No incômodo fim da fila

Por Gerson Nogueira

COLUNA GERSON_26-04Estou certo de que o torcedor, mesmo aquele mais distraído, percebe com clareza a sinuca de bico em que o futebol brasileiro está metido. Não que a situação seja recente. É claro que as mazelas acumuladas têm forte influência no cenário atual, desaguando na indigência técnica de times e jogadores em atividade no país.

É grande a tentação de culpar os técnicos pelo anacronismo das configurações táticas e a pobreza criativa das equipes. São, afinal, os responsáveis pelos ensinamentos repassados aos atletas, daí a fama injustificada de “professores” que muitos reivindicam.

Os treinadores têm lá sua parcela na história, mas não são os vilões principais. Há muito mais envolvidos nessa ópera bufa. A começar pela gestão do próprio futebol no Brasil, que passa obrigatoriamente pelos desmandos da CBF e suas federações filiadas.

Graças ao poder quase ditatorial dessas pessoas o Brasil só fez descer a ladeira da hierarquia futebolística mundial nos últimos 20 anos. O ensaio do desastre foi bem mais lá atrás, ali por volta de 1970, quando a força da cartolagem começou a se fazer notar. Até então, dirigentes de futebol lucravam com benesses e tráficos de influência, mordomias diversas, mas não faturavam a fábula de dinheiro como nos dias que correm.

A ascensão do futebol como negócio de dimensão planetária coincide com a derrocada do esporte como arte pura no Brasil. Parece uma visão simplista de um troço tão complexo, mas não precisa ir muito longe para atestar o fato. Enquanto craques como Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos e outros eram incensados pelo simples talento, mas não eram vistos como investimentos lucrativos, conseguiam jogar bola em paz.

Pode-se, por conta disso, afirmar que a força destrutiva da grana está na raiz deste monumental problema brasileiro. Nada contra o lucro e a adoção das práticas mercadológicas como ferramentas a serviço do esporte. A desgraça é que, como quase tudo neste país tropical, a preocupação em acumular riqueza costuma vir em embalagem predatória, sem a mínima preocupação com a galinha dos ovos de ouro.

A Lei Pelé, que almejava dar independência aos atletas, estabeleceu um novo aleijão: além dos tubarões que dominam os clubes, agora existem as figuras do “empresário” e “procurador”, tão ou mais vorazes que os primeiros.

Os garotos bons de bola não têm mais tempo de crescer e amadurecer. Ao menor indício de que podem propiciar lucro, são imediatamente transformados em moedas de troca. Talvez por isso o futebol esteja cheio de promessas que não vingam. Como sempre foi um celeiro natural de craques, o Brasil ainda é olhado como mercador exportador, mas a baixíssima qualidade de seguidas safras aos poucos vai apagando essa imagem. A fonte está secando.

Caso não haja radical mudança, de alto a baixo, da CBF às federações e ligas interioranas, o futebol continuará em marcha batida rumo ao nada. Times ainda conseguem lampejos de glória na esmaecida Libertadores, mas na disputa com outras seleções fica evidente a disparidade técnica.

Os antigos fregueses agora são os donos da festa. Os brasileiros entram (quando muito) como coadjuvantes. Não sei por vocês, mas ainda não me acostumei com a ideia de ser apenas plateia. Infelizmente, pelo menos por mais alguns anos, este é o papel que nos foi reservado – por direito.

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O exército Brancaleoni do Baenão

Não fosse o Remo dirigido por uma comissão técnica podia-se até desconfiar de simples estratégia. É tanta desgraça vindo dos lados do Baenão que alguns torcedores do Paissandu chegaram a pôr em dúvida a real quantidade de desfalques que Flávio Araújo tem para o jogo de amanhã.

Acontece que, para aflição dos remistas, a bruxa parece realmente desembestada. Além dos ausentes por suspensão (Carlinho Rech, Mauro, Val Barreto e Branco), o treinador não pode contar com Zé Antonio, também vitimado por virose fulminante e ainda tem Leandro Cearense praticamente descartado pela mesma razão.

O futebol é useiro e vezeiro em situações que opõem fortes contra fragilizados. No primeiro confronto, o Paissandu tinha essa condição mais tranquila e daí vinha seu favoritismo. O Remo, para surpresa geral, acabou vencendo. Para o segundo embate, nessas circunstâncias, a dose se repetirá?

