CBF vai bancar Série C, mas esquece a D

Antes tarde do que nunca. O anúncio em tom solene que a CBF fez nesta terça-feira sobre as novidades para a Série C atende a reivindicações que os clubes fazem há pelo menos cinco anos, quando o modelo de disputa revelou-se inteiramente pernicioso para as finanças das agremiações. Prometendo grande investimento na competição, a entidade divulgou mudanças importantes, que irão beneficiar Paissandu e Águia, representantes do Pará na divisão.

Não haverá mais rodadas no meio da semana e o regulamento prevê a formação de dois grupos de 10 times, ao contrário do sistema antigo, que tinha quatro grupos de cinco. A providência vai permitir que os disputantes tenham atividade até o fim da temporada, como ocorre nas séries A e B. Os quatro primeiros colocados por chave avançam às fases de mata-mata – quartas de final, semifinal e a decisão.

Outro item fundamental: a CBF finalmente resolveu se coçar e vai bancar transporte, hospedagem e alimentação de até 25 integrantes da delegação dos clubes, além das despesas de arbitragem. Ricardo Teixeira, pavão como sempre, se disse orgulhoso da própria decisão de ajudar os clubes, revelando que atendeu reivindicações antigas. Para isso, contribuiu decisivamente a venda dos direitos de transmissão dos jogos à Globo, que ainda não revelou se vai de fato exibir as partidas.

Teixeira só esqueceu de explicar o motivo de manter a Série D com sua legião de clubes à míngua, argolados com as despesas de viagem, hospedagem e taxas de arbitragem. Para quem tanto se gaba de organização e seriedade, ainda falta muito para quitar todas as dívidas.

Super Bowl por baixo dos panos

Uma apresentadora americana ficou quase pelada após perder uma aposta para o companheiro de TV no Super Bowl, a badalada final do futebol americano. Fã do New England Patriots, Maria Menounos havia apostado com AJ Calloway, torcedor do New York Giants, que ficaria apenas com um pequeno maiô caso o time comandado por Tom Brady perdesse. E foi o que aconteceu. Na noite de domingo, os Patriots foram derrotados por 21 a 17 e Menounos apareceu inicialmente com um roupão branco durante transmissão da “Extra TV”, na fria Times Square, em Nova York, até ficar apenas de biquíni. “Eu odeio apostas e jamais farei isto de novo”, afirmou ela, rindo, já tirando o roupão ao lado de Calloway, que não exitou em soltar um berro de alegria diante da cena. Não se sabe, nem interessa saber, o que o apresentador faria caso seu time tivesse sido derrotado. (Com informações da Folha SP)

Propagandas enganosas

Por Gerson Nogueira

O futebol, como a vida, tem sempre lá suas surpresas engatilhadas, talvez para não deixar que a coisa fique excessivamente cartesiana e previsível. O desfecho da rodada final da fase classificatória do 1º turno traz de novo essa lição. O Paissandu, eliminado na inesperada derrota para o São Raimundo, tem chances de vir a comemorar o “infortúnio” lá mais à frente. Já o Remo, que festeja (meio constrangido, é verdade) a classificação milagrosa obtida em Santarém,
pode ter que lamentar a “gloriosa derrota” em curtíssimo prazo.
A explicação é simples. O Paissandu ganhou um mês para se preparar adequadamente para a Série C, que neste ano começa cerca de uma semana depois do certame estadual. A providencial saída de cena permitirá aos dirigentes buscarem os jogadores para posições carentes na equipe e
até o técnico mais adequado para comandar o projeto de acesso à Série B.
Por vias acidentais, o Paissandu ficou diante da chamada oportunidade de ouro. Pena que os primeiros sinais emitidos pela direção do clube indiquem que a tendência é pela preservação do grupo atual, sob o comando de Nad, sem expectativa de novas contratações.
Em sentido contrário, o Remo se prepara para enfrentar o Águia nas semifinais do turno. Para avançar, o time terá que superar a queda de rendimento técnico e físico que se agravou a partir da 4ª rodada. O elenco não é melhor, nem pior que os demais, mas a maneira equivocada de jogar faz do Remo uma das equipes mais vulneráveis da competição.
Dentre os semifinalistas, exibe o pior ataque (6 gols) e uma das defesas mais vazadas (8). Mais que isso: é um grupo indefinido entre as já distantes lembranças da fase preparatória que durou seis meses e as mudanças forçadas, a partir da chegada de jogadores que não estão à altura das necessidades do time e das expectativas da torcida.
Para agravar ainda mais as coisas, a diretoria mostra hesitação para tomar as atitudes que a situação exige. Por esse ponto de vista, a classificação às semifinais pode ser um presente amargo, a ser degustado em breve, como visto nas temporadas passadas. A falsa ilusão quanto às qualidades da equipe pode vir a custar muito caro.

Alexandre Rotweiller, 33 anos, parado há meses e com óbvias credenciais de volante mordedor, chegou a ser anunciado ontem como novo reforço do Remo – o que não quer dizer muita coisa, pois todos os contratados ganham esse título de nobreza. Foi recomendado por alguém, avalizado por Sinomar, mas acabou reprovado nos testes e foi descartado. De prejuízo, o clube só teve os custos da passagem e do passeio de graça pela Cidade das Mangueiras, proporcionado ao atleta. Melhor assim, afinal de jogadores descartados pelo técnico o Baenão está superlotado.

Não tenho problemas, nem preconceitos e até gosto muito de algumas criações americanas – a música, o cinema e o basquete, para ficar em três itens. Algumas coisas, porém, são difíceis de engolir. Futebol americano, com aquela bola em formato de cacau, é um tormento. A estética do esporte não ajuda e o excesso de força obscurece até o lado da estratégia. Quem gosta ou finge apreciar, arranja sempre um jeito de ressaltar o talento dos gringos para transformar tudo em
produto comercial de primeira grandeza. É o pior dos argumentos para me convencer.
Quando algo é valorizado exclusivamente pelo valor pecuniário já cai drasticamente em meu conceito. E o simples fato de Gisele Bündchen estar torcendo ardorosamente pelo marido ianque não aumenta em nada minha boa vontade pela coisa – muito pelo contrário, se é que me
entendem.

 

Direto do blog

“Pensando bem, acho que foi até bom que o Remo tenha se classificado em 4°, pois dessa forma vai ter que jogar para ganhar e parece que o Remo só joga bem quando joga para ganhar. Nos jogos em que esse Sinomar entrou pensando em empatar, o Leão se deu mal. Agora não tem
jeito, vai ter que jogar no ataque. Portanto, vamos lá, Leão, eu acredito”.

De Agenor Filho, um azulino