Batalhas de vida ou morte

Por Gerson Nogueira

Os estádios de Belém e do interior sofrem há tempos com a falta da estrutura necessária para atender jogadores vítimas de lesão mais grave. É corriqueira, em partidas disputadas no Baenão ou na Curuzu, a ausência de ambulância e até médico para os primeiros socorros. E esse cenário não é exclusivo de confrontos envolvendo categorias amadoras ou torneios amistosos. Acontece até mesmo em jogos de competições oficiais.

Como, por sorte, nunca houve desfecho mais dramático a situação é tolerada, perigosamente. Os regulamentos estão pontilhados de exigências quanto a equipamentos para reanimar atletas, mas a distância entre formulação e prática é comparável à travessia da baía do Guajará.

As autoridades, que costumam ser muito rigorosas quanto às arquibancadas e banheiros, não exercem o mesmo rigor na cobrança por equipamentos que podem salvar vidas.

A velha discussão sobre estrutura nos estádios brasileiros voltou a todo vapor, como normalmente acontece, em função de episódio que quase resultou em tragédia. Na Vila Belmiro, quarta-feira à noite, o zagueiro atleticano Rafael Marques permaneceu por 11 longos minutos à espera de remoção depois de violento choque com o companheiro Leonardo Silva.

Como no apertado estádio santista não há espaço para o acesso da ambulância ao gramado, o jogador ficou estendido no chão cercado por médicos e demais atletas. Apesar da existência de dois portões, o veículo não passava porque há um degrau que separa o estacionamento da área de jogo.

Outras ocorrências do tipo já causaram mortes em campo. Em São Paulo, o caso mais lembrado é o do lateral Serginho, do São Caetano, que sofreu parada cardíaca e não teve o socorro adequado. Devido a isso, os regulamentos das competições passaram a exigir o aparelhamento.

O próprio Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) prevê, em seu artigo 211, que os clubes mandantes têm a obrigação de garantir segurança plena à realização dos jogos. Desgraçadamente, somente sustos como o de anteontem fazem com que os problemas sejam observados com mais atenção e responsabilidade.

No Pará, contudo, o relaxamento é tão grande que nem mesmo esse debate nacional deve provocar grandes mudanças. É preciso que todos, até mesmo as instituições ligadas aos atletas, cuidem mais desse aspecto tão importante, que é a integridade física dos artistas do espetáculo. Se depender das autoridades que não calçam chuteiras, nem correm riscos maiores, dificilmente providências serão adotadas.

————————————————————–

Foco no presente

O Paissandu não quer saber de passado. Pelas palavras do técnico Lecheva e de boa parte do elenco dá para perceber que o tropeço diante do Salgueiro, há dois anos, não assombra mais ninguém na Curuzu. Ainda bem. Quando um time assume postura vencedora fracassos não podem constar da agenda. A própria torcida parece dispostas a exorcizar os demônios, diminuindo o peso que certas lembranças costumam trazer.

A própria atitude de Lecheva, que encara o jogo como algo inteiramente normal, sem maior carga emocional, é reveladora desse estado de espírito. O futebol é rico em personagens supersticiosos, que muitas vezes acabam por influenciar no comportamento dos times em campo.

O técnico Cuca, atualmente no Atlético-MG, é famoso pelo comportamento instável, marcado por atitudes estranhas às vésperas de partidas decisivas. Por mais que se permita um quê de imponderável ao jogo, exagerar nas crendices nunca foi atitude sensata.

Lecheva e seus atletas acertam inteiramente ao tirar do confronto de domingo qualquer característica revanchista. É outra competição e a grande maioria dos jogadores nem participou da partida de 2010. De mais a mais, pra frente é que se anda.

————————————————————–

Trabalho e justiça

Saldo parcial da excepcional atuação de Ronaldo Passarinho à frente do departamento jurídico do Remo: 40 acordos trabalhistas de débitos referentes apenas da gestão Sérgio Cabeça. Do período relativo a Amaro Klautau, Ronaldo reduziu a dívida para R$ 3,5 milhões, valor inferior ao que Arinelson tem a receber do Paissandu.

Essa leonina recuperação financeira, que tem a ver com a dedicação exclusiva (e gratuita) que Ronaldo dá ao Remo, surpreendentemente ainda gera invejas e ciúmes. A postura rasa de alguns não permite enxergar a grandeza do trabalho desempenhado pelos defensores do clube junto à Justiça do Trabalho.

Até mesmo o desfecho do caso Mendes, apontado por muitos como desfavorável ao Remo, só foi possível pela competência e experiência de Ronaldo. A quantia a ser paga refere-se apenas aos salários em atraso, mas recurso já preparado deve reduzir ainda mais o valor final.

————————————————————–

Aval de craque

Clarence Seedorf, ao final da bela virada botafoguense sobre o Vasco ontem, avaliza Bruno Mendes, a grande revelação deste final de Brasileiro. Autor de dois gols no clássico, o garoto foi abraçado pelo veterano craque, que destacou suas qualidades como atacante, sem esquecer de ressaltar a maturidade como atleta. “Tem boa cabeça, tem grande futuro”, profetizou o holandês. Quem há de duvidar?

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 19)

14 comentários em “Batalhas de vida ou morte

  1. – Essas irregularidades cometidas nos campos de futebol, é de total responsabilidade do Árbitro do jogo. Na hora em que os Árbitros suspenderem uma partida por falta de Ambulância ou qualquer outra coisa, por exemplo, e o clube mandante perder os pontos desse jogo, os dirigentes se espertarão..

