Chance de novo recomeço

Por Gerson Nogueira

E Mazola Jr. volta à Curuzu menos de dois meses depois de ter saído. Fiz a previsão, baseado na mania de nossos clubes darem voltas em torno do próprio rabo, de que ele estaria por aqui novamente num prazo que ia de três a seis meses. Quebrei a cara. O Papão foi mais rápido, demitindo Vica e recontratando o técnico que saiu em junho.

À parte o fato de que nossos clubes se pautam por gestões absolutamente sem critério ou lógica, a opção por Mazola é a mais sensata de todas. Ninguém conhece melhor o elenco do Papão e certamente poucos conseguiriam extrair desse limitado grupo de atletas os resultados que ele alcançou no primeiro semestre.

Escrevi sobre isso inúmeras vezes aqui, falei na Rádio Clube, escrevi no blog e tive a oportunidade de dizer ao próprio Mazola no ar, durante Cartaz Esportivo da Rádio Clube, cerca de três semanas antes de sua despedida.

unnamed (5)O trabalho de Mazola só não atingiu o sucesso pleno por ter fracassado nas decisões em que se envolveu. Na Copa Verde, foi atropelado pelo erro primário de Lima na cobrança das penalidades quando as chances de vitória eram bem favoráveis ao Papão. No Parazão, acabou vítima da própria incontinência verbal. Exagerou na valorização de um tal “sistema”, que nunca esclareceu devidamente, e involuntariamente inflou os brios do maior rival.

Além disso, cometeu o pecado de esbarrar em diretores do clube, fato que gerou atritos determinantes para tirar sua tranquilidade na Curuzu. Que esses desentendimentos estejam superados é o mínimo que se espera neste momento de recomeço do trabalho.

Sabe-se que o elenco, apesar das palavras iniciais do próprio Mazola elogiando as contratações feitas na sua ausência, perdeu força de ataque com a saída do artilheiro Lima. Mais que isso: enfraqueceu-se com a má fase de Pikachu, segundo goleador da equipe na temporada.

Caberá ao técnico juntar as peças, reavaliar a produção dos atletas e buscar alcançar o mesmo nível da fase pré-Copa do Mundo. Apesar de ser um objetivo plenamente possível, a missão será das mais desafiadoras.

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Contribuição não reconhecida

Colaborador voluntário do Papão durante anos, o professor Evaldo José faz detalhada narrativa em mensagem à coluna, lamentando que seus conhecimentos profissionais tenham sido deixados de lado pelo clube em momento de crise no futebol, com resultados pífios na Série C. Faz a ressalva de que o trabalho de Mazola Jr. no primeiro semestre superou expectativas, chegando a participar de quatro competições e mantendo o time como um dos mais ofensivos do país.

Evaldo recorda que, em 2012, por ocasião da definição do acesso à Série B contra o Macaé-RJ, pediu permissão ao técnico Lecheva e ministrou palestra motivacional aos atletas. O professor destacou, na ocasião, temas como “a conscientização de honrar as cores de um clube como o Papão”, “a importância de saber vencer ou perder” e “conduta diante da arbitragem em momentos de tensão no jogo”. Depois de tudo, ele diz não ter sido procurado nem ao menos para um “muito obrigado” pela contribuição.

Cita, ainda, a quebra do tabu em jogos fora de casa, no ano passado, com a vitória sobre o América-MG em Belo Horizonte. Antes da partida, com aval do técnico Wagner Benazzi, Evaldo voltou a fazer uma palestra de 20 minutos ao elenco. “Porém, dessa vez, não é que eu não consegui nenhum muito obrigado (após a vitória), mas o ‘ataque, pelas costas’ foi pior. O Paysandu ainda iria encarar seis  adversários e se eu viesse a trabalhar em pelo menos mais um confronto, não teria descido a ladeira e rebaixado.  A ingratidão falou mais alto, mais uma vez, e deu no que deu, e está dando”.

O professor lamenta, ainda, que Mazola Jr. não tenha concordado com sua participação na fase de preparação dos atletas. Evaldo atribui a essa negativa o insucesso do Papão nas duas finais disputadas sob o comando de Mazola, o Parazão e a Copa Verde. “Gostaria de contar um pouco dessa história, pois os torcedores não têm a dimensão do que acontece com quem, mesmo se empenhando em ser um torcedor que não invade campo e nem atira nada para o gramado, não tem o reconhecimento devido”, finaliza.

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Ainda sobre as gangues organizadas

Outra mensagem das mais oportunas é a do amigo José Maria Barbalho, bicolor de quatro costados, referindo-se à coluna de alguns dias atrás na qual abordo o sempre recorrente aleijão das gangues organizadas. “Sobre as torcidas que afastam os verdadeiros torcedores dos estádios, concordo plenamente com as tuas colocações, e digo mais: um conhecido meu, que participou da diretoria passada do Paysandu, quando interrogado por mim porque a diretoria não cortava as vantagens oferecidas, ele respondeu que, no dia em que fizerem isso, dirigentes e familiares pagarão muito caro”, observa.