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Direto do Facebook:

“Nosso futebol é superado. Nosso técnico está superado. Nossos jogadores são medianos. Não tem esquema, jogadas, jogadores e só aquele idiota do Galvão vai ser campeão na Copa de besteiras!”.

De Edyr Augusto Proença, definitivo, sobre as chances nacionais no Mundial.

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Sobre “discipular” e “mentorear”

Tropeço, nas redes sociais, com um inusitado cartaz convocando para um “curso de capelania”. O evento é organizado por atletas de Cristo e previsto para São Paulo. A intenção declarada é “capacitar pessoas que trabalham com atletas nos mais diferentes níveis” para “discipular” e “mentorear”. Não sei bem o que é isso, mas deve até ser um baita seminário, capaz de transfigurar corações e mentes. Duro é testemunhar a tortura cruel da língua pátria, com requintes de perversidade.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 26)

36 comentários em “No incômodo fim da fila

  1. No fundo de tudo, quando se trata da debacle técnica do futebol brasileiro, sempre estará a safra minguadíssima de craques. Mas, realmente, isso não tem sido problema para os empresários, agentes ou procuradores dos atletas, estes sempre encontram mercado nacional e internacional para os jogadores que representam independentemente da idade e da forma em que eles se encontrem. Isso tudo com o imprescindível auxílio luxuoso dos dirigentes e técnicos. E triste do Clube onde entram em conflito agentes, técnico e dirigentes pelo interesse de expor seus “craques” na vitrine dos jogos. No mais das vezes ocorre dos jogadores mais qualificados ficarem no ostracismo enquanto os apadrinhados vão pros jogos fazer raiva pra torcida. Isso quando não acontecesse desses “craques” ficarem só encostados, de chinelinho, ganhando o dinheiro do Clube.

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  2. O futebol brasileiro, Gerson e amigos, está carente de bons dirigentes, isso sim… Na Europa, não se contrata técnico para fazer 3 jogos, como aqui… Na Europa, se dá todas condições para que um técnico realize seu trabalho…Na Europa, Se contrata um técnico, com 2 anos de contrato, logo esse tem condições de fazer um bom trabalho, não só no time principal, mas gerenciar toda base do clube, trazendo lucros para esses times… Na Europa, os campos de Futebol……..

    É muita diferença, amigos…. Por isso sempre falo, que tudo deveria começar pela qualificação de nossos dirigentes… Talvez nem esteja faltando bons técnicos, bons jogadores…

    É a minha opinião.

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  3. Eu quero acreditar que o Zé Antônio vá para o jogo, Gerson e amigos.. Aliás, queria saber quem é o “padrinho” do Alan Peterson, já que todos os técnicos que passam pelo Remo, dizem que ele não tem condições técnicas para jogar nesse clube… Te dizer…

    Pelo que percebo, o Remo vai de 3-6-1, novamente, só trocando o Val Barreto, pelo Leandro Cearense, se este estiver totalmente recuperado da virose…

    No Paysandu, Thiago Costa e Esdras, são os substitutos do Raul e Capanema, respectivamente, com o João Neto voltando ao time titular, de onde nunca deveria ter saído… Não se espantem se o Papão entrar com 3 atacantes…

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  4. Gerson e Cláudio, eu sou do time que não acredita mais no futebol paraense. Acho falido, amador e corrupto. Principalmente corrupto. Pra mim, um campeonato cheio de maracutaia. Enfim, por isso, eu acredito que os azulinos estão com armação. Pelo que se diz, já são 6 os desfalques do time titular. Sabe o que isso me parece, que a estratégia é se fazer de morto, deixar o Papão “se” achando novamente, para que os bicolores entrem de sapato alto mais uma vez. Mas estou confiante que a turma da curuzu já aprendeu a lição (se é que houve, né!). O Remo pode entrar com time sub-15 que a ordem é jogar sério e determinado pelo título. Pelo menos, eu quero acreditar nisso!

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  5. Perfeito comentário Gerson Nogueira,

    Só para não alongar muito, Neymar é tido como o melhor atleta em atividade no Brasil e um dos que tem vaga garantida na Copa 2014, onde serão capaz de convocar o Neymar, mesmo contudido. Porém nos tempos do auge do futebol brasileiro, podemos afirmar que com esse futebolzinho feijão com arroz , Neymar não tinha vaga garantida nem na seleção de novos do Brasil que existia na época. Lembras? Naquele tempo sim, era difícil para qualquer treinador convocar uma seleção brasileira mas “era num bom sentido porque tínhamos dentro e fora do Brasil muitos craques selecionáveis. Sabíamos quem eram os craques e escalavamos a seleção titular. Hoje nenhum torcedor é capaz de escalar nem a base da seleção. A excessão de Neymar e os velhos R. Gaucho e KAKA, ninguém sabe mais o nome de outros jogadores. E olha que digo isso sendo um fanático torcedor seleção canarinho, imagine quem não é??

