Papão treina e dúvidas permanecem

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O Paissandu realizou treino na tarde desta quarta-feira, na Curzu, adaptando-se ao horário do jogo de sábado (15h) e ainda sob o mistério dos escalados para substituir Augusto Recife e Zé Antonio, suspensos. Apesar de preferir Ricardo Capanema e Lenine, o técnico Mazola Junior só deve divulgar a escalação já em Juiz de Fora na manhã de sábado. Como nos outros treinos da semana, os jogadores exercitaram cobrança de penalidades máximas, pois a decisão contra o Tupi pode sair nos pênaltis. Os torcedores continuam a comparecer ao estádio, manifestando apoio e incentivo ao jogadores para a grande decisão. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Eleição azulina terá 10 mil votantes

Dez mil sócios estão habilitados a votar no pleito para a presidência do Remo, marcada para 8 de novembro próximo. Serão as primeiras eleições diretas da história do clube. A lista com os nomes dos eleitores já está disponível na secretaria do clube, na sede social do Leão. Ao todo, 600 sócios proprietários e 9.500 sócios remidos terão o direito de votar, optando por uma das duas chapas disputantes. A Chapa 1 é encabeçada pelo atual presidente Zeca Pirão e a Chapa 2 tem o dirigente Pedro Minowa como candidato.

Mais um “desinformado” que vota em Dilma

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Por Miguel do Rosário

O maior cientista brasileiro vivo, Miguel Nicolelis (foto), considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo, segundo a revista “Scientific American”, abriu seu coração nas redes sociais. Numa série de mensagens postadas em sua conta de twitter, Nicolelis explica a sua grande emoção de votar, pela primeira vez em sua vida, para presidente da república. Lembra de parentes, que sonhavam com a democracia mas morreram antes de verem o sonho virar realidade.

Entretanto, Nicolelis não se emociona apenas com o direito formal de votar. Ele se emociona, sobretudo, com o resgate da dignidade do povo brasileiro. Ver uma liderança política, como fez Marina Silva, chorar lágrimas de crocodilo, tentando se vitimizar e enganar o povo, é uma lástima.

Ver um grande cientista, um homem que passou a vida usando apenas o cérebro, e cuja vida, aliás, foi dedicada ao estudo do cérebro humano, ver um homem assim chorar de emoção ao declarar um voto, é outra coisa. Ver um cientista emocionar-se, de alegria, ao declarar, com altivez, coragem e orgulho, a sua opção política, é a melhor resposta que podemos dar à violência antidemocrática dos setores golpistas da nossa mídia e da nossa elite.

Manifesto de apoio a Dilma

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Manifesto de jornalistas brasileiros em apoio à candidatura de Dilma Rousseff:

O país atravessa um momento decisivo da sua história. Ao lado de uma eleição presidencial e de governadores em vários estados, realizamos na verdade a escolha do destino do país para as próximas décadas. O Brasil decidirá se aposta no modelo que possibilitou uma inédita inserção social com a solução inimaginável da fome crônica, um desenvolvimento mais sustentável que possibilitou ao país não só dispensar o FMI como apresentou a economia brasileira com força suficiente para ajudar países da região, insuflou uma retomada da auto estima e de uma imagem positiva no exterior. Ou optará pela volta do modelo com receituário neoliberal de exclusão, privatizações, arrocho e ausência de transparência.

Faremos a escolha entre uma candidata com história irretocável e que deu demonstrações concretas da capacidade de gestão, sensibilidade política e disposição de negociação e um candidato que é rejeitado publicamente no estado em que governou, que apresenta uma biografia manchada pelos escândalos privados e comprometimentos na esfera pública.

Os jornalistas brasileiros que subscrevem este texto já decidiram e em nome das liberdades constitucionais de expressão e imprensa, da radicalização da democracia, da continuidade do desenvolvimento e do crescimento econômico, da distribuição de renda e riqueza, da universalização da educação e saúde, da soberania e da fraternidade nas relações internacionais escolhem Dilma Roussef para Presidente da República.

