Eterna folia rubro-negra

De Lauro Jardim

“Um episódio ocorrido na semana passada é o retrato da bagunça que é o Flamengo hoje. Alguns jogadores foram para um show no Monte Líbano. Por volta das 3h da madrugada, Ronaldinho Gaúcho, cercado de belas mulheres, autorizou a retirada da grade que separava o seu camarote do espaço ao lado, onde estavam outros jogadores. Inexplicavelmente, um segurança do atacante Diego Maurício não gostou e aí começou a confusão. Irritado, Ronaldinho resolveu expulsar da festa o jogador, o seu guarda-costas e outra revelação rubro-negra, Thomaz, que tentou apartar a briga. Além de fazer o que quer na Gávea, Ronaldinho Gaúcho resolveu mandar nos companheiros também longe dos gramados.” 

Cimento chega para reerguer Paredão

Depois de trabalhar durante todo o primeiro turno no Cametá, o preparador de goleiros Edson Cimento está de volta ao Remo. Ele foi reapresentado nesta segunda-feira. Vai treinar Adriano, Jamilton e Diego Amaral. Adriano, principalmente, mostrou entusiasmo com a chegada de Cimento, com quem já trabalhou no próprio Remo. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Papão confirma Magrão, Potiguar e Reginaldo

O atacante Adriano Magrão, ex-Bonsucesso e Sport, é a mais nova aquisição do Paissandu para a campanha do returno do Parazão e Brasileiro da Série C. Outros reforços confirmados nesta segunda-feira são o meia-atacante Tiago Potiguar e o meia Reginaldo Junior, cedido por empréstimo pelo Fortaleza. Os jogadores têm chegada confirmada para quinta-feira à noite e devem ser apresentados à torcida antes do amistoso contra o Trem (AP), sexta-feira, na Curuzu.

Remo apresenta novo volante

O volante André, 29 anos, foi apresentado na manhã desta segunda-feira como novo reforço do Remo para o campeonato. O jogador veio indicado pelo técnico Flávio Lopes e está sem jogar há mais de cinco meses. Segundo o técnico, André vinha treinando e por isso poderá até estrear contra o Águia na abertura do returno, na próxima semana. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Tribuna do torcedor

Por Alfredo Garcia (alfredogarcia61@gmail.com)

Oportuno e valendo por um editorial o texto que abre a sua coluna desta segunda-feira de carnaval, intitulado “Um freio no besteirol” no nosso Diário do Pará. É oportuna porque, partindo de um jornalista que tem a sua credibilidade, abre os olhos da moçada mais tenra que começa a militar nas redações e, ainda mais, daqueles que chegam ou já estão nas faculdades de Comunicação Social e que consideram este tipo de exercício de jornalismo, o “quiá” quanto à informação. E, nós que carregamos nas costas mais de duas décadas de vivência em redações sabemos, não é bem assim. Credibilidade é o que mais perde o Jornalismo com essas “gracinhas” – e isso não se restringe à editoria de esportes, mas, como um câncer, tem metástases em Variedades e Polícia. Mas, fiquemos na área esportiva, cuja cobertura é 99% do futebol. Se, digamos, daqui a um tempo, preponderar esse Império do Besteirol que vem abrindo alas no Jornalismo Esportivo, que juízo mediano poderemos ter quanto a mediar se Fulano ou Sicrano sejam craques ou pernas-de-pau nota 5 (brilhante a entrevista do Alcyr Guimarães)?
Na era das dancinhas idiotas avec musiquinhas debiloides na hora do gol, e das “gracinhas” pseudo jornalísticas, digo sem medo de errar, que quem perde é o consumidor do bom jornalismo, que anda fazendo falta no mercado.

(*) Alfredo Garcia é professor, escritor e jornalista.

