O passado é uma parada…

Imagem do craque Didi nos braços da torcida botafoguense. O meia eternizou a folha-seca e foi também o criador da pedalada, na famosa vitória de 6 a 2 sobre o Fluminense, na final do Campeonato Carioca de 1957.

Deduzir as deduções

Por Janio de Freitas

Carandiru, aniversário de 20 anos: sem julgamento. Mensalão do PSDB em Minas: 14 anos, sem julgamento. Não é preciso seguir com exemplos para perguntar: isso é Justiça? A instituição que assim se comporta deve mesmo ser chamada de Judiciário? E não bastam os sete anos para enfim ocorrer o atual julgamento no Supremo Tribunal Federal, ou quantos anos ainda serão necessários para o encerramento dessa história?

A decisão do deputado Valdemar Costa Neto de reclamar em corte internacional o direito de recurso contra sua condenação, já que o STF o condena como primeira e como última instância, abre uma fila que apenas não está anunciada por outros réus e seus advogados. Talvez por haver mais de uma possibilidade e faltar escolha definida entre elas. Não por falta da deliberação de buscar outro exame para vários dos já condenados. E, pode-se presumir, também para futuros.

O caso de Valdemar Costa Neto é bastante ilustrativo. Está condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Práticas implícitas no recebimento de dinheiro para o que a maioria do Supremo considerou compra, pelo PT, de apoio na Câmara para o governo Lula. O deputado reconhece não ser inocente, mas atribui a condenação a motivo errado.

Tem um argumento que o Supremo, de fato, desconheceu: votou contra o governo e até apresentou emenda contrária ao projeto originário do Planalto para modificações na Previdência. Votação e emenda comprováveis, uma e outra contradizendo a venda de voto ou apoio em que se fundou a condenação. O recebimento de R$ 8,8 milhões, cujo destino Valdemar Costa Neto jamais esclareceu, não comporta dúvida. Está configurado no processo.

Mas a finalidade de compra de apoio, do próprio deputado ou de todo o seu partido (PL à época, hoje PR), foi estabelecida por dedução do procurador-geral da República, depois adotada pelo ministro relator Joaquim Barbosa e, por fim, aceita pela maioria do tribunal.

O recurso a deduções foi tão numeroso, em relação a tantos réus e acusações, que os ministros Luiz Fux, Ayres Britto e Celso de Mello fizeram frequentes explanações com o propósito de legitimá-lo judicialmente. Com isso deixaram, porém, o que parece ser a via principal em exame por parte de defensores, para a busca de recursos ao STF mesmo ou uma corte internacional.

A julgar pelo visto ontem, na iniciada acusação do relator Joaquim Barbosa aos que considere corruptores, a proliferação de deduções vai continuar. Ou aumentar. Margem mais farta, portanto, para a busca de recursos, a cada um correspondendo a suspensão dos respectivos julgamento e sentença.

A esta altura, a impressionante tecitura feita pelo relator Joaquim Barbosa não tem como apresentar mais provas do que as reunidas. O que se pode esperar é que os ministros debatam mais as deduções, a que nem todos aderiram. Até porque o eventual êxito de recurso atingiria o conceito do julgamento e do tribunal.

Lecheva deve repetir a escalação

Depois dos treinos de ontem, na Curuzu, e desta manhã no Mangueirão, o técnico Lecheva praticamente definiu a equipe para enfrentar o Treze-PB no sábado à tarde. O time deve ter João Ricardo; Pikachu (foto), Fábio Sanches, Marcus Vinícius e Rodrigo Fernandes; Vânderson, Ricardo Capanema, Alex Gaibú (Harison) e Tiago Potiguar; Kiros e Moisés. Caso Harison entre na equipe, é provável que Potiguar seja deslocado para formar dupla de ataque com Kiros, mas Lecheva parece mais inclinado a manter a dupla de criação que atuou (bem) em Marabá diante do Águia. Moisés, cuja escalação parecia ameaçada depois dos gols perdidos no Zinho Oliveira, deve ganhar nova chance. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

A fantástica fábrica de micos

Por Gerson Nogueira

Há uma semana, a coluna chamava atenção para a farsesca gestão que o Paissandu tem hoje e sua incrível vocação para produzir lambanças em cascata. O clube, um dos mais tradicionais e populares do país, é hoje refém e vítima de uma direção destrambelhada, sem qualquer comprometimento com a história da agremiação e preocupada apenas em gerar factoides para desviar o foco de suas sucessivas trapalhadas.

