Leão perde jogo, mas fatura uma boa grana

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Um público pagante de 20.493 torcedores proporcionou arrecadação de R$ 967.465,00 para Remo x Flamengo no Mangueirão, pela Copa do Brasil, na noite desta quarta-feira. Descontadas as despesas de R$ 283.397,19, o Leão ficou com a considerável quantia de R$ 684.067,81. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Manifesto em defesa da “Casa da Tuti”

Vida AntesA “Casa da Tuti”, um dos mais antigos, respeitados e reconhecidos abrigos de animais do Pará e do Brasil, pode desaparecer. Foi criada há mais de vinte anos pela funcionária pública Maria de Jesus Bentes, que luta diariamente por dignidade, medicamentos e comida para 350 cães e gatos que foram abandonados nas ruas da Grande Belém.

Todos esses animais, encontrados em situações precárias e totalmente debilitados, hoje se encontram saudáveis, recuperados e protegidos nas dependências do abrigo. Mas isso está com os dias contados. Os animais e a cuidadora do abrigo poderão ser despejados nos próximos 30 dias, em razão de uma ação judicial de “Reintegração de Posse” movida pelo proprietário do terreno onde está localizada a “Casa da Tuti”, na comunidade de Pau D’Arco, em Santa Bárbara.

O trabalho sério e corajoso da “Casa da Tuti” não é só de solidariedade, amor, carinho e respeito pelos animais, mas de saúde pública. Em mais de 20 anos de atividades, estima-se que o abrigo “Casa da Tuti”, que promove a castração dos animais abrigados, evitou o nascimento de pelo menos 5.000 outros cães que estariam abandonados nas ruas da região metropolitana de Belém.

E para que esse maravilhoso trabalho não se perca, chegou a hora de todos juntos arregaçarmos as mangas para salvar o abrigo “Casa da Tuti”. O abrigo tem uma despesa mínima mensal de R$ 12.000,00 (doze mil reais) para pagar as despesas com funcionários, manutenção e limpeza do espaço, além dos medicamentos e rações, cujo consumo é de 55 quilos diários.

A dívida com o dono do terreno onde está localizado o abrigo e cuja ordem de despejo já foi dada pela justiça é de aproximadamente R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais). Maria de Jesus é funcionária pública e ganha pouco mais de um salário mínimo por mês. Toda a sua vida, nos últimos 22 anos, foi voltada para esse trabalho de amor e de utilidade pública.

Por isso, pedimos e conclamamos pela ajuda do poder público, deputados, senadores, vereadores, prefeitos de Belém e da Região Metropolitana, do Exmo. Senhor Governador do Pará, da imprensa local e nacional, e de toda a aguerrida gente solidária que habita o solo deste imenso “País que se chama Pará”, para que juntos encontremos as soluções necessárias para evitar o despejo da “Casa da Tuti”.

COMITÊ DE SOLIDARIEDADE AOS ANIMAIS E AO ABRIGO “CASA DA TUTI”.

PARTICIPE DESSA LUTA DE AMOR E DIGNIDADE.

TELEFONE DE CONTATO: (91) 9196-8260.

Remo exagerou na afobação

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Por Gerson Nogueira

A derrota não foi um resultado anormal. Placar de 1 a 0 para o Flamengo estava dentro do esperado, como seria também se favorecesse ao Remo. Do lado da torcida paraense, a lamentar a ausência de pontaria dos atacantes remistas, que desperdiçaram pelo menos três grandes oportunidades para marcar, proporcionadas pela atrapalhada defesa rubro-negra.