Pizza portuguesa (por Sérgio Xavier)

Por Sérgio Xavier, na Placar

É até uma notícia boba, quase sem grande importância para o noticiário da bola. Mas no Campeonato Brasileiro sub-20 a Portuguesa foi suspensa por escalar um jogador irregular. Poxa, de novo, Lusa? Pois é, não é piada pronta, aconteceu nesta quarta-feira. De novo.

O quiprocó jurídico da garotada lembra o que aconteceu há quase um ano. O jogador Heverton foi julgado e suspenso, a CBF não fez os registros que deveria e o clube foi punido. Não foi uma punição besta. Pode ter sido definitiva. O time caiu para a Série B, entrou em parafuso e já está este ano praticamente rebaixado para a C. As receitas despencaram, as dívidas aumentaram. De repente o clube não consegue mais se levantar do tombo. Estamos nos aproximando do tempo em que clubes de futebol irão quebrar. O Botafogo é um candidato natural a isso. Mas a Portuguesa pode chegar antes. E tudo por causa de uma decisão nada besta de tribunal.

O mesmo tribunal que deve livrar a cara do Corinthians no caso Petros. Não que o Corinthians seja culpado. Não é, pelo visto temos mais um caso de lambança das federações que deveriam organizar o futebol e não se cansam de demonstrar sua incompetência. O fato é que o grandão Corinthians deve ser absolvido e seguir a vida. A pequena Portuguesa foi punida e se aproxima da morte. Dois pesos, duas medidas, dois destinos. Algumas pizzas saem fumegantes do forno. Outras queimam. Na pizzaria STJD, a portuguesa torrou.

O pensamento vivo do jovem Aécio

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Com 17 anos, Aécio Neves passou uma temporada em um lugarejo de Nova Jersey, nos EUA, onde virou atração e deu até entrevista ao jornal Franklin-News. Segundo relato do jornalista Paulo Moreira Leite no Brasil247, Aécio disse ao repórter “que a vida das mulheres é fácil no Brasil” e que elas não tinham “necessidade financeira de trabalhar”, podendo “passar a maior parte de seu tempo na praia ou fazendo compras”. O hoje candidato da direita brasileira relatou ainda ao jornal americano que “todo mundo tem uma empregada ou duas” por aqui. E contou outra novidade: “nunca fiz minha própria cama”. Na época, o jovem Aécio lamentava estar fora do país no Carnaval (fevereiro de 1977). Segundo ele, “a única época em que a classe baixa e a classe alta se reúnem”.

Quem desconstruiu Aécio foi o próprio Aécio

Por Paulo Nogueira, no DCM

Uma das palavras da moda nestas eleições é “descontrução”. Ela tem sido usada pelos colunistas VPs, em tom de pretensa indignação, para definir o que o PT teria feito com Marina, no primeiro turno, e Aécio, no segundo. Ah, sim: entenda, por VPs, as Vozes dos Patrões.

Marina é história. Tratemos da “desconstrução” de Aécio. Desconstruir implica torcer fatos, manipular informações, inventar coisas que prejudiquem determinada pessoa.

Nada, absolutamente nada disso foi feito com Aécio. Examinemos alguns dados da alegada “desconstrução”.

O aeroporto de Cláudio, por exemplo. Ele existe, ele custou cerca de 12 milhões, ele está situado num terreno que pertencia ao tio de Aécio e ele, embora pretensamente público, era usado privadamente por Aécio e uns poucos.

Desde que o caso apareceu, Aécio não conseguiu dar uma única explicação que fizesse sentido. Porque não há como defender o que é moralmente indefensável.

Construir o aeroporto de Cláudio acabou por desconstruir Aécio. Como quem construiu foi ele, podemos dizer que ele se desconstruiu.

A partir dali, falar em decência e em ética, pregar sobre o uso de dinheiro público, bradar contra a corrupção – tudo isso soou farisaico, cínico, mentiroso em Aécio.

Consideremos agora os familiares e agregados empregados por Aécio. Para quem fala compulsivamente em “meritocracia” e “aparelhamento”, praticar o nepotismo é particularmente acintoso.

