A Esmac/Ananindeua ficou com o título da Taça Brasil Correios de Futsal – Sub-20 Feminino, depois da final contra as mineiras da Liespe/Ipatinga. O jogo terminou empatado em 1 a 1, mas o time paraense tinha a melhor média de gols e levantou o troféu. A IX Taça Brasil Correios de Futsal Feminino aconteceu em Belém entre os dias 7 e 11 de abril e reuniu clubes de Minas Gerais, Roraima, Mato Grosso, Goiás e Acre, além do Pará. Foram 15 jogos e 112 gols marcados.
Mês: abril 2013
Depois do estrago feito, Santa Cruz desiste de ações
Da mesma maneira esquisita como conduz suas finanças, o Santa Cruz de Cuiarana agiu no momento de abrir mão das ações que mantinha junto ao TJD, reivindicando a remarcação do jogo contra o Paissandu pela sétima rodada do returno do Campeonato Paraense. O patrono do clube, senador Mário Couto, anunciou – através de um jornal da cidade – que o clube desistiu dos recursos, a fim de não prejudicar o torcedor. Algumas inverdades nessa afirmação: em nenhum momento, o Santa Cruz demonstrou preocupação com a torcida e o recurso apresentado ao STJD serviu para paralisar (e esfriar) um campeonato que vinha se mostrando atraente e muito disputado. A partir de agora, a FPF está liberada para definir as datas das semifinais do returno, entre Paissandu x Remo e PFC x Tuna.
Capa do Bola, edição de sexta-feira, 12
A fina arte de desequilibrar
Por Gerson Nogueira
O futebol tal como o conhecemos é cada vez mais surpreendente e imprevisível. Se no passado o acaso já conduzia as coisas, em pelo menos 50% dos casos, o equilíbrio reinante hoje entre as equipes permite avaliar que a maioria dos jogos é decidida num descuido qualquer. Ao mesmo tempo, esse nivelamento técnico (por baixo) acaba por ressaltar ainda mais o papel dos jogadores mais qualificados.
“Eu levo a minha vida com a direção de Deus e depois como se cada dia fosse uma partida de futebol. Quando o time joga de forma equilibrada, tendo uma zaga boa, meio-campo bom e um ataque bom, e não precisa ser um time de estrelas, o que precisa é confiar em Deus e jogar cada partida com muito esforço e sabedoria.”
Capa do DIÁRIO, edição de sexta-feira, 12
Guerrilha do Araguaia em documentário no Olympia
Recebi convite do amigo Paulinho Fonteles e repasso aos baluartes do blog:
O Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça em conjunto com o Conselho Regional de Psicologia PA/AP exibirá no próximo sábado, no Cinema Olympia, a partir das 15h, o documentário “Araguaia-Campo Sagrado”, de Evandro Medeiros que, além de cineasta é professor da UFPA, do campus de Marabá. O filme, um longa de cerca de 50 minutos, cuja narrativa aborda os duros acontecimentos da invasão militar ao sul do Pará para sufocar o mais importante evento de resistência ao regime dos generais, a guerrilha do Araguaia, organizada na clandestinidade pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) entre 1972 a 1975, é contundente pelos depoimentos de camponeses, ex-mateiros e soldados que atuaram naquele episódio.
Outro aspecto contundente do documentário é a denúncia do assassinato do ex-mateiro Raimundo Clarindo do Nascimento, o “Cacaúba”, em junho de 2011. Tal rastejador, um dos mais importantes na caçada militar no Araguaia, silenciou por mais de trinta anos e apenas em maio daquele ano é que começou a falar o que sabia. Em fins de junho apareceu morto depois da visita do major Curió na Serra Pelada, onde morava. Excluído da reunião dos ex-guias com o antigo chefe, revelou saber que sua vida estava em risco. Na época denunciei o ocorrido num artigo, “Relatos de um homem morto”, que te envio.
A exibição da película em Marabá, em novembro último, no fechamento dos trabalhos do Grupo de Trabalho Araguaia do Governo Federal gerou o maior quiprocó por conta da atitude destemperada de um coronel do Exército gerando, inclusive, repercussão nacional. Depois do filme realizaremos um debate com a presença do próprio diretor, Evandro Medeiros, do jornalista Ismael Machado e a minha, pelo Grupo de Trabalho Araguaia.
