O golpe da delação encomendada

Por Miguel do Rosário

Aos poucos, o golpe vai sendo desmontado. Tomara que a tempo de evitar que a mídia imponha seu marionete ao povo brasileiro.

Teresa Cruvinel, colunista do Brasil 247, já observou a sincronia entre as delações combinadas de Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff e o segundo turno presidencial.

O Conselheiro Nacional do Ministério Público, Luiz Moreira, denunciou o absurdo de termos uma delação premiada de dois bandidos, sem apresentação de nenhuma prova, influenciando o processo eleitoral.

Há cerca de um mês, um site de notícias divulgou que a advogada usada para convencer Paulo Roberto Costa a fazer a “delação encomendada”, Beatriz Catta Preta, seria prima de José Mauro Catta Preta, nomeado desembargador pelo governo do PSDB em Minas Gerais.

Não consegui confirmar essa informação. Pelo que pesquisei, Beatriz Catta Preta pertence a uma firma de advogados de São Paulo, e a firma fundada pelo desembargador José Mauro é de Belo Horizonte.

Os dois escritórios se chamam Catta Preta.

De qualquer forma, há um cheiro fortíssimo de armação no ar. Há algumas semanas, o Globo noticiou que Paulo Roberto Costa tinha se decidido fazer a delação premiada antes mesmo do mesmo se decidir.

O Globo decidiu por ele.

Dias depois, o próprio Costa afirmava que não havia nada decidido, e sua nova advogada, Beatriz Catta Preta, que já havia feito operações similares no passado, sempre acusando o PT, afirmou à mídia que Costa tinha “forte resistência à delação”.

Nesta data, uma matéria assinada por Fausto Macedo, um dos últimos jornalistas dignos, do Estadão, lembrava que “dez em dez advogados eram contra a ferramenta de delação premiada. Beatriz não.”

Por que os advogados são tão unânimes contra a delação premiada?

Não seria porque eles sabem que é uma ferramenta que apenas estimula a mentira, a pilantragem, a farsa?

A troco de que o Estado deveria acusar inúmeras pessoas e instituições com base apenas nas acusações de um bandido desesperado?

O que dizer de uma delação premiada feita às vésperas de um segundo turno de uma eleição presidencial no Brasil?

O que dizer de uma delação cujo teor a Justiça se recusou a dar à presidência da república, à CPI, mas vazou para a Veja e para a Globo?

O que dizer de uma imprensa que usa as falas de dois bandidos para compor infográficos e manchetes garrafais, na primeira página, tentando influenciar as eleições?

O truque da delação em véspera de eleição

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A divulgação na imprensa de denúncias sobre um esquema de corrupção envolvendo políticos e executivos de empreiteiras feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, por meio de acordo de delação premiada, não só interferem na disputa eleitoral como colocam em xeque a imparcialidade da Justiça. A opinião é do membro do Conselho Nacional do Ministério Público, doutor em Direito e professor Luiz Moreira.

Em entrevista ao blog do jornalista Paulo Moreira Leite, no 247, Moreira afirma, sobre a divulgação parcial dos depoimentos: “Cria-se a sensação de que estamos num vale tudo e que o sistema de justiça além de imiscuir-se na disputa eleitoral também não tem compromisso com a ordem jurídica”. Ele afirma ser “lamentável que o sistema de justiça produza essa anomalia, ou seja, que um procedimento judicial cercado de técnicas sofisticadas de colhimento dos testemunhos simplesmente se volte contra a ordem judicial que determina seu sigilo”.

O jurista acredita que “a seletividade é óbvia” quanto à publicação de trechos dos depoimentos. “Há uma engenharia responsável pelo vazamento que seleciona criteriosamente que partes devem ser divulgadas e o momento adequado para que o vazamento chame mais atenção e cause mais impacto nos eleitores”, detalha. Moreira ressalta, por fim, algo que não vem sendo considerado pela mídia familiar: “os testemunhos só são verossímeis se acompanhados de provas. Sem provas, não têm qualquer valor jurídico”.

Leia aqui a íntegra da entrevista.

