Um par de livros para o Capitão do Mato

Do blog do Josias Souza:

Em sua entrevista, Dunga invadiu a grande área da historiografia.

A horas tantas, disse que só quem vivenciou determinado episódio pode avaliá-lo com acuidade.

“Quem não viveu a época da escravidão não pode falar se era boa ou não!… Do mesmo modo que a ditadura, quem não viveu a época não pode saber se era boa ou ruim.”

Raciocínios pobres, reagirão os brasileiros de bom senso. Só Dunga sabe, porém, o trabalho que dá empobrecê-los.

Se máquina do tempo não fosse coisa só de cinema, a CBF poderia enviar Dunga ao passado.

Umas boas chibatadas e uns poucos choques elétricos talvez o acordassem.

Na impossibilidade de prover ao técnico o retorno físico à era da escravidão e ao ciclo ditatorial, Ricardo Teixeira faria um favor a Dunga se lhe presenteasse com um par de livros.

A seleção dos barrados no baile

O jornal espanhol Marca selecionou, nesta quarta-feira, os principais jogadores que vão ficar fora da Copa do Mundo da África do Sul. Entre os 11 melhores, para os espanhóis, estão cinco são brasileiros: Diego Alves, goleiro do Almería, Marcelo, lateral do Real Madrid, Diego, meia da Juventus e Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato, meia e atacante do Milan.

Segundo os espanhóis, a Copa perdeu muito de seu brilho com a ausência de diversos jogadores, como os brasileiros. Quem completou os onze ‘titulares’ da seleção dos ‘renegados’ foram o inglês Wayne Bridge, os argentinos Gabriel Milito, Javier Zanetti e Estebán Cambiasso e os franceses Patrick Vieira e Karim Benzema. Foi destacado o fato que Ronaldinho e Marcelo estão, pelo menos, na lista de suplentes de Dunga, e que podem entrar no elenco brasileiro que vai à África caso alguém se machuque.


Além dos onze titulares, foi feito, também, um elenco completo de grandes jogadores que não vão ao Mundial. Nesta lista entraram mais quatro jogadores que poderiam estar na Seleção Brasileira: o goleiro Renan, do Xerex, o lateral Filipe Luís, do Deportivo La Coruña e os atacantes Neymar, do Santos e Adriano, do Flamengo. Além deles, o brasileiro naturalizado italiano Amauri também constava na lista. (Da ESPN)

Tribuna do torcedor – 24

Por Fernando Maia (nandomaia13@hotmail.com)

O futebol-arte do Brasil dá vez à escola “Dunga de ser”. É notório que todo o mundo se encanta com o futebol plástico que a nossa seleção demonstrava em todas as Copas. Podíamos não ser campeões, mas sempre tínhamos gênios em campo e foi assim que o Brasil sempre encantou o mundo. Que técnico não gostaria de ter Pelé, Garrincha, Zico, Sócrates, Falcão, Ronaldos (Gaúcho e Fenômeno), Rivaldo, Romário no seu time, ou os atuais Ganso, Ronaldinho, Diego, Neymar?
É triste ver que em um país com talentos que jorram de uma cachoeira, o nosso técnico, se é que posso dizer assim, leva uma seleção com a qual o mundo não verá lances desconcertantes como lançamentos de 30 ou 40 metros, faltas que entram no gol no limite que as traves permitem. Simplesmente será triste ver uma seleção que tem como sua principal arma a marcação, já que a seleção tem 7 volantes e 1 meia. 

Acrescento ainda uma definição do que significa à palavra técnico. Do grego tekhnikós, -ê, ón, artístico, habilidoso, operário, ou puramente pessoa que conhece a fundo uma arte, uma ciência, uma profissão. Fico triste de ver que a seleção canarinho hoje não tem diferença nenhuma em comparação a outras equipes, como Inglaterra e Alemanha, que fazem um futebol tático sem graça, apenas cruzando bolas na área. O que me deixa mais chateado é que, depois de ver tantas seleções brasileiras que sempre desenvolviam futebol-arte, para encontrar novamente este futebol terei que ver a Espanha jogar, que, mesmo assim, nem de longe lembra os nossos craques brasileiros.
Ao final de longos quatro anos espero que essa copa passe rápido e que 2014 venha logo. Ainda peço aos deuses que jogar um futebol bonito não seja pecado, porque espero que Ganso, Neymar, Pato, André e Diego estejam nesta futura seleção e com isso eu possa vê-los de perto, pois futebol não é aplicação tática, e sim uma arte. 

Coluna: Ganso não deve lamentar

Pensando bem, foi melhor assim. Paulo Henrique Ganso fica de fora do escrete (a lista de espera é apenas protocolar), mas pelo menos não corre o risco de encarar um treinador hostil, que o convocaria a contragosto, somente para ficar bem com a torcida. Temos exemplo recente e bem próximo de nós que respalda minha opinião. Em 1998, na Copa da França, o também paraense Giovanni foi chamado por insistência de Zico, contra a vontade de Zagallo.
Giovanni sentiu na pele o azedume e o caráter destrutivo da oposição de Zagallo. Foi posto a marcar o ataque da Escócia logo na estréia do Brasil, para espanto geral e deleite de Galvão Bueno, que desceu a lenha no talentoso meia-armador, jogando a torcida contra ele. A arapuca tinha um autor óbvio e uma vítima desprevenida.
Só depois de ser substituído, execrado pela atuação desastrosa em função que não conhecia, Giovanni entendeu o quanto custa não ser alguém do agrado do chefe. Ainda nos vestiários foi insultado e humilhado por Zagallo diante dos companheiros – e de Zico. Estava fechado, em verde e amarelo, o curtíssimo ciclo do Messias no escrete.
A história é bem conhecida dos que acompanham os bastidores da Seleção. Ganso talvez a conheça, pois é amigo/pupilo de Giovanni. A essa altura, mesmo frustrado por não poder defender a Seleção, deveria sentir até certo alívio. A explicação é simples: se fosse chamado, dificilmente jogaria. Se jogasse, estaria sujeito a altíssimo risco de sabotagem, pois é notório que Dunga não morre de amores por jogadores habilidosos e alimenta pinimbas pessoais que lembram os métodos de Zagallo.
 
 
Jogador de força, eterno brucutu, Dunga tem até motivos para ressentimentos. Foi alvo de campanhas implacáveis como símbolo do futebol-força depois da Copa de 90 e não conseguiu limpar totalmente a imagem nem mesmo com a conquista de 94. Seu apego aos operários “patriotas” e à lealdade bovina traem esse recalque.
Doni é bom exemplo desse tosco padrão de avaliação. Em rede nacional, Dunga informou que o goleiro vai à África do Sul porque teria se rebelado com seu clube (Roma) para servir à Seleção. A verdade é outra. Doni perdeu a posição para outro goleiro, brasileiro também, Júlio Sérgio. O técnico ignora critérios técnicos e premia a suposta lealdade.
Curiosamente, Diego, que também comprou briga pública com seu time de então (Werder Bremen), foi esquecido. Titular e principal jogador da Juventus, foi preterido na convocação. Seu desprendimento não comoveu Dunga. Talvez porque seja um armador clássico. Se fosse volante…
 
Sobre o show midiático de ontem, duas observações. A mãe de Dunga é sofrível professora de história (não ensinou ao filho nada sobre escravidão e ditadura). E a lista, previsível, tem a maior quantidade de jogadores comuns de uma Seleção Brasileira em Copas: Doni, Michel, Gilberto, Gilberto Silva, Josué, Felipe Melo, Kleberson, Julio Batista, Grafite…

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 12)