Mês: junho 2021
Direto do Twitter
“Oh, Tite, se você quer ser um dos maiores treinadores da história, pede demissão! Pede demissão da CBF! O maior absurdo do absurdo é a comissão de ética? Que comissão de ética é essa da CBF? Qual é a comissão de ética da CBF? Você está de brincadeira comigo. Me desculpa. Aí vem o vice-presidente e fala: ‘Ah, o Tite vai dirigir o Cuiabá’. Falta de respeito ao Cuiabá, que está sem treinador, aí, o filho do presidente (fala) que o Tite é comunista, que é amigo do Lula. Espera um pouco aí”.
Neto, comentarista da Band
As novas falas do Minto
CBF e a política do caos
POR GERSON NOGUEIRA

A crise da CBF, esboçada na manifestação interna dos jogadores da Seleção Brasileira contra a realização da Copa América (depois que Colômbia e Argentina desistiram), foi explicitada ontem com o afastamento do presidente Rogério Caboclo, acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da CBF. Será substituído pelo paraense Antonio Carlos Nunes, que é o vice-presidente mais idoso.
O coronel reformado da PM-PA terá 30 dias na presidência, enquanto as denúncias contra Caboclo são apuradas. Ao mesmo tempo, caberá a Nunes tomar decisões quanto à Copa América, cuja realização no Brasil foi decidida de comum acordo entre o presidente da CBF e o presidente da República, gerando críticas generalizadas e repúdio até da Seleção.
As providências não podem esperar e, por isso, Nunes vai hoje a Assunção com outros vice-presidentes para reunir com a Seleção. Deve ouvir o técnico Tite e os líderes do grupo de jogadores. A ideia é pacificar e baixar a poeira criada pelas divergências entre o escrete e Rogério Caboclo.
Os jogadores e Tite se irritaram por não terem sido consultados quanto à realização da Copa América. Até mesmo no universo do futebol, normalmente avesso a questões sociais e sanitárias, o açodamento da CBF em acolher o torneio revoltou atletas e integrantes da comissão técnica.
Nunes tentará mediar a situação. A primeira hipótese é a de adiamento da primeira rodada da Copa. Caso o grupo não aceite jogar, haverá o cancelamento com devolução das cotas recebidas pelos participantes.
Especulações surgidas ontem à noite indicam que Tite já sinaliza que permanecerá no cargo, depois do afastamento de Caboclo. Há, ainda, a possibilidade de formação de uma seleção formada por atletas que jogam no Brasil para a disputa da competição.
Aos que gostam de se iludir com aquele bairrismo estéril de sempre lamento informar que a presença de Nunes na presidência da CBF não significa rigorosamente nada. Será um interino no sentido estrito do termo, acatando ordens dos verdadeiros e ocultos poderosos da entidade.
O interesse do governo em promover a Copa América, movido pela intenção de embaralhar as peças do tabuleiro como resposta à CPI da Pandemia, pode dificultar a ação de Nunes em busca de uma solução.
Desimportante há tempos, o torneio perde ainda mais interesse em meio ao caos gerado por uma doença que já matou mais de 470 mil brasileiros. Interferências do governo na CBF eram comuns na ditadura militar. Médici mandou afastar João Saldanha para entronizar Zagallo, em 1970.
O velho Marx ensinou que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. A conferir.

Bom começo faz Leão garantir a primeira vitória
O Remo só precisou atuar bem no 1º tempo para derrotar o Brasil de Pelotas por 1 a 0, sábado à noite, no Baenão. Foi a primeira vitória azulina na Série B 2021, suficiente para garantir presença na parte de cima da classificação. Renan Gorne marcou o gol, aos 26 minutos, desviando de cabeça um cruzamento perfeito do lateral direito Tiago Ennes.
Com o Baenão registrando alta temperatura, o Remo adotou uma postura ofensiva desde os primeiros minutos. Buscava jogadas pelos lados, com Marlon na esquerda e Dioguinho e Tiago pela direita. Foram de Dioguinho as participações mais agudas no começo do jogo.
O meia-atacante, que voltava a atuar como titular, esteve perto de marcar aos 21 e aos 24 minutos, em cabeceio e chutes. O Brasil só se defendia, às vezes com até oito jogadores em torno da grande área.
Insistiu tanto na cautela que, ao sofrer o gol de Renan Gorne, teve dificuldades para avançar suas linhas. Sem repertório, ficava esticando bolas para o ataque, que geralmente saíam pela linha de fundo.
