O anúncio da dispensa de três ex-titulares e um reserva de luxo do Paissandu só surpreendeu a quem não está acompanhando os humores da diretoria do clube, particularmente açulados depois da decepcionante atuação no amistoso de domingo em S. Caetano de Odivelas. A resolução anunciada ontem dá, também, a dimensão do peso que a opinião do técnico Nazareno Silva ganhou na Curuzu.
Segundo pessoas próximas à cúpula bicolor, o pífio rendimento de alguns titulares naquela peleja foi a gota d’água que faltava para encher as medidas – e a tolerância do clube. Em contato com a coluna, na tarde de ontem, um dos gestores admitiu que a intenção é fazer uma “limpeza de área” antes do término da temporada.
Acrescentou que o afastamento de Balão, Aldivan, Lecheva e Dadá não é a única medida de caráter corretivo prevista pela diretoria. Outros jogadores, igualmente na marca do pênalti desde a campanha na Série C, podem ser liberados. Zé Augusto, pela identificação com a torcida e os resultados que deu ao clube durante o ano, é o único dos veteranos com permanência garantida.
Depois de um início de trabalho marcado por desconfianças, a participação de Nazareno Silva é cada vez maior no processo de depuração do elenco. Pelas suas observações, ainda segundo o dirigente, até mesmo jovens atletas revelados pelo clube não têm presença certa no elenco que será formado para o primeiro semestre de 2010.
Nesse sentido, os zagueiros Bernardo e Admilton são os que mais correm risco de liberação para outros clubes. Por não confiar no potencial dos dois, Nazareno já deixou claro aos dirigentes que vai precisar de jogadores mais experientes – e de mais envergadura física – para compor a defesa. O mesmo raciocínio se aplica ao meio-campo, onde somente o volante Mael está, por ora, prestigiado.
Para o ataque, além de Eanes, que acaba de chegar, Nazareno trabalha com a expectativa de mais três reforços, que devem vir de clubes da Série B para se juntar aos jovens Moisés e Jênison, jóias que o Paissandu pretende segurar pelo menos por mais seis meses.
Não há dúvida, a essa altura, que a diretoria acatou como válidas as avaliações do elenco feitas pelo treinador. O que significa que o grupo de jogadores vai ser ainda mais reduzido nas próximas semanas, dependendo, é claro, da disponibilidade financeira do clube para as rescisões contratuais.
Pelo clima que antecedeu a dispensa de quatro jogadores, ontem, a medida acaba por golpear os planos de quem pretendia retornar ao clube no próximo ano. É o caso específico de Vélber, cuja pálida atuação na fase decisiva da Série C ainda está muito viva na memória da atual diretoria.
O jogo não serviria para muita coisa, além de arrecadar um dinheirinho extra, mas a torcida que foi ao Baenão (em bom número) saiu preocupada com o que viu. Definitivamente, o Remo de Sinomar não inspira confiança. Mudanças devem ser antecipadas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 8)