Sinomar põe Fábio Oliveira no time titular

Time titular do Remo no coletivo desta sexta-feira no Baenão: Adriano; Balu, Diego Barros, Igor João e Panda; Felipe Baiano, Adenísio, Betinho e Cassiano; Fábio Oliveira e Marciano. Sinomar Naves dá a entender que vai manter os jogadores que indicou ao clube até como maneira de provar que não aceita interferência dos dirigentes. Tiago Cametá, que jogou bem contra a Tuna, está fora da lista de jogadores relaionados para o jogo contra o São Francisco, assim como Jaime e Reis. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Os bastidores da queda de Luxa no Flamengo

Por Pedro Ivo Almeida (UOL)

O capítulo final se deu apenas na última quinta-feira, mas a novela pela saída do técnico Vanderlei Luxemburgo foi longa. Com um mês de duração, o técnico travou uma intensa luta nos bastidores do Flamengo para conseguir se manter no cargo após as inúmeras polêmicas desde o início de 2012. Além da “guerra fria” com o vice de finanças do clube, Michel Levy, o treinador teve que aturar um verdadeiro processo de fritura dentro do elenco capitaneado pelo craque Ronaldinho Gaúcho, que já não aguentava mais ter que aturar Luxa. Por fim, após ver a guerra perdida, o treinador ainda desabafou ao deixar o clube e participou de uma autêntica troca de xingamentos. O ex-treinador não poupou termos de baixo calão na hora de demonstrar sua irritação com o diretor de futebol Luís Augusto Veloso e também teve que escutar algumas palavras indesejáveis de conselheiros e sócios do clube. Abaixo, os principais capítulos do calvário de Luxa na Gávea do início da temporada até a última quinta-feira:

CASO ALEX SILVA – Logo no primeiro dia de trabalho do Flamengo em 2012 (03/01), Vanderlei Luxemburgo teve uma prévia de que a temporada não seria das mais fáceis. Sem receber os direitos de imagem que o clube lhe devia, o zagueiro Alex Silva não se reapresentou e irritou Luxa já no início da temporada. O jogador alegou problemas pessoais, mas Luxa não perdoou. “Já começou mal a temporada. Vai ter que se explicar, contar uma história muito boa. Alguma punição ele vai sofrer, disse.

INSÔNIA DE RONALDINHO – Após um mês de férias e muitas baladas no Rio de Janeiro, Ronaldinho Gaúcho sofreu com insônia nos primeiros dias de trabalho do Flamengo em 2012. Com o horário “trocado”, o jogador não aguentava participar das atividades da manhã no CT Ninho do Urubu e dormia no vestiário enquanto os companheiros corriam no campo. O episódio irritou Luxemburgo e iniciou a guerra entre o camisa 10 e o técnico. Em Londrina, durante a pré-temporada, a comissão técnica teve que apelar para um sonífero para que R10 dormisse normalmente.

PUXÃO DE ORELHA – Após seguidas demonstrações de insatisfação dos jogadores pelos vencimentos (direitos de imagem e premiações) atrasados, o vice de finanças do clube, Michel Levy, entrou no “circuito” e disse que os jogadores não tinham que ficar reclamando. Os atletas resolvem, então, se calar como forma de protesto. Luxa aproveita o momento para sair em defesa do grupo e atacar Levy, seu grande desafeto dentro da diretoria, e inicia a guerra com a cúpula rubro-negra. Irritada com a “troca de farpas” pela imprensa, a presidente Patrícia Amorim se pronuncia pela primeira vez e diz que estava na hora de cada um fazer apenas a sua função e cuidar do seu departamento. Em um primeiro momento, Luxa e Levy ficam esvaziados pela briga sob holofotes.

NOITADA EM HOTEL – Após o episódio da noite em que Ronaldinho fugiu de seu andar e dormiu com uma mulher no hotel do Flamengo, o clube enviou o vice jurídico, Rafael De Piro, e o diretor de futebol, Luiz Veloso, à Londrina para resolver a punição a ser dada ao craque pelo descumprimento do regime de concentração. Luxemburgo tentou até o fim que o meia fosse imediatamente desligado do elenco e voltasse ao Rio. A cúpula do futebol decidiu apenas multar o atleta. O treinador se irritou, sentiu-se esvaziado pela diretoria e declarou guerra contra os dirigentes e Ronaldinho.

ATRASO DE SALÁRIOS – Visivelmente incomodado com os salários atrasados Ronaldinho, através de seu irmão e empresário, Assis, ameaça não embarcar com o Flamengo para a Bolívia, onde o time disputaria a partida de ida da pré-Libertadores contra o Potosí. O esforço da diretoria para pagar Ronaldinho e o manter no grupo irrita Luxemburgo. O técnico não queria ver o camisa 10 no grupo que viajou para a Bolívia. Mais uma vez, os dirigentes ignoram suas vontades, esvaziam o treinador e mostram apoio irrestrito ao craque Gaúcho.

