Parazão sob nova ameaça

Por Gerson Nogueira

A Federação Paraense de Futebol está prestes a pôr em prática uma idéia que tornará o Campeonato Estadual ainda mais deficitário e tecnicamente mais sofrível a partir de 2013. A entidade tem engatilhada uma proposta para aumentar o número de participantes da competição, de 8 para 10 clubes. Seriam classificados automaticamente os seis primeiros colocados deste ano e mais quatro equipes sairiam das fases seletivas. Como se sabe, quando a FPF propõe algo significa que, nas internas, já aprovou tudo.
Para encaixar esse inchaço no calendário do primeiro semestre, a fase semifinal será reduzida a um jogo por chave. Ao invés do sistema atual, mais meritório, que prevê duas partidas (em ida e volta), a partir do próximo ano a ante-sala da decisão será na casa do time com melhor pontuação, que ainda terá a vantagem do empate.
O problema mais sério, porém, diz respeito à parte qualitativa do campeonato. Se nas últimas temporadas o torneio já foi fraquíssimo, com pouquíssimos destaques individuais e raras revelações que frutificaram, a tendência é que o aumento do número de partidas estrague ainda mais a competição.
Mais do que fazer média com as ligas interioranas, que parece ser a intenção disfarçada por trás da iniciativa, a FPF deveria se preocupar em aperfeiçoar o atual regulamento. Cabia, por exemplo, exigir investimento em divisões de base como condição obrigatória para que um clube participe do campeonato. Isso permitiria estipular a inscrição de um número mínimo (quatro ou cinco) de jogadores formados no próprio clube, como forma de
incentivar a renovação de valores e combater a importação desenfreada e indiscriminada de “reforços”, fonte maior da pindaíba financeira dos clubes.
E o déficit da dupla Re-Pa, que ainda carrega o futebol nas costas, tende a aumentar ainda mais. Donos dos maiores investimentos, em face da cobrança sempre impiedosa de torcedores e imprensa, os grandes de Belém são submetidos a uma rotina de jogos deficitários, que não são compensados pela verba dos contratos firmados com o governo.
Para ambos, a ampliação do Parazão significa apenas mais prejuízo, pois hoje apenas os representantes de Santarém têm capacidade de mandar jogos lucrativos. Os demais emergentes mantêm média abaixo de 2 mil pagantes, sem nada que indique mudanças significativas nos próximos anos.
A parte curiosa da história é que a proposta da FPF até o momento não foi discutida, a sério, com os clubes. Como de hábito, a fórmula será imposta e os dirigentes de Remo e Paissandu se inclinam a dizer amém, indiferentes (ou desalentados) com o ano de prejuízos que se descortina no horizonte.
Há anos, as duas agremiações pagam o alto preço dessa omissão. Por isso, não podem se queixar, nem recorrer à Virgem de Nazaré, quando o orçamento estoura, o público foge dos estádios e as contas não fecham.

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Mais um episódio vem confirmar a crise que insiste em se perpetuar nos grandes clubes de Belém. O Paissandu volta a apostar em Tiago Potiguar, que foi liberado há três meses por deficiência técnica, e a história que envolve o negócio tem a ver com um encontro de contas. O clube deve cerca de R$ 70 mil ao meia-atacante e firmou um acordo para pagar o que deve, torcendo para que a transação dê resultado em campo.

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Recebi, e transcrevo, comentário do amigo Celso Couceiro sobre temas abordados na coluna, no blog, na TV e na Rádio Clube. “Mais uma vez te
parabenizo por emitir opiniões com o dom de acertar na ferida. Refiro-me à coluna de hoje do DIÁRIO, como também teus comentários e opiniões no Bola na Torre de ontem”. Sobre o questionamento do Alcir no Bola na Torre e na coluna, Couceiro opina que “uma das respostas seria o excesso de baboseiras ditas constantemente por parte da mídia em relação ao endeusamento de jogadores de nossos clubes ‘grandes’, principalmente”.
Observa que “hoje basta um jogador fazer 1 ou 2 gols em um treino e já é tido como craque. Se o feito for em um Re-Pa, aí, meu amigo, é que o caldo engrossa. São tantos elogios que o sujeito se acha o maior dos craques tornando-se mascarado, achando que vai para o Barcelona e por aí adiante. Creio que os nossos setoristas deveriam ter mais cuidado com os elogios excessivos”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 21)

13 comentários em “Parazão sob nova ameaça

  1. Plinio em relação a nova formula do campeonato, acredito que o calendario não possa se estender até o segundo turno, uma vez que os clubes que são indicados para participar do brasileiro serie C e D são pela colocação em que ficaram no seu campeonato regional, assim como pelo o que eu entendi não vai aumentar o numero de jogos e sim de participantes e será extinto o quadrangular final indo para a decisão apenas o 1º e o 2º colocado de cada turno e isto trás prejuizos financeiros aos posiveis quatros finalistas da competição, esta foi a minha visão de raciocinio se por acasso estiver errado mim corrijam

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  2. O campeonato será transformado aos poucos num intermunicipal que terá a dupla re x pa como meros participantes. Sei também que existem planos, mais a longo prazo, para um torneio com vinte clubes, divididos em dois grupos de dez equipes, tudo para fomentar a “integração” regional. Os clubes do interior, maioria, vão elaborar o regulamento, que, é óbvio, será feito para atender a seus interesses e o eixo do futebol se deslocará para o interior. Acredito que nunca mais veremos CR e PSC ganharem o campeonato.