Houve, porém, um lançamento longo do zagueiro Leandro Camilo para o atacante Luiz Fernando, que recebeu livre diante do goleiro Vinícius, mas se atrapalhou na hora de aplicar o drible. Trombou com o goleiro e saiu reclamando um pênalti que não existiu.
Na etapa final, aproveitando a habitual queda de intensidade do Remo, o Brasil se arvorou a atacar. Sem qualidade, mas com muita disposição, dedicou-se a cruzar bolas em direção à área remista. Não levou perigo real, mas incomodou em diversos momentos.
Depois do jogo, o técnico Paulo Bonamigo explicou a diminuição de ritmo da equipe. Atribuiu ao desgaste físico e à dificuldade em atacar pela maneira como o Brasil passou a atuar.
Em parte, é verdade. As trocas no ataque – Gorne por Cariús e Jefferson por Rafinha – reduziram a agressividade. As mexidas no meio (Gedoz por Erick Flores e Uchoa por Artur) comprometeram a organização.
Bonamigo não disse, mas faltou iniciativa para ocupar espaços e impor pressão na saída de bola do time gaúcho. Repetiu-se o cenário de outros jogos: o Remo arrefece depois de fazer gol e confia em vantagens precárias, como o 1 a 0, submetendo-se a riscos desnecessários.
Tiago Ennes, Dioguinho, Romércio e Rafael Jansen foram os melhores. Artur mostrou qualidade nos 15 minutos finais.
O desgaste exibido pela equipe é um problema. A partir desta semana, o Remo enfrentará uma maratona de cinco jogos em apenas 12 dias.
Papão tenta iniciar sequência vitoriosa na Série C
Contra o Botafogo-PB, hoje à noite, na Curuzu, o PSC tem a oportunidade de cravar a primeira vitória no Brasileiro. O técnico Vinícius Eutrópio tem todos os titulares à disposição. Na estreia em Tombos, o time precisou ser reativo. O desafio agora é produzir um balanço ofensivo eficiente. A melhor referência é a final do Parazão diante da Tuna. O time mostrou força para atacar e fazer gols. Gabriel Barbosa estava em campo.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 07)
Rock na madrugada – Dinosaur Jr., “Out There”
Caboclo é afastado e Coronel Nunes assume interinamente presidência da CBF
Antônio Carlos Nunes de Lima, que assume a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após o afastamento de Rogério Caboclo, recebia até o ano passado uma indenização próxima a R$ 15 mil reais do governo federal, como anistiado político da ditadura militar. Coronel Nunes, como é conhecido o cartola, não aparenta ter sido perseguido pelo regime: ele era membro da Polícia Militar do Pará, e chegou a ser prefeito de Monte Alegre, sua cidade-natal, em 1977.

Nunes foi considerado “anistiado” em maio de 2003, durante o primeiro mandato do governo Lula. De acordo com a Lei de 2002 que regulamenta o regime político do anistiado, a ele caberia além do título “reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade”. O Portal da Transparência, no entanto, não indica como o coronel da PM recebeu tais valores.
Foi apenas em junho do ano passado que, entre centenas de revisões, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, revogou o benefício dado ao dirigente do futebol. Nesta data, ele já havia deixado o comando da principal entidade do futebol no Brasil, que havia dirigido entre 2017 e 2019.
A história foi revelada em 2016 pelo repórter Lúcio Castro, então na Agência Pública. A descoberta veio após o governo liberar a lista de anistiados políticos que recebiam indenizações dos cofres públicos.

O então presidente Caboclo foi afastado do cargo neste domingo, após o site ‘Globo Esporte’ expor uma investigação contra o dirigente por assédio, movido por uma funcionária da confederação. Após o Conselho de Ética da CBF pedir seu afastamento e após pressão de patrocinadores, Caboclo cedeu seu lugar por 30 dias. Desta forma, Coronel Nunes – que aos 82 anos é o mais velho dos diretores – passa a comandar interinamente a organização.
A crise ocorre às vésperas da Copa América, programada para iniciar no país em 13 de agosto.
(Transcrito do Congresso em Foco)
A frase do dia
“O campo progressista tem que conseguir que quem votou em Bolsonaro ‘tapando o nariz’ por influência de uma campanha odiosa contra o PT e a esquerda, agora vote, ainda que seja ‘tapando o nariz’, CONTRA Bolsonaro”.
