Campeão de racismo é mais votado no RS

candidato-racista-do-anoMesmo com o nome envolvido em uma polêmica sobre racismo e preconceito, Luis Carlos Heinze, do Partido Progressista do Rio Grande do Sul, foi o candidato a deputado federal mais votado do estado, com mais de 162 mil votos válidos. Esta é a terceira vez consecutiva em que Heinze aparece entre os mais votados.

Heinze vai para o quinto mandato. No começo de 2014, ele ganhou o título de “racista do ano” pela ONG inglesa Survival, depois de declarações polêmicas quando esteve na presidência da Frente Parlamentar da Agropecuária. Em um discurso, ele declarou que “quilombolas, índios, gays, lésbicas” são “tudo que não presta”. A data da “nomeação” ao título foi o mesmo do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, em 21 de março.

“Gilberto Carvalho também é ministro da presidenta Dilma. É ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta. Eles que têm a direção e o comando do governo”, comentou Heinze em seu discurso. (Do Extra)

O Remo e a hipótese Galvão

Por Gerson Nogueira

É curioso que sempre que o Remo se vê em apuros, no mato sem cachorro e buscando arrumar a balbúrdia interna, um nome é lembrado de imediato: João Galvão, técnico do Águia. Como a confirmar essa tese, os dirigentes azulinos voltam a analisar seriamente a possibilidade de convidar o treinador para comandar o Leão no Campeonato Paraense 2015, que volta a ser a competição prioritária na agenda do clube.

Ex-jogador aplicado, com discreta passagem pelo próprio Remo na década de 80, Galvão emergiu para o cenário do futebol regional como gerente e técnico do Águia, associando seu nome à evolução do time marabaense de emergente interiorano a representante paraense em competições nacionais.

Falta a Galvão um título para lustrar a bela carreira como construtor do time do Águia, mas ninguém lhe nega os méritos pelo trabalho desenvolvido em Marabá. Ainda mais depois que reassumiu o elenco em meio a uma queda livre na Série C deste ano e conseguiu salvar a temporada.

Pertence a Galvão a performance mais vitoriosa na reta final da fase classificatória. Invicto nas últimas seis rodadas, amealhou 12 pontos, exatamente a quantidade necessária para safar o Águia de um rebaixamento que parecia inevitável.

Não foi pouca coisa. Dos times que estavam na parte descendente da tábua de classificação, o Águia parecia o menos predestinado a escapar da queda, pois fazia uma campanha errática, com maus resultados tanto em casa quanto como visitante.

unnamed (74)Foi Galvão retomar o bastão para que as coisas mudassem. Como num passe de mágica, ele bancou uma escalação que deu ao time consistência e objetividade. Melhor ainda: adicionou doses cavalares de motivação, dando ao elenco a autoconfiança que foi sufocada sob o comando de Dario Pereyra e Éverton Goiano.

Jogadores que vinham tropeçando nas próprias pernas, como Aleílson e Danilo Galvão, de repente reencontraram o melhor futebol e tornaram-se decisivos para a recuperação do Águia. Diego Palhinha, até então peça quase nula, tornou-se o artífice das jogadas criativas, bem auxiliado por Luís Fernando e Esdras.

Com essas credenciais, Galvão deveria mesmo ser um técnico cobiçado no nosso futebol. Só que as coisas não funcionam assim. O normal é que treinadores regionais sejam vistos com desconfiança e pouco caso. Tem sido assim com Charles Guerreiro, Lecheva, Fran Costa, Sinomar Naves, para ficar apenas nos mais vitoriosos.

Não há dúvida que é interessante a hipótese de ver Galvão como técnico do Remo, mas a dura realidade indica que isso é quase inviável. O maior dos obstáculos está na própria capacidade de tolerância do torcedor azulino, um dos mais impacientes com treinadores nativos. Aceitou a retranca de Flávio Araújo e as invencionices de Roberto Fernandes, mas foi extremamente hostil com Sinomar e Charles, para ficar numa comparação recente.

O outro impasse é de natureza hierárquica e administrativa. Galvão desfruta no Águia de autonomia para contratar jogadores – reconhecidamente um de seus maiores talentos. Na condição de gerente de futebol, que acumula com o papel de técnico, não precisa ficar submetido aos caprichos da cartolagem.

