A encruzilhada da Seleção

Por Gerson Nogueira

A dois anos da Copa do Mundo, persiste um clima de profunda desconfiança em relação às chances do Brasil. Muito desse sentimento tem a ver com o desempenho sofrível da Seleção sob o comando de Mano Menezes. Levou bomba nas duas competições oficiais disputadas, Copa América e Jogos Olímpicos.

Por outro lado, descer a lenha no trabalho de Mano, a partir dos maçantes amistosos contra adversários inexpressivos, é redundância. A questão que se impõe é quanto ao que deve ser feito para que o escrete entre nos eixos.

Um aspecto fundamental diz respeito às características do próprio técnico. Com acentuada inclinação pela mesmice tática, já rascunhada quando dirigiu Grêmio e Corinthians, Mano definitivamente não é o melhor comandante que a Seleção podia ter.

À pergunta óbvia sobre o técnico ideal para o selecionado, caso a CBF demitisse Mano, as melhores fichas deveriam ser apostadas em Vanderlei Luxemburgo, ainda o técnico nacional que melhor combina futebol-espetáculo com competitividade. Se o leque se estender a estrangeiros – tabu quase intransponível na Seleção –, Pep Guardiola e Marcelo Bielsa seriam alternativas interessantes.

Cada vez mais previsível e sem brechas para inovações, o futebol vive fase de total submissão às vontades do treinador, o que é péssimo quando o técnico tem poucas ideias a propor. Mano se insere nesse exemplo. Na Seleção, parece hesitar entre formações radicalmente ofensivas – como se viu nos amistosos contra China e Iraque – e desenhos mais conservadores, como no desafio caça-níqueis com a Argentina.

Imagino o pesadelo que será, para o torcedor, acompanhar a disputa da Copa do Mundo. Como não existem craques em profusão, a Seleção será mais operária que exuberante; mais cautelosa que abusada. Se não há dúvida quanto ao astro companhia, Neymar, permanecem óbvias incertezas quanto aos homens de criação, sem os quais o jovem santista pouco poderá fazer lá na frente.

Todas as seleções campeãs começam por um meio-de-campo de alto nível. Até aquele Brasil de 1994 tinha armadores em grande forma (Mazinho, Zinho). Para o setor, as esperanças de Mano concentram-se hoje em novatos ainda pouco testados, como Paulinho (Corinthians) e Oscar (Chelsea), e veteranos, como Kaká. Única certeza: uma das camisas já é de Ramires, volante ofensivo e dinâmico.

Não se pode esquecer que, em 2010, na África do Sul, Kaká escondeu lesão (e dores) para exercer o papel de maestro da malfadada seleção de Dunga. Em 2014, será um meia-armador tarimbado, mas em estado físico menos confiável. Mesmo que esteja bem, Kaká não é (nunca foi) um organizador. Sua função está mais para ponta-de-lança, como foi Rivaldo em 2002.

O ataque tem Neymar e uma vaga de co-piloto em aberto. Hulk, o mais testado até agora, só enche os olhos de Mano. Na Olimpíada, ficou clara a pobreza de recursos e o baixo poder de definição do entroncado avante. Apesar das lesões, Alexandre Pato é nome a ser considerado, embora Fred seja o melhor da posição no momento.

João Saldanha dizia que seleção deve ser a fotografia do momento. Então, com base nisso, o time para a Copa seria: Jefferson; Daniel Alves, Tiago Silva, Dedé e Marcelo; Ramires, Paulinho, Oscar e Kaká; Neymar e Fred. Convenhamos, não é um dream-team, mas pode dar liga. Dúvida transcendental: Mano é capaz de fazer esse time jogar? Não creio.

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Tabu x calor

Todas as previsões indicam que será um jogo duríssimo, em Cuiabá. Não apenas pelo adversário, em franco desespero na luta para escapar ao rebaixamento. Além das dificuldades, há também o fator climático. Por iniciativa do mandante, a pugna será às 16h, com sensação térmica de 15h. Sob forte calor, o prejuízo óbvio é do time mais envelhecido.

Com a trinca Vânderson, Gaibu e Harisson, todos ali na faixa de 35 anos, o Paissandu terá que se acautelar contra a correria mato-grossense. Sem contar com seu melhor jogador no campeonato, o lateral Pikachu. Perda mais sentida ainda porque as chances do Papão no jogo dependem da eficiência e velocidade de seu contra-ataque.

O Paissandu joga ainda contra a tradição do tabu do Círio. Nunca venceu atuando na véspera ou no dia da procissão de Nossa Senhora de Nazaré. Que hoje seja a primeira vez.