Segundo ele, as ameaças são constantes e sempre que entra uma nova diretoria os dirigentes são logo lembrados sobre as intimidações que pairam sobre as suas cabeças e de suas famílias, caso medidas contra essas ‘torcidas’ forem tomadas. “Não é novidade pra ninguém que as diretorias de Remo e Paysandu se ‘pelam’ de medo das principais e mais violentas facções. Não tenho bola de cristal, mas já estou visualizando atitudes violentas em caso de eventual rebaixamento para a Série D”, arremata o amigo e leitor, coberto de razão, infelizmente.

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Um pequeno sopro de liberdade

A pequena revolução iniciada por Levir Culpi no Atlético Mineiro, liberando os atletas do regime de concentração, acena para novos tempos nas relações trabalhistas no futebol. Experiente e sem meias palavras, Levir convenceu o presidente Elias Kalil a endossar a iniciativa. Vem dando certo, embora ainda sob eventuais ataques da cartolagem do clube e de setores da própria imprensa mineira.

Levir não está descobrindo a pólvora. Reedita o que a seleção da Holanda já fazia em 1974, sob o comando de Rinus Michels. Agora mesmo, por ocasião da recente Copa do Mundo, Louis Van Gaal manteve esse procedimento, com excelentes resultados.

No Brasil, o único registro anterior é o da Democracia Corintiana, que sob a liderança e inspiração de Sócrates revolucionou por dois anos o carregado ambiente dos clubes no Brasil. Durou pouco, mas deixou marcas, como prova o gesto de Levir no Galo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 12)

45 comentários em “Chance de novo recomeço

  1. Ainda sobre as organizadas, Gerson nogueira, acho quem mais postou comentários certeiros fui eu. Modéstia parte. E com esse comentário grave do leitor jose maria barbalho, sobre a inercia dos dirigentes com medo de retaliações, eu tenho mais certeza ainda das opiniões que dei como inicio de soluções para o fim dessas bandidagens. E uma das minhas idéias é começar a proibir definitivamente espaço reservado dentro de estádio para torcida de outro time quando o mesmo não for o mandante do jogo. Porque as autoridades não fazem isso???? Nesses classicos do fim de semana em todo Brasil foram guerras e guerras entre essas organizadas e parece que teve até morte, além de dezenas de feridos, porque o prazer desses marginais é ir fazer guerra mesmo. não é prestigiar seu time. Então para que deixar as os marginais dos dos times preliantes adentrarem os estádios???? pelo amor de Deus, será que é difícil entender essa medida de segurança??? Não tem porque um time do fortaleza vir jogar em Belem e os marginais da TUF terem livre acesso ao estadio. Da mesma forma o Paysandu jogando lá, não tem porque reservar espaço para terror bicolor. Essa ja seria uma medida punitiva eficiente para quem não sabe se comportar civilizadamente nas multidões. E vcs da imprensa gersom tem tambem de levantar essa bandeira.

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  2. Dois dados sobre o Mazola, num 1º e num 2º momento à frente do PSC:

    1- Mazola, Gerson e amigos, deixou o Paysandu, em 5º lugar, mas se fica mais um pouco, deixaria na 6ª, na 7ª…

    2- Hoje, ele chegará ao PSC, tendo um elenco mais qualificado(palavras dele, ontem, e que eu já falava aqui) e poderá atuar como um bom técnico bombeiro, levando o PSC à classificação ou livrando o clube, do rebaixamento.. Afinal, chegará na reta final de classificação(8 jogos)..

    NOTA: Não foi noticiado, mas nos bastidores, tudo se sabe… R. Capanema perdeu o Voo ontem, por pensar que a viagem para Marabá fosse hoje… Foi de carro com o Papelim, agora de manhã…

    Eu hein…

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  3. Agora quanto ao mimimimim mi mimi do “torcedor bicolor” evaldo jose acho muito estranho um torcedor que de diz bicolor e ja ajudou o papão, fazer essa postagem magoado com o clube. Francamente, se eu fosse reclamar da ajuda que dei ao meu querido clube e nunca fui reconhecido, toda hora estaria reclamando. Mas jamais vou reclamar porque ajudei com amor e sem intenção de ter algo particular em troca, a não ser as imensas alegrias que este clube já me deu, as quais posso dizer que como torcedor de futebol, sou feliz na vida torcendo pelo bicolor da amazonia. A gente não mede a pujança de um clube pelas pelas fases ruins porque todos os clubes ruins ou os melhores clubes do mundo passam por essas fases como está o Pysandu. Porém fases boas, com conquistas de muitos títulos não é para qualquer um é para clube grande que tem pujança. O Papao tem pujança e ja me deu tantas alegrias que acho que estou é devendo ajuda ao papão da curuzu.

