Magrão chega para reforçar o Paissandu

O atacante Adriano Magrão, novo reforço do Paissandu, já está em Belém. Ele desembarcou em Val-de-Cans no começo da noite e foi apresentado informalmente na Curuzu durante o amistoso entre Paissandu e Trem-AP (vencido pelos bicolores por 3 a 0). A apresentação oficial deve ocorrer neste sábado no final da manhã, depois de passar por exames médicos e assinar contrato com o clube. (Fotos: Ascom/Paissandu)

A frase do dia

“O que eu faço não é violento porque tem regra. Pode ser agressivo. Mas é agressivo você pilotar um carro a 300 quilômetros por hora ou andar em cima de uma bicicleta a 100. (…) Naquele momento sou um artista, um músico, o pintor de um quadro. Minha arte é o nocaute”.

Do lutador Vítor Belfort, ex-campeão de MMA, aplicando um golpe mortal na lógica e na sensatez.

Adriano Magrão confirma acerto com o Paissandu

Em entrevista ao programa Linha de Passe, na Rádio Clube, no começo da tarde desta sexta-feira, o atacante Adriano Magrão revelou que fechou acordo para defender o Paissandu. Ele se desligou do Bonsucesso, clube que vinha defendendo desde o ano passado, e está esperando apenas que o Paissandu envie a passagem para que possa viajar para Belém.

Remo continua procurando reforço para a zaga

O Remo não terá mais o zagueiro Ávalos como reforço para a zaga no returno do Parazão. O jogador, que estava conversando com os dirigentes desde antes do carnaval, preferiu permanecer no São José, que disputa a Segundinha Paulista. O clube segue buscando um jogador experiente para o setor defensivo, além de um meia-armador.

Vítima das indecisões

Por Gerson Nogueira

O Paissandu desperdiça um tempo precioso sem definir o elenco definitivo para o restante do Parazão e a campanha na Série C. Na prática, no melhor estilo carnavalesco de levar a vida, tudo vai sendo empurrado para mais tarde, quando fizer bom tempo. Os 20 dias de pausa no campeonato estadual, que deveriam ter servido para fechar o grupo e executar as mudanças necessárias, foram desperdiçados.
A mais grave das indefinições envolve o comando técnico. O técnico Nad, apesar de todas as previsões em contrário, permanece no cargo. Nessa condição, é o responsável final pelas contratações e providências para a competição mais importante da temporada.
Não haveria problema se Nad fosse o técnico confirmado para a Série C, projeto considerado prioritário pelo clube em 2012. O problema é que, quando a competição começar, somente dez dias depois do término do Parazão, o Paissandu precisará ter um time pronto para lutar pelo acesso à Segunda Divisão.
Pois esse time, pelo menos conforme as condições atuais, terá suas bases montadas por Nad, que os próprios dirigentes não querem como comandante no torneio nacional. Nas internas, há quase unanimidade quanto à necessidade de trazer um treinador mais experiente para a campanha na Série C.
Acontece que um novo técnico não terá como indicar reforços, pois dificilmente o mercado oferecerá bons jogadores disponíveis (e a preços módicos) nesse período. Fala-se em Vagner Benazzi como o técnico já apalavrado com o clube, embora ninguém confirme. Que ninguém se iluda. Nem mesmo um milagreiro ou especialista em acessos, como Benazzi, logrará êxito se não tiver em mãos um elenco competitivo e isso o Paissandu está longe de ter no momento. A experiência das cinco edições anteriores da Série C está aí mesmo para desaconselhar planejamentos de pé quebrado.
Em 2011, com um sistema de disputa bem menos seletivo do que o deste ano, o clube sofreu com as turbulências internas, utilizando três técnicos (Roberto Fernandes, Edson Gaúcho e Andrade) em pouco mais de dois meses de competição. No final, insucesso em campo e nova frustração para o torcedor.
O script de 2012 vem sendo escrito e repete perigosamente alguns erros do passado recente. A boa idéia de não priorizar o certame estadual, disputado com um time recheado de jovens promessas, acaba perdendo o sentido quando o clube não aproveita o torneio para estruturar o time para a competição principal.
Às indefinições já expostas vem se juntar a incerteza quanto ao anunciado parceiro. A empresa de Roberto Carlos, que chegou a desmentir qualquer acordo, volta a ser citada. Pelos próprios exemplos de experiências tentadas em outros clubes, os objetivos dessa parceria precisam ser desde já bem esclarecidos, antes que surjam motivos para lamentar. E, segundo quem participa da gestão do clube, o papel da RC-3 será muito mais importante do que se imagina no futuro próximo do Paissandu.

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Aquela história de que pênalti devia ser batido pelo presidente do clube nunca me convenceu, principalmente porque nossos cartolas não levam o menor jeito com a redonda. Mas o que o Botafogo conseguiu (não) fazer ontem na série de penalidades com o Fluminense é algo digno de reflexão, pelo menos entre botafoguenses como eu. Convenhamos que o estilo absolutamente relaxado, quase irresponsável, de Loco Abreu já se mostra desgastado. Aliás, justifica o apelido do artilheiro. Quando não usa a levantadinha, celebrizada naquela decisão de 2010 contra o Flamengo, Abreu bate o pênalti como se fosse funcionário público dos mais relapsos.
A vitória nos penais, menos gloriosa do que outras, desta vez premiou o mérito. O Flu, que tem craques de aparição sazonal (como Fred, Tiago Neves e Deco), jogou sempre no ataque. Cambaleou um pouco com o gol de Elkson, mas logo se recompôs e partiu para buscar o empate, que levou à disputa nos penais.
Um clássico de grande movimentação, porém muito mais contido e conservador do que o Vasco x Flamengo da véspera. Pela vitória de virada e o futebol mais regular, aposto no Almirante.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 24)

Ganso sem plumas

Por Luiz Guilherme Piva

Alguém já deve ter dito que o Ganso joga como um craque da época de ouro do futebol brasileiro.

Mas também no estilo e no jeitão ele parece estar no início dos anos sessenta.

Como se jogasse em preto-e-branco.

Um funcionário em fraldas de camisa e calça de tergal.

Ou foca do Correio da Manhã cobrindo comício.

Bom moço da periferia ou estudante existencialista.

Passeio de Ban-Lon no Vemaguete. Sofá pé palito. Mistura Fina.

E na estética, também.

Dos seus pés emanam linhas do Niemeyer.

Seu ritmo está entre o samba-canção e a bossa-nova.

O andar dos galãs da Atlântida e o olhar sem causa de James Dean.

Mas o mais importante é a arte, que lembra João Cabral de Melo Neto.

Densa como um canavial.

De arregalar os olhos, como um pesadelo dentro do homem.

O passe exato, de pedra.

O afago na bola como quem leva a vela acesa.

O lançamento descaindo como pálpebra de onda.

A elegância andaluza.

O lance luminoso como uma casa aberta ao sol.

Mas, nisso tudo, hoje, no noturno futebol brasileiro, ele é único.

E o Ganso, sozinho, não tece a manhã.