Num processo maluco, cada novo ato resulta em mais vexames. Quando se imaginava que a cota mensal de confusões estava completa, depois do monumental mico representado pela contratação de Marcelinho Paraíba e posterior liberação, eis que o presidente do clube brinda a torcida com outra piada de tremendo mau gosto.

Acontece que, por obra e graça de Luís Omar, o ator Chuck Norris voltou à cena em Belém do Pará, por motivos alheios à sua vontade. O Paissandu anunciava, no começo da tarde, a contratação do centroavante Fausto, cujo apelido boleiro homenageia as bravuras de Norris.

O astro americano se tornou lenda nas redes sociais pelas façanhas absurdas a ele atribuídos. Acrobacias e cenas mirabolantes que seus filmes de baixo custo (e nenhuma inspiração) mostravam nos anos 70 e 80. Mestre das artes marciais, Norris foi nocauteado por ninguém menos que Bruce Lee.

A questão é que a diretoria do Paissandu esperava causar impacto anunciando um nome forte, de impacto. Escolheu Fausto, que havia marcado 24 gols na Série A2 Paulista de 2008, sumindo de cena em seguida. Perambulou por vários times, sem sucesso. Seus últimos empregos foram no Botafogo-SP e no Linense. Esteve em cinco clubes em 2012, mas marcou somente dois gols.

Mesmo com tão temerárias credenciais, Fausto/Chuck Norris teve sua chegada anunciada pela Assessoria de Comunicação do clube, na condição de 38º “reforço” do Paissandu na temporada. A história invadiu a internet, explorada com o natural ceticismo de quem se acostumou com as presepadas da cartolagem bicolor.

Algo, porém, aconteceu entre o final da manhã e o começo da noite. Nesse espaço de tempo entrou em cena o verdadeiro astro da companhia com suas habituais surpresas. O presidente avisou aos repórteres setoristas na Curuzu que o artilheiro não viria mais. Aliás, segundo LOP, nunca chegou a ser contratado.

Passaram-se apenas alguns minutos para a ficha cair. Simples: o negócio gorou porque, a exemplo de Marcelinho Paraíba e Índio, Fausto defendeu dois clubes na temporada e não poderia assinar contrato. Como sempre, a aloprada diretoria só descobriu depois de ter anunciado o reforço. Mais um desmentido, novo desgaste.

Mais um papelão para se juntar à incrível série semanal. Primeiro, foi o vexame da recusa de João Galvão, técnico do Águia, em assumir o posto que Givanildo Oliveira abandonou. Em seguida, a dupla frustração com Paraíba e Índio. Depois, veio a esquisita churrascada de autoajuda, convocada para “melhorar o astral” do time.

Depois do infausto episódio Chuck Norris, a diretoria já ensaia promessa de nova contratação. O Paissandu tem quatro jogos a cumprir para passar à fase seguinte, mas se debate com a crônica incapacidade de fazer gols. Vários atacantes foram testados (Rafael Oliveira, Kiros, Pantico, Moisés e Héliton). Nenhum emplacou. Braddock talvez fosse a última esperança, mas jamais saberemos.

————————————————————–

Jogar para a plateia é provavelmente a segunda profissão mais antiga do mundo. É representada, com denodo, por alguns mentecaptos que se aproveitam do prestígio alheio para vicejar. No futebol paraense, de vez em quando, certas demonstrações de oportunismo afloram e confirmam a velha prática. Basta ter olhos para ver.

————————————————————–

Como previsto, o STJD foi rigoroso no julgamento dos episódios referentes ao jogo Remo x Mixto-MT no Mangueirão. Por unanimidade, puniu o clube com a perda de quatro mandos de campo e mais multa de R$ 5 mil. A sentença será cumprida na próxima competição nacional que o Leão disputar.

Parabéns a todos os envolvidos.

————————————————————–

Direto do Twitter:

“É bom o amigo @gersonnogueira colocar outra capa do Bola para o LOP desviar, de novo, o foco de mais uma lambança. Ajuda aí, Gerson. Te dizer…”.

