Caso Marielle: quatro anos de manobras e impunidade

Os assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes completam 4 anos nesta segunda-feira (14) sem que se saiba quem são os mandantes do crime. Ao longo desse tempo, houve troca-troca no comando das investigações. Três grupos diferentes de promotores ficaram à frente do caso no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Na Polícia Civil, o quinto delegado assumiu há pouco mais de um mês.

A força-tarefa que investiga o crime afirma ter encontrado os executores e descoberto a dinâmica da noite de 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, na região central do Rio. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz como os assassinos de Marielle e de Anderson. Os ex-PMs, presos em penitenciárias federais fora do RJ, vão a júri popular, ainda não marcado.

Mas a polícia e o MP ainda buscam outras respostas:

  1. Quem mandou matar Marille?
  2. Por que Marielle foi morta?
  3. O crime teve motivação política?
  4. Onde está a arma do crime?
  5. Por que a demora para concluir o caso?
  6. Quais são os próximos passos da investigação?
  7. Existe um prazo para a conclusão do caso?

Para Dani Monteiro, deputada estadual e presidenta da Comissão de Direitos Humanos de Cidadania da Alerj, “hoje Marielle representa um símbolo de luta mundial por direitos humanos”. No dia da posse como parlamentar, a deputada estadual Dani Monteiro — mulher mais jovem a ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na época com 27 anos — teve o vidro do seu carro pichado com ameaças no estacionamento da casa. 

Até hoje, ela não sabe quem tentou intimidá-la, mas tem clareza dos motivos da agressão: “a gente chega para ocupar um espaço na Alerj que historicamente nunca foi nosso. E a gente ainda chega no parlamento com a perspectiva de ser herdeira de Marielle, de ser semente”, conta Dani, que atuou como assessora parlamentar da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março 2018 junto ao seu motorista Anderson do Carmo, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Hoje, Dani é presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (CDH), onde, além de cobrar celeridade no inquérito que investiga o assassinato de Marielle e Anderson, também acompanha dezenas de outros casos de violação de diretos humanos na cidade do Rio de Janeiro.

“O Brasil é um país de muita diversidade e essa diversidade entra em choque constantemente. Deve ser difícil pensar países no mundo que têm uma estruturação tão forte da rede de movimentos de defensores e defensoras de direitos humanos e, ao mesmo tempo, violam tantos direitos humanos”, conta. 

Para Dani, uma questão que merece destaque são as constantes denúncias que a CDH recebe relacionadas à atuação de grupos milicianos no estado. “A milícia no Rio de Janeiro é muito maior e muito mais forte do que a gente pensa. O deputado Marcelo Freixo, quando presidia a comissão, foi responsável por construir a CPI das milícias e a dizer: ‘milícia é máfia, não é segurança de bairro’. Agora a gente precisa avançar nessa perspectiva que a milícia não é só a máfia que tomou os territórios, mas é a própria forma, o modus operandi de como funcionam as relações constituídas na nossa sociedade”, relata.

(Com informações do G1 e da Agência Pública)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s