Paulinho da Viola, majestade do samba

Compositor de um dos maiores sambas da história (“Foi um Rio que Passou em Minha Vida”), o portelense Paulinho da Viola é uma unanimidade nacional. Nele, a simplicidade dos gestos une-se ao porte nobre. Ao lado de Marisa Monte no carro abre-alas da Portela, que desfilou na noite deste domingo na Marquês de Sapucaí, Paulinho abriu oficialmente o carnaval. (Foto: G1)

A pulverização do esporte na TV

Telespectador vidrado em esportes, prepare-se para exercitar seus dedos e faça estoque de pilhas para o controle remoto de sua televisão. A entrada da Fox Sports no mercado brasileiro e a consequente transmissão para poucos dos primeiros jogos da Libertadores escancararam a pulverização dos eventos esportivos entre várias redes de TV aberta e fechada. Na prática, isso significa que não dá para se manter fiel e assistir a tudo em um só canal. Para acompanhar diferentes competições e vários esportes, é preciso “zapear”.

A Record transmitiu com exclusividade para o Brasil o Pan de Guadalajara, no ano passado, e será o único canal na TV aberta a passar a Olimpíada de Londres, que será entre julho e agosto. O Sportv transmite da TV fechada. Só que a Record não tem os direitos da Copa de 2014. As partidas do Mundial brasileiro serão veiculadas nas telas da Globo e da Band. Enquanto isso, o telespectador fã de futebol internacional e que não quer (ou não pode) ter TV por assinatura, precisa sintonizar a Rede TV! ou o Esporte Interativo (no UHF) para ter acesso a mais do que jogos eventuais.

Nas redes fechadas, o mesmo acontece. Apenas o Sportv transmite o Brasileiro. A Copa dos Campeões, campeonato interclubes mais rico do mundo, é da ESPN. E a Libertadores, sonho de consumo para todo torcedor brasileiro, é exclusiva da Fox Sports, canal que não consta na grade das duas maiores operadoras do país, Net e Sky –hoje, está disponível para os assinantes de CTBC, Nossa TV, Telefônica TV Digital, TVA, Oi TV, RCA e NEO TV.

“Competição é sempre saudável. A divisão vai ser maior. Os eventos grandes vão ficar cada vez mais disputados, e os médios, ganhar espaço”, afirmou o diretor de aquisições da ESPN, Carlos Maluf. Uma década atrás, havia apenas quatro canais com programação exclusiva de esporte no país. Hoje, são 12, além dos que funcionam apenas no pay-per-view, como o Premiere FC e o Combate.

Já na TV aberta, a Record despejou dinheiro para tirar eventos tradicionalmente da Globo. Adquiriu os Jogos Pan- -Americanos e Olímpicos. E fez o mercado se inflacionar. Os Jogos Olímpicos custaram à emissora US$ 60 milhões (R$ 102 milhões, na cotação atual), mais de duas vezes o valor pago pela Globo pela edição anterior, de 2008. A TV carioca ficou com o Brasileiro, mas teve de praticamente dobrar as cotas dos clubes e elevou os ganhos de Flamengo e Corinthians para a casa dos R$ 100 milhões. “Para uma emissora alcançar resultados satisfatórios ela precisa de um tripé forte: jornalismo, entretenimento e esporte”, disse o vice-presidente de jornalismo da Record, Douglas Tavolaro. (Da Folha de SP)

A lição de Barcos

Por Mauricio Stycer

A esta altura, todo mundo já sabe que o atacante argentino Hernán Barcos chamou um repórter da Globo de “boludo” (babaca) diante de outros repórteres após ser confrontado com fotos de Zé Ramalho e bombardeado com perguntas sobre suas semelhanças com o cantor. Editor-chefe e apresentador do “Globo Esporte”, Tiago Leifert resumiu assim o episódio no programa desta sexta-feira: “Lição aprendida: o Barcos não gosta de apelidos. Não chame o Barcos de Zé Ramalho no trânsito que vai dar problema sério”.

