Papão sofre goleada e sai da Copa do Brasil

Foi um vexame inesperado. Em oito minutos, o PSC transformou um jogo equilibrado em goleada vergonhosa. O apagão do setor defensivo entre 15 e 23 minutos do 2º tempo permitiu ao CSA construir o placar de 4 a 1 e se tranquilizar no jogo. A derrota eliminou o Papão e tirou a chance de faturar uma premiação de R$ 1,9 milhão. O Azulão alagoano avançou à terceira fase da Copa do Brasil.

Os gols dos alagoanos foram marcados por Werley (2), Yann Rolim e Lucas Barcelos. Na marcha do placar, o Papão empatou aos 8 minutos com Danrlei, finalizando com extrema perícia um lance iniciado por Marlon. Até aquele momento, o jogo era equilibrado e a movimentação do PSC era superior à do CSA. Os três gols surgidos a partir dos 15′, com falhas seguidas da defesa, deixaram o Papão desnorteado e sem poder de reação.

Este é o terceiro ano seguido que o Papão é eliminado por um time alagoano na competição. Agora o Papão volta a pensar no Campeonato Paraense. No próximo domingo, 20, o Papão entra em campo para enfrentar o Tapajós, às 9h30, no jogo de ida das quartas de final do Parazão.

Águia lutou o bom combate

POR GERSON NOGUEIRA

O 1º tempo foi todo do Ceará, que teve 66% de posse de bola, chutou 13 bolas a gol e a Tuna só fez o primeiro disparo, com Jayme, aos 43 minutos. O esforço luso se concentrava em marcar e parar jogadas. Ainda assim, o goleiro Victor Lube descolou três grandes defesas e a trave impediu dois gols alvinegros. O 2º tempo, porém, fez ruir o firme bloqueio da Tuna e o Ceará chegou ao 2 a 0 sem grande esforço.

Para descrever o que aconteceu no Castelão, ontem à noite, é necessário contextualizar as coisas. A Tuna é um time de Série D, o Ceará é de Série A. Os elencos são díspares. Os times não se equivalem tecnicamente. Em situação normal, seria um passeio. Ocorre que o futebol é dado a surpresas e, por vezes, flerta com o inesperado.

Por 45 minutos, a Tuna segurou o 0 a 0 e alimentou o sonho de levar o confronto para a decisão nas penalidades. Jogou de acordo com suas possibilidades, povoando o meio-campo, fechando-se em duas linhas bem definidas e atrapalhando todas as tentativas do adversário.

Quase deu certo. Além disso, o Ceará fazia uma atuação apática, com muitos erros de finalização. O problema é que a Águia não ousava sair de seu campo. Temia um ataque mais forte e evitava passar do meio-campo. O adversário cercava a área, desperdiçava chances e quando chegou ao gol contou com um erro da arbitragem.

Aos 24 minutos, Nino Paraíba cruzou, Mendonza bateu mal e a bola se ofereceu a Vina, que empurrou para as redes. O bandeirinha, porém, salvou a Lusa marcando saída de bola, erradamente. Victor Lube salva cabeceio de Victor Luís e a trave ajudou aos 37’, em chute de Richardson.

Depois do intervalo, a Tuna saiu um pouco mais e o Ceará ousou um pouco menos. Parecia cansado, mas um descuido da boa zaga tunante possibilitou o primeiro gol, aos 24 minutos. Nino Paraíba cruzou para Vina cabecear sem marcação.

O cerco continuou e Victor Lube salvou dois lances agudos, em chutes de Luís Otávio e Cléber. O cansaço deu as caras e a firme marcação inicial começou a afrouxar. Nos instantes finais, o Ceará teve mais dois gols anulados em interpretação errada do bandeirinha. Aos 42’, em cobrança de escanteio, Cléber ampliou para 2 a 0.

A Tuna jogou no limite de suas possibilidades. Dentro de seu plano de jogo, foi brava e digna e guerreira. Não podia fazer mais do que fez.

Papão busca premiação que pode salvar o ano

Além do desafio representado pelo CSA, hoje à noite, em Maceió, o PSC mira em objetivo de ordem pecuniária: botar as mãos na bonificação de R$ 1,9 milhão pela classificação à terceira fase da Copa do Brasil. Com o dinheiro obtido nas duas primeiras etapas, o clube completaria um valor que corresponde à metade da receita prevista para 2022.