    Quanto ao Potiguar, está na cara. Como tantos outros, volta apenas para receber o que lhe devem, numa ciranda que vem se repetindo há vários anos com diversos ex-ídolos. O pior é que os débitos não são saldados. Pelo contrário, aumentam, transformando-se em dívidas milionárias que enriquecem muita gente, talvez não só os jogadores. Potiguar virou um credor do clube, não mais um atleta.

    Sobre os endeusamento dos atletas, nada mais evidente. Hoje em dia os jogadores já saem da base consagrados, verdadeiros craques, apenas porque passaram pelo sub-20. Ninguém nem os conhece, mas eles são guindados a estrelas da noite para o dia e acabam sucumbindo à pressão, pois os mesmos que os elogiam acabam por queima-los depois sem a menor cerimônia…

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  3. Ouço a imprensa paulista afimar que o campeonato deles (paulistinha para alguns) tambem é deficitário e que só atrapalha os grandes clubes do estado. Ora, se o estado mais rico do país tem um campeonto deficitário, o que dizer dos demais estaduais?

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  4. O Fabio Oliveira é um veterano chamado por parte da imprensa de Fabigol (a força do JABÁ). Como o futebol é movido a paixão, manipula-se muitos. O Jaime e o Joaozinho precisam de espaço ao lado do Marciano. O “Fabigol!” ta mais pra empresario de jogador. Essas obscuridades na diretoria e na imprensa destroem o nosso futebol.

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  5. O que o Rosivan disse tem sentido sim, pois lá no PSC existe a mesma coisa, porque lá tem o Zé Augusto, que a muito tempo está no clube e, sempre o mesmo ocupa uma vaga, seja como titular ou na reserva, fazendo conque uma nova promessa fique no anonimato clube, mais neste ano, o mesmo não está tendo muitas chances possibilitando aparecimento de outros atletas, assim como foi o caso do Sandro e wanderson nos últimos anos, que tornaram-se titulares absolutos e insubstituiveis, ao ponto de encostar o bom volante Billy, que hoje e impressidivel ao time bicolor ao lado do próprio Wanderson no meio campo bicolor

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  6. Se é para mudar o regulamento com a inclusão de mais dois times, chegando a um total de dez, então que no próximo seletivo subam dois e não caia nenhum da atual fase. No ano que vem (2013) sim, descem quatro e sobem quatro. Já pensaram se no meio dos quatro que forem descer estiverem os três de Belém? Ai eu quero ver se a federação segura essa trolha!

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  7. Alguem já disse acertamente que a unanimidade é burra. Enquanto tivermos Nunes;Romano e etc… à frente da FPF nada mudará – para melhor, é claro – haja visto, principalmente, que a Federação não procura ante a CBF, formas para ajudar a melhorar, em todos os sentidos, o combalido futebol paraense. Em 22.02.12, Marabá-PA.

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  8. Esse Paulo Romano só vai sair da federação paraense quando ele estiver rico(se já não está)Por favor,alguém tem que dar um pare nesse senhor,pois desde que entrou no futebol profissinal do Pará nós nunca mais conquistamos nada de importante no cenário esportivo brasileiro,e nossos clubes vivem agonizando em crises financeiras devido o número elevado de clubes sem torcida e bancados por merrecas de dinheiro de determinadas prefeituras,inclusive Remo e Paissandu recorrem a esse dinheiro(dinheiro esse que devería ser empregado em desenvolvimento pra esses próprios municipios)e que mais tarde deixam de dar esse apoio,pois em muitos casos são ajudas de cunho eleitoreiro.
    Nosso campeonato precisa ser dirigido por pessoas de muita visão,competência e profissinalismo,pois tem muita gente ganhando uma fortuna aqui no futebol do Pará e não o leva a sério como ele merece, as torcidas dos dois maiores clubes do Pará precisam se mover em campanhas(pacificas)para que os maus dirigentes sejam banidos do nosso futebol,para que ele resurja e volte a ser aquele que um dia já nos deu as maiores alegrias.

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  9. Amigo Edson,
    Não conheço particularmente o P. Romano,mas você lembra do Tourinho?Pois é ele também tinha dinheiro,mas mesmo assim veja o estrago que ele fez no Paissandu,deixando o clube bicolor numa situação financeira dificil que até agora não consegue se reeguer,e o mesmo ja aconteceu com o Remo na gestão de outros dirigentes que ainda deixaram esses que ai estão.

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  10. Acho que ficaria bem um campeonato enxuto, com uma formula simples, a exemplo do mineiro: 12 clubes jogando entre si em turno único, classificando 4 equipes para as semifinais que seriam no sistema de ida e volta, depois as finais em dois jogos.

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