Ainda sobre Mané

1940017_10152356079237805_8122983443893183459_n

Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, ou simplesmente Garrincha (nascido em Magé-RJ, em 28 de outubro de 1933 e falecido em janeiro de 1983) brilhou com a camisa do Botafogo e da Seleção Brasileira, destacando-se por seus dribles desconcertantes, apesar (ou por isso mesmo) das pernas tortas. Foi eleito em várias enquetes mundiais o melhor ponta-direita de todos os tempos e um dos melhores jogadores que o futebol já produziu. Apelidado carinhosamente de “Alegria do Povo” e  “Anjo de Pernas Tortas” foi decisivo nas conquistas das Copas do Mundo de 1958 e 1962.

No Mundial do Chile, praticamente carregou o escrete nas costas depois que Pelé se lesionou e não pode mais jogar. Pelo meu Botafogo, ganhou títulos num esquadrão que reunia feras como Nilton Santos, Didi, Manga, Amarildo, Quarentinha e Zagallo, dentre outros. Muito do meu amor pelo futebol decorre dos dribles e malvadezas que Mané aprontava com seus marcadores. Morreu em 1983, aos 49 anos, em decorrência do alcoolismo.

Dilma 7 x Marina/nome de Campos/viúva/Aécio/PSB 1

IMG_6679-e1414373371336

Por Janio de Freitas, na Folha SP

Entre as incontáveis confusões propaladas a respeito da eleição presidencial, já se tornou lugar-comum a afirmação de que o Brasil dividiu-se ao meio. Afirmação que vem de antes da votação, induzida pelas pesquisas, e dada como definitiva e comprovada pela proximidade dos 51,64% de votos em Dilma e 48,36% em Aécio, ou 54,5 milhões para ela e 51 milhões para ele. Mas o tal país dividido em dois não existe. Ao menos no Brasil.

A soma dos votos em Dilma e Aécio leva a 105,5 milhões de eleitores, equivalentes à metade da população, também em número redondo, de 200 milhões. Logo, o que está dividido ao meio, ou quase, são os votos, não o país. No qual os 51 milhões de Aécio correspondem a 1/4 da população. O mesmo se dando com Dilma. E, portanto, nenhum deles dividindo o país em dois. Cada um é apenas metade da metade dos brasileiros. Além dos totais de eleitores que se aproximam, sobra outro tanto na população do Brasil.

Mas a ideia do país dividido ao meio, rachado, metade contra metade, é necessária. Como diz o velho slogan, “a luta continua” –tão consagrado quanto seu companheiro de derrotas “o povo unido jamais será vencido”. “Fora Lula”, “Fora PT”, “Fora Dilma” foram levados à urna por um símbolo físico, o símbolo que foi possível arranjar, nas circunstâncias ingratas. Não sucumbem, porém, no desastre do seu representante ocasional. São uma ideia de força. E, mal a contagem concluíra, já um dublê de blogueiro e colunista político lançava, altissonante e global, o brado da beligerância: “O país está dividido e a culpa é do PT”. Beligerância ferida, sim, mas não de morte. Apenas no cotovelo.

Há que considerar ainda, na divisão do país, a quantidade imensa de eleitores que não se manifestaram por um nem por outro candidato. Os ausentes na votação foram 30,13 milhões. Os que anularam o voto, 5,21 milhões. Somados também os que deixaram o voto em branco, totalizam-se 37,27 milhões de eleitores. Ou 27,44% do eleitorado. Excluídos os possíveis ausentes por morte, não é imaginável que esse povaréu, quase um quinto da população, seja desprovido de toda preferência com sentido político. A propaganda de divisão meio a meio os elimina do cômputo, mas existem e são comprovantes, também, do país multifacetado –como sempre.

As referências de Dilma ao diálogo aproximativo com a oposição e, de outra parte, o espírito da propaganda de país dividido são conflitantes. E não por um instante de sensibilidades contrárias de vitoriosos e derrotados. As divergências são de fundo, na percepção das necessidades e na prospecção de futuros do Brasil. A meta dos derrotados na urna continua a mesma. Os meios de buscá-la, também, se todos os recém-usados continuarem possíveis. E se não vierem a contar com outros, não menos conhecidos.

União, nem em Minas, onde foi feito o julgamento de Aécio, derrotado duas vezes por seus ex-governados. União, só a de Marina, do nome Eduardo Campos, da viúva Campos, de Aécio e do PSB para o vexame presunçoso de perder para Dilma por 70% a 30%, o 7 x 1 em versão eleitoral.

