Reino Unido já adota regulação da mídia

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Do Jornal GGN

A lei de médios do Reino Unido completou hoje um ano. No dia 30 de outubro de 2013, a rainha Elizabeth II sancionou um sistema de regulação da mídia do Reino Unido, que vai submete revistas e jornais britânicos a um órgão de fiscalização do governo que tem o objetivo de coibir abusos. A discussão entrou em pauta depois que repórteres do jornal “News of the World” e de outros meios de comunicação tiveram acesso ilegal a ligações telefônicas de celebridades, políticos e vítimas de crimes. Os jornais ameaçam boicotar a medida. Vítimas de abusos da imprensa apoiam a solução. “A imprensa deveria aproveitar para mostrar que não teme ser submetida a padrões éticos decentes, e que tem orgulho de agir com responsabilidade com as pessoas para quem e sobre quem escrevem”.

Depois de países como Equador e Venezuela lançarem este ano medidas de controle da imprensa, foi a vez de o Reino Unido unir-se à polêmica. Dois dias após o premier David Cameron ameaçar censurar o “Guardian” pela publicação de documentos sigilosos sobre a espionagem no país, a rainha Elizabeth II sancionou nesta quarta-feira um sistema de regulação da mídia, que foi amplamente criticado por jornalistas locais. A iniciativa, apoiada pelos três principais partidos políticos britânicos, vem na esteira do escândalo de escutas telefônicas por jornalistas, e depois de os meios de comunicação verem seus esforços contra o controle rejeitados na Justiça.

A novidade deve sujeitar revistas e jornais britânicos a um órgão de fiscalização do governo com a função de coibir os abusos descobertos com o escândalo dos grampos – que revelou que repórteres do jornal “News of the World”, do magnata Rupert Murdoch, e de outros meios de comunicação, tiveram acesso ilegal a ligações telefônicas de celebridades, políticos e vítimas de crimes. Também torna mais fácil para as pessoas que se sintam atacadas pela imprensa terem suas queixas ouvidas, além de permitir ao órgão federal cobrar multas aos meios de comunicação.

“(A medida) vai proteger a liberdade de imprensa ao oferecer reparação quando erros forem cometidos”, defendeu o Ministério da Cultura, em comunicado. Jornalistas locais argumentam que o órgão federal poderia ser usado por políticos para punir publicações das quais não gostam. Eles também reclamam que propostas sugeridas por eles foram ignoradas.

Ex-editores supervisionariam grampo

A guerra, porém, ainda não acabou. Várias publicações já ameaçaram boicotar o novo órgão. Outras consideram levar o tema ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Os meios de comunicação não são obrigados a se inscrever no novo marco regulatório, mas não está claro, até agora, como o impasse será resolvido.

– As chances de nos unirmos à interferência estatal é nula – disse Tony Gallagher, editor do jornal “Daily Telegraph”.

Já o grupo “Hacked Off”, que reúne pessoas que se sentiram atacadas pela mídia, elogiou a medida. “A imprensa deveria aproveitar para mostrar que não teme ser submetida a padrões éticos decentes, e que tem orgulho de agir com responsabilidade com as pessoas para quem e sobre quem escrevem”, disse num comunicado.

No mesmo dia, dois jornalistas foram acusados em Londres de supervisionar grampos telefônicos. Segundo a promotoria, Rebekah Brooks, ex-braço direito de Murdoch, e Andy Coulson, ex-chefe de imprensa do premier britânico, teriam supervisionado um sistema de escutas e de pagamentos ilegais a funcionários públicos quando eram chefes do “News of the World”. Ambos negam as acusações. Ainda ontem, outros três jornalistas do extinto tabloide declararam-se culpados das denúncias relacionadas às escutas, nas primeiras confissões desde o início da investigação, em 2011. (De O Globo)

E agora?