Val Barreto perdeu três chances (duas delas cabeceando mal) e Leandro Cearense desperdiçou outras tantas, inclusive uma, aos 36 minutos, quando podia ter passado para Berg que entrava livre pelo lado esquerdo. Chutou prensado e sem equilíbrio, para tranquila defesa de Felipe.
Na realidade, o Remo não soube aproveitar as muitas facilidades que o Flamengo deu ao longo de toda a partida. No primeiro tempo, depois de fazer um ataque fulminante logo de cara, o visitante se encolheu e o Remo pressionou bastante, meio na valentona. Esbanjava vontade, mas errava demais nos passes e deslocamentos.
Tanto esforço rendeu dois bons momentos com Val Barreto, que incomodava os zagueiros e abria espaços para Capela e Cearense. Mas, aos poucos, a entrega foi dando lugar a um certo cansaço, notado pela dificuldade que os marcadores remistas tinham em acompanhar jogadores mais ariscos, como Rafinha, Gabriel e Rodolfo.
Sem valorizar a posse da bola, o Remo se atrapalhava sozinho, desperdiçando boas saídas de contra-ataque pela lentidão de Gerônimo e Nata, os volantes preferidos do técnico Flávio Araújo. Na marcação, ambos até cumpriam seu papel com eficiência, mas não acertavam passes curtos. O Fla recuperava a bola e saía tocando, criando problemas para o trio de zagueiros.
Por incrível que pareça, o inconstante Galhardo fez falta ontem, pois é um jogador que toma iniciativa e busca os atalhos com habilidade. Nem sempre acerta, mas é inquieto. O Remo teve ontem jogadores disciplinados e obedientes às orientações do treinador, mas de uma omissão absurda nos momentos que exigem desprendimento.
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No segundo tempo, novo sufoco do ataque remista nos primeiros minutos. O meio-de-campo entrou mais avançado, pressionando a saída de bola do Flamengo e mostrando Capela mais desenvolto. O expediente deu certo. Cearense perdeu bons lances seguidamente. O problema é que, aos poucos, como a bola não entrava, as ligações diretas voltaram a prevalecer. O time sofria também com a inoperância do ala direito Válber.
Renato Abreu, que havia substituído Léo Moura, entrou com a missão de tornar a meia-cancha rubro-negra mais atenta à marcação, liberando Rodolfo e Gabriel para acompanharem Rafinha e Hernane no ataque. De tanto roubar bolas na intermediária, o Fla acabou se impondo pela facilidade nas triangulações.
Bem vigiado do lado direito, Rafinha resolveu arriscar pela esquerda e se deu bem ao ficar no mano a mano com Zé Antonio. Balançou para um lado, gingou para o outro e foi em frente para marcar um golaço, após disparo rasteiro no canto esquerdo do goleiro Fabiano.
Não era um escore justo pelo equilíbrio reinante, mas acabou premiando a objetividade dos rubro-negros. Mesmo tímido nas investidas, o time de Jorginho foi mais efetivo e aproveitou bem um bom momento de seu ataque.
Ao Remo restou o consolo de ter evitado a eliminação precoce (com direito a embolsar toda a renda da noite) e a certeza de que o time está buscando se reencontrar com o que tinha de melhor no primeiro turno do Parazão: a disposição para lutar pelos resultados, mesmo que tecnicamente não se mostrasse habilitado para isso. Pode ser o atalho para se reerguer no campeonato nos confrontos decisivos contra o Paissandu pelas semifinais.
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O pesadelo das escolhas erradas
Val Barreto, Fabiano e Carlinho Rech foram os destaques individuais do Remo. Barreto se saiu bem pela movimentação constante e o destemor diante dos beques cariocas. Fabiano mostrou segurança diante da pressão aérea do Fla. Rech foi o principal zagueiro, tanto quando ficava na espera quanto nas antecipações.
Cearense podia ter se consagrado, mas errou muito nos arremates. O técnico Flávio Araújo, que estranhamente escalou o time sem Jonathan, seu melhor volante, conseguiu se atrapalhar também nas substituições. Demorou a botar Fábio Paulista, que deveria ter entrado ainda no primeiro tempo ocupando a ala direita, onde Válber apenas fazia figuração e não aproveitava a larga avenida ali existente.
As escolhas do treinador, há muito questionadas, começam a se tornar um pesadelo para o Remo, que podia render bem mais se optasse por soluções caseiras – como Alex Ruan e Guilherme. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 04)

Remo x Flamengo (comentários on-line)

Copa do Brasil – 1ª rodada

Remo x Flamengo – Mangueirão

Na Rádio Clube, Claudio Guimarães narra; Carlos Castilho comenta. Reportagem – Paulo Caxiado.

