Nas asas da ilusão

Por Gerson Nogueira

A cena mais impressionante da goleada brasileira sobre o Iraque, ontem, foi a comemoração do técnico Mano Menezes. Fiquei observando bem para tentar descobrir algum sinal de encenação. Mas, bestificado, constatei que ele estava mesmo satisfeito, esfuziante até, com a vitória imposta a um dos piores times do planeta.

Em situação normal, Mano deveria ter ficado preocupado. Sua seleção desfrutou de facilidades poucas vezes vistas em amistoso internacional. Os lances infantis dos iraquianos se repetiram ao longo dos 90 minutos e o ataque brasileiro só não disparou uma goleada maior por excesso de preciosismo.

Com Kaká na equipe, o passe melhorou, o meio-de-campo se impôs pela habilidade e é inegável que o estilo de jogo ficou mais bonito. Por afinidade natural, Oscar e Neymar ganharam bastante com a entrada do veterano meia, mas todas essas análises ficam prejudicadas por um detalhe mais expressivo: o Iraque inexistiu como adversário. Entrou em campo como quem vai disputar uma inocente pelada de fim de semana na firma.

Várias vezes foi possível ver os jogadores iraquianos assistindo Neymar, Kaká & cia., em estado de pura reverência. Como quermesse, tudo bem. Como teste, o jogo não teve a menor relevância. O que é terrível para uma seleção que, a dois anos do Mundial no Brasil, não encontrou a formação ideal e não se apresenta com a autoridade que um anfitrião de Copa do Mundo deve ter.

O pior de tudo é perceber que o técnico brasileiro parece não ter a dimensão exata do papel que a Seleção deve desempenhar daqui a dois anos. Satisfeito com os corintianos que consegue emplacar no escrete, Mano esquece a importância do cargo que ocupa. Não demonstra entender que o Brasil inteiro vai exigir resultados e bom futebol.

Enquanto perde tempo com joguinhos furrecas contra chineses e iraquianos, seleções do mundo inteiro se aprontam para a Copa brazuca. Espanha, Argentina, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Uruguai e França – para ficar nas mais temíveis – estão em febril atividade, jogando contra boas equipes e aperfeiçoando suas armas.

Assusta, por fim, notar que Kaká, Robinho e talvez Ronaldinho Gaúcho sejam as cartas na manga para a campanha em busca do hexa. Considerando o rendimento pífio desses jogadores nos últimos três anos, o Brasil não pode esperar muita coisa.

Contra a ingênua linha de beques do Iraque, Kaká e Oscar fizeram misérias com a bola. Neymar, idem. Até o tanque Hulk deixou o dele. Mas não alimentemos ilusões com base nas patriotadas de Galvão Bueno e sua turma. A continuar no ritmo maroto de hoje, com Mano festejando goleada em rachão, a parada em 2014 será mais indigesta do que se pensava.

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Zé Augusto, cansado de guerra, anuncia que vai parar com o futebol no fim da temporada. Decisão acertada porque a parte física já não permitia ao aguerrido atacante continuar em atividade e, como se sabe, a força e o arranque sempre foram suas principais características.

Pela dedicação, merece ganhar homenagem especial na despedida. O Paissandu, que usufruiu durante anos dos gols milagrosos do Zé da Fiel, tem a obrigação de reverenciar um dos símbolos da raça alviceleste, no mesmo nível de ídolos do passado, como João Tavares.

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Passou quase em brancas nuvens o cinquentenário da primeira conquista mundial de um clube brasileiro. No confronto final, o Santos de Pelé, Zito, Coutinho e Pepe massacrou, no estádio da Luz, em Lisboa, o fortíssimo Benfica de Eusébio, Coluna e Simões por 5 a 2. Atuação irrepreensível do Rei e seus súditos, arrancando aplausos da própria torcida encarnada.

O Santos chegou a fazer 5 a 0 e o time lusitano só descontou nos minutos finais. O segundo gol, com uma sucessão infernal de dribles, é um dos mais bonitos da extensa galeria de golaços da carreira de Pelé.

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A notícia de que Gian deve assumir o comando técnico do Independente Tucuruí não deixa de ser uma novidade interessante. Depois de grandes serviços prestados ao futebol paraense como atleta, jogando sempre ali na meiúca, onde tudo começa e termina, Gian tem chances de se tornar um bom treinador. Tem facilidade para o diálogo e sabe como organizar um time. Se terá sucesso ou não, já é outra história.