Um pouco mais cedo, durante o “SPTV”, ele disse: “Foi um grande auê, mas não aconteceu absolutamente nada”. E, na véspera, no Twitter, escreveu: “Eu não levo nem nunca vou levar esporte a sério. Quem leva (tipo alguns babacas na minha TL) não entende o que é esporte.” As três observações são chocantes. Não creio que Leifert realmente pense assim. Significaria dizer que ele não entendeu nada – nem a lição, nem o que ocorreu e, muito menos, o que significa o esporte hoje.

Barcos é um jogador de futebol profissional, cujos direitos econômicos (70% deles) foram adquiridos pelo Palmeiras por cerca de R$ 7 milhões. Dar entrevista depois de treino ou jogo faz parte do trabalho dele. Sua reação a uma situação de constrangimento público merece elogios, na minha opinião. Como se fosse um pai tentando educar o filho, Barcos procurou dizer que nem tudo é motivo para brincadeira, que certas coisas não são ditas em público, que não se deve brincar com quem não se conhece etc.

Leifert tem todo o direito de transformar o programa jornalístico que apresenta num show de humor e diversão, mas não fica bem tentar convencer todo mundo de que esta é a única forma de enxergar o esporte e o jornalismo. Esporte é sinônimo de paixão, mas também de negócio bilionário. Nem todo jogador acha legal comemorar gol imitando João Sorrisão. Nem todo torcedor é bobo. E isso não tem nada a ver com bom ou mau humor, com gostar ou não de piadas.

As últimas da CBF

Por Juca Kfouri

Sandro Rosell (foto) depositou R$ 3.800.000 na conta de Antônia Wigand Teixeira, numa agência do Bradesco, a de número 6592-7, na avenida América, Barra da Tijuca, no dia 22 de junho do ano passado. Rosell é sócio da Ailanto, a empresa que recebeu R$ 9 milhões do governo de Brasília, sem licitação, pelo amistoso da Seleção Brasileira contra Portugal, em 2008, evento que está sob investigação do Ministério Público e mais que suspeito de superfaturamento.

A Ailanto foi também dona da VSV Agropecuária, que tinha sede na fazenda de Teixeira em Piraí, interior do Rio, e cuja sócia, a secretária de Rossel, Vanessa Precht, emitiu cheques em nome do cartola da CBF segundo apurou a Polícia Civil em Brasília. Rosell (Alexandre Rosell i Feliu, CPF- 05X.8Y9.W47-62) é atual presidente do Barcelona e ex-homem forte no Brasil da Nike, fornecedora da CBF. Uma das razões para anunciada saída de Teixeira da CBF e ida para Miami é exatamente a filha Antônia (CPF- 16X.5Y4.W17-11) que, aos 11 anos, tem ouvido comentários desagradáveis sobre o pai na escola, no Rio

A CBF anunciou que Ricardo Teixeira retornará após o Carnaval às suas funções na CBF. Até quando, nem ele sabe, embora seja certo que não ficará por muito tempo. A CBF, assim como Sandro Rosell, não negou o depósito de R$ 3 milhões e oitocentos na conta da filha de Teixeira, cujo nome e foto são encontráveis em quaisquer sítios de procura na internet.

A CBF diz que acionará o jornalista João Carlos do Amaral Kfouri seja lá ele quem for,  por expor a menor, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente. O jornalista José Carlos Amaral Kfouri, também conhecido como Juca Kfouri, informa ao blog que quem expôs a menor foi quem permitiu tamanho depósito em sua conta, assim como quem posa com ela em fotos para revistas de futilidades.

E que espera um ótimo debate na Justiça brasileira, certamente até a última instância no STF, sobre quem cometeu algum crime. Além de garantir que, então, Teixeira não será mais nada no futebol. Informa, ainda, que segundo fontes de Brasília, Teixeira pagará caro pela teimosia ao aceitar conselhos de oportunistas que ainda vêem nele uma máquina parideira, principalmente agora, que está totalmente fragilizado.

