral. “O TSE, porém,” – observou o colunista – “não achou necessidade de agir contra o uso de acusações tão graves, mas sem provas.”

Comparação impertinente

(Aqui é necessário abrir um parêntesis: no mesmo domingo, ao escrever sobre o pedido de demissão do jornalista Xico Sá, que não pôde publicar em sua coluna a declaração de seu voto em Dilma Rousseff, a ombudsman da Folha (ver aqui) reproduziu comentário de um leitor que discordava da atitude do jornal sob o argumento de que havia “dezenas de colunistas fazendo o mesmo” e citava, como exemplos diametralmente opostos, “Janio de Freitas e Reinaldo Azevedo”. O comentário foi citado como síntese do tom dos protestos.

Leitores podem chegar às mais díspares conclusões, e é comum considerarem que comentários críticos, principalmente em períodos eleitorais, comprometem seus autores com determinada candidatura. É um equívoco elementar, entretanto, pois quem ocupa um espaço de opinião está obrigado, justamente, a expor a sua… opinião. No caso, a comparação é particularmente impertinente diante do abismo entre os dois mencionados: Janio é uma referência no jornalismo brasileiro pelo rigor de sua análise; Reinaldo é referência para o colunismo que substitui o argumento pelo insulto puro e simples. Que um leitor não perceba a diferença, pode ser compreensível; que a ombudsman não apenas a ignore como utilize o comentário como um exemplo do “voto que só não diz o nome”, é preocupante.)

Os baixos níveis

Em artigo na Carta Maior (ver aqui), o cientista político Antonio Lassance definiu a decisão do TSE como uma grave violação do processo eleitoral brasileiro e “um retrocesso ao processo que tem por obrigação revelar quem são os candidatos, seu passado e o que eles representam”. Apontou um retorno à Lei Falcão, que, durante a ditadura, para evitar críticas ao regime, limitou a propaganda eleitoral à divulgação de foto, nome e número dos candidatos. Afirmou, por fim, que a decisão do TSE revelava “não o baixo nível do debate eleitoral”, mas “o baixo nível do próprio Tribunal”.

Caso tratasse da maneira pela qual essa decisão foi apresentada, poderia dizer que esse episódio revela também, de maneira particularmente significativa, o baixo nível da nossa imprensa.

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Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

Com cautela, mas nem tanto

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Por Gerson Nogueira

Um dia antes da grande eleição, uma decisão empolgante vai concentrar a atenção de pelo menos metade da população do Pará. O Papão, vencendo por 2 a 1, disputa com o Tupi-MG o segundo tempo do cruzamento de 180 minutos. A vantagem no placar é expressiva, pois permite ao representante paraense planejar uma estratégia cautelosa, mas que pode se transformar em ousadia a depender do andamento do jogo.

A cautela, por sinal, é um item importante em decisões como a de hoje. Os técnicos muitas vezes exageram nas preocupações defensivas e acabam, involuntariamente, submetendo suas equipes à pressão do adversário. Essa tentação costuma ser mais forte nos visitantes. Fecham-se com unhas e dentes, mas acabam por atrair o ataque inimigo para dentro de seu campo de defesa, com consequências geralmente desastrosas.

Mazola Junior é um técnico rodado, sabe muito bem dos limites de seu grupo de jogadores e tem se revelado um especialista em armar esquemas sólidos na marcação. Foi assim que conseguiu ser finalista em duas das competições que disputou no comando do Papão, o Campeonato Paraense e e a Copa Verde.

Com três zagueiros – Charles, Lombardi e Pablo –, Mazola pretende dar ainda mais força à retaguarda, pois terá pelo menos em quantidade um cinturão defensivo bem consistente. Como seus jogadores assimilam bem suas orientações quanto a combater e proteger a defesa, o setor de marcação do meio-de-campo tem importância decisiva na maneira de jogar do Papão.

Sem os titulares Augusto Recife e Zé Antonio, Mazola viu-se obrigado a apostar em Lenine e Ricardo Capanema. O dado positivo é que Capanema e Lenine têm treinado como dupla há algum tempo, o que elimina o problema do desentrosamento. Em relação a Recife e Zé Antonio, o prejuízo diz respeito muito mais ao primeiro, um bom passador e que assumiu papel de protagonista no time. Virou ponto de equilíbrio e responsável pela transição entre defesa e ataque.

Com Lenine, Mazola compensa um pouco a perda, pois o baiano é um volante que combate, mas sabe sair de seu campo. Capanema fica mais fixo. Para executar a ligação, segundo a escalação divulgada ainda na quinta-feira, o escolhido é Héverton.