A expressão maior do nepotismo de Aécio é sua irmã, Andrea Neves. Em seu governo em Minas, Andrea controlou as verbas de publicidade, uma atividade vital para o exercício de uma censura branca. Você premia, com dinheiro, quem dá boas notícias sobre você. Pune, fechando as torneiras das verbas, quem faz jornalismo verdadeiro.

É uma situação que desconstrói quem quer que esteja no comando dela. Quem deu poderes a Andrea Neves? Foi Aécio. Não fui eu, não foi você, não foi o papa, não foi FHC. Logo, também aqui, ele próprio se desconstruiu.

Não deve ser subestimado um fato, neste capítulo, que agrava as coisas. A família de Aécio tem pelo menos três rádios e um jornal em Minas, e para tudo isso foi destinado dinheiro público em forma de publicidade. É, em si, uma indecência. Mas, para quem se apresente como guardião da moral, é pior ainda.

Ainda no capítulo do nepotismo, a trajetória de Aécio é o exato oposto da “meritocracia” de que ele fala abusivamente. Aos 17 anos, o pai deputado federal lhe deu um emprego na Câmara, em Brasília. Só que, com esta idade, ele se mudara para o Rio para estudar.

Aos 25, um parente o nomeou diretor da Caixa Econômica Federal. Isto não é desconstrução: é verdade. É biografia real. A verdade só descontrói quando o objeto dela fez coisas que merecem desconstrução.

Aécio era uma desconstrução à espera do momento em que luzes clareassem as sombras que sempre o acompanharam. Este momento veio quando ele se tornou candidato à presidência.

Não bastassem os fatos, em si, houve as atitudes nos debates. A grosseria primeiro com Luciana Genro e depois com Dilma, o riso cínico e debochado: assim se desconstruiu a imagem de “bom moço”.

Mas de novo: Aécio não tem ninguém a quem culpar, também aí, senão a si próprio. Aécio, ao longo da campanha, promoveu uma minuciosa autodesconstrução.

Ganhou a sociedade. Quem votar nele sabe em quem está votando.

Velozes, audazes e competentes

Por Gerson Nogueira

Não é título de filme, mas é apenas a descrição precisa do estilo alemão de jogar futebol, que está na crista da onda há mais ou menos três anos, desde que o portentoso Barcelona e seu infernal tic-tac saíram de cena. Começou com o Bayern de Munique e o Borussia Dortmund, que há dois anos decidiram a Liga dos Campeões e deram os primeiros sinais de que uma nova força estava se erguendo.

A Copa do Mundo no Brasil serviu para coroar essa hegemonia germânica. Muito já se falou sobre os esforços que o país de Beckenbauer empreendeu na última década, saindo de situação desconfortável no futebol europeu para uma posição de destaque no mundo. Tudo movido a planejamento e organização, virtudes historicamente associadas ao povo alemão.

unnamed (71)O massacre de ontem do Bayern sobre a Roma, por 7 a 1, valendo pela Liga dos Campeões, remeteu de imediato lembrar a histórica goleada da Alemanha em cima do Brasil na semifinal da Copa. Apesar das diferenças óbvias, é inegável o poderio alemão no futebol de hoje.

Curiosamente, essa força se concentra na seleção nacional e em no máximo dois grandes clubes. Ao contrário da maioria de seus vizinhos europeus, o futebol alemão é dominado por Bayern e Borussia. Ocorre que o Bayern, um colosso administrativo, amparado por fortes patrocínios e gestão firme (nos últimos anos), deu um importante passo rumo à excelência ao contratar Pep Guardiola no final de 2013.

Os efeitos dessa aposta já se fazem notar no estilo de jogo desenvolvido pelos alvirrubros de Munique. Com pelo menos 50% dos titulares da seleção nacional, o Bayern se reforça com uma esquadra multinacional de respeito, contando com Robben, Ribéry, Lewandowski, Xabi Alonso e Dante. Mas, na partida de ontem, Guardiola brilhou acima de todos.

Técnica, velocidade e passe. O Bayern de hoje joga assim, quase não dá chutão como era prática do futebol alemão até os anos 90. Com quatro gols fulminantes entre 23 e 35 minutos de jogo, a goleada sobre os italianos foi construída de maneira muito parecida com a que se viu em Belo Horizonte.