Sem rumo? Siga o cheiro da maniçoba

Por Elias Ribeiro Pinto, no DIÁRIO

1 Às vezes não dá vontade apenas de sair assim, sem rumo? Pode até deixar o carro na garagem, no estacionamento. Sair andando até aonde as pernas levarem. Mas aí você lembra da dor na perna, na dobradiça do joelho. Uma dor óssea, persistente, que não cede aos anti-inflamatórios comuns. Nem sequer ao emplastro Sabiá. E aí já pinta a neura. Será?

2 Então o melhor é viajar através dos livros, à roda do quarto. Você escolhe um entre os quinze mil livros à sua volta, se joga na cama e abre o volume. Mas algo o incomoda. Sente um desconforto na leitura. Claro, você esqueceu de desenganchar do nariz os óculos da miopia, os cinco ou seis graus (pois agora estão diminuindo, depois de terem crescido, os graus, ao longo dos últimos trinta e cinco anos). Mas agora, em (des)compensação, a oculista lhe passou óculos de leitura. Na verdade, para ler, você prefere dispensar estes parceiros de uma vida, os óculos. Melhor ler a olho nu. Os de leitura lhe servem, confortavelmente, para escrever diante do computador, à média distância. Tem hora que você já não sabe com quais dos óculos está, pois recusa os bifocais.

3 Mas deu para entender, não é? O(A) companheiro(a) já não depende apenas das próprias pernas ou dos olhos a descoberto para ganhar o mundo ou as páginas sem cancelas do livro. Alguma coisa está fora da ordem, diria o Caetano Veloso. Você já entendeu ou quer que eu desenhe? Só um momentinho, deixe pegar os óculos para desenho.

4 Outra doideira é o fato de, na livraria, já não saber se tem ou não em casa o livro que agora folheia, retirado da estante da loja. Desconfia que sim, deve ter um exemplar daquele título em algum canto da biblioteca doméstica, talvez numa outra edição, mas se decide a comprar de novo o livro. Afinal, o seu exemplar antigo dificilmente será encontrado em meio à rotação cabalística em que gravitam os livros de sua casa.

5 Você não pode ter todas as mulheres do mundo – mas nada o impede de tentar. Putz. Não era nada disso. Vou já levar no lombo um processo politicamente correto. Você não vai conseguir ler todos os livros do mundo. Era o que eu ia escrever. Quer dizer, olhando os livros aqui em minha volta, em torno da mesa do computador em que escrevo o texto que se vai compondo na tela e vocês estão lendo neste momento, vendo os volumes espalhados ao redor, nem a estes terei tempo de lê-los todos. Bem, mas posso tentar, nada me impede. O sono me impede. É, quando os levo para a cama, depois do trampo diário, mais o tempo da escrita, o sono me abate com poucos minutos, ou capítulos, de leitura. Capitulo. O Walter Benjamin dizia que livros e prostitutas podem ser levados para a cama. Nem vou desenvolver esse tema. Mas houve tempo. Houve tempo.

6 Bem, era isso. Quer dizer, não era nada disso. E aquela cervejinha, está de pé? Para animar a discussão da eleição, do segundo turno? Olha, neste caso, para encerrar logo essa discussão, milito com o Millôr Fernandes. Que dizia, naquelas suas frases célebres pela precisão dos contrários, do oximoro que imanta contrários. Eu não gosto da direita porque é de direita. Eu não gosto da esquerda porque é de direita. Mas não gosto, acima de tudo e de todos, do Liberal. E não estou me referindo ao José Guilherme Merquior, a quem continuo apreciando muito, apesar dos oximoros que nos afastam aqui e ali.

7 Sem rumo? Então siga o cheiro de maniçoba que vem de todos os cantos. Elementar, meu caro leitor.

Bate-Papo: Thiago Passos, diretor do Remo

Remo Charles,Tiago,Henrique e Zeca Pirao-Mario Quadros (2)

Por Cláudio Santos

O diretor de Futebol do Clube do Remo, Thiago Passos, foi visto inicialmente com certa desconfiança dentro do próprio clube devido a pouca experiência no trato com profissionais do futebol. Convidado para o cargo pelo presidente Zeca Pirão, Passos surpreendeu positivamente pela maneira firme de atuar e pela capacidade de contratar bons jogadores para a temporada 2014. Nesta entrevista, ele revela detalhes de bastidores e esclarece o mal-entendido da quase contratação de Tarcísio Pugliese em substituição a Charles Guerreiro. Disse também que Roberto Fernandes tem 50% de chances de voltar a dirigir o Remo em 2015.    

