Mês: abril 2013
Sobre a impureza dos justos
Foram suas palavras, jorradas aos borbotões, que permitiram que o futebol fosse finalmente lido no Brasil. Até então, era apenas uma peleja disputada a pernadas e rasteiras nos campos. Ou, do ponto de vista do torcedor, um jogo para ser visto das arquibancadas, ouvido pelas ondas do rádio ou espiado na incipiente transmissão televisiva.Rock na madrugada – Pearl Jam, Not For You
Capa do DIÁRIO, edição de domingo, 07
Família de menino morto desmonta farsa de Marin
Do Blog do Paulinho
Em nenhum momento, nos protocolos que antecederam o amistoso entre Brasil e Bolívia, tocou-se no assunto “morte de Kevin”. Até porque, como já havia sido adiantado por esse espaço, o objetivo do jogo era outro, contribuir para a difícil situação financeira de ex-jogadores bolivianos dos anos 60. Cai por terra, oficialmente, a farsa montada por Jose Maria Marin, no intuito de pegar carona na tragédia de Oruro, para aparecer como benemérito. Fez bem o pai e toda a família do garoto, que ao perceber a manipulação do objetivo do jogo, feita pela CBF, recusou-se a comparecer ao estádio. Demonstração de dignidade, qualidade desconhecida por Marin.
FPF acata decisão do STJD e suspende rodada
Capa do Bola, edição de sábado, 06
A bagunça institucionalizada
Por Gerson Nogueira
Na véspera do clássico-rei só não se falou de futebol em Belém. Perdeu-se tempo e energia discutindo as possibilidades de paralisação e, depois, a ameaça concreta de suspensão do campeonato. Depois das marchas e contramarchas da sexta-feira, cujo último ato da noite foi a decisão da Federação Paraense de Futebol de realizar as semifinais, pode-se dizer que não há mais limites para a avacalhação no futebol do Pará. Chegamos ao fundo do poço. Todos os recordes de lambança foram batidos na competição deste ano. Primeiro foi a mudança no local do jogo Santa Cruz x Paissandu, que levou ao W.O. ridículo, fora de época e sem sentido.
A partir daí, o campeonato entrou em terreno espinhoso, ameaçado pelas bravatas do Santa Cruz e a ameaça concreta de paralisação por força de recursos judiciais. Na tarde de ontem, a juíza de Salinópolis arquivou ação movida por um torcedor, reivindicando a interrupção do torneio.
Horas depois, o Ministério Público do Estado, vendo expirarem todos os prazos de tolerância, solicitou à Federação Paraense de Futebol a entrega dos laudos técnicos de verificação dos estádios Jornalista Edgar Proença e Francisco Vasques, palcos dos jogos da rodada do fim de semana. Como vem faz reiteradamente, a FPF silenciou e o MPE recomendou a paralisação do campeonato.
Os laudos cobrados pelo Ministério Público constituem a garantia de que o torcedor terá segurança e conforto ao comparecer às praças esportivas. Quando alguém, inadvertidamente ou por má fé, critica os promotores incorre em total injustiça, além de demonstrar desinformação.O papel do MPE é justamente o de cobrar e fiscalizar as ações de natureza pública, que digam respeito ao interesse direto da população, resguardando itens do Estatuto do Torcedor.
Na prática, o futebol paraense sobrevive como o mato que floresce na rua. Resiste e sobrevive por pura inércia. A desorganização é a norma, as datas não são respeitadas, os estádios são mal cuidados e inseguros. O Campeonato Estadual é uma farsa do ponto de vista financeiro, pois só se mantém vivo pela presença nos estádios dos torcedores de Remo e Paissandu.
Dirigentes da FPF costumam alardear um torneio estadualizado. Potoca. A coisa se resume aos dois gigantes, que arrastam multidões e bancam todos os custos. E, de quebra, ainda enriquecem muita gente que nunca chutou sequer uma bola de meia.
Do ponto de vista prático, o maior prejuízo causado por tanta incompetência está na perda de credibilidade. Depois do episódio do W.O. e das múltiplas escaramuças de ontem, o torcedor não terá como acreditar quando uma rodada for anunciada. Com toda razão, irá pensar duas vezes antes de comprar ingresso. O próprio jogo marcado para hoje, entre Remo e Paissandu, segue sob suspense, pois o STJD teria acatado um pedido de mandado segurança interposto pelo Santa Cruz, recomendando que as semifinais sejam suspensas até que o mérito do caso seja julgado.