De qualquer maneira, vai se juntar a um time de ex-jogadores que deixaram as quatro linhas, mas continuam ligados ao futebol, como Artur Oliveira, Lecheva, Bira, Charles Guerreiro e Samuel Cândido.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 12)

14 comentários em “Nas asas da ilusão

  1. “Satisfeito com os corintianos que consegue emplacar no escrete”

    Porque só com os corinthianos? Há botafoguenses a altura para deixá-los no banco.

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  2. Mano pediu adversarios fracos mesmo, o objetivo e perder a Copa, nao se iludam. Quanto ao Gian, mais um para desespero do Claudio. Ja o Ze passou da hora.

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  3. Lembro, amigos Diogo e jjss555 que Giba falou em uma entrevista, que o Gian sabia fazer muito bem a leitura de um jogo. Por aqui, Sinomar usou e abusou dele, quando na ocasião eu até falava que o Gian era quem estava comandando e não o Sinomar.
    Agora, uma coisa é você saber e a outra é ter facilidade para passar, aos jogadores, para que eles assimilem rapidamente. É aquilo que falei do Lecheva, eles se tornam técnicos, por acaso, não se preparam para a carreira. O Ideal, já que o Gian estava com essa intenção, era que ele já estivesse fazendo um estágio desde quando parou de jogar, no 1º semestre, se aperfeiçoando..
    – Assim como os demais técnicos citados, poderá ser um bom técnico..Apesar de pensar que, alguns citados, não tem mais jeito(hehe)..Vamos aguardar..

    É a minha opinião.

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  4. Gerson, você sem dúvida é o melhor de todos, mas seus comentarios sobre a seleção, a meu ver, carecem de uma coisa: sugestão do que fazer com a situação.
    Só criticar e misturar clube na conversa, não agrega valor a crônica…dê sugestões sobre o que faria.
    Repito, você é o melhor disparado e faria sucesso em qualquer veículo do país, mas neste caso, tenho certeza de que você poderia explorar muito melhor o tema.
    Um abraço.

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  5. Felicidades, ao grande Zé Augusto.. Ele, ao lado do Vanderson, hoje, são os verdadeiros bicolores que possui o Papão..

    – Aliás, Gerson e amigos, tem uma imagem do Zé Augusto, que não esqueço, até hoje. Estava na casa da minha mãe, junto com toda família, assistindo ao jogo Paulista x Paysandu, naquele fatídico jogo e, em um lance do jogo, a bola foi para lateral e era para o time adversário e o Zé foi buscar a bola e entregou para o jogador do Paulista e falou poucas e boas para os jogadores do Papão que estavam por perto, tipo: “Vamos jogar car..” “Boora..”.. Quase chorando, e os jogadores baixavam a cabeça, como que dizendo: Ah, tá..

    Parabéns, Zé Augusto, Terçado Voador, Zé Terçado,… Valeu

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  6. Seleções “fortes” estão ocupadas, e o calendário FIFA só permite enfrentar essas tristezas, mas já estão agendadas para o próximo ano amistosos com os “titãs”. Oscar é o cara!

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  7. Claudio, não seja ingênuo, é óbvio que adversário fraco é no início do trabalho. O Mano quer adversários fracos para não cair, porque perde pra qualquer time mediano – não há preocupação com planejamento. Quanto ao Kaká, talvez seja o único veterano que sirva pra 2014.

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  8. Outros veteranos que podem servir bem para 2014, caso, é claro, estejam bem no ano da Copa: Luis Fabigol, Fred e R. Gaúcho.

    O Zé Augusto sempre honrou o PSC ! Estava na Curuzú no jogo contra o Avaí, no qual o Papão ganhou pela 2a vez a Série B. o 4o e último gol foi do Terçado Voador.

    O ridículo e chato Galvão Bueno, antes do início do jogo, repetiu diversas vezes que quem escolhia os adversários para os amistosos do Brasil era a empresa com quem a CBF, ainda quando comandada por Teixeira, fechou contrato. Acho que é verdade isto. Portanto, o Teixeira ignorou a importância de uma preparação adequada para a Copa, com o agravante de que a seleção seria ainda formada e não disputaria eliminatória. É por isto que acho que pode, sim, ser verdade a declaração do Teixeira, em entrevista “a revista Piauí, dizendo que a seleção PERDERIA a copa no Brasil.
    E Marin parece que está adepto a isto, pois mantém o fraquíssimo Mano. A porrada virá já ano que vem, na copa das confederações.

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  9. Fabigole Fred nao tem mais condicoes fisicas e o segundo e inimigo do Mano. Quanto ao Gaucho, ate a Copa, as baladas farao com que ele abandone o bom futebol (na idade dele, nao pode noitada, bebida e nem ma alimentacao, pro Neymar pode, ate o fisico nao aguentar mais).

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