O fim do mito da isenção jornalística

Por Luciano Zarur

Assumir posição político-partidária contraria um princípio básico da deontologia jornalística, a imparcialidade, a qual mostra-se, empiríca e efetivamente, apenas um mito, como se percebeu na atuação dos meios de comunicação nestas eleições presidenciais. Para os mais atentos, é nítido como a cobertura política feita por quase toda a chamada grande imprensa durante os governos do Partido dos Trabalhadores e, sobretudo, no pleito deste ano, tem sido contaminada por interesses do oligopólio que controla a comunicação em massa brasileira.

Nenhuma surpresa para quem conhece a chamada mídia por dentro. Sim, porque, uma nação com mais de 200 milhões de habitantes é informada (e deformada) há décadas por veículos pertencentes a apenas cinco ou seis famílias, dependendo do momento histórico, as quais, tentam “decidir pelo povo” os rumos da sociedade, ocultando ou minimizando todos os escândalos que impliquem integrantes do Partido da Social Democracia Brasileira, assim como agem com as conquistas alcançadas pelo governo do PT, usando técnicas jornalísticas de diagramação e/ou edição eletrônica. Ou, ainda, hiperdimensionando possíveis casos de delitos cometidos por petistas ou seus aliados e afirmando que a responsabilidade do que possa haver de errado seria diretamente do ocupante da cadeira da Presidência da República, quando petista, obviamente.

B1MmVRWIUAAMsmKTal procedimento é sintomático, já que quando esses órgãos de imprensa divulgam informações negativas à imagem dos tucanos, são suaves, concisos e nada assertivos, dando muito menos destaque ao fato e tendo todo o cuidado para não prejudicar o PSDB e seus parceiros (incluindo-se o DEM, o antigo PFL, antes PDS, e originalmente Arena, o partido da ditadura, ou seja, um verdadeiro oximoro em termos de nomenclatura, pois o a sigla, que sempre apóia os tucanos, foi o partido que sustentou o regime autoritário e agora se autointitula “democratas”), haja vista o noticiário sobre a crise hídrica no estado de São Paulo, manuseado sempre visando a proteger o governo paulista.

Porém, quando a denúncia – ainda que não comprovada e independentemente da credibilidade da fonte – envolve políticos ligados ao PT, alguns veículos o fazem até mesmo de forma raivosa e com ares de tentativa de golpe. Neste caso, o nome mais citado (apenas um entre muitos veículos da mídia nativa que atuam do mesmo modo, embora com menos agressividade), é, lamentavelmente, o mais tradicional semanário brasileiro, que, por sua prática manipuladora e antiética permanente, vem exercendo per se oposição raivosa e atacando sempre tudo que é intrínseco ao PT e às lutas dos partidos de esquerda, tendo se tornado um panfleto publicista a favor do tucanato. Porém, a revista é somente um exemplo entre os veículos de mídia que abandonaram de vez os cânones do jornalismo baseado na veracidade dos fatos e compromissado com a cidadania e o desenvolvimento da sociedade. Embora tente esconder e/ou reduzir o impacto das realizações positivas do atual governo, a mídia oposicionista, pasmantemente, continua a apresentar-se como “isenta” e apartidária.

Jornalismo de desserviço

Quem avalia com criticidade constata que os resultados sociais – os mais importantes, evidentemente – e também os econômicos obtidos pelas gestões petistas são irrefutáveis e superiores a todos os anteriores. É de conhecimento de todos que a miséria está erradicada do País e que dezenas de milhões de pessoas saíram da pobreza, ascendendo à classe média e tornando-se reais consumidores. Afora os 21 milhões de empregos criados nos últimos doze anos, sete milhões durante o governo Dilma, façanha sem igual no mundo que ainda enfrenta os efeitos de sucessivas crises econômico-financeiras desde 2008. No entanto, são “só” fatos que não “convencem” os conglomerados midiáticos de oposição.

Outro motivo causador de indignação são as numerosas inverdades e impropérios relativos à presidenta Dilma Rousseff, ao ex-presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores, reproduzindo a prática de transformação de informações acerca de realizações extremamente positivas para todo o povo brasileiro em notícias distorcidas, e também hiperdivulgando, com a pior conotação negativa, é claro, possíveis erros ou irregularidades cometidos por algum integrante ou simpatizante dos governos petistas.