Cláudio Santos – Como é ser diretor de futebol de um dos maiores clubes do Brasil? Você se preparou pra exercer a função ou assumiu por acaso?

Thiago Passos – Maravilhoso uma imensa alegria e uma grande honra. Me preparei tecnicamente nos últimos 5 anos, com aperfeiçoamento dos meus estudos no Direito Desportivo, bem como sobre o mundo do futebol em geral.

CS – Quando você chegou ao Remo Charles Guerreiro já tinha sido contratado pelo presidente Zeca Pirão. É verdade que você tentou mudar o técnico, chegando a contatar com o Flávio Lopes pra iniciar os trabalhos no clube? Por que não deu certo?

TP – Nada contra a pessoa do Charles, que sempre foi cordial e um cidadão de uma conduta muito cortês e educada, mas desde o inicio percebi que o perfil dele era incompatível com o perfil do grupo que montamos. Por isso, sabia que dificilmente daria certo. Assim, tentei mudar o comando técnico antes mesmo de o Estadual se iniciar. 

CS – Após a demissão do Charles você já tinha acertado com o técnico Tarcísio Pugliese, mas o Pirão vetou a contratação. Você não tinha autonomia como diretor de futebol?

TP – Sempre tive o respeito e confiança do presidente Zeca Pirão e, consequentemente, a autonomia para trabalhar, contudo em qualquer clube do mundo a decisão final em situações estratégicas é sempre do presidente. No caso Tarcísio Pugliese ocorreu um mal-entendido, pois a contratação foi consensual, ou seja, já estava definida e com a anuência de todos, inclusive do Pirão. Ocorre que após o Re-Pa em que o Agnaldo foi o comandante eu desci do camarote e a imprensa veio ao meu encontro questionar sobre a contratação do novo treinador. Então eu divulguei aquilo que já havia sido acertado, no entanto, naquele mesmo instante todos os demais membros da diretoria, inclusive o Pirão, estavam nos vestiários e decidiram dar uma nova oportunidade ao Seu Boneco, portanto o mal-entendido se deu por uma fração de segundos entre a minha entrevista e a entrevista do Pirão.

CS – Quem contratou mais jogadores no Remo: você, Emerson Dias ou o Pirão?

TP – Emerson e eu.

CS – Apesar de ser contra dirigentes contratarem jogadores, admito que vocês acertaram em muitas contratações.. Não deu certo por causa do bom técnico que vocês não conseguiram contratar. Você concorda?

TP – Acredito que se o Roberto estivesse desde o início do trabalho nós teríamos vencido o Estadual com mais facilidade e consequentemente iríamos entrar no Brasileiro mais fortalecidos. Acredito que jogadores que não renderam com o Charles renderiam melhor com o Roberto.

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CS – No Remo, penso que você foi o menos culpado pelo fracasso do clube, em relação ao acesso, apesar de pensar que o Pugliese, que era uma indicação sua, faria você errar também. É difícil achar um bom técnico?

TP – Difícil sim, nós sempre tentamos diminuir a margem de erro em nossas contratações, inclusive para o comando técnico. O futebol é espetacular por isso. Profissionais de alto gabarito rendem em um clube e não conseguem render em outros. Veja o Flávio Araújo. Venceu tudo no Sampaio, mas veio para o Remo e fracassou. Voltou ao Sampaio e está vencendo novamente (já deixou o clube)

CS – Percebo que hoje quem mais critica você pelo fracasso foi quem já esteve na sua posição e errou muito mais. Como você vê isso?

TP – Com naturalidade. Na realidade, sonho com o dia em que o Remo deixará de ser essa imensa fogueira de vaidades, tenho grande respeito por aqueles que fizeram a história do Remo, mas hoje estamos vivendo o nosso momento. Temos o direito de errar e acertar, como eles já tiveram e em nossos 13 meses de gestão o saldo foi insofismavelmente positivo.