    – Custo a acreditar que os jogadores do Paysandu não estejam com pensamento de vingança, por tudo que vinham falando no início da semana. Agora, se é para o torcedor, e até a mídia não perceberem isso, tudo bem..
    Paysandu terá que focar nesse jogo e entrar pra ganhar, pois o Salgueiro vem mais que completo nesse jogo. O ala Marcos Pimentel e o meia atacante Clébson que não vinham jogando, se recuperaram e já estão escalados para esse jogo. É uma partida pra se ganhar, com inteligência e não na marra. 1 x 0, estará de bom tamanho.

    É a minha opinião.

    Curtir

  2. – Quanto ao Ronaldo Passarinho, como sei que ele lê o blog( e quem não lê?) gostaria de fazer 2 perguntas a ele:

    1º – Porque que ele não se preocupou com essas dívidas, em 2003/2004 quando esteve à frente do Remo, e que eram até maiores que as de hoje;

    2º – Se ele tem conhecimento(Já que ele diz que o Amaro não fez nada) que seus amigos de diretoria, tentaram, sem êxito, cancelar esse acordo com a Dra. Ida Selene( De descontar 100 mil/mês, para que não houvesse mais bloqueio de rendas,.. que é um acordo do Amaro) e que eles tiveram que cumprir, mesmo não querendo?

    – Aliás, como não tiveram êxito, partiram para receber os 600 mil da CBF, do empréstimo de 1 milhão que o Amaro tinha feito( E que já tinha recebido 400 mil), para pagar todos os jogadores do Remo e funcionários, mas por não terem a mesma credibilidade do Amaro, também não conseguiram.

    Amaro Klautau conhece tão bem esses ” Cardeais” que o dinheiro da venda do Baenão ele iria deixar nas mãos da justiça(Dra. Ida Selene). Será que ele estava errado?

    Curtir

  3. Seedorf deveria ser técnico do Botafogo no lugar do Osvaldinho. Até ele percebeu o mais simples:jogar sem atacantes dificulta e muito qualquer ação dentro de campo.

    Curtir

  4. Galera tem jogar focado na vitória, até 1 x 0 serve, mas é um placar perigoso. O certo, certíssimo mesmo é fazer um, dois, três e sair atropelando sem dar fôlego ao adversário que joga por dois resultados.
    Certamente devem vir retrancados e jogar nos nosso erros. No meio campo e na defesa toda a atenção para não levar gol bobo como foi o do Cuiabá!
    E lá na frente calma para finalizar certo e deslanchar sobre o gol deles!
    Bola na trave não altera o placar, bola na área sem ninguém pra cabecear, não pode acontecer!
    Vamos Papão, eu acredito que venceremos o jogo mesmo com todo o grau de dificuldades que está se desenhando.
    Vingança ou não o Paysandú tem é que vencer e ponto final!

    Curtir

  5. CLáudio, entendo pertinentes suas colocações, e tem mais outra ele vaio a público falou de tudo o que fez “bateu” na diretoria atual que ele mesmo faz parte e agora declara voto ao Sérgio Cabeça, pode? Ta parecendo a história do almoço sem churrasco na churrascaria do LOP.

    Acho apenas que tem que haver coerência de posicionamento, a questão é que se muda de opinião e de lado de uma hora para a outra sem qualquer argumento justificável

    RRamos

    Curtir

  6. Claudio, concordo com seu comentario de numero dois…na coluna de ontem do Claudio Guimaraes, ele informa que nosso aspira a CBF iniciou a partida de ida entre Ananindeua e Santa Cruz sem policiamento e ambulancia…bandeirando finais de campeonatos suburbanos lembro uma vez no Tapanã que o colega q ia apitar me disse : ”só começamos quando a ROTAM chegar, he he he ”…. pois enquanto ela nao chegou o jogo nao começou…e a pressao era grande…como deve ter sido quarta para que o nosso aspira começasse mesmo sem as condicoes necessarias….

    Curtir

  7. Caro Gerson,

    Diferentemente do que você disse, o Remo não foi condenado a pagar apenas os salários em atraso.
    Houve condenação para o pagamento de todas as verbas rescisórias decorrentes da dispensa SEM justa causa (multa de 40% sobre o FGTS, aviso prévio indenizado, multa pelo atraso no pagamento das verbas rescisórias etc) e também a multa desportiva (que foi fixada em R$10.000,00) . Ou seja, NÃO foi acolhida a tese do Remo de que teria havido abandono de emprego.
    Também foi acolhida a tese do autor de que havia salário “por fora” (R$15.000,00 no total, e não apenas os R$1.000,00 anotados na carteira).
    Aliás, a sentença do processo está disponível para quem quiser ler no site do TRT (1406-89.2012.05.08.0001). O número do processo, inclusive, está em um post de 28 de setembro na página oficial do time no facebook.
    Sugiro que você dê uma lidinha na sentença e, também, nos depoimentos colhidos (que também estão disponíveis para consulta na página de acompanhamento do processo).

    Curtir

  8. Essa do salário por fora é muito antiga, e o Remo sempre perdeu todas (e vai continuar perdendo), porque se permite a estas “espertezas”. No caso de Welber foi a mesma coisa e de outros tantos jogadores também. E os conselheiros já estão prontos para continuar dando cabeçadas na eleição que se aproxima.

    Curtir

Deixe uma resposta