Tal tentativa se inspira nas técnicas de censura e manipulação perpetradas pelos piores regimes ditatoriais, contrariando a correta conduta deontológica, que deveria reger a cobertura política pela mídia, a qual, por óbvio, influencia milhões de pessoas que desconhecem os mecanismos de edição utilizados em cada veículo para manusear o noticiário conforme seus próprios objetivos, assim como a existência da autocensura e da pressão a que muitos jornalistas são submetidos no tratamento final da informação.

Apesar disso, com um laivo de justiça, é inegável reconhecer que, nos dias hodiernos, a quase totalidade da população brasileira vive muito mais feliz do há doze, quinze ou vinte anos. O Brasil é muito mais respeitado como ator realmente relevante em todos os organismos internacionais, independentemente de seu cunho. Com competência, os governos liderados por Lula e Dilma venceram as maiores crises da economia em mais de 80 anos; apesar de “analistas” e “comentaristas” pseudoautônomos – em verdade representantes fiéis, regiamente remunerados, dos patrões que controlam os veículos em que atuam – jamais o terem admitido, tentando “explicar” o sucesso do PT no comando do país de maneira sofística, às vezes até com desvio de caráter, e constantemente, atribuindo-o a uma suposta sorte ou a fatores independentes das políticas dos governos petistas.

Para superar o bloqueio de divulgação de fatos altamente positivos para a sociedade brasileira, como a retirada do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas, pela primeira vez em toda a história do país, incluindo-nos em um seleto grupo de 37 nações em que ninguém morre de fome, boicotada pela chamada “grande mídia”, a qual, por esse tipo de prática, frequentemente, é denominada de Partido da Imprensa Golpista (o já famoso PIG), recomenda-se diversificar as fontes de informação para fugir dessas distorções informativas. A atitude é imprescindível aos leitores, telespectadores e ouvintes que, com efeito, tencionem informar-se e formar opinião abalizada superando o tratamento publicista (ou seja, o velho uso dos meios de comunicação de massa como instrumentos de divulgação de posições político-ideológicos, no estilo do que faziam Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa, e Samuel Wainer, na Última Hora, em relação ao governo constitucional de Vargas, na década de 1950) da maior parte da mídia nacional.

A quem ainda se restringe a determinados veículos de mídia, sugere-se diversificar suas fontes de informação e, talvez, pensar melhor, vencendo preconceitos e até mesmo superando posições antidemocráticas e egoístas que impedem a aceitação do sucesso de governos trabalhistas que conseguiram melhorar a vida da maioria dos brasileiros, priorizando – como estabelecem os preceitos éticos, assim como os fundamentos de todas as religiões – os mais necessitados. E, mesmo assim, para as classes média e alta também houve melhoras muito significativas, haja vista o apoio expressivo que Lula e Dilma têm também entre os de mais posses.

Entre os profissionais do jornalismo, é mister que se reflita sobre o desserviço que a maioria dos veículos de comunicação vem desenvolvendo nos últimos doze anos, mormente às vésperas de eleição, como ocorreu nas duas últimas semanas que antecederam à disputa nas urnas após o tucano perder a dianteira nas pesquisas de intenção de voto para a candidata à reeleição. Este comportamento remonta àquela “definição” de regime político imposta tacitamente pela caserna após o golpe de 1964: “Democracia (só vale assim) é igual a nós no poder; ditadura, os outros”.

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Luciano Zarur é jornalista, professor universitário e mestre em filosofia

Hora de contabilizar lucros

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Por Gerson Nogueira

O Papão tem desfalques importantes para o jogo de sábado contra o Mogi Mirim (SP), no estádio Jornalista Edgar Proença, abrindo a semifinal da Série C. Pikachu e Ruan, titulares absolutos, serão as ausências mais sentidas. Em contrapartida, o time terá um trunfo inestimável: a tranquilidade de poder jogar sem a pressão por resultado.