Essa receita seria bem-vinda, ajudaria a salvar a temporada garantindo liberdade para investimentos e custeio ao longo do Campeonato Brasileiro da Série C. O técnico Márcio Fernandes e os jogadores têm plena consciência da importância da classificação.

Para alcançar esse objetivo, o time deve unir cautela e ousadia nas doses certas. Não pode recuar tanto a ponto de se encolher, nem pode se arriscar contra um time entrosado e que manteve a base da boa temporada 2021.

A performance satisfatória do Papão no Estadual será colocada em xeque hoje naquele que é o jogo mais difícil e valioso da temporada.

Seleção e Re-Pa na abertura do novo Mangueirão

A visita do governador Helder Barbalho, ontem, à sede da CBF, no Rio, deixou bastante encaminhada a programação de um jogo da Seleção Brasileira na reabertura do novo Mangueirão (estádio Jornalista Edgar Proença), provavelmente em outubro deste ano. Na prática, ele foi à entidade reafirmar o que havia sido tratado antes do início das obras.

As obras estão aceleradas, atingindo mais de 50% dos melhoramentos (gramado, rampas e dependências internas) que irão garantir ao Mangueirão a condição de um dos mais modernos estádios brasileiros, dentro do padrão de arenas Fifa e com capacidade para 51 mil espectadores.

Desde o lançamento do projeto, Helder sinalizou que queria ter a Seleção na reinauguração. Depois de reunir com a cúpula da CBF, ele reafirmou essa intenção e revelou que o clássico Re-Pa também será parte da programação festiva.

Eleição da FPF ainda é uma realidade distante

Pelo planejamento inicial, anunciado pela presidente interina, a eleição da FPF teria ocorrido ontem. Como os planos vêm e vão, o pleito foi empurrado com a barriga e ficou para o próximo mês, se fizer bom tempo. A situação lembra aquelas chanchadas da Atlântida, tal o nível de desacertos e trapalhadas.

Sem qualquer pressa, a ocupante temporária da presidência deixou de lado a responsabilidade maior de sua indicação para o cargo e o calendário eleitoral está cada vez mais desacreditado. A rigor, nem há um calendário ainda, muito menos convocação da Assembleia Geral.

O Ministério Público recomendou urgência na publicação do edital, mas a iniciativa foi completamente ignorada pela presidência. Espera-se, em nome do que ainda resta de bom senso, que a eleição seja marcada de uma vez por todas. Até para que as suspeitas de enrolação sejam dissipadas.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 16)

Hidrovia Araguaia-Tocantins: entidades apontam riscos de desastre ambiental

Comunidades tradicionais temem impactos consideráveis na pesca, no equilíbrio ambiental e na sobrevivência da população

Uma obra que pretende viabilizar a navegabilidade da hidrovia Tocantins-Araguaia durante todo o ano, inclusive em períodos de seca, leva preocupação a diversas comunidades tradicionais e populações originárias que vivem no Baixo Tocantins, no Pará.

O projeto prevê mudanças em trechos de pedreiras e corredeiras que ocupam mais de 40 quilômetros. A derrocada de pedras tem potencial para mudar a biodiversidade local e causar impactos significativos nos modos de vida das famílias da região.

Com indicações do governo federal de que o andamento do processo deve ser acelerado, entidades católicas divulgaram uma alerta pedindo que soluções sejam encontradas para que o empreendimento não cause prejuízos às comunidades. 

Entre os potenciais danos listados estão a perda de área de pesca, a poluição por defensivos, resíduos e combustível das embarcações, os riscos à biodiversidade e os impactos nos modos de vida de quem vive no local. 

O bispo da Diocese de Cametá (PA), Dom José Altevir da Silva, membro da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil), afirma que a obra é mais uma na lista de projetos que se desenvolvem de “maneira brutal” na Amazônia brasileira.

Uma obra que pretende viabilizar a navegabilidade da hidrovia Tocantins-Araguaia durante todo o ano, inclusive em períodos de seca, leva preocupação a diversas comunidades tradicionais e populações originárias que vivem no Baixo Tocantins, no Pará.