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  6. Srs,

    Estou preocupado com o Time do Remo para o jogo de amanhã, são vários desfalques, será que esses guris da base vão segurar a onda ?

    Se o Remo pegar um gol logo de início, já era, o time não pode jogar para empatar.

    Estou muito preocupado.

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  7. Eu tenho a impressão segura que estão querendo fazer o contrário de tudo o que ocorreu em 1950, no famoso ‘maracanasso” ou seja, naquele tempo tinhamos muitos craques consagrados e selcionáveis, convocamos uma seleção forte para a Copa, fizemos grande campanha, mas na decisão sucumbimos para os desconhecidos uruguaios de obidullio varela. Agora acho que hoje sem muitos craques deveremos convocar uma seleção fraca, sem muitas revelações e esperança de titulos, para conseguir o mundial. So que os tempos são outros.

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  8. Gerson, uma pergunta fora de hora: o Papão vai jogar nas novas arenas na série B? Acredito que sim. Sabes quais? A Arena Castelão contra o Ceará, na arena de Recife contra o Sport…

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  9. nos no futebol, os maias, os fenicios, os egipcios, os gregos, cada um no seu mérito, tiveram sua fase áurea, depois passou e assim segue a vida.

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  10. Bela analogia, DIRIVALDO, pois sabemos que tudo passa nesta vida. Minha única preucupação no futebol e o brasileiro tenha passado tanto a ponto de nos tornarmos hoje por exemplo o futebol mexicano de ontem. Ou seja, outrora a selação brasileira é que era time grande, os mexicanos eram apenas meros coadjuvantes comparados com nós. Hoje ja ganharam até medalha de ouro olimpica nas nossas barbas. é preocupante.

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  11. Para mim se uma equipe de futebol, entrar com dez ou nove jogadores em campo ela está desfalcada. Portanto acredito no meu amado Clube do Remo, se for da vontade de Deus estarei amanhã no mangueirão, confiante como sempre fui, levando minha carga de energia totalmente positiva em busca da vitória para o Filho da gloria e do triunfo. O que me causa espanto e não encontrar aqui comentários dos torcedores do papinha, que na semana passada exalavam por todos os poros a mais absoluta confiança. Eram escores de 5 ,6,7 a favor do Jon Jones do futebol paraense, contra o velho e teimoso Rocky Balboa, que mesmo castigado por fortes golpes, teimava em ficar de pé diante de tão poderoso adversário. O final todos sabemos o arrogante Jones, sucumbiu diante do humilde porém teimoso Balboa. Os admiradores de Jones afirmaram,juraram que Jones se deixou nocautear em um acerto pré estabelecido entre seu empresário Vandick com o empresário de Balboa Pirão. A intenção segundo os admiradores de Jones, é ajudar Balboa, que esquecido sonha em recuperar sua fama, e retornar os seus dias de gloria, nem que seja disputando lutas esvaziadas de quarta divisão do Brasil. O que teremos então amanhã , dará Jones a chance de Balboa voltar a brilhar novamente? Ou o espirito arrogante do super Jones ,não admitirá novo acerto entre os empresarios Vandick e Pirão? Tudo pode acontecer,conta porém Balboa com um az na manga. A presença na plateia do super vitorioso Rocildo Oliveira e sua esplendorosa crença na vitória. Salve Remo filho da gloria e do triunfo.

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  12. Rocildo, inspirado na sua fé, eu acredito que o Papão goleia o seu time. Ainda acredito que os bicolores são melhores tecnicamente e taticamente. Só torço pra eles entrarem vibrantes e atentos. O Remo é um time perigoso, não pela “qualidade”, mas porque o time é vibrante em rePA. Meu placar: 3 a 1, de novo.