Um freio no besteirol

Por Gerson Nogueira

A categórica resposta do atacante Hernán Barcos a um repórter metido a gaiato pode estabelecer novas regras de convivência entre atletas e imprensa esportiva no Brasil. Faz algum tempo que, influenciados pela estratégia da TV Globo de transformar fatos em futricas e jornalismo em comédia, uma geração inteira de jornalistas brasileiros passou a tratar informações jornalísticas na área esportiva como algo superficial.
Como se o futebol (e qualquer outro esporte) não fosse coisa séria para muita gente. No fundo, a questão é de enfoque e oportunidade. Não se pretende que toda notícia deva ter abordagem carrancuda. Existem assuntos que, visivelmente, pedem um tratamento mais leve e brincalhão. O problema está no excesso e na generalização.
A brincadeira, por exemplo, com o boneco “João Sorrisão” virou uma praga nos campos de futebol. A cada gol, jogadores correm logo para as câmeras a fim de reproduzir a dança idiota. Às vezes, esquecem de comemorar com a própria torcida. Essa mesma tendência gerou inspiração para outras coreografias ridículas, como a do “bonde sem freio” e do “trem descarrilado”, centradas no abominável funk carioca.
O futebol, de fato, tem costas largas. Serve de escada para todo tipo de oportunista. Quase todo mundo, de empresários a artistas, se aproveitam de sua indiscutível força popular. Chato é observar que o jornalismo, cuja missão básica é informar, se rende a macaquices do gênero, sujeitando-se a esculachar com sua própria razão de existir em troca de alguns minutinhos de audiência.
Vai daí que os programas esportivos na TV resumem-se hoje a um desfile interminável de presepadas sem graça, em sua imensa maioria. Atletas riem de qualquer pergunta tosca e, com isso, estimulam os repórteres a exagerar na dose. Por vezes, é visível o constrangimento dos entrevistados, que se submetem porque sabem do risco de ir para a lista negra.
Pior do que o despreparo do repórter que abordou Barcos foi o posicionamento de seu chefe imediato, Tiago Leifert, um dos papas da nova onda, que defendeu a estratégia de tentar arrancar piada a fórceps. Aliás, diga-se, uma tendência exclusivamente brazuca. Pela resposta firme, Barcos demonstra ter uma consciência profissional acima da média. Não é mais um alienado em busca de exposição na mídia. Houve quem considerasse grosseira a sua reação. Não foi. Reagiu como um cidadão zeloso pela sua imagem.
Mais politizados que seus colegas brasileiros, os boleiros argentinos são acostumados a fazer valer seus direitos e já realizaram inúmeras greves para protestar contra abusos de dirigentes. O uruguaio Loco Abreu, do Botafogo, também já andou desconcertando repórteres desavisados. Além da longa vivência no futebol, Abreu é jornalista profissional e sabe muito bem distinguir fato de embuste.
E que ninguém pense que os maus hábitos que rondam a cobertura esportiva na TV são exclusividade da Globo. Como sempre ocorre, os vícios são copiados (às vezes, para pior) por quase todos os programas das demais redes nacionais. Já era tempo de alguém dizer que o besteirol não agrada a todos e que nem todo jogador é “boludo” (babaca).

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O jogo-treino de sábado, contra o Comercial, apesar do placar de 3 a 0, deve ter deixado o técnico Flávio Lopes assustado. O time do Remo precisa de reparos urgentes e o campeonato já recomeça na próxima semana. De positivo, apenas o inesperado aproveitamento de Jônathas no meio-campo. Sinomar passou seis meses no comando e nunca botou o garoto para jogar.

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Do músico Alcyr Guimarães, ontem, no Bola na Torre: “Tem jogador que tira nota 10 num jogo, enche a gente de esperança e tira 5 na partida seguinte. Como é instável, ficamos sem saber se é um cara normal que, de vez em quando, tira um 10 ou se é um craque que às vezes tira 5”. Além de cantor, compositor, biomédico e professor, Alcyr jogou bola como profissional e, portanto, sabe o que diz.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 20)