Ana Moser e o posicionamento dos atletas

ana-moser

Por Pedro Zambarda de Araújo 

Ana Beatriz Moser, a “Aninha”, tem 46 anos e é ex-jogadora de vôlei medalhista de bronze nas Olimpíadas de Atlanta em 1996. Participou de outras competições famosas, como os Jogos Pan-Americanos e o Campeonato Sul-Americano. Atualmente é presidente do Instituto Esporte & Educação e da ONG Atletas pelo Brasil.

No dia 27 de outubro, logo após a reeleição de Dilma Rousseff, Ana postou o seguinte em seu Twitter: “Profundamente ENVERGONHADA com o papelão de alguns atletas do meu voleibol. Espalham ódio, preconceito e falta de respeito pela democracia”.

Ela estava se referindo a colegas como Sheilla Castro, Lucão e Nalbert. Os três reclamaram da corrupção e da Bolsa Família que cresceu junto ao governo do PT. Lucão chegou a mandar o PT “se fuder [sic]”.

Ela falou com o DCM sobre esporte, política e falta de educação.

Ana, a que você atribiu as manifestações de seus colegas?

Eu acho que há agressividade dos dois lados. Acredito que se tivesse ocorrido o contrário, se Aécio Neves tivesse ganhado, ao invés de Dilma, as pessoas também estariam agressivas do lado do PT. De uma maneira geral, eu acho que a gente nunca participou tanto de uma decisão política quanto dessa. Isso é positivo, não é? O que é importante é ter a noção do que é a força de declarações de pessoas públicas, como são meus colegas.

Como eles deveriam se portar, então?

Não estou defendendo que não se possa ter uma opinião favorável a um lado ou ao outro, a questão é a maneira como se colocam as posições políticas. Depois das eleições, você não pode continuar com determinadas posturas como se fosse a final de um campeonato. Você se recolhe porque é um processo eleitoral democrático. A partir do momento que sai o resultado, nós continuamos num mesmo país. Quem tem o aval da opinião pública precisa saber disso. Faltou consideração e houve muito imaturidade dessas pessoas.

O que você achou do processo eleitoral como um todo? Foi boa essa competição acirrada?

O processo eleitoral tem melhorado e as pessoas não se contentam mais apenas com promessas. Elas querem entender um pouco mais e ter respostas mais concretas. Há uma evolução do Brasil nesse processo eleitoral. O resultado apertado tornou tudo mais rico para o país de uma maneira geral. Não tem como negar, neste momento, que o eleitor está mais exigente. Ele está, além de ter um preparo melhor. Estamos mais maduros. Os políticos tem que se esforçar cada vez mais para dar respostas a altura. Os governantes precisam de maior transparência, honestidade, bons projetos, continuidade, criando melhores respostas. Ser um político no Brasil está se tornando uma carreira cada vez mais exigente.

O governo Dilma precisa tomar iniciativas mais contundentes contra a corrupção, apoiando iniciativas como o Bom Senso F.C.? 

Um número grande de leis e programas em prol do esporte foi implementado nos governos do PT. O ministério do Esporte foi criado na gestão do PT. E neste período nós ganhamos o direito de realizar os dois maiores eventos do setor no mundo, a Copa, que já foi, e a Olimpíada. Se não houvesse seriedade, um deles não teria sido concretizado. Por isso, a área de esportes teve avanços com o PT, apesar de ter muito o que melhorar e avançar.

Ainda faltam organização e democratização do acesso, coisas que trabalhamos no Instituto Esporte & Educação. Estamos trabalhando para que o país avance sobretudo nas escolas públicas, oferecendo um conjunto de esportes com qualidade. Queremos um acesso para prática esportiva para a população em geral. O principal é chegar a organizar o esporte no país em um sistema nacional. Essa é a questão-chave para estruturá-lo no país, para ir além de grandes eventos como a Copa do Mundo. Precisamos abrir diálogo nesse caminho de estruturação, sem pensar só nas equipes olímpicas. Esperamos que o novo governo continue com isso.

Quais críticas você tem ao PT ou ao PSDB?

Não tenho tantas críticas aos dois partidos e acho que a visão das pessoas depende de suas referências na política. A motivação para o PSDB entrar num governo federal seria para mudar radicalmente as coisas. Por outro lado, a continuidade do PT assegura o avanço de bons programas. Falar mal de um ou do outro depende da sua visão do mundo. Não me considero uma especialista em economia apontar as diferenças entre os dois governos.

Repito que a área de esportes teve avanços com o PT, mas eu respeito o pensamento divergente a este governo. Eu tolero o argumento e o pensamento diferentes. O debate feito da maneira correta é o que leva o país para frente, não o discurso do “isso daí não presta”. Tirar o PT pela alternância do poder e manter o governo paulista não faz muito sentido na minha cabeça.