Zélia condena ódio e apoia Dilma

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Por Zélia Duncan

Facebook e redes sociais em geral, viraram palanques de ódio e extrema ignorância. E claro, violência e agressão, que são fruto desses estados de espírito. Percebe-se claramente, como os fundamentalistas estão se sentindo autorizados e legitimados. Elegeram candidatos fascistas, repressores, racistas e homofóbicos expressivamente e agora, exercitam na internet, seu orgulho patético. Atacam simplesmente, quem não pensa como eles e vão angariando seguidores, que acham que assim, estão defendendo seus pontos de vista e seus possíveis candidatos. Intimidação e deboche estão longe de ser argumentos e sempre resultaram em guerras e sofrimento.

Escolher é dureza. Menos pelo que escolhemos, do que pelo que deixamos escolher. Escolher um trabalho é, muitas vezes, rejeitar outro. Mas afinal, não é maravilhoso ter escolhas? Quem não escolhe mergulhar fundo , para ficar mergulhando nas bordas o tempo todo, na verdade, escolheu nunca se colocar à prova de fato. Escolheu ser pouco, de muitas maneiras…

E por falar em escolhas…depois das últimas semanas e acontecimentos, decidi votar em Dilma Rousseff. Aos amigos que pensam diferente, envio meu amor e respeito, desejando boa sorte a todos nós, que trabalhamos tanto e amamos o Brasil!

Comentários e argumentos são bem-vindos, caso não venham cobertos ou camuflados de cinismo , agressão ou deboche, firmeza? Caso contrário, aconselho o que tenho adotado com frequência, o silêncio. A gente volta a se falar, “talvez no tempo da delicadeza…”

Fla-Flu eleitoral…

Por Xico Sá

(Texto censurado do Xico Sá na Folha…)Se no primeiro turno foi Brasileirão de pontos corridos, agora, camarada, é Copa do Brasil, mata-mata

Amigo torcedor, amigo secador, mesmo com a obviedade ululante de PT x PSDB, eleição não é Fla-Flu, eleição não é sequer Atlético x Cruzeiro, Galo x Raposa, para levar a contenda para as Minas Gerais onde nasceram os dois candidatos do segundo turno.
Eleição não é um dérbi clássico como Guarani x Ponte Preta, eleição é tão mais rico que cabe, lindamente contra o voto, meus colegas anarquistas na parada, votar simplesmente no nada, nonada, como nos sertões de Guimarães Rosa, sempre na área.
Fla-Flu, embora exista antes do infinito e da ideia de Gênesis, nego esquece em uma semana. Futebol nego esquece no 25º casco debaixo da mesa, afinal de contas, como dizia meu irmão Sócrates Brasileiro, futebol não é uma caixinha de nada, futebol é um engradado de surpresas sempre dividido com amigos de todos os clubes.
Doutor Sócrates Brasileiro que foi mais pedagógico, um Paulo Freire da bola, com a Democracia Corintiana, do que muitas escolas. Doutor Sócrates, Casagrande e Vladimir nos ensinaram mais sobre a ideia grega do “poder do povo e pelo povo” do que toda aquela imposição de Educação Moral e Cívica dos generais das trevas.
Foi-se o tempo que viver era Arena x MDB, era Brahma x Antarctica. Até porque eles hoje são a mesma coisa, a mesma fábrica, a mesma Ambev que botou dinheiro de monte até na Marina evangélica –la não queria, mas o tesoureiro, talvez neopentecostal, pegou do mesmo jeito de todo mundo, vai saber, já era.
Eleição é coisa de quatro anos, no mínimo, pois até quem diz que não quer mais compra um aninho de luxúria e sossego iluminista em Paris, como já vimos no caso do FHC, comprovado em um dos maiores furos desta Folha, reportagem do grande Fernando Rodrigues, parlamentar comprado a preço de mensalão superfaturado.
Cadê a memória, a mínima morália, como diria Adorno, jornalismo safado?
Quem dera eleição fosse apenas o Fla-Flu que dizem. Quem dera fosse apenas um cordel que poderia ser resumido na peleja do playboy danadinho contra a mulher durona. É tudo mais complexo, ainda bem, e se no primeiro turno foi Brasileirão de pontos corridos, agora, camarada, é Copa do Brasil, mata-mata.
Como sou favorável à linha dos jornais americanos que declaram voto, coisa que meu jornal aqui teimosamente não encampa, queria deixar claro da minha parte: voto Dilma, apesar do meu pendor anarquista. Perdão, Bakunin, mas meu voto é contra a imprensa burguesa.
Digo que o jornal que me emprega não encampa e justiça seja feita: nunca me proibiu de dizer nada. Nem no impresso nem no blog. “Bota pra quebrar, meu filho”, lembro do velho sr. Frias nessa hora, que cabra! Seria legal que todos os jornalistas, que têm lado sim, se declarassem. Quem se apresenta para tornar as coisas mais iluminadas?