ATROPELADO – Em mais uma batalha da “guerra fria” com a diretoria, Luxemburgo viu o vice de finanças do clube, Michel Levy, contratar um zagueiro sem seu aval. O treinador foi contra a negociação com Marcos González (foto), mas viu Levy “bater no peito” e trazer o jogador mesmo contrariando suas vontades. O episódio acirrou a queda de braço entre os dois e Luxemburgo passou a ver que estava perdendo as forças.

MULTA MILIONÁRIA – Esvaziado pela diretoria e fritado pelos jogadores, Luxemburgo sentiu que o fim estava próximo e resolveu mudar a estratégia. Agarrado a multa rescisória de R$ 4 milhões de reais, o treinador tentou fazer o papel de “santinho” na guerra. Exaltando a classificação na Libertadores e com um tom bem mais ameno no discurso, o treinador tentava ao máximo não dar motivos para que fosse embora. Em caso de saída, Luxa optaria por ser demitido, fazendo com que o clube pagasse a bolada pela rescisão unilateral do contrato.

IRRITAÇÃO NA SAÍDA – A descontração de Luxemburgo na chegada à Gávea para a reunião derradeira com Patrícia Amorim deu lugar a um certo descontrole após a confirmação de sua demissão. “Não acredito que perdi para esses vi…”, desabafou Luxa, enquanto deixava o clube, numa clara referência à guerra travada com Michel Levy (foto) e Luís Augusto Veloso. Por fim, como em uma despedida melancólica, o treinador teve que escutar provocações de conselheiros e sócios. “Já vai tarde”, “Saiu o empresário, vamos ganhar um técnico”, “Tchau, incompetente”, bradavam alguns enquanto Luxa arrancava com seu luxuoso carro.

Brinde para palpiteiro

O baluarte Otávio Santos foi o grande ganhador do concurso sobre palpites para o jogo entre Independente Tucuruí x Paissandu, realizado na última quarta-feira. Otávio cravou 2 a 1 antes dos demais comentaristas (inclusive este escriba baionense) que acertaram o placar da contenda. Ele deve informar ao Edmundo Neves (edmundoneves@gmail.com), via e-mail, um telefone de contato para a entrega do brinde a que fez jus.

Por que Fla, Cruzeiro e Vasco não pagam em dia

Por Juca Kfouri

A cláusula 12 do contrato feito pelos clubes com a TV diz:

Fica expressamente convencionado que somente mediante concordância prévia e formal da CESSIONÁRIA, o CEDENTE poderá, a partir desta data, ceder, dar em garantia, utilizar como moeda de pagamento de integralização de capital a ser subscrito em sociedades ou, de qualquer forma utilizar em outro negócio jurídico, os créditos da que é titular junto à CESSIONÁRIA oriundos deste contrato. Por essa razão razão, a CESSIONÁRIA desconsiderará qualquer notificação de penhor, cessão ou quaçlquer outro negócio jurídico acima referido que não tenha sido objeto de sua anuência prévia e expressa”.

A Globo, a CESSIONÁRIA, se acautelou para que ninguém pudesse usar créditos futuros sobre produtos ainda não entregues, como os Campeonatos Brasileiros de 2013, 14 e 15. O Clube dos 13, que fazia tal papel com seus avais, foi implodido, perdeu força e deixou da fazê-lo. E os clubes, os CEDENTES, ficaram de pires na mão. Razão pela qual o Flamengo, o Vasco e o Cruzeiro estão com salários atrasados. Provavelmente, outros ficarão.

Tribuna do torcedor

Por Andréia Nóbrega (andreiassnobrega@hotmail.com)

Para Mariana Souza e amigos do blog.

Mariana deixa de ser iludida, tudo depende do momento, já presenciei vários clássicos onde a torcida do Paysandu era infinitamente maior que a do rival, vou citar alguns exemplos mais recentes. 02/03/2008 PA 1×2 RE , quinta rodada do parazão – o remo vinha mal das pernas e a imprensa já dava como certa a vitória bicolor no conhecido “clássico do temporal” nossa torcida era maioria esmagadora no mangueirão. 12/04/2009 PA 1×2 RE  semi final do 2º turno – o Paysandu jogava pelo empate para eliminar o remo e consequentemente deixa-lo sem divisão, a arquibancada da torcida remista estava vazia e do lado bicolor completamente lotado. 21/03/2010 PA 3×3 RE , final do 1º turno – após a vitótia bicolor por 4×2 no primeiro jogo a torcida azulina já não acreditava muito no time e não compareceu ao estádio, do lado bicolor não cabia mais ninguem. Portanto, pela atual fase bicolor a fiel ainda compareceu em bom numero, muito mais que a torcida remista nos jogos acima citados
Veja a média de público do remo na serie D de 2010.
Remo x Cametta – público 4.543
Remo x América AM – público 5.599
Remo x Cristal – público 4.823
Não tem cabimento nenhum essa sua afirmação, por exemplo, bastou teu time perder o ultimo RExPA que ja caiu pela metade o publico no jogo Remo e Tuna, aquele DJ e o telão do primeiro jogo sumiu rsrs, e olha que nem foi televisionado a partida, deixe essas sandices para o Caxiado. Os maiores públicos na história do Mangueirão pertencem ao Paysandu, basta vc pesquisar OK. Pra finalizar não sei quem tem a maior torcida, mas de uma coisa tenho certeza, a torcida mais feliz do Pará é do Papão. 