De Cláudio Santos, desportista e técnico do Columbia de Val-de-Cans, atento aos truques da cartolagem papachibé.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 04)

Rock na madrugada – Derek and The Dominos, Little Wing

Clapton no auge da forma, como o deus da guitarra, sola esse blues-rock clássico.

Leão e Papão no ranking da transparência

O Corinthians é o clube de futebol mais transparente do Brasil, de acordo com estudo realizado pela consultoria Pluri. No ranking elaborado pela empresa, que analisou os 32 clubes mais populares do país, Santos, Fluminense e Palmeiras ocupam as primeiras colocações. Por outro lado, São Paulo (9º), Grêmio (10º), Internacional (14º), Flamengo (15º), Cruzeiro (16º) e Atlético Mineiro (18º) apresentaram um desempenho baixo. O Remo vem em 26º lugar. Empatados na penúltima colocação estão Bahia, Guarani, Paissandu e Vila Nova. Isolado na rabeira, o Ceará.

A consultoria levou em conta se o balanço está disponível e se é fácil de ser encontrado no site do clube, há quantos anos são divulgados os balanços e com qual periodicidade. São acumulados pontos se outras informações como estatuto, organograma, orçamento vigente, relatório anual e política de governança são publicadas.

A consultoria afirma que os clubes vêm melhorando gradualmente no quesito transparência, mas o nível geral ainda é baixo e muitos não divulgam seus balanços. O levantamento concluiu que apenas Fluminense e Corinthians publicam relatórios anuais. De todos os analisados, apenas o clube do Tatuapé divulga o orçamento para o ano seguinte.

Se o Corinthians no geral é o mais transparente, o que traz o balanço explicado de forma mais clara é o São Paulo, o Palmeiras, com balanços mensais, é o que divulga as informações com maior frequência e o Santos é o que disponibiliza  maior número de balanços de outros anos para consulta em seu site. A Pluri diz que o estudo indica que alguns clubes percebem mais rapidamente que outros os benefícios de uma maior transparência, levando a um relacionamento mais próximo com patrocinadores e investidores.

Mas outros mantêm uma “postura de caixa-preta”, o que reduz sua credibilidade e prejudica a instituição ao afastar possíveis patrocinadores. A consultoria diz ainda que a falta de transparência é comum em clubes de futebol de diversos países, sendo os alemães e ingleses os exemplos a serem seguidos. (Do UOL Esporte)

Mapa da transparência

1 Corinthians SP 97 pontos 16 Figueirense SC 30 pontos
2 Santos SP 89 pontos 18 Atlético MG 28 pontos
3 Fluminense RJ 81 pontos 19 Portuguesa SP 25 pontos
4 Palmeiras SP 63 pontos 20 Atlético GO 20 pontos
5 Coritiba PR 57 pontos Náutico PE
6 Atlético PR 53 pontos Ponte Preta SP
7 Vasco RJ 51 pontos 23 Santa Cruz PE 15 pontos
8 Botafogo RJ 48 pontos 24 Goiás GO 10 pontos
9 São Paulo SP 45 pontos Sport Recife PE 10 pontos
10 Grêmio RS 44 pontos 26 Remo PA 5 pontos
Paraná Clube PR 27 Fortaleza CE 3 pontos
12 Avaí SC 40 pontos 28 Bahia BA -5 pontos
Vitória BA Guarani SP -5 pontos
14 Internacional RS 35 pontos Paysandu PA -5 pontos
15 Flamengo RJ 33 pontos Vila Nova GO -5 pontos
16 Cruzeiro MG 30 pontos 32 Ceará CE -15 pontos

Chuck Norris é a nova esperança de gols do Papão

A Assessoria de Comunicação do Paissandu informou, no começo da tarde desta quarta-feira, a contratação do atacante Fausto, 31 anos, ex-jogador do Botafogo-SP e do Linense. Conhecido também como Chuck Norris, em 2008 marcou 25 gols na Série A2 de São Paulo. Este ano, porém, marcou apenas dois gols na temporada. Chega à noite e será apresentado oficialmente na manhã de quinta-feira na Curuzu.