O projeto prevê mudanças em trechos de pedreiras e corredeiras que ocupam mais de 40 quilômetros. A derrocada de pedras tem potencial para mudar a biodiversidade local e causar impactos significativos nos modos de vida das famílias da região.

Com indicações do governo federal de que o andamento do processo deve ser acelerado, entidades católicas divulgaram uma alerta pedindo que soluções sejam encontradas para que o empreendimento não cause prejuízos às comunidades. 

Entre os potenciais danos listados estão a perda de área de pesca, a poluição por defensivos, resíduos e combustível das embarcações, os riscos à biodiversidade e os impactos nos modos de vida de quem vive no local. 

O bispo da Diocese de Cametá (PA), Dom José Altevir da Silva, membro da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil), afirma que a obra é mais uma na lista de projetos que se desenvolvem de “maneira brutal” na Amazônia brasileira.

Conta não fecha

Os riscos que a ampliação da hidrovia pode trazer para as populações tradicionais impulsionam reações também entre movimentos sociais. Carmem Foro, secretária nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), acompanha a situação das famílias da região de perto e afirma que elas correm “todos os riscos possíveis” com o empreendimento.

Ela aponta que uma das justificativas para o projeto é o barateamento do transporte de cargas, mas a conta para a população não fecha. 

“Estamos falando de populações que vivem secularmente às margens do Rio Tocantins, que vivem da pesca e usam o rio para tudo. Esse empreendimento pode acabar com tudo. Claro que isso afeta diretamente a economia”, diz Foro.

Implosão de quilômetros de pedreira

Nas palavras da ativista, “Implodir quilômetros de pedral, por si só, já é um desastre ambiental”. Segundo ela, “serão três anos de implosão e não vai ficar nada”. “Nessa área, tem muito pescado, que serve economicamente para o estado e para fora do estado. Imagine, três anos para destruir um pedral que a natureza construiu por milhares de anos”, destaca.

Apreensão da comunidade

Entre as comunidades, o empreendimento gera apreensão. A quilombola e pescadora Maria José conta que, quando o projeto foi apresentado, as populações locais não foram consultadas e que, mesmo agora, o diálogo é insuficiente. 

“Eles dizem que vai gerar emprego e muita coisa para a comunidade, mas nós sabemos que não é verdade, pela construção da hidrelétrica de Tucuruí. Nós estamos com muito medo de a miséria voltar. Água é vida e, com a escavação, nós vamos perder nosso rio. O que vai ficar para nós é só rejeito. Nós não queremos a hidrovia, nós queremos vida. O rio não é mercadoria, o nosso rio é vida”, defende.

A reportagem do Brasil de Fato entrou em contato com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para obter mais informações sobre o diálogo com a comunidade e a autorização para as obras. 

Em nota, o Ibama informou que “a análise de viabilidade ambiental do empreendimento contempla, dentre outras avaliações, estudo do diagnóstico socioeconômico, que considera o impacto sobre as comunidades”, mas não deu mais detalhes sobre o processo. 

Por: Nara Lacerda
Fonte: Brasil de Fato

Fefeu, o último ponta raiz

POR GERSON NOGUEIRA

Quando cheguei em Belém, vindo de Baião encarapitado num barco carregado de castanha-do-Pará, Fefeu estava no auge da carreira. Era um ponteiro direito extremamente temido – e caçado pelos adversários – pelos dribles em velocidade e os cruzamentos caprichados. Brilhava com a camisa 7 da Tuna, uma homenagem involuntária a Mané Garrincha, ídolo maior do seu amado Botafogo.

Ainda cheguei a tempo de ver Fefeu jogar ao lado de Omar, Marinho, Abel, Mesquita, Antenor, Leônidas e Gonzaga, um dos times tunantes mais icônicos, talvez o mais presente na memória afetiva do torcedor.

Naquela faixa estreita do campo, o corredor direito, Fefeu era senhor absoluto de seus atos. Talvez fosse o lugar em que ficasse mais à vontade. Avançava velozmente, como flecha, amparado pela segurança que Marinho lhe garantia nas subidas ao ataque.

Baixo e esguio, como costumam ser os pontas, Fefeu era um legítimo representante da dinastia de grandes extremas que o futebol brasileiro pariu ao longo dos anos, bem mais no passado do que hoje.