Cynara Menezes, jornalista
CT é atestado de maioridade
POR GERSON NOGUEIRA
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A notícia da compra do Centro de Treinamento entusiasmou a torcida azulina na tarde de sexta-feira. Nas redes sociais, a repercussão lembrou a conquista de um título. E, de fato, é uma vitória e tanto. O anúncio, feito pelo presidente Fábio Bentes, veio em tom de euforia, plenamente justificada pela importância do fato. Além do que representa para a evolução técnica do futebol remista, a aquisição do CT garante acesso ao seleto grupo dos clubes realmente grandes do país.
Em 116 anos de existência, o Remo teve inúmeras oportunidades para se consolidar como um clube profissionalmente respeitável. Na metade do século passado, desfrutava de condições extremamente favoráveis, mas o próprio amadorismo que prevalecia no país não permitia voos mais ousados. Nos anos 70, o clube adquiriu bens – entre os quais um posto de gasolina, posteriormente perdido – e não investiu na estrutura do futebol.
A última tentativa, já nos anos 80, foi a compra da sede campestre, que terminaria vendida em leilão (sem lucro visível) antes de ser utilizada. Fábio Bentes, há três anos presidindo o clube, tornou realidade o que há 10 anos ninguém imaginava possível. Após cuidadosa pesquisa de mercado, fechou negócio com o Carajás para compra da imensa área localizada no bairro de Itaiteua (em Outeiro), região metropolitana de Belém.
Em contato telefônico com a coluna, na sexta-feira, Fábio explicou que nesta semana o campo principal começa a ser preparado para que o elenco possa treinar ainda no mês de junho. Não detalhou os termos da transação. Especula-se que a cifra chegue a R$ 5 milhões – com uma entrada vultosa e parcelamento do valor restante.
Para respaldar o negócio, a diretoria vai encaminhar à apreciação da Assembleia Geral uma alteração do estatuto para que possa ser emitida uma quantidade de títulos de sócios remidos. Para Fábio, a cota extra de títulos vai garantir a quitação da propriedade ainda em 2021. Caso contrário, o CT será quitado ao longo de 2022.
A conquista do CT tem enorme valor patrimonial e extrema relevância para a imagem pública de um clube que passou poucas e boas nos últimos anos, atormentado por problemas financeiros e débitos trabalhistas que pareciam insanáveis, quase um poço sem fundo.
A gestão de Fábio recolocou o Remo nos trilhos. Pacificou as alas políticas, investiu no futebol e resgatou o estádio Evandro Almeida, que permaneceu fechado por cinco anos. Provou, acima de tudo, que trabalho sério e responsável pode operar verdadeiros milagres.
O futebol do Pará não via há décadas uma gestão que produzisse resultados tão expressivos em período de tempo tão curto. Em gesto que evidencia a confiança dos associados, Fábio acabou aclamado para um segundo mandato. Em meio a isso, a volta ao Brasileiro da Série B permitiu um respiro financeiro determinante para a compra do CT.
A sempre reivindicada política de valorização das divisões de base será finalmente posta em prática, a partir de instalações e equipamentos adequados para a preparação de jovens atletas. O centenário Evandro Almeida – que esteve a pique de ser objeto de negociata espúria há menos de duas décadas – poderá ser preservado apenas para jogos oficiais.
O futebol profissional será beneficiado enormemente com o Centro de Treinamento, passando a dispor de atenção técnica especializada quanto à preparação atlética e aos recursos da medicina esportiva de ponta, como extensão do festejado Nasp, em operação nas dependências do Baenão. O torcedor, referia-se ao CT como um sonho impossível, agora pode se orgulhar. O Remo muda de prateleira e passa, de fato, a pensar grande.
Bola na Torre
Valmir Rodrigues apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV, com participações de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a participação de Remo e PSC nas Séries B e C do Campeonato Brasileiro. A edição é de Lourdes Cézar.
É hora de Eutrópio optar pelo óbvio no Papão
A estreia do PSC na Série C contra a Tombense exibiu problemas antigos da equipe. Sem organização e criatividade, o sofrimento prevaleceu por 90 minutos. O gol só saiu no finalzinho, numa jogada isolada, com finalização do volante Bruno Paulista.