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Contra o líder

Em Marabá, lutando para voltar ao G4, o Águia tem o desafio e o estímulo de receber o melhor time do grupo A. Classificado por antecipação, o Luverdense só administra a campanha. O time marabaense luta contra suas próprias limitações defensivas, mas entra em campo animado com a ressurreição do ataque, depois que Branco reencontrou o caminho das redes. Apesar do cartel do oponente, o Águia tem boas chances de vencer.

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Bola na Torre deste domingo tem Pikachu como convidado. Apresentação de Guilherme Guerreiro. Começa logo depois do Pânico na Band, por volta de 23h40.

9 comentários em “A encruzilhada da Seleção

  1. A seleção de 2014 vai ser pouca coisa diferente do que estamo vendo, talcez o técnuco não seja o mesmo. Até lá, embora não muito distante, algo vai acontecer de aprimoramento, acredito. O Brasil como sede tem a obrigação maior de ganhar o título. a menor de não fazer vergonha.

    Quanto ao jogo do Papão tudo imprevisível. Pode ser que o time nos surpreenda com uma posstura elhor que a anterior. O Cuiabá é limitado mais merece respeito mais por jogar em seus domínios. Lecheva deve ter em mente como explorar a situação e acredito numa vitória.

    Palpite: 1X0 para o Papão

    Quanto ao jogo do Águia fica até difícil torcer para o time paraense sabendo ser um concorrente direto do Papão, mas que vença caso sejamos vencedores. Sem Palpite e seja o que Deus quiser.

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  2. Parabéns pelo texto sobre a seleção…quanto ao time, só trocaria o Fred pelo Luiz Fabiano…Fred me parece egocêntrico, característica que não combina com a seleção, mas concordo que merece ser testado.

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    1. Não creio que Frederico seja mais egocêntrico que o tal Fabuloso. Ambos, porém, têm problemas físicos sérios, embora Fred seja pouca coisa mais jovem.

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  3. Tomara que a seleção dos que jogam na europa, no Sul e Sudeste braslleiro, continue como está, com todos esses jogadores pencas, e com o Mano sem graça Menezes no comando. Como faço parte do time dos que torcem contra a essa palhaçada que se chama seleção, eu quero mais é que eles explodam e juntos levem a CBF. E que nessa copinha, a Argentina chegue com moral e arrebente com todo mundo, e que leve o tal caneco lá para Buenos Aires. Agora interessante mesmo, é a imprensa paraense, buscando motivos para que o papinha, se classifique a todo custo para a segundinha brasileira. Agora a bola da vez é o tabu, e elegeram o Lecheva como o quebrador de tabus kkkkkkkk. Agora o papo é o Cirio de Nazaré, pois nunca o papinha ganhou jogando na vespera ou no dia do Cirio de Nazaré. Ledo engano meus caros amigos da maravilhosa Rádio Clube do Pará. Jogando em 1979, pelo campeonato brasileiro da primeira divisão, o papinha enfrentou a Tuna Luso as 21 horas do dia 13/10/1979 vespera do Cirio de Nazaré, e venceu por 1 x 0, gol anotado pelo excelnte Roberto Bacuri. O papinha jogou e venceu com Carlos Afonso;Aldo,Paulo Guilherme,Lineu,(Chico Alves),Rui Guyilherme;Carlinho Maracanã,Roberto Bacuri,Patrulheiro;Heider,Dario,(Nilson Diabo), Lupércinio. A Tuna Luso, jogou com Edson Cimento(Reginaldo);Paulo Marabá,Fernando,Rômulo,Valmir ; Paranhos,Jorginho,Indio (Edu);Gabriel,Adilton e Puma. Salvo algun engano, nesse jogo nos vestiarios o Paranhos que era um jogador das categorias de base da Tuna, sofreu um desconforto intestinal, segundo a imprensa da época, levado pelo seu nervosismo. Portanto meus caros torcedores do papinha e da imprensa paraense, não existe tabu algun a ser quebrado. e se o papinha quiser vencer que jogue futebol e pare de se apegar a pequenos pormenores. Um outro detalhe, disse Claudio Guimarães que o Jogador Socrates enfrentou o Remo por duas vezes em Belém e perdeu as duas, uma jogando pelo Botafogo de Ribeirão Preto em 1977, e a outra pelo Corinthians em 1980. Digo o seguinte em 1977, quem venceu o Botafogo por 2 x 1 em Belém no dia 23/11/1977, , foi o papinha, já o Remo jogou contra o mesmo em Ribeirão Preto no dia 23/10/1977,e perdeu por 3 x 2

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  4. Se o tabu existe, eu nao sei, mas da a impressao que so o bicola tem tabu. Nao sei se por ausencia de competicoes, os azulinos nunca sao lembrados. Sobre o time da Cbf, o Brasil sempre que e favorito, perde, e o Messi ta arrebentando. Seria interessante ver os hermanos num Maracanazo.

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