Como Neves, antes dele, e Lupercínio, Evandro, Careca e Landu depois, ele chegava sempre um átimo de segundo antes do marcador, a tempo de escapar com a bola em disparada ou finalizar para as redes.  

Não havia campo ruim, nem zagueiro carrancudo capaz de intimidar o intrépido Fefeu. Eram tempos brutos, sem chuteiras multicoloridas, sem cabelos aloirados à força. O futebol raiz não era dado a distrações.

Depois de fazer história com a camisa da Cruz de Malta, Fefeu foi reforçar o ataque do Papão no Brasileiro de 1983. Fez boa figura, mas não a ponto de superar suas façanhas no velho estádio Francisco Vasques.

Fefeu estaria atento, torcendo muito, no desafio da Águia Guerreira diante do Ceará Sporting, hoje em Fortaleza, pela Copa do Brasil. Será também por ele que o time cruzmaltino vai lutar bravamente contra o representante alencarino. Merece, como presente póstumo, uma grande vitória.

Vítor Lube, Léo Rosa, Jayme, Lucão, Kauê e Edinaldo, entre outros, têm a missão de honrar o legado do grande Fefeu. Que sejam bem sucedidos!

Fim da lambança: TJD decide reabrir o Parazão

O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Pará (TJD), Mário Célio Alves, disse ontem, após o julgamento dos recursos de Bragantino e Águia, que o Campeonato Paraense pode ser reiniciado normalmente a partir de agora. A rigor, tudo teria sido mais simples se o TJD não tivesse se precipitado ao impor a paralisação da competição.

O processo retorna agora para a origem, a 2ª Comissão Disciplinar do tribunal, onde Hatos e Guga serão submetidos a um novo julgamento.

A denúncia do Paragominas, alegando situação irregular dos atletas Hatos e Guga, ganhou do tribunal um amparo imerecido e tornou ainda mais bagunçado um campeonato já marcado por erros em série da Federação Paraense de Futebol, entidade gestora do torneio.

Os dois atletas pertenciam ao Itupiranga em 2021 e foram julgados e condenados após terem sido expulsos. Como estavam de saída do clube, não foram notificados do julgamento e acabaram penalizados à revelia, o que derrubou a denúncia apresentada pelo Paragominas.

O PFC, por sinal, poderia ter sido punido com base no princípio da nulidade de algibeira, pois tinha conhecimento da situação de Hatos e Guga e só decidiu denunciá-los depois que foi rebaixado, em campo, para a Segunda Divisão do Parazão.

“Amanhã (hoje, terça) a Federação será notificada que o campeonato pode retornar. Sem alterações. O campeonato retoma de onde parou”, anunciou o presidente do TJD ao final da sessão.

Por suas palavras, parece que tudo está bem. Não é bem assim. O julgamento de ontem não recupera os dias perdidos inutilmente. Não vai bem um campeonato que desrespeita princípios básicos do desporto e pune clubes, torcidas e patrocinadores com a incompetência dos que são responsáveis por sua preservação.

Direto do blog campeão

“O que pensam os patrocinadores desse ‘Peladão’ ao verem suas marcas associadas a esse festival de bagunças? Não seria oportuno deixar de patrocinar clubes em dinheiro, quase sempre torrado nas contratações de jogadores sub-40, em final de carreira, e priorizar investimentos em infraestruturas dos estádios no interior, principalmente gramados (com drenagem técnica) e iluminação (LED), que atenda aos padrões CBF? Seria o mínimo para que se pretenda voltar a ter um campeonato estadual, e não um torneio metropolitano, que justifique usar a terminologia Parazão!”. George Carvalho

Sobre a guerra do fim do mundo

O bilionário Roman Abramovich, dono do Chelsea, é um dos sete cidadãos russos incluídos pelo governo britânico na lista de indivíduos sob sanções, em reação à invasão da Ucrânia pelas tropas de Vladimir Putin. A decisão provoca congelamentos de bens e obriga Abramovich a vender o clube.

Seu crime? Ser russo. Os absurdos dessa comédia de enganos se completam quando vem à tona o nome do provável comprador: um grupo árabe cujo dono é o ditador da Arábia Saudita, denunciado por torturas, prisões ilegais e mais de 370 mil mortes.