Sai a tabela da primeira fase do Parazão

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Saiu nesta segunda-feira á noite a tabela da primeira fase do Parazão 2015, que será realizada entre 9 de novembro e 6 de dezembro. Dez clubes estão classificados para o torneio classificatório: Águia, Bragantino, Castanhal, Gavião Kyikatejê, Izabelense, Parauapebas, S. Raimundo, Tapajós (na vaga que era do Santa Cruz), Tuna e Vênus. Divididos em duas chaves, os clubes disputarão quatro vagas à principal do campeonato estadual. A chave A terá Águia, Izabelense, Parauapebas, Tapajós e Vênus. A chave B é formada por Bragantino, Castanhal, Gavião Kyikatejê, Tuna e S. Raimundo.

A primeira rodada terá quatro jogos (Águia e Bragantino folgam):
Campeonato Paraense 2015
Primeira Fase – 1ª rodada, 9/11
15h30

Parauapebas x Tapajós – estádio Rosenão
Vênus x Izabelense – local a definir
Gavião Kyikatejê x Tuna – estádio Zinho Oliveira
17h
S. Raimundo x Castanhal – estádio Barbalhão

Uma resposta para Dado Dolabella

Por Gregorio Duvivier

Fui uma criança tucana. Colava adesivos do Fernando Henrique na janela do meu quarto e na traseira do chevette — era tucano “before it was cool”. Imaginem minha euforia quando soube que o FHC, o próprio, viria lá em casa, numa festa cheia de bolinhas de queijo. Sim, o jantar de adesão da classe artística ao FHC foi lá em casa (chupa, Dado Dolabella!).

Captura-de-Tela-2014-10-20-às-14.28.22-600x384 (1)Adentrei a sala vestindo um terno de veludo cotelê e uma gravata borboleta, em pleno outono carioca — que não difere em nada do verão carioca, que não difere em nada do verão do Zâmbia. Minha mãe me pediu pra trocar de roupa: “As pessoas vão pensar que foi a gente que te vestiu assim. Tira esse terno?” Negociei, engolindo o choro: “Posso ficar com a gravata?”. “Preferia que não”, respondeu minha mãe. Descambei para o comunismo — ou o que eu pensava que fosse o comunismo.

Virei representante de sala. Graças a alianças espúrias, me elegi representante geral, algo como um presidente da Câmara (na minha cabeça). Minha primeira proposta foi a liberação gradativa para o recreio. Primeiro liberariam o quarto andar, dez segundos depois o terceiro, e assim por diante, para que todos chegassem ao térreo no mesmo exato segundo e tivessem as mesmas chances de ser o primeiro na fila da cantina — os rissoles, disputadíssimos, acabavam num piscar de olhos.

Fracassei retumbantemente. Os glutões do primeiro andar não queriam perder os privilégios, os CDFs do quarto andar diziam que a liberação antecipada não era prêmio mas castigo, porque perderiam segundos preciosos de aula.

Sem base, sem alianças, sem aprovação popular, pichei o martelo e a foice na parede da escola. Até hoje nunca tinha confessado. Fui eu, pessoal. Meu primeiro voto, aos 16 anos, foi no Lula. E ele se elegeu. Pareceu que era culpa minha. Comemorei como uma vitória pessoal. Abraçava desconhecidos na Cinelândia, num clima de carnaval fora de época.

Na prática, o PT só piorou minha vida burguesa: o aumento do IOF para compras no exterior e a maldita tomada de três pinos me dão saudades enormes dos anos 90. Aécio seria um candidato infinitamente melhor para mim, homem-branco-heterossexual-carioca-que-viaja-para-fora-do-Brasil-uma-vez-por-ano-e-faz-a-festa-na-H-&-M. Mas democracia não é — ou não deveria ser — isso que virou, esse exercício do voto narcísico, em que pastor vota em pastor, policial vota em policial e carioca vota em bandido.

Talvez por isso a democracia representativa seja um desastre. Ninguém deveria representar os outros porque ninguém está, de fato, pensando nos outros.

Confesso, que nos meus tempos de representante, tanto à direita quanto à esquerda, só pensava no rissole.