Empate à altura das limitações

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Por Gerson Nogueira

Os relatos dos amigos da Rádio Clube presentes ao Zinho Oliveira indicam que foi um jogo bem animado, com esforço dos times e ataques constantes dos dois lados. Não se está falando aqui de qualidade técnica, que é artigo em extinção no país do futebol. O Pará e sua atual pindaíba apenas se junta ao quadro nacional de indigência boleira.

unnamedComo a Série C nunca teve pretensões maiores quanto a dar espetáculo, o confronto paraense não tinha mesmo que ser esplendoroso. Os dois times buscavam vencer em função da precária situação na tabela. E, desgraçadamente, o placar final foi o que menos servia a ambos. Um empate puxa Papão e Águia para baixo, permitindo que os demais adversários se distanciem.

No desespero, o Papão lançou três novatos: Raul, que apareceu bem no primeiro tempo, armando jogadas; Romulo, mais ou menos, como centroavante; e Fernando Lombardi, que ao longo de boa parte do confronto fez boa parelha com Charles.

Ocorre que o time precisa vencer, acumular pontos e levantar o astral, daí certa afobação inicial. Quis o destino que o gol de abertura fosse de Héverton, um renegado na Curuzu, que esteve a pique de ser liberado na semana passada. O Águia era melhor e mais agressivo quando sofreu o gol, mas caiu de rendimento quando ficou em desvantagem.

No lance fatal, Héverton aproveitou um cochilo da zaga marabaense em escanteio batido por Raul e estufou as redes. A jogada aconteceu logo depois da parada técnica, quando a marcação nas entradas de áreas se mostrava feroz.

Com a confusão que se estabeleceu no sistema defensivo do Águia, o Papão desfrutou de chances seguidas, desperdiçadas por Rômulo, Pikachu e o próprio Héverton. Do outro lado, Charles e Lombardi cumpriam atuação correta, não permitindo maiores liberdades a Danilo Galvão e Aleílson. Até Douglas, tão criticado, mostrava-se atento e ágil na saída para interceptar os seguidos cruzamentos.

Veio o segundo tempo e a confirmação de que os bicolores dormiram no ponto, deixando de aproveitar os bons momentos da etapa inicial. O Águia entrou com tudo, disposto a descontar logo no começo. Insistiu bastante até que conseguiu, depois de lance confuso na grande área do Papão. Esdras arrematou para as redes, aos 14 minutos.

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unnamedDepois da igualdade, os dois lados buscaram de todas as formas chegar ao gol da vitória, com mais presença do Águia, embora o Paissandu aproveitasse os contra-ataques e quase tenha desempatado no último minuto.

A sentença na cabeça do torcedor estava pronta. Um novo tropeço significaria a condenação sumária do técnico Vica. As reações de impaciência por parte do torcedor, lá mesmo no estádio Zinho Oliveira, indicavam que o ciclo estava terminando.

Sem vencer desde que assumiu a equipe, Vica não teria como argumentar. A lógica fria das coisas impõe que saia. A dúvida é saber agora se as coisas se ajeitam ou pioram ainda mais. A conferir. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

 

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Leão supera etíopes em amistoso

Em seu 76º amistoso internacional, o Remo manteve o bom histórico e conseguiu derrotar a seleção da Etiópia, ontem à tarde, no estádio Evandro Almeida. O estreante Alvinho fez o único gol do amistoso, no segundo tempo, e deu sinais de que pode vir a brigar por um lugar no time que disputa a Série D.

Como de praxe nessas ocasiões, o jogo serviu para várias mudanças no time, por parte do técnico Roberto Fernandes, e serviu para manter o elenco em atividade.

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Na contramão da história

Depois da Copa das Copas, os jogos da Série A do Campeonato Brasileiro se desenrolam quase que no piloto automático, sem encantar ninguém e atraindo cada vez menos torcedores aos estádios. Pior ainda é o comportamento dos jogadores, aparentemente empenhados apenas em ludibriar os árbitros, com aquela malandragem fora de época e que não leva a lugar nenhum.

Em São Paulo, no clássico Corinthians e Santos, boa parte do primeiro tempo foi perdida com paralisações forçadas. Santistas e corintianos competiam para ver quem caía mais, em atuações teatrais de quinta categoria. Sob a complacência do trio de arbitragem, que acabou ignorando lances grosseiros e de franca agressão ao espírito do jogo.