CS – Na administração Zeca Pirão vejo uma coisa muito positiva. Nos últimos 10 anos, pelo menos, o Remo montava um elenco pra cada ano. Chegou a iniciar uma temporada só com o Jonathan no elenco. Um absurdo. Vocês fizeram contratos longos com bons jogadores, fato que penso ser correto. Qual o percentual de jogadores desse elenco que vocês irão manter para o próximo ano?

TP – 60% desse elenco será mantido. 

CS – Você veio da Assoremo e mostrou competência ao assumir a diretoria de futebol do Remo. Como Pirão deve ser eleito com facilidade, você continuará à frente do futebol. O que faria de diferente em relação a 2014?

TP – Aceitei o convite do presidente Zeca Pirão para assumir esse gigantesco desafio de ser diretor de Futebol do maior clube do Norte. Confesso que iniciei como debutante no cargo, mas logo me adaptei. Hoje me sinto muito melhor preparado para a função. Não sei o que vai acontecer depois da eleição, mas estou à disposição do Pirão. Percebo que as pessoas que criticam o meu trabalho não entendem de fato quais as funções de um diretor de Futebol. Não conseguem ou não querem perceber que vai muito além de contratar ou dispensar jogadores. O cotidiano é tão importante quanto montar o elenco, o apoio ao grupo em situações particulares é fundamental para se manter o ambiente equilibrado. Essas ações não são objetos de entrevistas e nem são visíveis aos olhos da imprensa e torcida, contudo são absolutamente indispensáveis ao sucesso do trabalho.

CS – Penso, em relação a técnico, que ele pode ser bom como for, mas se não tiver pulso forte, como Givanildo e Davino tiveram, não dará certo no Remo. A pressão é muito grande, amigo. Por isso Flávio Araújo não deu certo. Você concorda?

TP – Difícil dizer por que o Flavio não deu certo, mas soube que em sua passagem pelo Remo ele teria ido às vias de fato com um cartola da época, então podemos deduzir que o ambiente naquele grupo não era dos melhores.

CS – Quem era o cartola?

TP – Prefiro não mencionar.

CS – Você assumiu a função mais cobiçada pelos cardeais dentro do Remo: A direção do futebol. A pressão sobre você é muito grande?

TP – Muito grande. Desde o inicio me senti pressionado de todas as formas, mas minha família me ensinou a ser forte, portanto quanto maior a pressão maior é a minha disposição para superar os obstáculos. No Remo não se joga e nem se dirige se não souber lidar com a pressão e, sem falsa modéstia, eu sei fazer isso.

CS – Você concorda que, se o técnico é quem treina o time, no mínimo o elenco deveria ser montado com ele ao lado?

TP – Sem dúvida nenhuma.

CS – Existe algum projeto da Assoremo pra colocar mais integrantes dentro do clube? O torcedor do Remo agradeceria muito.

TP – Tenho imenso orgulho de ser o idealizador, fundador e o primeiro presidente da Assoremo. Eu a criei com base na Assocap (Associação de Sócios do Atlético Paranaense). Lá eles são efetivamente braços de gestão incidental. Aqui estamos caminhando para isso, viemos para fazer história e já estamos escrevendo as nossas linhas no livro de vida do glorioso Clube de Periçá.

unnamed (21)CS – De quem foi a indicação do técnico Roberto Fernandes pro Remo?

TP – Indicação foi minha.

CS – Como é o seu relacionamento com o vice-presidente Marco Antônio Pina?

TP – Profissional.

CS – Quando o Remo inicia os trabalhos já visando 2015, até por se saber que um técnico, para realizar um bom trabalho, precisa de pelo menos 3 meses?

TP – Ontem (07.10) nós encerramos as atividades do elenco profissional e, considerando que o Estadual está previsto para iniciar no dia 01.02.15, a reapresentação deve ocorrer em dezembro.

CS – João Galvão, Pugliese, Vagner Benazzi e Roberto Fernandes. Qual desses se encaixaria no perfil de pulso forte e bom técnico para dirigir o Remo, na sua opinião?

TP – Todos são bons treinadores, mas sou adepto da continuidade no trabalho.

CS – Isso quer dizer que Fernandes pode continuar no Remo, pra 2015?

TP – Sim. Tem 50% de chances de retornar.