Bem mais que três pontos

Por Gerson Nogueira

Jogar contra o Flamengo hoje, no estádio Edgar Proença, vale muito para o Remo. Muito mais do que uma vitória pura e simples. Vale a permanência na Copa do Brasil. Vale pela arrecadação total do jogo – em torno de R$ 1,6 milhão, se todos os ingressos forem vendidos. Vale, também, pela exposição em rede nacional. Vale, ainda, pelo resgate da auto-estima do time e da torcida.

Bol_qua_030413_23.psCaso consiga superar os rubro-negros, tarefa que não é impossível levando em conta a situação atual das duas equipes, o Remo certamente lavará a alma de seu torcedor, que anda acabrunhado com os recentes insucessos e as incríveis dificuldades enfrentadas no returno do Parazão.
De certa forma, não haveria confronto mais propício do que este, contra um dos grandes do futebol nacional. Não importa se a equipe dirigida por Jorginho ainda tenta encontrar um norte, atrapalhada pela legião de contratações infelizes ainda dos tempos de Dorival Junior e capengando no campeonato estadual do Rio.
Não interessa como o Flamengo esteja agora. Interessa, no fim das contas, que é o Flamengo de vitórias imortais, berço de grandes craques (Zico, Adílio, Junior), campeão mundial e autor de proezas históricas.
Não duvido que na preleção, minutos antes do jogo, o técnico Flávio Araújo use exatamente esses argumentos. Os jogadores do Remo precisam botar na cabeça que terão pela frente o grande Flamengo, mesmo que o time esteja longe das melhores tradições da Gávea. O respeito é fundamental porque grandes clubes podem se reabilitar do nada, e o Fla é mestre nisso.
Um triunfo sobre os cariocas devolverá, de imediato, a autoconfiança perdida pelos azulinos. Do time seguro e altivo do primeiro turno restou uma pálida lembrança. No returno, os comandados de Araújo patinam diante de qualquer adversário, ressuscitam mortos e enchem a torcida de desesperança.
Ganhar do Fla é, portanto, a salvação da lavoura. O jogo do ano. Tão importante pelos benefícios imediatos (renda, continuidade na Copa BR, retorno de imagem etc.) quanto futuros. Um resultado positivo terá efeitos diretos sobre o comportamento do time nas semifinais do returno. E o confronto, que começa sábado, é justamente contra o maior rival.
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Maior baixa remista é no meio
O meia Tiago Galhardo, suspenso, é uma baixa considerável no time remista. Armador titular, não vinha atuando bem no returno – como quase todo o restante da equipe -, mas é peça importante para dar equilíbrio e dinâmica ao Remo. É um meia habilidoso, capaz de desencantar a qualquer momento.
Sem Galhardo, Araújo precisará ter um outro articulador. A lógica diz que deveria ser Diogo Capela. A lógica de Araújo indica que Clébson deve ser o escolhido. Capela seria uma melhor opção pela velocidade que imprime ao jogo. Com grande plateia no Mangueirão, o Remo precisará ser mais do que nunca rápido e vibrante.
As outras ausências – Mauro e Branco – podem ser supridas sem maiores atropelos.
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A velha marra de sempre
O goleiro do Flamengo chegou com a proverbial banca e destempero verbal dos goleiros rubro-negros, reclamando do gramado do estádio Mangueirão. Bruno, ora enjaulado, era do mesmíssimo jeito. Falava pelos cotovelos. Era, porém, mais goleiro que Felipe. Até nas cobranças de pênalti.
O ex-corintiano, revelado no Vitória baiano, não conseguiu ainda cantar de galo no Campeonato Carioca, de gramados tão sofríveis. Talvez por isso esteja tentando reeditar a velha marra justamente aqui nos rincões do Norte. Perdeu ótima chance de ficar calado.
Para ficar do nível dos campos utilizados pelos grandes do Rio, o nosso Mangueirão (que não está em seus melhores dias) teria que piorar muito.
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A seleção das surpresinhas
Para o amistoso de sábado na Bolívia, Felipão resolveu surpreender. Chamou um goleiro junior (o corintiano Mateus), deixou o goleador Fred de fora e reconvocou Jefferson, Pato, Arouca e Ronaldinho Gaúcho. Para completar o rol de surpresas, lembrou de André Santos (Grêmio) e do pernambucano Douglas, do Náutico. É muita surpresa para um time só, mas deve ser suficiente para encarar os bolivianos.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 03)