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  13. Realmente o Remo para surpresa minha e de outros amigos aqui do blog, apresentou um desempenho satisfatório no último jogo, justamente no momento que tudo conspirava contra, isso em função de todos os problemas táticos e técnicos de alguns jogadores. Para o próximo jogo decisivo, surgem outros fatores adversos como os desfalques por cartões e possivelmente por doenças virais. Se os desfalques se confirmarem, teremos um clássico recheado de jogadores pratas da casa como se denominam os atletas da base, felizmente tudo sinaliza para que efetivamente isso vá acontecer para satisfação dos torcedores e críticos, que há muito tempo almejam assistir um clássico regional da dimensão de um RE-Pa, com a participação de jogadores formados nas divisões de base. Só espero sinceramente e torço fielmente, para que esses jogadores principalmente do Remo, estejam preparados psicologicamente para uma peleja tão difícil e complicada para as cores remistas. A carga de responsabilidade em cima desses jogadores é extrema, e claro não seria o momento ideal para coloca-los em campo em situação como essa, porém, como a comissão técnica não tem alternativas, então só nos resta mesmo passar aos jovens atletas, forças positivas, que Deus os abençoe e que façam uma excelente partida.

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  14. A Torcida remista sonhou em jogar na abertura do maracanã contra o flamengo.lembro de comentários eufóricos aqui no blog,principalmente do Rocildo(coitado) e de outros sonhadores que tiveram de se contentar em apanhar lá em Volta Redonda no estádio da cidadania.enquanto isto o clube que deu as maiores glórias para o estado do Pará vai ser o clube paraense que primeiro vai jogar nas novas arenas.

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  15. Até os Estados Unidos caminham a passos largos para nos alcançar e quem sabe até nos ultrapassar. A liga deles já ultrapassou o Brasileirão em média de público, e quem sabe com o crescimento no futebol na América do Norte eles e os mexicanos resolvam tomar a Conmebol das mãos dos corruptos sulamericanos para o bem do nosso futebol? Eles já pediram a unificação das duas confederações mas a FIFA fez pouco caso.

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  16. Não estou estou confiante no Remo assim como não estava no primeiro jogo, mas como os rivais já consideram favas contadas, é bem provável que os azulinos repitam a proeza e vençam o favoritíssimo e disparado melhor time do campeonato. Pra mim um empate já serve.

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  17. Se isso tudo de ruin for verdade sobre o remorto e existirem mesmo esses desfalques e conhecendo meu Pysandu como conheço, eu vou ter de admitir que infelismente que o remorto vai ganhar o jogo fácil , fácil de novo. Porque penso assim??? é porque não tem time que dei tanta colher de chá para o remorto como o meu paysandu dá. Podem reparar que quando o time do remorto está completo, motivado, os jogadores de nariz empinado, a torcida remorta gargantuda, sem fovoritismo do Paysandu, o remorto leva peia igual no primeiro turno. Porém é incrível que quando os caras estão capengas, desegonçados com favoritismo do Paysandu, e a torcida remorta calada, na dela, os caras arrebentam e ganham o rexpa. isso não é superação, é colher de chá mesmo que o paysandu dá para o remorto.

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  18. Rapaz, o que o Remo precisa é de uma macumbeira nova! Desde que a Dona Flora faleceu que o Remo vem ladeira abaixo.

    Agora, além de tudo, os jogadores acometidos de virose, aí é complicado.

    Todo esportista sabe que por mais que se recupere de uma virose, o rendimento demora a voltar ao normal, por mais que se sinta bem.

    Vai ter que ser na raça mesmo, mas se o Eduardo Ramos não jogar, já é um contrapeso nessa balança de desfalques que já tá demais

    O time do Remo ainda não tem 11 jogadores, quanto mais um elenco que possa repor e manter o nível pelo menos.

    Meu maior medo são as surpresas de FA, que adora treinar um time e jogar com outro.

    Acompanhemos, preocupados, então

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  19. Penso que o grande problema do futebol nacional (não é o único) está na falta de incentivo a formação de novos craques. Isto ocorreu em virtude da lei Pelé (que calado é um poeta!), pois esta provocou três movimentos:

    1) Formação de clubes de empresários (e prefeituras),
    2) Jogador é vendido cedo demais para clubes (na maioria inexpressivos) da Europa, ou seja, os jogadores não tempo de amadurecer,
    3) Os clubes não tem ganhos reais com os jogadores, por isso, não fabricam.

    ps. Gerson, meus comentários estão caindo na moderação.

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  20. Ainda não acho que seja pra tudo isso, deve ser só má fase. Lembram da seleção de 1994? Aquilo foi a pior fase da história para a seleção canarinho. Essa pode ser a segunda pior. Só será a pior se não ganhar a copa… No mais, tem-se uma seleção de respeito sempre que se tiver uma seleção brasileira, apesar do técnico…

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  21. Com excessão do técnico, aquela seleção de 94 era muito boa Lopes Junior, talvez faltasse um camisa 10. Nesta de agora ninguém presta.