A atividade, por fim, marca o fechamento da Semana Paraense pela Memória e Direitos Humanos além de ser “comemorativo” pela passagem dos 41 anos do início da Guerrilha do Araguaia, 12 de abril de 1972.
Rock na madrugada – Franz Ferdinand, Ulysses
A arte de Atorres
O risco do avanço
Por Janio de Freitas
O risco é grande e, pior ainda, crescente. O que pode suceder quando um alvejado por agressões orais do presidente do Supremo Tribunal Federal usar o direito de reagir à altura, como é provável que acabe acontecendo? Em qualquer caso, estará criado um embaraço extremo. Não se está distante nem da possibilidade de uma crise com ingredientes institucionais, caso o ministro Joaquim Barbosa progrida nas investidas desmoralizantes que atingem o Congresso e os magistrados.
O fundo de moralismo ao gosto da classe média assegura às exorbitâncias conceituais e verbais do ministro a tolerância, nos meios de comunicação, do tipo “ele diz a coisa certa do modo errado” –o que é um modo moralmente errado de tratar a coisa errada. Não é novidade como método, nem como lugar onde é aplicado.
Nem por isso o sentido dos atos é mudado. “Só se dirija a mim se eu pedir!” é uma frase possível nas delegacias de polícia. Dita a um representante eleito da magistratura, no Supremo Tribunal Federal, por seu presidente, é, no mínimo, uma manifestação despótica, sugestiva de sentimento ou pretensão idem. Se, tal como suas similares anteriores, levou apenas a mais uma nota insossa dos alvejados, não faz esperar que seja assim em reedições futuras desses incidentes.
Afinal, quem quer viver em democracia tem o dever de repelir toda manifestação de autoritarismo, arbitrariedade e prepotência. É o único dever que o Estado de Direito cobra e dele não abre mão.
FACILITÁRIO
A Câmara avança no projeto de tornar obrigatória a liberação, pelo governo federal, das verbas correspondentes às chamadas “emendas parlamentares”. São as verbas destinadas, no Orçamento da União, às finalidades desejadas por cada deputado e cada senador. Na sua origem, as emendas eram um dispositivo de atendimento a necessidades e reivindicações mais conhecidas pelo parlamentar da região do que pelo governo federal.
Eis no que deram: na megaoperação feita anteontem em 12 Estados, pelo Ministério Público, contra a corrupção, em 79 cidades foram reprimidas fraudes e desvios de verbas provenientes, todas, de emendas parlamentares. Se a investigação continuar, chegará a parentes, sócios e laranjas dos parlamentares. Não é por outro motivo que desejam a obrigatoriedade da liberação de suas emendas pelo Tesouro Nacional.
POR UMA VEZ
Parte das tevês e dos jornalistas esportivos valem-se de uma CBF chegada ao “é dando que se recebe”, como atestam as longevidades de João Havelange e Ricardo Teixeira, incólumes, na presidência da entidade. Mas, se é para substituir o não menos deplorável José Maria Marin, talvez pudessem concordar, desta vez, com alguma dose de decência no comando do decomposto futebol brasileiro.
Brasil obtém sua pior colocação no ranking da Fifa
A Seleção Brasileira caiu uma posição e está agora em 19º no ranking da Fifa, sua pior colocação na história. A lista foi divulgada nesta quinta-feira. A equipe nacional tem 909 pontos e é ameaçada agora pela Dinamarca, que ocupa a 20ª posição, com 900 pontos. O Brasil, como sede da Copa de 2014, não disputa as eliminatórias para o Mundial. Os jogos amistosos valem menos pontos do que os jogos de competição, no complexo cálculo da Fifa.