Ainda às voltas com problemas físicos, Héverton não jogou bem contra o Tupi na primeira partida e acabou substituído por Marcos Paraná. A virtude maior do ex-meia-atacante da Portuguesa é a capacidade de finalização. Em várias ocasiões na temporada, Héverton surgiu como elemento surpresa, aproveitando espaços mínimos para se insinuar no ataque.

O ataque vai contar com Pikachu no papel de ala avançado pela direita, mais a dupla Bruno Veiga e Ruan. Mesmo com o pecado de se manter longe da área, os dois se movimentam muito e permitem variações de jogadas que podem casar bem com a velocidade de Pikachu.

Pelo que se viu no confronto inicial, Ruan vai atuar junto ao meio-campo, quase como um quarto homem no setor. É a partir dali que ele poderá ser lançado para manobras de contra-ataque. São projeções baseadas no histórico do Papão sob a direção de Mazola, mas nada impede que surpresas táticas venham a ocorrer.

Vale dizer que, há dois anos, quando o Papão conquistou o acesso à Série B, o técnico Lecheva abraçou uma tática ousada no segundo jogo contra o Macaé, lançando-se ao ataque nos primeiros 15 minutos. A estratégia intimidou o adversário e deu ao time paraense a confiança necessária para se impor em campo. É claro que a opção ofensiva naquela tarde foi possibilitada pela vantagem maior obtida no jogo de ida – 2 a 0 –, mas não deixou de ser uma corajosa atitude por parte do treinador.

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Uma seleção de alma estrangeira

Quando a Seleção Brasileira é formada apenas por jogadores que atuam no exterior irrompe de imediato a constatação de que o Brasil bom de bola é realmente algo que só se encontra nos registros do passado. A característica dos jogadores convocados por Mano Menezes, Felipão e agora Dunga é a mesma. Todos correm bastante, marcam com denodo, mas criam pouquíssimo.

Até mesmo os homens de meio, como Oscar e William, são pouco afeitos ao jogo de dribles e lançamentos. Jogam muito mais no velho um-dois, tocando rápido e curto. Qualquer expectativa a passes mais longos se frustra na primeira jogada. Foi assim na Copa do Mundo e é pouco provável que o cenário venha a mudar.

E o motivo é bem simples. Todos os jogadores, incluindo ainda Fernandinho, Lucas e Luiz Fernando, tiveram parte de sua formação completada sob influência da escola europeia. Trabalham há anos com treinadores que não admitem mudanças ou improvisos no posicionamento dentro de campo.

Quem se mete a discordar, perde espaço. Com Dunga a prosa é mais ou menos parecida, o que faz com que se sintam à vontade e repitam o joguinho básico de sempre. Eficiente, às vezes. Sem brilho, sempre.

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Oposição promete dar CT ao Leão

Na movimentada campanha eleitoral remista, uma informação causou impacto na sexta-feira. A chapa de oposição, capitaneada por Pedro Minowa e Henrique Custódio, anunciou ter conseguido viabilizar o sonhado centro de treinamento, item sempre problemático na agenda dos clubes paraenses.

Pelas palavras de Henrique Custódio, o CT do Remo finalmente vai se tornar realidade, mesmo que a oposição não vença a eleição direta de 8 de novembro próximo.

De uma só vez, duas boas notícias: a obra anunciada e a disposição de doação ao clube, independentemente de interesses particulares. A conferir.

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Pela democracia

Uma vibrante festa democrática para todos, amanhã. Merecemos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 25)

Barrichello perde vaga no cockpit da Globo

Do Comunique-se

-------------globo-rubensAcabou o contrato de Rubens Barrichello com a Globo. Piloto da Stock Car, ele não vai comentar as próximas transmissões das corridas de Fórmula 1. As informações são do Terra, que confirmou com a emissora o encerramento das atividades do profissional com o canal. Diante do caso, a Globo informou que o contrato tinha previsão para determinado número de participações. Barrichello faria seus comentários ao longo da temporada de 2014, obedecendo a agenda do piloto. Portanto, com a conclusão das participações, o vínculo foi encerrado. Ainda segundo a emissora, ficará a cargo de Reginaldo Leme e Luciano Burti os comentários para os últimos Grandes Prêmios da temporada. A dupla já exerce a função há anos.

Barrichello entrou para o time de comentaristas em março do ano passado. Antes da divulgação da novidade, ele tinha sido “comentarista convidado” da Globo para a cobertura da Fórmula 1 durante o evento de lançamento da programação 2013 da emissora. Ele participou, também, da transmissão do GP Brasil em 2012 e chegou a comentar um dos jogos do Corinthians na Libertadores de 2013.