No STJD, Remo pode perder até 10 mandos

A cena se repete: um clube paraense no banco dos réus no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), pelo mau comportamento de seus torcedores. Desta vez, o Remo é o acusado pelos incidentes no jogo contra o Mixto-MT, no Mangueirão, quando torcedores atiraram rádios, pilhas, tênis, latas e garrafas contra o trio de arbitragem e os próprios jogadores remistas. O árbitro Rodrigo Raposo relatou os fatos na súmula do jogo. “Informo que após o término da partida, na saída do quarteto de arbitragem do gramado em direção do vestiário, foram atiradas em nossa direção várias latas de refrigerante e água mineral pela torcida do Clube do Remo. Dito também que nenhum desses objetos acertou-nos, pois estávamos protegidos pelo policiamento presente”. A punição pode ser multa de R$ 100 mil e perda de até 10 jogos como mandante.

Imaginar é preciso

Por Tostão

Hoje, Brasil e Argentina fazem mais um amistoso, que não faz parte das datas reservadas pela Fifa para as seleções. Esse jogo serve mais para piorar o ruim calendário e atender a interesses comerciais. Anunciam a partida como se fosse importantíssima, o Superclássico das Américas, sem dizer que é apenas com jogadores que atuam nos dois países. A Argentina leva desvantagem, porque não tem um único titular da seleção principal.

O Corinthians, com Romarinho, Martínez e Guerrero, deve ficar melhor que o time da Libertadores. Não será surpresa se ganhar do Chelsea. As frequentes vitórias do Fluminense por um gol de diferença são mais méritos de um time que se defende bem, quando faz um gol na frente, do que uma deficiência tática, por recuar demais a equipe.

Tempos atrás, quando todos esperavam a ida de Neymar para a Europa, escrevi que, apesar de não ter nenhuma informação, imaginava que haveria um grande acordo nacional, mesmo subjetivo, para mantê-lo até a Copa. Participariam o jogador, seu pai, os presidentes do Santos e da CBF, Pelé, o comitê da Copa, empresários e marqueteiros. Neymar seria o garoto-propaganda do Mundial. Foi o que ocorreu.

Hoje, com grandes chances de errar, imagino, apesar de não ter nenhuma informação, o fim do acordo e a ida do jogador, no início do ano, para o Barcelona. O Santos teria percebido o óbvio, que não vai disputar a Libertadores de 2013, e que Neymar, como já ocorre, vai ficar muito tempo à disposição da CBF. O clube teria acordado para a realidade de que, após a Copa, Neymar estará livre, e que o Santos não vai receber um centavo por sua transferência.

Imagino também que Neymar, cansado de carregar o Santos nas costas, decidiu jogar ao lado e contra os melhores jogadores do mundo. De Neymar, passo para Kaká. Continuo imaginando, pelo que vi nas poucas vezes em que Kaká jogou pelo Real Madrid, que ele, fora Real e Barcelona, seria titular e destaque em qualquer time, incluindo a seleção brasileira. Só não posso imaginar como ele estará na Copa.

Aí, passaria a ser um vidente. Imagino ainda que Mano Menezes vá escalar Kaká nos jogos contra o Iraque e o Japão mais à frente e ao lado de Neymar e Hulk (ou Lucas). Serão três atacantes, sem um centroavante fixo. Oscar seria o terceiro jogador de meio-campo. Kaká, por suas características, sempre foi um meia-atacante, ponta de lança, que apenas volta para receber a bola e, daí, partir em direção ao gol. Ele é um armador apenas no desenho tático, para aparecer na televisão.

Tenho muitas imaginações e nenhuma certeza. Acredito mais na imaginação, na subjetividade, no que ainda não é, mas que poderá ser, do que em verdades racionalizadas e impostas.

A frase do dia

“As classes tradicionais – ou, se preferirem, retrógradas, reacionárias – nunca vão aceitar que um nordestino [Lula] tenha se transformado em um líder respeitado e reconhecido internacionalmente. É disso que se trata. É isso o que estamos vendo. Nunca vão aceitar que esse operário tomou o poder – ou melhor, tomou uma parte do poder do Estado. Não todo. Não tenhamos ilusão. Vivemos numa plutocracia, que precisa virar uma verdadeira democracia.”

Do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário geral do Itamaraty.