CS – Thiago Potyguar, por tudo que jogou nesse último jogo e no inÍcio do Parazão, ficará para 2015? E Eduardo Ramos, retornará ao clube ano que vem?

unnamed (65)TP – Potyguar é um jogador diferenciado, tem um talento acima da média, gostaria muito de contar com ele. Ocorre que ele tem passe preso ao Corinthians Alagoano e ainda não sabemos se poderá retornar. O Eduardo Ramos é patrimônio do Remo e retornará em janeiro.

CS – Alguns falam de técnicos da nova geração, simplesmente por falar, mas não com base e dados concretos, por isso sempre erram. O Avaí estava indo para a lanterna na Série B, com o técnico da nova geração Pingo e está hoje na vice liderança, com Geninho, 66 anos. Pugliese, em 2013 e 2104, fracassou no Guarani-SP, Volta Redonda, Icasa e, agora, com o Ituano, sendo eliminado pelo Moto, nessa Série D.. Qual seria o perfil pra vc do novo técnico do Remo?

TP – Perfil de um técnico vencedor.

CS – Penso que você e sua diretoria fizeram uma jogada de mestre ao fazer com que toda a fórmula proposta pelo Remo passasse na FPF para o Parazão 2015. Conquistar uma vaga à Série D ficou bem menos difícil pro Remo. Foi um toma lá, da cá bem sucedido. Parabéns pelo que chamo de “o traço do ano”. Qual a mensagem que você deixa ao torcedor azulino que está triste nesse momento?

TP – Deixo uma mensagem de verdadeiro alento, pois o Remo encerra o ano de 2014 muito mais equilibrado e fortalecido do que no final de 2013. Por isso, tenho a plena convicção de que em 2015 o Remo sairá de uma vez por todas desse calvário que ainda vive. Quanto à proposta do Remo, o formato já está definido. Fiquei orgulhoso de ser o representante do clube na reunião do conselho técnico e ter aprovado as 3 sugestões que fiz: 1) 10 equipes; 2) chaves com 5 clubes, com jogos apenas de ida; 3) Semifinal em jogo único e no Mangueirão.

* PS: Na minha opinião, esse foi o traço do ano de 2014.

Este é o primeiro dos dois Bate-Papo do mês de setembro, já que não foi possível fazer no mês de agosto. O entrevistado é o diretor de Futebol revelação de 2013, Thiago Passos.. Espero que os amigos tenham gostado. Ainda neste mês entrevistaremos uma pessoa ligada ao futebol do Paysandu. Aguardem. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

As férias forçadas do Leão

Por Gerson Nogueira

Como tem ocorrido sistematicamente nos últimos anos, o Remo está novamente sem divisão e obrigado a antecipar as férias do elenco. A eliminação nas oitavas de final da Série D no mata-mata contra o Brasiliense revive um drama já conhecido do torcedor.

A equipe, cara para os padrões da Quarta Divisão, não deu conta do compromisso de conseguir o acesso à Série C, projeto prioritário da diretoria do clube. A folha salarial em torno de R$ 450 mil colocava o Remo em pé de igualdade com times da Série B.

unnamed (36)Em campo, porém, o investimento não deu o resultado esperado. Vários fatores contribuíram para o novo fracasso remista na Série D. O primeiro foi a ausência de participação do torcedor, pois o time teve que mandar as quatro partidas da primeira fase no estádio São Benedito, em Bragança, cumprindo punição estabelecida pelo STJD.

Outra causa do infortúnio azulino está na instabilidade da equipe ao longo de toda a competição, com fragilidades terríveis no setor defensivo e um setor de criação que sempre esteve aquém das expectativas.

Sob o comando de Roberto Fernandes, o Remo repetiu na Série D o comportamento irregular exibido no Campeonato Paraense. Apesar da conquista do título estadual há muito buscada, o time apresentou limitações crônicas tanto no meio-campo quanto na defesa.

A Série D agravou essas fragilidades, que fizeram com que se atrapalhasse até com adversários mais limitados, como Guarani de Sobral e River. Em confrontos com essas equipes, o Remo perdeu pontos preciosos por cochilos de sua linha de zagueiros.