Ao longo de toda a campanha na Terceirona, o Papão correu atrás de pontos para tentar chegar ao G4, como acabou acontecendo, ou simplesmente para manter-se fora da zona de rebaixamento. Desta vez, apesar de pretender naturalmente chegar ao título da competição, pela primeira vez o time não joga com a corda no pescoço, temendo um mau passo.

Não há dinheiro que pague a sensação de dever cumprido que o time passou a desfrutar depois de conquistar o tão sonhado acesso à Série B no sábado que passou, em Juiz de Fora. Entrar em campo sem pressa ou preocupação pode dar ao Papão a força emocional necessária para seguir avançando na Série C.

unnamed (97)Sim, do outro lado a situação é mais ou menos a mesma. O Mogi vem para a fase final do campeonato também sem o peso da ansiedade e pode igualmente se beneficiar dessa condição. Há uma diferença, porém. O Papão, ao contrário do Mogi, tem uma imensa legião de torcedores a acompanhá-lo, sonhando sempre com títulos e conquistas.

Contentar uma grande torcida é sempre desafiador para qualquer time. O Mogi, pela própria origem e localização, é um time mediano. Seus jogadores têm mais compromissos com a diretoria do que com os torcedores. São responsabilidades diferentes, como se sabe.

Dirigentes cobram, exigem e punem. Torcedores vibram, se emocionam, gritam e até choram. O vínculo de um atleta com a diretoria do clube é formal, depende de um contrato. Com a torcida, o comprometimento é afetivo, não depende de papel assinado e, por isso, vale mais.

Vai daí que a notícia sobre seis jogadores do Papão entregues ao departamento médico não assusta ninguém na Curuzu. Douglas, Pablo, Augusto Recife, Jefferson Maranhense e Everton Silva apresentam lesões de média gravidade. Ricardo Capanema feriu a mão em acidente com um copo. Em outra situação, tudo isso causaria um turbilhão. Afinal, são atletas que podem fazer falta, deixando o time mais vulnerável.

Mas o clima é totalmente alto astral e não há desespero em função dessas ausências. Todos, principalmente o técnico Mazola Junior, sabem que a partir de agora tudo será lucro. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Leão se prepara para mudanças

Quando convocou os préstimos de um consultor especializado em gestão esportiva, a diretoria do Remo buscava enriquecer o debate pré-eleitoral no clube. Providência das mais elogiáveis e que propiciou um encontro rico em troca de experiências e também na reafirmação de velhos problemas que insistem em atormentar o centenário Leão de Antonio Baena.

Ao falar a dirigentes e conselheiros na sede do clube, anteontem, o consultor Fernando Ferreira não mediu palavras, nem dourou pílulas. Foi direto ao ponto. O Remo precisará se preparar para mudanças. Se não for devidamente preparado para isso, será atropelado pela dura realidade.

Ferreira, segundo um benemérito do clube, deu alguns alertas à diretoria. O principal talvez tenha sido a necessidade de reestruturação interna, com mais profissionalismo e menos espaço para disputas pessoais. Para um clube tradicionalmente envolvido com política, a tarefa será árdua. Sua efetivação consiste, acima de tudo, de um rigoroso processo de reeducação.

A avaliação do presidente Zeca Pirão foi sintomática. Ao final da palestra, ele admitiu que o Remo precisa se reinventar. E apontou para o vizinho ao fazer uma análise franca do momento vivido pelo clube. Admitiu que os esforços de modernização e a união de abnegados vistos na Curuzu devem ser imitados no Evandro Almeida. Já é um bom começo.

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Ciências do Esporte em discussão

De hoje até sábado acontece em Belém o 5º Congresso Norte Brasileiro de Ciências do Esporte (Conceno), evento regional que integra as ações do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, a maior entidade cientifica da Educação Física brasileira e que reúne os principais pesquisadores do país na área. O congresso destina-se a profissionais e estudantes da área. A promoção é da Secretaria Estadual do Colégio Brasileiro de Ciência (CBCE) e do Instituto de Ciências da Educação da Universidade Federal do Pará, no auditório do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ).