Ficou a certeza de que o ataque que precisa funcionar para que o time sofra menos. Mas, para que isso se torne realidade, a criação não pode ser entregue a um meio-campo que se caracteriza apenas pelo esforço de marcação – e nem sempre de forma eficiente.
Ao mesmo tempo, é notória a carência por um atacante mais determinado e capaz de simplificar as coisas na zona de definição. Gabriel Barbosa, herói do título improvável diante da Tuna com quatro gols em dois jogos, era uma escolha óbvia para ocupar o centro do ataque.
Para espanto geral, o técnico Vinícius Eutrópio resolveu contrariar a lógica e manteve a formação titular que Itamar Schulle e Wilton Bezerra (interino) utilizaram. Sem Gabriel. Ora, as obviedades também sinalizam caminhos no futebol. Um goleador precisa de talento, fome de bola e confiança.
Nenhum dos atuais nomes do setor ofensivo, nem mesmo Nicolas, mostra essas virtudes. O atacante iluminado do momento é Gabriel. Por isso mesmo, a ele deve ser dada a chance de seguir marcando gols; ou tentando, pelo menos. Amanhã, contra o Botafogo-PB, espera-se que Eutrópio reveja seus conceitos e defina um novo centroavante titular.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 06)
Enquanto isso…
Fogão derrota Coxa dentro do Niltão
Rock na madrugada – Neil Young, “Fuckin Up”
Vídeo do “ministério paralelo” é a bala de prata

Por Miguel do Rosário
Diante do vídeo vazado do “ministério da saúde paralelo”, a criminalização de Jair Bolsonaro se tornou um imperativo ético, jurídico e político da sociedade brasileira.
Felizmente, todas as pesquisas demonstram que o Brasil já formou uma maioria consciente de que Bolsonaro é um pervertido autoritário, incompetente e ignorante, sem condição nenhuma de ocupar o cargo atual.
Essa não é mais somente uma questão política, porém, mas criminal.
A sequência de vídeos publicados nas últimas horas, sobretudo os vazados pelo jornalista Samuel Pancher, somados a compilações feitas por internautas, com falas de Bolsonaro e de seus assessores clandestinos ou oficiais, como Osmar Terra e Arthur Weitraub, não deixam dúvidas de que o presidente Jair Bolsonaro é um criminoso, um bandido, um assassino, e assim deve ser tratado por todos.
Agora temos uma prova documental de que existia um ministério paralelo da saúde cuja função era disseminar fake news sobre a Covid.
Além do vídeo de Pancher, as compilações divulgadas por contas como o @desmentindobozo nos ajudaram a montar a linha do tempo.
Desde o início da pandemia, havia um ministro da saúde clandestino ao lado de Jair Bolsonaro. Era o deputado Osmar Terra, também conhecido como Osmar Terraplana, por causa de suas “previsões” completamente estapafúrdias sobre a pandemia, todas desmentidas cabalmente pela realidade.
Ao invés de acreditar em seu próprio ministro da Saúde, Bolsonaro preferiu dar crédito a um charlatão. O bom senso, como lembra Descartes, é uma virtude democrática, e até mesmo pessoas sem caráter costumam possuí-la. Para desgraça do Brasil, temos um presidente que não tem caráter nem bom senso, e que buscou juntar seus iguais num “ministério paralelo”, que reuniu uma elite de médicos fracassados, terraplanistas e limítrofes, mas que, inacreditavelmente, serviram de guia ao presidente durante a crise sanitária mais dramática que vivemos e ainda estamos vivendo.
Um detalhe importante: o presidente não mudou nada. Ele ainda segue os conselhos do mesmo grupo.
Esse ministério paralelo trabalhava claramente contra vacinas e em favor do tratamento precoce. Ponto. Esse é o crime que marca o governo Bolsonaro.
O resultado foram quase 500 mil brasileiros mortos, até agora.
Bolsonaro precisa portanto ser criminalizado, em tribunais do Brasil e do exterior, por crimes contra a vida dos brasileiros e contra a humanidade.
A ignorância não é desculpa. Se eu pendurar meu cachorro da janela do quinto andar do prédio e soltá-lo, e ele morrer espatifado lá embaixo, seria absurdo justificar esse crime com um “eu não sabia que existia gravidade”.
Loucura igualmente não é desculpa, porque então todos os homicidas do país que estão presos ou em vias de sê-lo poderiam alegar loucura e permanecer em liberdade. Bolsonaro cometeu todos esses crimes com plena consciência do que estava fazendo.