A liderança do ranking continua com a Espanha, que tem 1.538 pontos. Alemanha (1.428 pontos) e Argentina (1.292) se mantiveram em segundo e terceiro, respectivamente. Abaixo, o top 10 da Fifa:
1. Espanha – 1.538 pontos
2. Alemanha – 1.428
3. Argentina – 1.292
4. Croácia – 1.191
5. Portugal – 1.163
6. Colômbia – 1.154
7. Inglaterra – 1.135
8. Itália – 1.117
9. Holanda – 1.093
10. Equador – 1.056
Marin foi ligado à ala mais radical da ditadura (II)
Por Aiuri Rebello e Rodrigo Mattos, do UOL Esporte
Segundo o livro “Crianças e Adolescentes”, cerca de 90 menores foram detidos no centro de São Paulo e depois postos em um ônibus policiado para o interior. Na rodovia, perto de Camanducaia, a polícia os expulsou, os despiu e os agrediu. Liberatori foi responsabilizado pela operação por chefiar o departamento. Em sua defesa, alegou que os policiais tinham agido à sua revelia. No discurso, Marin revelou ser próximo a ele e ter frequentado seu gabinete. “Ninguém em São Paulo desconhece o trabalho, a honradez, principalmente o grande idealismo do dr. Rubens Liberatori”, disse.
Foi também em 1975, em outubro, que o político fez dois discursos pedindo providências sobre a TV Cultura porque algumas reportagens não retratavam corretamente o governo. Dizia que os programas causavam “intranquilidade” nos lares de São Paulo. Pouco depois, o jornalista da emissora Vladimir Herzog, que era comunista, foi preso e assassinado pelo DOI-Codi, organismo de repressão. No mês seguinte, o político do Arena pediu uma audiência no SNI, como informa relatório do próprio órgão. Não há nenhuma explicação nos documentos sobre o teor da reunião.
Um ano depois, em 1976, na assembleia, foi a vez de Marin elogiar o delegado Sergio Paranhos Fleury, um dos líderes do instrumento de repressão do Dops. “Não só honra à polícia de São Paulo, como também há muito é motivo de orgulho inclusive à população de São Paulo”, discursou.
Também se mantinha alinhado ao governo federal e contrário à abertura política rápida. Em 1975, rechaçava a criação de terceiro partido, além do MDB e o Arena , posição igual a do então presidente Ernesto Geisel, a quem fez elogios. Foi mais explícito na exaltação ao regime militar em discurso em 31 de março de 1977, aniversário de 13 anos do golpe. “Há 13 anos ocorreu o grande movimento revolucionário, em que o povo teve participação ativa. Para salvar este país que se encontrava à beira do caos”, defendeu.
“Os períodos conturbados ficaram distantes para dar lugar a um período de paz e tranquilidade e permitir um maior progresso e desenvolvimento, tendo como base a segurança e a responsabilidade de todos os brasileiros”, discursou na assembleia. Para Marin, os benefícios do golpe eram “indiscutíveis”, não podendo restar dúvida sobre isso.
Tornou-se vice-governador pela Arena, em 1978, na chapa encabeçada por Paulo Maluf. Mas os indícios de sua ligação com aspectos mais truculentos do regime não cessaram como mostra um relatório do CISA (Inteligência da Aeronáutica), de 1980, sobre assalto ao jurista Dalmo Dallari Gama.
Defensor da democracia, Dallari foi espancado e acusou grupo paramilitar de direita. Ainda afirmou que o então vice-governador Marin tinha ligações com a agressão. O político negou e prometeu que o Dops, o órgão acusado de repressão na década de 1970, iria apurar o caso.
Já como governador, após a renúncia de Maluf, Marin passou a ser protegidos por policiais do Dops. O departamento de polícia registrou cada viagem ou participação do político em eventos públicos, como revelam os boletins do órgão. O objetivo era identificar se havia protestos contra o governador e contra o regime.
Questionado pelo UOL Esporte sobre os fatos relatados nos arquivos da ditadura, Marin se negou a falar sobre o assunto. Em texto à “Folha de S. Paulo”, afirmou que era do partido do governo, mas que era “sabido por todos (…) que os deputados não tinham o menor poder sobre os órgãos do Estado”. Completou: “Ninguém deve negar a própria biografia. E a minha vida pública sempre foi (…) pautada pelos princípios republicanos que até hoje me guiam”, disse, afirmando ter aprendido que “liberdade e justiça” devem andar juntas.