O Brasil que levou de 7 a 1 da Alemanha há pouco mais de um mês não entendeu a mensagem. Os principais artistas do espetáculo estão com a cabeça longe da verdadeira essência do futebol, em descompasso gritante com o que se passa nos outros países do mundo.

Enquanto a principal competição nacional virou um festival de faltas e simulações, amistosos entre grandes clubes europeus mostram entrega e dedicação por parte de todos os atletas. Eles sabem que é o momento precioso de ajustar a equipe, assimilar as orientações técnicas e acertar o pé.

Por isso mesmo, alguns jogos entre times ingleses, alemães e italianos têm se mostrado mais aguerridos e competitivos do que as sonolentas partidas disputadas na Série A brasileira.

Alguma coisa continua fora de ordem.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 11)

25 comentários em “Empate à altura das limitações

  1. Difícil a situação dos clubes paraenses na série C. Tudo começou como sempre, sem planejamento, como a mesma forma de agir, montando à equipe dentro da competição, troca de técnicos, pouca dispensa de jogadores e por aí vai. Será que não entra na cabeça desses dirigentes que essa fórmula está errada? No Remo apesar de alguns erros, tem o dever de se classificar à outra fase, pois enfrenta times sem tradição no futebol brasileiro.

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  2. “Tentativa de ludibriar o árbitro com simulações” realmente é o retrato do futebol brasileiro. Será que os jogadores treinam isto? Será que é orientado pelos “técnicos”? O que é pior é que acontece em todas as divisões e até nas categorias de base.

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  3. Essa diretoria bicolor…TE DIZER!

    Tomara que Mazola arrume a casa,pois a situação é desesperadora.

    São 7 partidas de jejum,sendo 3 pontos conquistados de 21 possíveis.

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  4. O futebol brasileiro está agonizando, respirando por aparelhos. Se disputássemos as eliminatórias européias o risco de não disputarmos o mundial da Rússia seria considerável.

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    1. Jornalismo sério é destacar fatos verdadeiramente positivos. E a Copa foi qualificada assim pela própria Fifa e imprensa internacional. Informe-se para criticar.

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  5. Ana, pare com seu “complexo de vira-latas”. Copa das copas sim. Não está dito que o Brasil tem a educação das educações, ou a saúde das saúdes. A copa, dentro do que ela se propõe, foi um sucesso invejável e isto incomoda muita gente. Por outro lado, espero que o Remo (RF)saiba utilizar suas peças para subirmos.

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  6. Já fiz esta pergunta várias vezes para varias pessoas aqui no blog e não obtive resposta. Agora, pergunto de novo sem citar nomes para ver se não caio em moderação, como acabei de cair há pouco: sob que parâmetros, a muito boa copa de 2014, foi tão melhor que as outras para ser chamada a copa das copas?

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  7. Amigo Gerson, todos nós sabemos, e aqui no blog esta verdade já foi testificada várias vezes, que a fifa é um órgão dos mais destituídos de credibilidade. Quanto à imprensa internacional eu li, assisti e ouvi vários elogios à copa de 2014, e não poderia ser diferente, eis que foi um evento que foi disputado em campo e fora dele num ambiente merecedor de elogios. Mas, daí a qualificá-la como copa das copas, vai uma grande diferença. É preciso fazê-lo com base em dados concretos, em elementos de comparação racionalmente aferíveis.

    Com efeito, ciente de sua credibilidade, bem assim na sua longa e bem sucedida experiência jornalística, inclusive na cobertura de eventos desta natureza, eu lhe pergunto o mesmo que perguntei acima: sob que parâmetros, a muito boa copa de 2014, foi melhor do que as copas anteriores, para ser considerada a copa das copas?

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  8. essa qualificação foi dada pela dilma muito antes da copa começar.
    a fifa em nenhum momento disse que essa foi a copa das copas.
    quanto a imprensa internacional eu não li em nenhum veiculo de mídia que falou que essa copa foi melhor do que as outras, pode ate ter falado mas eu não li. seria interessante citar os jornais

    Na verdade tenho visto esse termo ser usado apenas no blog e nas colunas do gerson.