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  4. Acho que a moderação ta precisado de um ajuste. Tanto assunto palpitante e já faz mais de uma hora e meia que o último comentário foi publicado.

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  5. Mas o jogo não será em Castanhal,amigo Cláudio?

    A não ser que o Capanema tenha ido apenas se juntar ao elenco,em Marabá,para depois seguirem a Castanhal.

    O Paysandu,hoje,literalmente,é a casa da mãe Joana.

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  6. Fiz um comentário aqui, o qual ficou aguardando moderação. E eu por muito tempo fiquei monitorando. Ocorre que para minha surpresa, ele deixou a moderação, mas também não foi publicado. O que estará ocorrendo?

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  7. Vi no SBT Esporte, sobre essa ”nova” do Ca-”Panema”…rs Apareceu o M. Paraná, dando entrevista, dizendo terem ainda tentado fazer com ue a Cia Aérea esperasse o Capanema chegar, mas não foi possível. O MP disse que o Capanema disse-lhe ue não sabia o horário do voo… Não há a menor credibilidade nessa desculpa do ”manjado” Capanema…Te contar… Ele foi de carro e o Rogerinho também ia, pois não havia mais passagem de avião, pra Marabá.

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  8. Segundo Heráclito – O homem que volta ao mesmo rio, nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem. No futebol, tenho percebido que a segunda passagem de jogador ou técnico pelo clube de futebol sempre é pior que a primeira. Vamos ver se a sentença eterna se confirma.

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  9. Tanto time de tradição sendo prejudicado e os times de empresários deitam e rolam no futebol brasileiro e a CBF não faz nada. O Guaratinguetá mudou de cidade, virou Americana, mudou o uniforme, retornou para a cidade de origem, voltou a ter os antigos nome e uniforme e agora se fundiu com Audax e Grêmio Osasco. O Grêmio Barueri mudou de cidade e virou Grêmio Prudente, para depois voltar à Barueri e mudar o nome novamente. O Ituiutaba, logo que subiu para a Série B, mudou de cidade e virou Boa Esporte. O Ipatinga, o único punido por causa de uma dívida, caso que beneficiou o próprio CRAC, virou Betim e depois voltou a ser Ipatinga. Sabe o que a CBF fez com esses times camaleões? Nada.

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  10. Pode até ser uma boa notícia para nossos clubes, Gerson e Claudio. Todavia, não podemos negar que notícias como esta, se vier confirmar-se, indicam a situação de calamidade que vive o futebol nacional.

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  11. Se o CRAC desistir, vejam como ficará a nova classificação do grupa A da série C:

    1- Fortaleza – 21 ptos
    2- Botafogo-PB – 16 ptos
    3- CRB – 15 ptos
    4- Salgueiro – 12 ptos
    5- Cuiabá – 11 ptos
    6- PSC – 9 ptos
    7- ASA – 8 ptos.
    8- Águia- 8 ptos
    9- Treze- 7 ptos
    10- Crac(Já rebaixado)

    Cuiabá… Perdeu 6 ptos
    Treze.. Perdeu 03 ptos
    Botafogo, Fortaleza, Salgueiro, ASA e PSC..Perderam 1 pto.
    CRB e Águia … Não perderam ptos, pois foram derrotados pelo CRAC

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  12. Também penso como o amigo Celira. Os resultados devem ser mantidos e os demais jogos,sendo considerados como WO.

    Creio que seria o mais justo. Se bem que,em 2011,o Papão foi deveras prejudicado com a exclusão do Rio Branco da Série C,pois havíamos vencido,no Acre.

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  13. Cláudio, desconhecia tal artigo. Então,se está dentro do regulamento,apesar de considerar extremamente injusto,deve-se proceder conforme o mesmo.

    Olha, caso a desistência realmente seja oficializada pelos goianos, poderíamos dizer que o Paysandu “RENASCEU” no campeonato.

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  14. Amigo Cláudio, viste a entrevista do P. R. Falcão, ontem, no Roda Viva ?! Não a assisti toda, mas só alguns trechos. Muito bom !Acho ue está no sítio da TV Cultura, de SÃO PAULO.

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  15. Como mencionei acima , sou contra a subtração dos pontos conquistados frente ao time goiano,caso confirme-se a sua desistência,porém o regulamento deve ser cumprido.Elementar,amigos Gerson e Cláudio.

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  16. Amigo Heleno, a piada com o Ca-“panema” foi ótima.kkkkkkk

    Se a diretoria do Paysandu não fosse tão panema,já teria mandado o jogador embora há muito tempo. O cara já é reincidente ,e não aprende.

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