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Um pedacinho do céu no chão

Baião festeja oficialmente hoje 235 anos de fundação. As contas mais rigorosas indicam que o município tem mais idade e vai completar 320 anos ainda em 2014. De todo modo, a data serve para lembrar o quanto ainda precisa ser feito para que um dos mais belos lugares do Pará seja devidamente valorizado e tratado com mais respeito pelos governantes.

Dono de um dos maiores territórios do Estado até um século atrás, Baião mantém quase intocada a beleza natural, mas padece de sérios problemas estruturais. É inadmissível que a construção de duas pequenas pontes para facilitar o acesso à cidade venha sendo adiada sistematicamente pelo partido que manda o Pará há tanto tempo.

Apesar dessas e outras mazelas, o dia é festivo e será comemorado por todos que amam aquele que é considerado “um pedacinho do céu no chão”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 30)

A Dilma Rousseff que eu conheci pessoalmente

Por Carla Jiménez, do El País

A primeira coisa que fiz ao ser apresentada a Dilma Rousseff, em junho deste ano, foi reparar nos seus sapatos. Baixinhos, um tipo de sapatilha de couro, arredondada na ponta, me deixaram claro que ela precisa de calçados muito confortáveis para lidar com a rotina maçante de uma presidência da República. O encontro com ela aconteceu de forma inesperada. A presidenta queria reunir os correspondentes internacionais para falar sobre os preparativos para a Copa do Mundo. Ao confirmar a participação no jantar no Palácio da Alvorada, tremi. Por mais anos de estrada que se tenha na profissão, ver um chefe de Estado ao vivo sempre dá um certo nervosismo. Pois assim cheguei no dia 03 de junho a Brasília, para seguir ao Palácio da Alvorada, véspera da Copa do Mundo.

O time de jornalistas estrangeiros esperava do lado de fora da casa, observando o belo jardim do Palácio, enquanto conversávamos com alguns ministros, até que ela chegou cumprimentando com beijinhos quem não se intimidou. Ela então puxou o assunto: “E a Copa?”, e logo em seguida pipocaram as perguntas sobre os fantasmas que cercavam o evento – atraso de obras, surto de dengue, entre outras. Enquanto anotava discretamente o que ela dizia – a regra estabelecida pela presidência era não gravar o encontro – passei a reparar em alguns detalhes. Ficava olhando de perto o rosto da presidenta que tem fama de brava, séria, grossa, trator, e toda sorte de apelidos que a tiram do campo da feminilidade. Queria reparar nas rugas – muito menos do que eu imaginava – enquanto ela sorria. E sim, a presidenta sorri. E muito. Deu muitas risadas, e estava entusiasmada, pois tudo estava pronto para o início da Copa do Mundo, a contento.

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Chamei a sua atenção quando fiz perguntas de infraestrutura, e as estradas que estavam sendo construídas no Centro-Oeste do país. Sabia que era um assunto que a presidenta gosta de falar, por ter criado um programa de concessões bilionário para melhorar a logística do país. E, efetivamente, ela disparou a falar com uma naturalidade que me deixou até assustada. Em nada lembrava odilmês, como foi apelidado seu modo de falar que por vezes repete palavras e dificulta o entendimento imediato. Ela tem um pouco de cabeça de engenheira, que absorve números, e desenhava no ar o que algumas estradas iriam fazer pelo país.

Mas o momento de ver a Dilma humana foi quando o assunto enveredou para as obras de infraestrutura no Nordeste. Nesse momento, os olhos da presidenta brilharam, e eu pude ver bem de perto que não era mais o cérebro da economista-engenheira, mas o coração da mãe de Paula, e avó de Gabriel, que se manifestava. Ela falou sobre o programa de cisternas, que levou perto de um milhão de reservatórios de água para as casas de pessoas carentes, que antes sofriam com a carestia. “Antes se trocava água pelo voto”, disse Dilma, que tomou o meu caderno para desenhar como eram as cisternas. Ela lembrou dos caminhões pipas que chegavam nessas regiões em véspera de eleições, para fazer ‘escambo’ de voto. O reservatório, porém, ficará para sempre, independentemente do governante que assumir a cidade ou Estado em questão.