Müller, Robben, Lahm, Ribéry e Gotze com toques rápidos e deslocamentos constantes infernizaram a marcação em linha da Roma. Como aconteceu naquele Brasil x Alemanha, se quisessem poderiam ter disparado um placar ainda mais espalhafatoso. Nos instantes finais, o preciosismo de alguns jogadores impediu que o escore se ampliasse. Na Copa, como se sabe, não houve firula do escrete alemão, mas certa compaixão com o infortúnio dos brasileiros.

Quanto a Guardiola, seu papel como responsável pela mudança na forma de jogar do Bayern é evidente. O time agora sai jogando, pelo centro do meio-campo ou com os laterais, tocando a bola e esperando a brecha para invadir a área inimiga. Ao contrário do que desenvolveu Barcelona, onde o estilo era cadenciado e visava minar a resistência do adversário, no Bayern a fórmula é mais acelerada e o jogo fica mais bonito.

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As cautelas de Mazola

O desfalque de Augusto Recife é o motivo das maiores preocupações na Curuzu. Natural. O veterano volante é o melhor passador do time e funciona como ponto de equilíbrio. Na ausência de um armador, ele muitas vezes executa as tarefas de um organizador, e com correção. Lógico que um jogador taticamente tão importante sempre faz falta, principalmente num confronto decisivo.

Mazola Junior costuma dizer que prefere se preocupar com os jogadores que pode escalar, preferindo não pensar nos ausentes. É um recurso inteligente, pois o momento exige que ele volte suas vistas para os substitutos eventuais de Recife.

Para o lugar de Zé Antonio, expulso no primeiro jogo, Ricardo Capanema é a opção natural. Mas, para fazer o jogo fluir à frente da zaga e evitar os chutões, Mazola se divide entre Lenine, Billy e Djalma. Deve optar pelo primeiro, que já vinha treinando ao lado de Capanema entre os reservas.

Djalma seria uma opção menos conservadora. Não tem a mesma força de marcação, mas com ele o time fica indiscutivelmente mais rápido na saída para o ataque. Talvez não entre de cara, mas certamente será lembrado no decorrer do jogo, caso haja necessidade de ir ao ataque.

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Apitador goiano mostra qualidades

Arbitragem impecável de André Luiz Freitas de Castro, ontem à noite, no jogo Ponte Preta x Avaí. A Macaca venceu por 3 a 1 e o árbitro praticamente nem foi notado em campo. Boa notícia para o Papão, pois Castro será o apitador do confronto decisivo com o Tupi, sábado, em Juiz de Fora.

O árbitro goiano já apitou 18 partidas no Campeonato Brasileiro e foi assistente em outras seis. Castro carrega também a fama de “rei do empate”, o que também é excelente para os bicolores, que garantem o acesso se o jogo terminar empatado.

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O fim da era Roberto Fernandes?

A grande notícia da semana para os azulinos é a firme disposição da diretoria de encerrar o ciclo Roberto Fernandes no clube. O vice-presidente Marco Antonio Magnata, em entrevistas, deixou clara sua insatisfação com o trabalho do técnico. Motivos: a política equivocada de contratações e a aversão a jogadores prata-da-casa. A levar em conta as afirmações do dirigente, o treinador não deve voltar ao clube para a próxima temporada.

Sob o reinado de Fernandes, o Remo contratou jogadores que praticamente nem foram utilizados, como Danilo Lins, Régis e Negretti. Não deu chances ao meia-atacante Robinho e a Rafael Paty, artilheiro do Parazão, e autorizou a saída do lateral Rodrigo Fernandes para o Icasa em momento importante da competição.

Ao mesmo tempo, Fernandes mostrou-se contrário ao aproveitamento das revelações do clube. Deixou de lado Igor João, Rodrigo, Yuri, Ameixa, Jonathan, Alex Ruan, Sílvio e Tsunâmi. E até Roni, melhor atacante do futebol paraense na temporada, esteve a pique de ser barrado.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 22)