(Há pouco eles tentaram corrigir o nome. Conseguiram só em parte. São ruins de serviço mesmo. Parecem até nossos cobradores de pênaltis na Copa América passada).

Mas, cá entre nós, o cartolão fez bem em se mandar para Boca Raton (que nome!…). Livrou-se de ver nas bancas as revistas semanais brasileiras, de a a z, ou melhor, de c a v, cada uma ao seu modo detonando o espectro de RT.

A folia dos jovens craques

Pagode, sertanejo e axé são ritmos que fazem a cabeça dos boleiros. Os jovens Neymar e Lucas confirmam isso neste Carnaval, desfrutando das mordomias e rapapés da folia em Salvador – tudo patrocinado, é claro, pelo guaraná Antarctica. Na sexta-feira, 18, a dupla foi conferir a apresentação do Exaltasamba, do cantor Thiaguinho, subindo inclusive no trio elétrico do grupo. Assediados pelos fãs, os jogadores esbanjaram bom humor, como cabe a garotos-propaganda. Dispensados por seus clubes, Lucas e Neymar ficaram até de manhã no circuito Barra-Ondina cantando com o Exaltasamba. Neste domingo, a agenda de ambos prevê participação no bloco de Claudia Leite, do começo da noite até o sol raiar. 

E assim caminha a humanidade…

Técnico observa elenco do Remo e sai preocupado

Em jogo-treino realizado na manhã deste sábado, no Baenão, o Remo venceu o Comercial de Ananindeua por 3 a 0. A movimentação serviu para que o técnico Flávio Lopes observasse o elenco. O primeiro gol surgiu aos 9 minutos em pênalti (sofrido por Panda) convertido pelo atacante Fábio Oliveira. Apesar da fragilidade técnica do adversário, o Remo teve atuação ruim no primeiro tempo, provocando algumas vaias do pequeno público presente. Ao final do primeiro tempo, o próprio treinador fez uma análise realista do que viu: “Vai ter que melhorar, e muito”, afirmou em entrevista à Rádio Clube, aparentando preocupação.

Na etapa final, Betinho substituiu Adenísio e Cassiano a Rodrigo Aires. A equipe ficou mais rápido e criou algumas boas chances para ampliar. Aos 16 minutos, veio o segundo gol em cobrança de escanteio. Betinho levantou na área e Diego Barros marcou, de cabeça. Novas alterações foram feitas nos minutos finais e, aos 34 minutos, o Remo chegou ao terceiro gol. Em novo escanteio, Betinho cobrou e Diego Barros cabeceou para as redes, praticamente num repeteco do segundo gol.

Escalação do Remo: Adriano (Jamilton); Balu (Tiago Cametá), Diego Barros, Juan Sosa (Igor João) e Panda; Alan Peterson, Adenísio (Betinho), Jhonatas e Rodrigo Ayres (Cassiano); Fábio Oliveira e Marciano (Reis).