Os clubes que fazem a roda girar deveriam, há muito tempo, ter tomado as rédeas do negócio. Dirigentes de Remo e Paissandu, que se curvam aos desmandos da FPF, não podem levantar a voz porque se submetem, cruzando os braços diante do descalabro.
Enquanto não houver uma tomada de posição por parte das diretorias da dupla Re-Pa todos serão penalizados, pois a FPF já deixou claro, com atitudes e equívocos sem conta, não ter o menor compromisso com o futebol do Pará. Todos têm conhecimento da bagunça, mas ninguém age. A apatia e o silêncio dos clubes começam a indicar comprometimento com a incúria. Depois disso, restará a falência absoluta. Não se está muito longe disso.
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Re-Pa com leve favoritismo bicolor
Sobre o esquecido clássico, caso realmente ocorra, a expectativa é de um certo equilíbrio, depois que o Remo reeditou contra o Flamengo o espírito guerreiro do primeiro turno. A dúvida é se o confuso esquema tático será mantido ou reformulado para encarar o tradicional rival.
O Paissandu, que entra em vantagem (podendo empatar as duas partidas), passou os últimos 15 dias treinando e descansando. Terá o time completo, liderado pelo meia Eduardo Ramos. Em situação normal de temperatura e pressão, a balança pesa para o lado bicolor.

Atrasos podem inviabilizar campeonato
Pelo ritmo do pagode, o Parazão 2013 pode passar de mico monumental a imbróglio jurídico de proporções tsunâmicas. Além da ausência de laudos dos estádios, o torneio corre o risco ainda de vir a ser interrompido por força de deliberação judicial.
O Santa Cruz, que tentou brecar as semifinais, planeja ir aos tribunais superiores e até mesmo à Justiça Comum. Pelo perfil do clube, surgido há um ano como parte de um projeto político e sem nada a perder, tudo pode ocorrer.
Caso os pleitos do Santa Cruz sejam acatados, a sétima rodada terá que ser refeita, com possibilidade de mudanças na ordem de jogos das semifinais. Há, também, a perspectiva de adiamento dos jogos até que os laudos dos estádios sejam entregues.
A situação tende a ficar ainda mais séria porque os atrasos comprometem o calendário, pois as competições nacionais (Séries B, C e D) começam no próximo mês, exigindo definição de representantes estaduais para que as tabelas sejam confirmadas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 06)
Capa do DIÁRIO, edição de sábado, 06
Vote no mico da semana
Escolha seu King Kong e defenda-o, com unhas e dentes.
1) Fifa mete o bedelho na construção do novo estádio de Brasília e proíbe que o nome seja uma homenagem a Mané Garrincha, um dos três maiores craques de todos os tempos. É algo assim como proibir que, na música, se preste algum tributo a Frank Sinatra ou Jimi Hendrix.
2) Santa Cruz usa torcedor para tentar paralisar o campeonato, mas Justiça não acata liminar. Ministério Público recomenda suspensão por falta de laudas dos estádios. STJD determina paralisação até que recurso do Santa Cruz seja julgado. FPF mantém silêncio e confirma rodada. Torcedor não sabe no que acreditar. É o futebol do Pará voltando ao tempo das carroças.
3) Argentinos do Arsenal provocam sururu em Belo Horizonte depois de levarem um baile do Atlético-MG. Na briga, trocam sopapos com a polícia e atingem radialistas que estavam às proximidades. Conmebol, como é praxe, nada faz para coibir os abusos.
Rock na madrugada – Kaiser Chiefs, Ruby
Por falta de laudos, campeonato está paralisado
Reviravolta nas semifinais do returno do Parazão 2013. A rodada está cancelada. O Ministério Público cobrou os laudos dos estádios Jornalista Edgar Proença (palco do Re-Pa) e Francisco Vasques (onde jogariam Tuna x PFC) e a Federação Paraense de Futebol não atendeu o pedido. A última solicitação ocorreu na quinta-feira. Como a exigência legal não foi atendida, os jogos não poderão ser realizados. Mais um transtorno para avacalhar de vez com o Campeonato Estadual, que já havia sofrido um tremendo desgaste com o episódio do W.O. no jogo Santa Cruz x Paissandu. A FPF não se manifestou ainda a respeito do cancelamento da rodada e é provável que faça isso apenas na segunda-feira. Um show de incompetência e menosprezo pelo futebol no Pará.



