Um jogo que vale a temporada

Por Gerson Nogueira

unnamed (83)A decisão da vaga às semifinais da Série C acontece hoje e representa, mais do que a progressão dentro da disputa, oportunidade preciosa para que o Papão volte à Série B. Contra o Tupi de Juiz de Fora-MG o time de Mazola Jr. joga também para salvar uma temporada até agora sem conquistas. Fato ainda mais relevante porque é o ano do centenário do clube.

Como todo confronto decisivo, este será difícil, tenso, disputado palmo a palmo. Nervosismo do começo ao fim. Ao Papão cabe a responsabilidade de determinar o ritmo. Jogar em casa significa tomar a iniciativa, não permitir que o adversário se sinta à vontade.

São regrinhas manjadas, que todo mundo conhece, mas que às vezes ficam em segundo plano durante o jogo. O que quase sempre é fatal. Todo time que aceita a estratégia do visitante se abraça com a derrota.

O Papão de Mazola não pode se enredar no combate de meio-campo, armadilha de dez entre dez visitantes para travar os passos do dono da casa. Prender-se à batalha no meio significa é um pecado imperdoável, pois leva à perda de um tempo precioso, que podia ser usado para explorar os lados.

Todos os esforços de início de partida devem ser direcionados para ataques contundentes, cujo objetivo principal é impor respeito e minar a resistência do adversário.

Para encarar o Tupi, Mazola certamente vai botar o Papão para explorar a velocidade de suas peças mais jovens, principalmente Djalma e Pikachu. Desde que o futebol foi inventado a melhor maneira de demolir sistemas defensivos é fazer a bola girar em velocidade, de pé em pé, de preferência em tabelinhas e deslocamentos que possam confundir a marcação.

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Falar é sempre mais fácil, eu sei, mas o caminho das pedras é exatamente esse. Conhecedor do futebol mineiro, Mazola sabe como o Tupi costuma jogar, daí a expectativa para a escalação do Papão, que só deve ser anunciada no Mangueirão.

Com Pikachu caindo pela direita apoiado por Djalma e recebendo passes de Héverton e Recife, o Papão ganha mais robustez ofensiva, com um terceiro atacante em tempo integral. Ruan e Bruno Veiga são os atacantes de ofício, sendo que o segundo tem mais liberdade para atuar pelos lados da área, buscando bola no meio-campo. Como é exímio chutador, Veiga deve ser figura importante no desenho ofensivo, pois pode executar chutes de média distância, como no golaço diante do Crac, em Catalão.

Há no time do Galo Carijó das Alterosas um meia-armador que sabe distribuir bem o jogo e lidera a equipe em confrontos enrascados como o de hoje. É Ewerton Maradona, principal jogador do Tupi e que volta a atuar depois de longo período afastado por lesão.

Sobre ele deverá recair a atenção dos volantes do Papão. Augusto Recife, pela técnica, deveria ser o escalado para vigiá-lo de perto, mas Ricardo Capanema, que tem mais resistência e fôlego, talvez seja o escolhido. Pela vocação de carrapato, tem tudo para executar bem a missão e anular o Maradona do Tupi.

É confronto para ser ganho a partir da maior presença ofensiva. Defender é parte do processo, a fim de não comprometer o jogo de volta, mas atacar sempre deve ser o mantra do Papão.

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Os méritos de Mazola

Durante uma pausa nos últimos treinamentos da sexta-feira, o técnico Mazola fez uma reflexão sobre seu trabalho na Curuzu. Pareceu bastante sincero em avaliar criticamente os altos e baixos, valorizando a aceitação de sua maneira de agir. Admitiu viver uma fase inteiramente zen, bem diferente de sua primeira passagem, quando entrou em conflito com setores da imprensa e criou polêmica na reta final do Parazão.

“Ter alcançado essa classificação, ter tirado o time do rebaixamento, ter tido a compreensão do meu trabalho, da minha forma de ser, que no início do ano foi difícil, é gratificante”, analisou.

O fato é que ninguém tira de Mazola os méritos e a paternidade pela recuperação do Papão na competição. Antes de seu retorno, ainda sob o comando de Vica, o time acumulava insucessos e caminhava seriamente para o rebaixamento.

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Remo escapa de punição dura

A sentença soou como absolvição ante a expectativa (justificada) de um gancho duríssimo para os azulinos. O fato é que o STJD julgou os violentos incidentes de Bragança – no jogo entre Remo e River-PI – levando em conta as providências adotadas pela diretoria do Remo, que conseguiu prender os envolvidos na briga generalizada e se documentar adequadamente a respeito. Graças a isso, a pena ficou em apenas uma perda de mando, mais multa de R$ 5 mil.

O papel do departamento jurídico do clube não pode ser esquecido nisso. O diretor André Cavalcante foi incansável na reação ao incidente, tanto em Bragança quanto na viagem ao Rio para visitar o tribunal, levando o posicionamento e fazendo a defesa do clube.

Que sirva de exemplo para que se tomem as providências preventivas em jogos da dupla Re-Pa, o que vale também para a programação de hoje no Mangueirão. Todo cuidado é pouco quando delinquentes estão à solta.

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Intolerância sem fim

A confusão em que o Remo se meteu e conseguiu se sair mais ou menos bem não é privilégio do futebol paraense, infelizmente. Em consequência da derrota para o Atlético-MG na Copa do Brasil, gangues organizadas do Corinthians fizeram protestos e ameaças a jogadores e à comissão técnica do clube, ontem.

Como não conseguiram chegar próximo de Mano Menezes no CT do clube, avisaram que iriam até a casa do treinador em clara atitude de intimidação. Tudo o que não se precisa neste momento tão delicado do futebol no Brasil.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 18)