Porque EUA desqualificam acordo nuclear

Do Deutsche Welle

A foto rodou os principais jornais do mundo e parecia ilustrar um fim de campanha eleitoral. Lula e Mahmud Ahmadinejad de mãos dadas e braços estendidos, num gesto que simboliza a vitória – depois de uma disputa contra oponentes. O governo brasileiro comemorou o acordo com o Irã, em que a república islâmica concorda em enviar 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido para a Turquia em troca de 120 quilos de combustível nuclear. Mas a reação internacional foi pior do que o esperado. Um dia depois do aceno iraniano, os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (18/05) que irão apresentar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Entre as demais reações que se seguiram, Ban Ki Moon, secretário-geral da ONU, disse que o acordo pode ser positivo. A China também seguiu esse tom – desde que Ahmadinejad cumpra os termos assinados. 

Para quem acompanhou por vários anos as relações brasileiras mundo afora, as chances de o Irã honrar o compromisso, no entanto, são pequenas. É o que acredita Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro de Relações Exteriores durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1991 e 2005. “Certamente, se der errado, a imagem do Brasil ficará arranhada. O Brasil não tinha nenhuma razão clara, própria, para se envolver nessa questão e, tendo se envolvido, coloca em jogo a sua credibilidade e seu prestígio internacional”, analisa Lampreia.

Já para Rafael Duarte Villa, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, o evento não deixou dúvidas: “O Brasil saiu muito fortalecido. Talvez fosse o que faltava para o Brasil mostrar que tem possibilidade de ter uma posição de primeira ordem na política internacional”. “O efeito do acordo tem uma posição bastante enfraquecedora da posição americana. Alguns membros muito poderosos, como a China, já anunciaram hoje (18/05) que também reconhecem o pacto”, pontua Rafael Duarte Villa.

E o posicionamento dos Estados Unidos de que apresentarão, mesmo assim, as sanções para serem votadas, é muito ruim para a imagem daquele país, salienta Villa. “Isso acaba mostrando que podem existir outras intenções por trás, além do acordo em si. Porque toda essa intransigência, essa desconfiança, mostra que esses países – não só os Estados Unidos, mas também os europeus – querem sanções contra o Irã a qualquer preço.”

(…)

Lógico, ou não, Rafael Villa faz outra leitura desse envolvimento brasileiro. “Esse evento mostrou uma coisa muito importante: os EUA e os países europeus estão perdendo espaço para emergentes, como Brasil, Índia, China. Se eles já mostraram sucesso diversas vezes no aspecto comercial, agora eles mostram que conseguem utilizar sua diplomacia cooperativa para também influenciar decisões em assuntos extremamente difíceis, como armamento nuclear.”

Villa acredita que, para a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, não resta outra opção a não ser desqualificar a atuação do Brasil como uma atuação ingênua. “É preciso compreender que há algo mais profundo em curso, que há a emergência de novos países nesse tipo de assunto, como a crise iraniana. E isso será cada vez mais comum.”

(Autora: Nádia Pontes/Revisão: Roselaine Wandscheer) 

4 comentários em “Porque EUA desqualificam acordo nuclear

  1. Felipe Lampreia faz parte da “diplomacia dos pés descalços”. Aquela dos tempos de FHC, que tirava resignada os sapatos em aeroportos dos EUA.
    Quanto as sanções do Tio Sam, parece mais retórica para aolacar a ira interna dos republicanos já que, com o poder de veto da China, que apoiouo acordo, Obama e mrs. Clinton correm o risco de dar tiro no pé. Lula para Nobel da Paz-2011.

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  2. Jorge, não esquece que a questão é uma faca de dois gumes, afinal, qualquer outro país poderia se envolver na questão.

    Não sei não, queria muito confiar no acordo, mas esse tal de Armadinejad não me passa a mínima tranquilidade.

    Tomara que sejamos felizes, para o bem da humanidade.

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  3. Se algum país de peso internacional (ou umas coalizão), tivesse se antecipado à invasão americana ao Iraque para checar a (manipulada) existência de armas de destruição em massa, milhares de vidas humanas inocentes teriam sido preservada.
    Agora é diferente. A diplomacia norteamericana está diante um fato consumado – ficará evidente sua má vontade ou suas más intenções para com o mundo árabe.
    Agora aguente o lobby internacional sionista.

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  4. Os Estados Unidos da America, bem que poderiam, intervir em nossa seleção brasileira. Que está repleta de bombas e ainda conta com um ditador a lá Hitler que é o Dunga! Bem que eles poderiam desferir alguns misseis ate o prédio da CBF, este que é o quartel general de RT, que é o mentor das estratégias falhas de guerra de nossa seleção.

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