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  22. Lopes, um time que contava com Romário e Bebeto, em plena forma, para ficar apenas em dois exemplos, não pode marcar a pior fase do futebol brasileiro. Isso sem falar que foi um time campeão. A Seleção da CBF atual, a verdadeira, não esta genérica que enfrentou o Chile esta semana, está muitos pontos abaixo daquela de 1994.

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  23. Oliveira, assisti àquela Copa de 94 e todo jogo foi uma preocupação, senti mais alívio que euforia. Diferente da seleção de 2002, cujo sentimento de segurança do time, provocou euforia. Sem nenhuma sombra de dúvida, torcer em 1994 foi muito pior que em 2002. A seleção de Lazaroni, a mesma da era dunga, fora superior em técnica, inferior em aplicação tática, tinha salto alto, um oba-oba. Sofremos sem Sócrates, Zico e Falcão. A seleção de Parreira era disciplinada taticamente, motivo pelo qual ele não convocava o Romário, e também de quase não ter ido à Copa. Outra razão era a teimosia na permanência do Raí, que só perdeu a vaga já na Copa, para o Mazinho, taticamente mais obediente e mais efetivo, companheiro da enceradeira Zinho… Não digo que o time era bom e jogava um futebol vistoso, nem se comparado com o de hoje, mas tinha um Jorginho como lateral direito, cujo cruzamento na área era um passe, de tão perfeito que era, um bom goleiro, uma boa dupla de zaga. Bebeto e Romário se viravam no ataque, o meio criava pouco. Fomos campeões, sim, mas sem a qualidade que faz do Brasil o país do futebol. Foi uma conquista meio sem graça, um futebol dito pragmático, sem graça. Faço a comparação com os selecionados anteriores. A comparação da época era implacável e não deixava dúvidas, seria mais uma Copa sem título. Analisando bem as seleções da década de 90, a de 98 representou um imenso salto de qualidade, comparada com a de 1994, que já não tinha Bebeto e Romário, mas tinha time, tinha Rivaldo, Giovanni, Fenômeno, pena que perdeu pro Zidane. A de 2002 foi muito superior a de 1998. As duas últimas, sem a menor dúvida, tinham mais qualidade técnica que a de 1994, ainda que não fossem tão bem quanto a do penta e não conquistassem o título. Bebeto e Romário merecem o destaque, como Taffarel e Jorginho, por exemplo, mas a seleção jogava um futebol feio, sim, e, por isso, mesmo com o título e com Bebeto e Romário em campo, uma das piores fases da seleção brasileira, para mim.

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  24. Lopes, tudo bem que pra você o futebol fosse feio, a beleza é subjetiva.

    Mas, quando se trata da fase, do que seja pior ou melhor, e máxime em se tratando de fase do futebol brasileiro, aí já não se fala mais de beleza ou feiura, apenas.

    Aí é objetividade pura. E, sob este aspecto, o time de 1994 foi uma das melhores fases do futebol brasileiro, do resgate do triunfo, da recuperação da auto-estima, da recuperação do respeito dos adversários, da colocação de goleiros brasileiros no mercado internacional, e, o mais importante, da exibição do alto e puro talento nacional de jogadores como do Romário, Bebeto, Tafarel, Jorginho, Branco, além dos excelentes zagueiros. Essa vitória cacifou o Brasil para a excelente campanha da copa seguinte, cujo título não veio por questões até hoje inexplicáveis (além dos 3 gols da França, é claro), e para o título logo em seguida, com times excelentes também. Quer dizer, não pode ter sido, e não foi, a pior fase do futebol brasileiro, se além de trazer o título ainda subsidiou o alavanque de qualidade de qualidade e o alcance de outros resultados positivos. Quer dizer, ainda deixou um legado de êxito a ser explorado. Legado este que não foi melhor utilizado pelas besteiras que todos sabemos que os dirigentes da cbf estão acostumados a fazer como o BBB na copa de 2006 e pela safra minguada de craques que já vinha se pronunciando e se acentuou a partir daí.

    Bom, mas, como ninguém é de ferro, agora, vai um elemento subjetivo de minha parte: beleza maior não há do que as cores, a satisfação e o prazer da vitória.

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