Depois de algum tempo, a figura formal da presidenta havia desaparecido. Já era uma pessoa normal, uma profissional em seu ofício como os jornalistas que a rodeavam. Seguimos então para a bela mesa de jantar, e estava curiosa para saber quem se sentaria ao lado da presidenta. Ficou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, do seu lado esquerdo, e um jornalista boa pinta do seu lado direito. Pensei com meus botões: “Ah, mas essa Dilma não tem nada de boba… ministro e jornalista bonitão, um de cada lado!”.

Lembrei desse detalhe quando, um mês depois, ela recebeu o ator Cauã Reymond no Palácio do Planalto, e ela o saudou antes que ao vice-presidente, Michel Temer, como manda o protocolo. “Desculpe Temer, mas não é todo dia que a gente tem um Cauã no Planalto”, disse ela, para deleite da plateia que caiu na gargalhada.

Dilma mora com a sua mãe na residência oficial, e não se tem notícias de amores ou namorados. “Não dá tempo”, respondeu ela certa vez numa entrevista. Por isso, nesse pequeno detalhe de quem estaria ao seu lado no jantar, que possivelmente era apenas uma coincidência, me despertou a curiosidade sobre como deve ser abrir mão de um relacionamento, e ser cercada por homens poderosos o tempo todo. A presidenta tem um quê de sedutora que o dia a dia não capta.

Em alguns momentos, passava pela minha cabeça que Dilma foi torturada brutalmente com choques elétricos durante a ditadura, chegando a ter a arcada dentária descolada de tantos socos. Quem consegue sobreviver sem amargura a isso? Tive vontade de enchê-la de perguntas a respeito, mas não vi brecha. Continuava reparando na Dilma humana, que evitou a sobremesa para não engordar, embora não tenha resistido a um bocadinho de sorvete, se a memória não me falha.

Depois de tanta informalidade, as perguntas duras já haviam sido feitas e houve espaço para matar as pequenas curiosidades. Quantas horas dorme? – Seis horas por noite. – Gosta de seriados? – Adoro as séries da BBC de época, e Downton Abbey. Quais livros está lendo? – O livro de Thomas Pikkety, Capital do Século XXI. E gostei de O homem que amava os cachorros (de Leonardo Padura).

Em seguida, ela mostrou o resto da casa, as pinturas, e os detalhes de obras do arquiteto Oscar Niemeyer na residência oficial. Ao final, antes de se despedir, reuniu os jornalistas para uma foto oficial. Sem me dar conta estava ao lado dela, e ela colocou as duas mãos nos meus ombros, numa proximidade inesperada. Cheguei do jantar pensando: “Por que ela tirou foto ao meu lado? Agradei nas perguntas?”. Ao trocar de roupa, me dei conta de um detalhe. Eu vestia um casaquinho vermelho, da cor do PT, o que deve explicar por que ela me escolheu para sair ao lado. Essa presidenta não tem nada de boba…

Baião, 235 anos. Viva!

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Baião, nossa pátria mãe gentil!

Mãe de muitos filhos
Que já viu muitos partirem
Para em terras distantes
Alcançarem seus horizontes!
Filhos que nunca te esquecem,
Mãe que os aguarda paciente.
Maltratada, mal cuidada.
Mas por nós muitos amada
És eterna, és imponente!
E estás sempre alegremente
Esperando ser lembrada
Pelo filho que está ausente
Eu te vejo todo dia
E todo dia te asseguro
Que ainda vai chegar o dia
Em que teus filhos escreverão pra ti
Um novo futuro!
(Patrícia Reis)

Baião completa hoje 235 anos de fundação oficial.