Uma classificação mais tranquila no grupo teria permitido a vantagem de decidir em casa no primeiro mata-mata, além de garantir um adversário teoricamente menos difícil. Ainda assim, no confronto com o Brasiliense poderia ter sido vitorioso caso não cometesse erros desastrosos de posicionamento defensivo no jogo de ida, realizado no estádio Jornalista Edgar Proença.

A condução tática do time naquela partida foi equivocada, respondendo pela principal razão de mais um insucesso do clube em competições nacionais. Com um inesperado esquema 4-3-3, Roberto Fernandes fragilizou a meia cancha para tornar a ofensiva fisicamente mais forte. Não deu certo.

O Remo poderia até não ir muito longe, mas tinha condições de suplantar o Brasiliense, como ficou evidente no jogo de volta em Taguatinga. O lado perturbador da história é que, mesmo com um time tecnicamente superior, o time não foi capaz de derrotar o oponente e seguir em frente na Série D. Há quem avalie que o problema teve razão psicológica. Os supersticiosos de sempre podem argumentar que foi apenas urucubaca.

A análise fria dos fatos indica, porém, que o Remo ficou pelo caminho devido à confusão tática que impediu que adquirisse consistência e entrosamento. A ausência de um armador mais ágil e participativo que o lento Danilo Rios também contribuiu. E, acima de tudo, a insistência com um centroavante (Leandro Cearense) em má fase, desperdiçando gols a cada novo jogo, foi determinante para o revés.

Passado o impacto inicial e depois de contabilizar os prejuízos, a diretoria deve iniciar o planejamento para 2015, tendo em mente que juntar um bom grupo de jogadores não é garantia de sucesso. O comando técnico deve ser entregue a alguém igualmente qualificado.

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Papão faz teste contra o Tapajós

Ao longo dos anos, a antevéspera do Círio de Nazaré sempre reservava um grande jogo em Belém, aproveitando a presença na cidade de milhares de romeiros ávidos por ver os times da capital em ação. Os recentes insucessos da dupla Re-Pa praticamente acabaram com essa tradição.

Mesmo sem o glamour dos grandes clássicos, um amistoso programado para hoje à noite, na Curuzu, pode satisfazer a curiosidade dos torcedores do Papão de passagem pela capital. O adversário é o modesto Tapajós, que disputou a Segundinha do Parazão.

O técnico Mazola Junior deve poupar alguns de seus titulares, mas mandará a campo boa parte do time que conquistou a classificação ao mata-mata da Série C. Reservas, como o volante Lenine e o atacante Dênis, também devem marcar presença na partida. A importância do teste é manter em atividade a equipe na folga antes do primeiro embate com o Tupi.

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Os dissabores da Estrela Solitária

Quando a fase é ruim, tudo conspira contra. O Botafogo, cujo presidente é o maior responsável pela trágica campanha no Brasileiro, acaba de perder as esperanças de utilizar o atacante Jóbson na competição. O jogador, que teria sido punido no futebol árabe, teve sua escalação vetada pelo STJD.

A essa altura do pagode, com um elenco desfalcadíssimo depois que quatro titulares foram afastados, até o imprevisível Jóbson virou reforço de peso e a decisão do tribunal ajuda a aumentar as aflições botafoguenses.

Exemplos de superação começam a ser buscados como forma de manter acesa a chama. É verdade que o Fluminense conseguiu recentemente renascer das cinzas e se salvar da degola. Há, porém, uma diferença abissal. Aquele Flu tinha um elenco razoável e, mais importante, pagava os salários em dia.

No Botafogo atual, às voltas com uma pindaíba de dar dó, os jogadores precisam tirar leite de pedra, driblando ainda as aflições normais de quem não recebe em dia. Pela lei natural das coisas, só um milagre a essa altura pode livrar o Glorioso de seu segundo rebaixamento.

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Festança dos boleiros do Julia Seffer

Registro aqui o convite do amigo Paulo Fernando Bad Boy para a programação que celebrará hoje os 28 anos de criação dos times do conjunto Julia Seffer, na BR-316. Colossal, Flamengo, Juventude e o lendário Cobreloa serão lembrados em meio a muito futebol, música e churrasco, na sede da Associação dos Engenheiros Agrônomos, a partir das 19h. O futebol é apenas uma desculpa para festejar a amizade nascida nos anos 80 e preservada até hoje. Parabéns.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 10)