Entre a cruz e a espada

Por Gerson Nogueira

Mais pela incompetência administrativa dos grandes da capital do que propriamente por suas virtudes, os times emergentes do interior ensaiam estabelecer uma hegemonia no futebol paraense. Do jeito que a coisa vai, não está muito difícil de acontecer. Na verdade, essa tendência pró-interior já se desenhava desde o começo da década passada, quando Izabelense, Castanhal e Ananindeua passaram raspando na conquista do título estadual, deixando escapar por detalhes e alguma inocência.
Eram tempos de dificuldades homéricas nos confrontos com a dupla Re-Pa, historicamente sempre preservada pelas arbitragens. Izabelense, Castanhal e Ananindeua têm o mérito de ter desafiado pela primeira vez o poder estabelecido. Até então, o campeonato apresentava sempre um rosário de goleadas humilhantes aplicadas pelos grandes contra sparrings do porte de Sporting, Liberato de Castro, Avante, Júlio César e Sport Belém.
Os três times da estrada mudaram essa realidade, impondo dificuldades crescentes aos titãs de Belém. A façanha é ainda mais expressiva se levadas em conta os imensos obstáculos que tiveram pela frente. Tanto esforço custou caro ao Izabelense, que terminou desaparecendo das competições oficiais. Castanhal e Ananindeua continuaram ativos, mas também acusaram o golpe e só agora ensaiam uma recuperação. Nos últimos cinco anos, na trilha do trio pioneiro, surgiram novos e mais estruturados representantes. Águia, São Raimundo, Independente e Cametá entraram em cena e forçaram Remo e Paissandu a mudarem seus conceitos sobre equipes interioranas. Se antes eram meros sacos de pancada, passaram a equilibrar os jogos dentro e fora de casa.
O Águia não conquistou o campeonato, mas posicionou-se regularmente entre os primeiros colocados, assegurando presença na Série C e na Copa do Brasil. O São Raimundo também bateu na trave em 2010, mas partiu dali para vencer o Campeonato Brasileiro da Série D.
De comportamento caótico no começo, o Cametá se organizou e emergiu no ano passado para disputar as finais de turnos do Parazão. Quase se deu
bem. Correndo por fora, aparentemente sem maiores pretensões e com um time repleto de enjeitados pelos demais clubes, o Independente cravou
a façanha inédita de levar o troféu estadual para o interior. Aproveitou-se de um torneio nivelado por baixo, particularmente pobre no aspecto técnico.
Nada muito diferente do que se vê nesta temporada, o que abre a perspectiva de um bicampeonato para os emergentes. Dificilmente, no entanto, o Independente terá essa honra. O time despencou verticalmente e tem a pior campanha da competição. Este, aliás, é um dos riscos a que estão submetidos os interioranos, reféns de padrinhos políticos. Basta o dinheiro rarear nos cofres públicos para a situação se refletir em campo.
Sem tradição, não há torcida e a receita é precária. Sim, há a verba garantida pelos convênios com Funtelpa e Banpará, mas as agremiações precisarão de coragem e gestão moderna para dar o passo definitivo rumo à grandeza e deixar a condição de times para se estabelecerem como clubes de verdade.

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Bem ao seu estilo, Ricardo Teixeira faz mistério e deleita-se disseminando boatos através da imprensa sem compromisso. O último factóide, plantado em colunas do Rio, indica que ele permanecerá no comando da CBF e pretende iniciar uma caça às bruxas. Estaria com sede de vingança e a fim de justiçar seus inimigos, espalham seus pressurosos assessores não-oficiais em comentários nas redes sociais.
Pode até ser que o sumo sacerdote do nosso futebol ainda conserve fôlego para sustentar alguns embates e enfrentar a portentosa bateria de denúncias contra sua gestão. À medida, porém, que a Copa do Mundo se aproxima, suas fraquezas ficam mais expostas, ainda mais tendo o ex-aliado e amigo do peito Joseph Blatter a fustigá-lo.
O certo é que algo saiu dos trilhos entre a última eleição da Fifa e a celébre entrevista à revista Piauí. Foi ali, em poucas linhas, que se revelou a traição de Teixeira a Blatter. O chefão devia saber que, em certas famílias, o pecado da falsidade é punido de forma impiedosa.

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Um craque da música abrilhanta neste domingo o Bola na Torre (RBATV, às 20h15): o cantor e compositor Alcyr Guimarães, que jogou bola e conhece todos os atalhos que levam à boa música. Apresentação de Guilherme Guerreiro.

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Direto do blog

“O Potiguar se voltar a jogar o que jogava, com esses moleques habilidosos, se encaixa direitinho. O problema é o extra-campo. Lá em Currais Novos ele era liso e feio e as meninas não lhe davam bola. Agora, que tem um carrão, está bonito e ‘rico’. Aí, mano, haja gandaia…”.

De Otávio Santos, apontando vantagem no especulado retorno de Tiago Potiguar ao Paissandu.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 19)