Papão põe à venda 38 mil ingressos

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Desde a quarta-feira (29) os ingressos para o jogo Paysandu x Mogi Mirim-SP foram colocados à venda. São mais de 35 mil ingressos à disposição do torcedor. Como é jogo de uma torcida só, a administração do estádio Mangueirão permitiu que sejam vendidos 38 mil lugares (2.760 são gratuidades). Todos os portões do estádio estarão abertas no dia do jogo. Nesta quinta-feira acontece uma reunião no Mangueirão entre a diretoria do clube, representada pelo presidente Vandick Lima (acima, em conversa com o técnico Mazola Junior, na Curuzu), e os órgãos de segurança do Estado. Os ingressos de arquibancada custam R$ 40,00 e as cadeiras saem por R$ 80,00. Podem ser adquiridos no estádio da Curuzu e na sede social do clube. No sábado, os interessados podem comprar nas bilheterias do estádio Mangueirão. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Colunista social de Belém destila ódio contra pobres

Yaskara

Por Hiroshi Bogéa

Ainda repercute nas redes sociais  post da colunista social do jornal O Liberal, Yáskara Cavalcante,  desejando aos  eleitores que reelegeram a presidente Dilma Rousseff (PT) “tudo de ruim pra essa gente pobre e ignorante”.

Em outro parágrafo da nota, a “colunista”  se diz aliviada pelo fato “da minha filha mais velha estará deixando esse país de ratos e porcos em alguns meses”, e que a “mais nova vai em alguns anos”.

A moçoila-mãe deveria aproveitar  o embalo para ir juntas, se possível, carregando, também, a tiracolo, o cantor Lobão.

Esse tipo de “jornalista”, o Brasil abre mão, porque  só contribuiu com mazelas  ao atiçar  o fofoquismo das madames em  beira de piscinas.

Na eleição que reelegeu Dilma, houve violência para todos os gostos.

Os gays foram achincalhados porque… são gays.

Mulheres sofreram  violência porque… são mulheres.

Nordestinos  chamados de paraíbas quase como um elogio carinhoso, ou como símbolos de sinais preocupantes de perda de seiva de um partido.

Agora, a colunista de O Liberal escancarou o ódio aos pobres – porque a maioria do povo brasileiro reconduziu o PT para mais um mandato presidencial.

Se a direção do jornal O Liberal não compartilha   com esse tipo de intolerância e preconceito,  registrado no texto da moça nas redes sociais,  o demitiria na hora.

Um veículo de comunicação de massa não pode ter entre seus quadros a extensão do reacionarismo demonstrada por essa mulher.

Na tese da cordialidade do brasileiro (eternizada pelo historiador Sérgio Buarque de Hollanda nos anos 1930), seríamos o país da generosidade, da civilidade, da hospitalidade gratuita – a terra do coração. Negando a violência, a capacidade de manifestar nosso ódio, nosso racismo, nosso ressentimento social, agiríamos pelo coração, passionalmente. Inclusive quando odiamos.

Sérgio Buarque, lá de cima, deve estar bastante decepcionado com as mudanças ocorridas no país, nos últimos doze anos – depois que seguidos governos dos trabalhadores  tiraram cerca de 40 milhões de gente da miséria absoluta, formando nova Classe C.

Aqueles que continuam a ganhar muito – ou se exibem como assim o fossem, não sendo capaz – ao fundo – de honrar nem o aluguel do prédio onde moram –  não suportam ver tanta gente feliz, protegidos por governos populares.

Yáskara faz parte dessa elite desapontada com o riso largo no rosto da empregada doméstica, depois de ter conquistado  seus direitos trabalhistas, patrocinados pelo governo que ela tanto odeia.

O  desconforto é tanto, no lar desses almofadinhas de quinta categoria que eles nem mais conseguem ocultar passagens memoráveis do ódio, do preconceito e de seus  ressentimentos sociais.

Veja  prints das postagens de Yáskara Cavalcante, tanto no Facebook quanto no Instagram:

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