A guerra é um campo de batalha e de negócios improváveis. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 15)

Tribunal anula julgamento de jogadores e Parazão vai ser reiniciado

Por entender que os atletas Hatos (Bragantino) e Guga (Águia) foram julgados à revelia em 2021, o TJD decidiu (por 7 a 2) anular o julgamento e extinguir a sentença que penalizou os dois atletas. Com isso, a denúncia apresentada pelo Paragominas caiu por terra e o Campeonato Paraense será reiniciado ainda nesta semana com jogos da 2ª fase. A competição estava suspensa desde terça-feira, 8, por conta do recurso do PFC.

Hatos e Guga tinham sido expulsos no jogo de ida das quartas de final do Parazão 2021, atuando pelo Itupiranga. Na ocasião, Guga (foto) cumpriu suspensão no jogo de volta e, após a eliminação do clube, o meia foi julgado pelo TJD-PA e pegou dois jogos de gancho. Como já havia cumprido um, deveria cumprir o outro na próxima competição promovida pela FPF. O Águia contratou o meia e, assim como de outros atletas, solicitou uma consulta à Federação sobre possíveis irregularidades.

Acontece que Guga e Hatos não foram notificados do julgamento e, por conta disso, foram condenados à revelia. Este foi o motivo da anulação da sentença pelo TJD na sessão desta segunda-feira.

Caso Marielle: quatro anos de manobras e impunidade

Os assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes completam 4 anos nesta segunda-feira (14) sem que se saiba quem são os mandantes do crime. Ao longo desse tempo, houve troca-troca no comando das investigações. Três grupos diferentes de promotores ficaram à frente do caso no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Na Polícia Civil, o quinto delegado assumiu há pouco mais de um mês.

A força-tarefa que investiga o crime afirma ter encontrado os executores e descoberto a dinâmica da noite de 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, na região central do Rio. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz como os assassinos de Marielle e de Anderson. Os ex-PMs, presos em penitenciárias federais fora do RJ, vão a júri popular, ainda não marcado.

Mas a polícia e o MP ainda buscam outras respostas:

  1. Quem mandou matar Marille?
  2. Por que Marielle foi morta?
  3. O crime teve motivação política?
  4. Onde está a arma do crime?
  5. Por que a demora para concluir o caso?
  6. Quais são os próximos passos da investigação?
  7. Existe um prazo para a conclusão do caso?

Para Dani Monteiro, deputada estadual e presidenta da Comissão de Direitos Humanos de Cidadania da Alerj, “hoje Marielle representa um símbolo de luta mundial por direitos humanos”. No dia da posse como parlamentar, a deputada estadual Dani Monteiro — mulher mais jovem a ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na época com 27 anos — teve o vidro do seu carro pichado com ameaças no estacionamento da casa. 

Até hoje, ela não sabe quem tentou intimidá-la, mas tem clareza dos motivos da agressão: “a gente chega para ocupar um espaço na Alerj que historicamente nunca foi nosso. E a gente ainda chega no parlamento com a perspectiva de ser herdeira de Marielle, de ser semente”, conta Dani, que atuou como assessora parlamentar da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março 2018 junto ao seu motorista Anderson do Carmo, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Hoje, Dani é presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (CDH), onde, além de cobrar celeridade no inquérito que investiga o assassinato de Marielle e Anderson, também acompanha dezenas de outros casos de violação de diretos humanos na cidade do Rio de Janeiro.

“O Brasil é um país de muita diversidade e essa diversidade entra em choque constantemente. Deve ser difícil pensar países no mundo que têm uma estruturação tão forte da rede de movimentos de defensores e defensoras de direitos humanos e, ao mesmo tempo, violam tantos direitos humanos”, conta. 

Para Dani, uma questão que merece destaque são as constantes denúncias que a CDH recebe relacionadas à atuação de grupos milicianos no estado. “A milícia no Rio de Janeiro é muito maior e muito mais forte do que a gente pensa. O deputado Marcelo Freixo, quando presidia a comissão, foi responsável por construir a CPI das milícias e a dizer: ‘milícia é máfia, não é segurança de bairro’. Agora a gente precisa avançar nessa perspectiva que a milícia não é só a máfia que tomou os territórios, mas é a própria forma, o modus operandi de como funcionam as relações constituídas na nossa sociedade”, relata.

(Com informações do G1 e da Agência Pública)