No Remo, a conversa é diferente. A quantidade de cardeais, corneteiros e patrulheiros em geral desafia o bom senso e contribui para atravancar as coisas. De estilo franco e direto, Galvão dificilmente se enquadraria numa estrutura tão viciada e sujeita a turbulências políticas.

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Um treinador à moda antiga

Líder absoluto do Brasileiro, superando os adversários em todos os quesitos, o Cruzeiro caminha para o bicampeonato, impávido e altaneiro. Seu técnico contraria o perfil usual dos profissionais brasileiros. Não fica fazendo presepada do lado de fora do gramado, mais para atrair a atenção das câmeras do que propriamente orientar seus comandados, como é prática de Luxemburgo e quejandos.

Marcelo Oliveira também não costuma dar aquelas entrevistas recheadas de azedume, debochando de repórteres e agindo como se tivesse acabado de conquistar um título internacional, como é típico dos “geniais” Mano Menezes, Muricy Ramalho e Abelão.

Em resumo, Marcelo é um técnico que age como gente normal, sem truques ou preocupações com o marketing pessoal. Não teoriza sobre fórmulas táticas irreconhecíveis em campo, como Tite e Oswaldo Oliveira. Também não usa pranchetinha de araque, como Joel Santana. É um trabalhador, um operário do futebol. E talvez isso tudo faça com que ele seja o mais interessante dos treinadores em atividade no Brasil.

Por todas essas características, obviamente tem remotíssimas chances de ser chamado para comandar a Seleção Brasileira. Para o cargo exige-se que o técnico seja capaz de representar um papel. Marcelo não faz teatro e apresenta-se sem disfarces ou discurso de guerrilha, como Dunga.

Sorte do Cruzeiro que arranjou um técnico de verdade, à moda antiga, como Telê e Cilinho. Azar da Seleção, que perde a chance de ser dirigida por um fã do futebol clássico, bem jogado e vitorioso.

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Lima, um dilema alviceleste

Os dirigentes tratam o assunto com cuidado, mas nas internas o debate está mais vivo do que nunca. Deveria o Papão, classificado para o mata-mata do acesso à Série B, reforçar sua linha ofensiva repatriando o centroavante Lima, que no começo da competição resolveu trocar o clube pelo Ceará?

Há prós e contras na ideia. Ao que parece, o jogador estaria a fim de voltar, mas a corrente mais forte na diretoria manifesta-se contra essa possibilidade. Por duas razões: a saída forçada do artilheiro não foi devidamente assimilada e há o receio de que seu retorno crie divisões no elenco.

Ninguém sabe ainda a opinião de Mazola Junior. Apesar das reações contrárias, o treinador é hoje a única voz que pode reabrir os caminhos para Lima na Curuzu.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 07)

Sobre a nova velha política

Por Daniel Malcher

O discurso predominante nas redes sociais, nas esquinas, vilarejos e rincões do país, turbinado por slogans de manifestações passadas com um quê de udenismo – o combate(?) à corrupção – mostrou-se inócuo após as apurações dos votos depositados nas urnas eletrônicas do país. Velhas raposas, aqui e alhures, artífices da prática do “surrupianismo” – como diria Odorico Paraguaçu – passearão impolutas no Senado, na Câmara e na AL a partir de 2015. Governadores de antigas e perversas maltas elegeram-se no primeiro turno e eleitores que vivem a reclamar de um tal Sistema Cantareira (e ao que parece é “um tal” mesmo) decididamente não gostam de se banhar com o líquido precioso.

Radialista chorão neodemagogo que dizia lutar por educação se eleito fosse, mas que adora alcunhar educadores de “vagabundos”, quase recebeu o cetro. Outro que parece ter “prometido” conduzir Miss Dayse e para tanto trajou-se como um valoroso moto-taxista elegeu-se infortunadamente… Isto me fez acreditar solenemente que nosso povo é refém, mas também e cúmplice. Reclama ante o engano, mas chancela o estelionato eleitoral. É “contra a corrupção”, mas avaliza os janotas do voto. Quer “políticos sinceros, que olhem nos olhos do eleitor”, mas legitima cínicos que fazem acordos espúrios de “canto de olho”.

Não falta educação/informação ao nosso povo, falta interesse. Não faltam discussões, faltam debates. Não falta a formação acadêmica – bem ou mal, mas em expansão – falta consciência política. Se quer honestidade, mas unge-se o ardil. É o povo que precisa se libertar, e o sistema político se transformar. É o povo que precisa de transformação, e
a libertação tomar de assalto o sistema político.