    Até torço que essa copa não seja assim conhecida pois pra nós não vai ser muito bom que a copa das copas foi a realizada no Brasil sendo que tomamos a maior goleada de um anfitrião em todos os tempos e a argentina ainda disputou a final em pleno mangueirão.

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    1. Cidadão, vejo que está pegando o bonde em movimento, mas vamos lá. A questão aqui não é o desempenho da Seleção Brasileira, mas a qualidade da organização, a excelência dos estádios, a segurança e a receptividade do país aos visitantes. Em todos esses quesitos o Brasil passou, com louvor, ao contrário dos vaticínios dos papas da catástrofe. Há (como cobrou um outro comentarista há pouco) matérias, sim, mostrando a aprovação de jornalistas estrangeiros à organização da Copa. Postei aqui uma dessas pesquisas, feita pelo UOL.

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  9. Além do citado pelo Gerson, existem avaliações dos turistas. Todas elas muito positivas. Melhor ainda é que a grande maioria disse pretender voltar ao Brasil.

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  10. Será que é meu nome que agora está moderado? Mas, tudo bem, vamos lá?

    Como eu pensei ninguém é capaz de apontar nada de excepcional que tenha acontecido na copa de 2014 para elevá-la ao patamar de copa das copas. Para o padrão dos estádios brasileiros as arenas estavam realmente muito boas. Mas, nada mais do que isso. Aliás, alguns não puderam nem ser utilizados nos renhecimentos visto que ficaram muito debilitados e a atividade poderia inviabilizar o uso nas partidas.

    A segurança também cumpriu o seu papel dentro dos padrões ordinários no mundo. O que houve de excepcional foi o mundialmente conhecido calor humano do povo brasileiro, que como sempre recebeu muito bem os turistas.

    Quer dizer, tudo muito bom, tudo muito bem, dentro e fora do campo, mas nada que possa distinguir 2014 das demais copas.

    Apontar estas verdades, questionando a expressão copa das copas, longe de retratar a máxima rodrigueana, é se negar a superlativisar um evento que inclusive foi organizado sob um padrão mundial, o padrão fifa, o qual em alguns pontos até nem chegou ao cume daquilo que havia constado do projeto blateano, desenganadamente.

    E, neste caso, o uso descabido do superlativo constitui, no minimo, ufanismo descontrolado decorrente do período eleitoral.

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    1. O superlativo é plenamente aceitável, amigo Oliveira, principalmente num país célebre pela mania de dar apelidos grandiosos a estádios. O futebol não escapa a isso, e soa exageradamente rigoroso patrulhar o uso do termo Copa das Copas. O fato é que a Copa do Mundo foi de fato um momento de excepcional comportamento do povo brasileiro, aliado à organização impecável do evento. Estive nos estádios e comprovei. A opinião da mídia internacional, sempre crítica antes da Copa, também foi extremamente positiva. Claro que boa parte dos resmungos e amuos de parcelas da velha mídia ecoa apenas a frustração diante do que não se concretizou – o prometido caos e o pior dos cenários para o mundial brasileiro. Havia comentarista político de determinados veículos apostando alto na desgraceira absoluta e isso felizmente não ocorreu, muito pelo contrário.

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  11. Eu acho que não peguei o bonde andando pelo fato de acompanhar os acontecimentos do meu pais, regularmente, há mais de 30 anos, lendo jornais, sites de internet e blogs como o seu, que visito semanalmente.

    Eu em nenhum momento falei que que a imprensa aprovou ou desaprovou a copa. o que eu falei é que não ouvi a imprensa falar que essa foi a copa das copas, a melhor de todos os tempos.

    Eu vi muitos comentários positivos, a maioria deles, mas não vi nenhum órgão de imprensa internacional dizer que essa foi a copa das copas.

    mas tudo bem não quero criar polêmicas desnecessárias

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  12. Bom, amigo Gerson, a partir deste ponto de vista que você refere, sob o qual realmente o Brasil foi inofensivamente celebrizado, mas só sob ele, estou de pleno acordo que tenha cabida fazer o uso da expressão copa das copas

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  13. Amigo, Gerson, fiz um comentário respondendo ao seu comentário de número 22, ele inicialmente ficou sob moderação agora vejo que ele não consta mais sob moderação e nem foi publicado. Ele não foi aprovado, é isso?

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