Marin ainda ressaltou que, como governador, extinguiu o Dops de São Paulo. Quando o departamento acabou, a abertura política estava próxima e aparelhos repressivos perdiam a força. Estava perto do fim o período de “paz e tranquilidade”, nas palavras do atual cartola da CBF.
Marin foi ligado à ala mais radical da ditadura
Marin (à dir.) ao lado de Maluf. Tempos de Arena durante o regime militar
Por Aiuri Rebello e Rodrigo Mattos, do UOL Esporte
Em sua carreira política, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COL (Comitê Organizador Local), José Maria Marin, teve ligação com a ala mais radical do governo militar, conexões com órgãos de vigilância e de repressão e fez elogios ao regime. É o que revelam documentos dos arquivos da ditadura obtidos pelo UOL Esporte.
A reportagem pesquisou mais de 100 papéis relacionados ao dirigente nos arquivos do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), do SNI (Sistema Nacional de Informação), órgãos que reuniam as investigações do regime, e na Assembleia Legislativa. A partir desta quinta-feira, será publicada uma série de reportagens sobre a atuação dele como político nos anos de chumbo.
O início da carreira de Marin foi aos 31 anos, como vereador em janeiro de 1964, pouco antes do golpe militar. Elegeu-se pelo PRP (Partido de Representação Popular) com base política em Santo Amaro, bairro da zona sul de São Paulo. Em 1966, foi para a Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido do governo.
A partir daí, iniciou sua ascensão com a ajuda do núcleo do regime. A ficha de Marin no SNI conta que ele chegou à presidência da Câmara de Vereadores graças a manobras nos bastidores do Ministério da Justiça, cujo titular era Gama e Silva, e de militares. O jurista foi o redator do AI-5 (Ato Institucional-nº5), que cassou direitos políticos e instituiu o período mais negro da ditadura no fim de 1968.
“Na verdade, a eleição de Marin resultou de um esquema montado pelo Dr. Luis Roberto Alves da Costa, chefe do gabinete do ministro da Justiça, com o apoio de correntes militares”, relatou o SNI. Alves da Costa foi descrito como “truculento” e bem relacionado “nos meios políticos e policiais”.
Uma análise do SNI, anterior à votação na Câmara, descreveu Marin: “É considerado fraco por seus pares. Consta que sua candidatura tem apoio de círculos militares e de elementos ligados ao ministro da Justiça.” E, depois, o organismo analisou seu trabalho à frente da Câmara: “todos os atos de Marin (…) são “sugeridos” pelo esquema que o elegeu presidente da Casa”.
É importante lembrar que políticos alinhados com o regime militar também eram alvos dos órgãos de investigação do governo. Dados sobre eles são mais confiáveis porque não têm influência da leitura política. Caso os investigados tivessem tendências esquerdistas, poderiam ser cassados.
A ficha de Marin completa no SNI, que concentrava informações dos aparelhos de vigilância, foi feita em 1978 quando se tornou candidato a vice-governador. O político era descrito como “integrado” com a “Revolução de 1964” e com posição ideológica “democrata” – era a denominação dada pelo regime para quem o apoiava. Tanto no SNI quando no Dops não houve registro de atitude “subversiva” dele (contra o governo).
Até porque Gama e Silva saiu do ministério no final de 1969. E Marin se manteve próximo da cúpula militar. Foi à posse do general Emilio Garrastazu Médici, que depois virou presidente, no comando do III Exército. Na década de 70, como deputado estadual, houve novas conexões com órgãos de vigilância e repressão.
Na campanha à assembleia, no final de 1970, Teresa de Carvalho pediu proteção ao Dops por ter sido “prejudicada e ameaçada” por Marin. Motivo: fazer campanha para outro candidato, Agnaldo Carvalho. O Dops não registrou ter tomado medida para atendê-la.
Em maio de 74, o político da Arena fez loas ao delegado Rubens Liberatori por sua nomeação à chefia do DEIC (Departamento de Investigação sobre Crime Organizado). Com Liberatori no comando, o DEIC efetuou a chamada “Operação Camanducaia”. (continua…)