Perigo real e imediato

Por Gerson Nogueira

Parte da torcida exigia a cabeça do técnico, mas o Remo decidiu manter Sinomar Naves. Foi a saída mais pragmática. Não que o trabalho seja satisfatório, muito longe disso. Ocorre que a diretoria avaliou que mudar agora, a 72 horas de um jogo decisivo, seria uma manobra temerária. O exemplo de Givanildo Oliveira no ano passado, chamado no desespero, quando a vaca já estava indo pro brejo, ainda martela a cabeça dos dirigentes.
É fato que o time vem mal e que o planejamento de sete meses foi atirado na cesta de lixo com as contratações de importados de origem duvidosa (Tocantins, Mato Grosso, Goiás) e nível questionável.
Sinomar foi contratado para executar o projeto de reconstrução do time, com ênfase nos jogadores das divisões de base. Enquanto prevaleciam os amistosos pelos campinhos de várzea, os garotos foram prestigiados. Com a aproximação do Campeonato Paraense começaram a pipocar os “reforços”, todos indicados ou avalizados por Sinomar. Os equívocos do Remo no Parazão decorrem todos dessa opção radical pelos jogadores de fora.
Desde a estréia contra o Águia, no Baenão, os importados predominam entre os titulares enquanto Jaime, Reis, Tiago Cametá, Igor João, Alex Juan e Alan Peterson são preteridos. O mais grave é que os atacantes Jaime e Reis, com boa participação na recente Copa São Paulo, não figuram sequer entre as primeiras opções do técnico entre os reservas.
No clássico do último domingo, o meio-de-campo do Remo foi engolido pelo entusiasmo e disposição de um Paissandu que se valeu da juventude de seus jogadores para impor ritmo alucinante ao jogo. Foi um constrangimento. A velocidade dos bicolores contrastou com a letargia dos azulinos, com o resultado final que todos conhecem.
É verdade que futebol não é só correria, mas ninguém discute que é cada vez mais um esporte dos jovens. O Parazão evidencia isso. Os melhores da competição até agora são Lineker, Bartola, Perema e Pikachu, todos com 17 anos. O Remo de Sinomar segue na contramão, rejeita suas próprias crias e amarga os efeitos das escolhas de seu comandante.       
Depois de analisar riscos e variáveis, a direção do clube preferiu evitar mais turbulências. A tal multa rescisória que gira em torno de R$ 100 mil não foi o maior empecilho para o afastamento do treinador. O que pesou mesmo foi a preocupação em não desestabilizar ainda mais o ambiente interno.
A equipe não convence desde a estréia, mas ganhou os primeiros jogos. Nas últimas três rodadas, nem isso. O confronto com o já eliminado São Francisco reúne todos os ingredientes para virar uma batalha tensa e dramática no Barbalhão. Diante disso, falou mais alto o bom senso.  Sinomar fica. Pelo menos até domingo.  
 
 
 
Papão, 98 anos de glória!
 
O aniversário foi ontem, mas o Paissandu merece homenagens diárias. Por isso, reproduzo o texto abaixo em homenagem ao clube de Suíço, escrito pelo azulino Cássio de Andrade:
“A história do PSC tem como marca sua rápida aceitação pelas classes populares. Nascido num cenário próximo à crise da economia gumífera na capital paraense, o clube foi consolidando ao longo do tempo uma alternativa esportiva e de lazer cada vez mais aproximada das classes subalternas, considerando a elitização histórica do Clube do Remo.
A marcha carnavalesca, seu símbolo monocórdio, simples e popularesca, foi incorporada à condição ontológica de ‘ser paissandu’, e tornou-se a síntese desse sentimento amalgamado entre a paixão e o orgulho, marcas que forjaram ao clube um devir histórico, um sentimento que se expressa na sagração celebrada entre cantos entoados e irradiados nos arrabaldes, naquilo que Ferreira Gullar representaria na alegoria insuspeita das massas, entre o ‘cantar dos galos e dos marrecos’, ‘nas bibocas e nos quintais’… Esse é o Paissandu em espírito na alegoria imagética da sinestesia platina, como a chamar atenção das batalhas simbólicas da memória da Guerra do Paraguai, no bairro onde fez morada.
Correspondendo ao imaginário da época – sem que nos atrevamos a julgar os méritos dessa representação –, evoca o PSC a condição do triunfo e da vontade heróica do mito. A guerra, por mais contraditório que possa parecer, representou a imagética da vitória e da paz, no azul e branco de sua sinestesia. Em síntese, um clube que incorpora a anti-Bela Época pela possibilidade de resistir ao fracasso e à decadência em trajetória triunfante e grandiosa.”

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 03)