Os campeões da internet

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Saiu a atualização do Top 10 de clubes com mais seguidores virtuais no país. O Flamengo é o primeiro colocado, com ampla vantagem. Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Grêmio, Vasco, Atlético-MG, Cruzeiro e Internacional completam a lista. Esses números são uma somatória de Instagram, Facebook, Twitter, Youtube e Tiktok.

(Crédito: Ibope/Repucom)

Papão prepara barca de dispensas

Igor Goularte é um dos jogadores que estão deixando o Paysandu — Foto: John Wesley/Ascom Paysandu

Depois da saída do atacante Gabriel Barbosa, que retornou ao Palmeiras, o PSC deve anunciar nos próximos dias uma lista de dispensas. Segundo especulações surgidas na Curuzu, os atacantes Igor Goularte (foto) e Ari Moura e o volante Elyezer estariam no grupo. Baixo rendimento técnico, associado a problemas extracampo, seriam as causas das prováveis dispensas.

Goularte esteve a pique de ser dispensado ainda durante o Parazão. Dias antes do jogo com o Tapajós, em abril, ele faltou a um treino sem dar explicações. O técnico Itamar Schulle entregou o caso à diretoria, mas o jogador acabou perdoado. Com Ari Moura ocorreu mais ou menos a mesma situação e o jogador foi reintegrado.

O paraense Elyeser não conseguiu se firmar. Entrou em dois jogos como titular, mas sem marcar presença, a não ser no confronto com o Bragantino pelas quartas de final do Parazão quando marcou o gol da vitória, na Curuzu. Alguns outros nomes estão sob avaliação da comissão técnica e do executivo Ítalo Rodrigues, podendo vir a entrar para o rol de dispensados. A pressão da torcida após a péssima atuação diante do Botafogo-PB apressou a tomada de decisões.

Outro que pode estar deixando o clube é o lateral-esquerdo Diego Matos, cria da base que não ganhou chances no time titular na temporada. Apesar de tecnicamente superior ao titular Bruno Collaço, ficou sempre no banco de reservas. Diego tem um pré-contrato com o Avaí (SC) e deve ser cedido ao clube catarinense.

Um trabalho sob desconfiança

POR GERSON NOGUEIRA

Vinícius Eutrópio, técnico do Paysandu — Foto: Ascom Paysandu

Depois do pífio desempenho do PSC contra o Botafogo paraibano, a pergunta que se impõe é: o time tem condições de render mais, apesar das limitações óbvias? É possível que sim. Boas apresentações foram raras na temporada, mas na final do Parazão contra a Tuna o rendimento foi muito acima do esperado, o que permite imaginar que nem tudo está perdido.

Na ocasião, pressionado pelas circunstâncias, necessitando golear para ficar com o título, o PSC foi intenso e eficiente na maior parte do jogo. Algo que não se tinha visto antes e que, curiosamente, não se viu depois.

Pelas afirmações de Vinícius Eutrópio após a derrota para o Botafogo, o caminho para adquirir competitividade será longo e árduo. O técnico não conseguiu sequer ler corretamente o que se viu em campo. Limitou-se a repetir o clichê de que o adversário veio jogar “por uma bola”.

Além de pouco criativo, Eutrópio não analisou bem a atuação de seu time, o que pode vir a ser um problema ao longo da competição. Explicar o vexame com o fato de o PSC ter enfrentado um adversário que veio para explorar erros é de um primarismo assustador.

Qualquer time, em qualquer campeonato, atua sempre no sentido de se beneficiar de eventuais falhas do oponente. Futebol é assim desde que a bola é redonda. O técnico, que treina a equipe há pouco mais de três semanas, teve tempo para corrigir erros e ajustar a marcação.

Causa surpresa a insistência com titulares que não conseguiram render no Campeonato Paraense. O lateral Bruno Collaço e os volantes Paulinho e Ratinho não se consolidaram contra adversários mais modestos no Estadual. É óbvio que teriam problemas contra times da Série C.

No caso da lateral esquerda, há um reserva qualificado pedindo passagem. Diego Matos, ágil e técnico, é uma opção natural para a posição. No meio-campo, Eutrópio terá que buscar alternativas para a produção deficiente e insatisfatória da dupla titular.

Caso consiga descobrir alternativas no elenco, o time tende a melhorar em relação aos dois jogos realizados no Brasileiro. No primeiro, a desorganização deu o tom. No segundo, em casa, faltou pegada e sobrou distanciamento entre os setores.

A insegurança começou pela linha de defesa, onde Perema e Denilson pareciam estar se conhecendo ali naquela noite. Erros de posicionamento, saídas equivocadas e dificuldade de recuperação comprometeram o trabalho defensivo. Os laterais jogaram no mesmo nível ruim.

Com a saída do artilheiro Gabriel Barbosa, anunciada ontem, Eutrópio perde uma boa alternativa para mudar a rotação do ataque. Nas circunstâncias atuais, o mais recomendável é investir em talento.

Para começar, Jhonnatan, João Paulo, Diego Matos e Ari Moura, os mais técnicos do elenco, deveriam ser priorizados na escalação para o difícil confronto de sábado com a Jacuipense, em Salvador.

Copa América: diferenças que aumentam os riscos

Na iminência da chamada terceira onda da pandemia no país, o governo abraçou a causa da realização da Copa América, depois que o torneio foi inviabilizado na Colômbia e na Argentina. A oposição a essa clara imprudência é vista por alguns como incoerência ou hipocrisia. Entendem, como diz a Conmebol, que será seguido o mesmo protocolo adotado na Libertadores e nas Eliminatórias da Copa 2022. Não é verdade.

É fato óbvio que Eliminatórias não deveriam ocorrer no formato atual, em ida e volta, enquanto o continente é assolado duramente pela pandemia. Ainda assim, é um torneio com características diferentes da Copa América.

O acesso ao Mundial do Catar consiste em jogos que ocorrem em cada país, por vez, com a presença de uma delegação visitante – como ontem, em Assunção, para o jogo Paraguai e Brasil. Isso implica na presença de uma comitiva de 50 pessoas, além de árbitros e delegados.

Na Libertadores, a situação se repete. As delegações passam apenas dois dias no local da partida, com um contingente máximo de 50 pessoas. Depois dos jogos, os times voltam para o país de origem.

Cenário inteiramente contrário do que veremos na Copa América. Cerca de 800 pessoas irão se deslocar de nove países, além do estafe da Conmebol e profissionais de arbitragens de toda a América do Sul.

Junte-se a isso dirigentes de empresas parceiras e o total de visitantes chegará a mais de 2 mil pessoas viajando para o Brasil. O torneio vai de 13 de junho a 10 de julho, com quatro cidades-sede (Rio, Brasília, Cuiabá e Goiânia) e deslocamentos constantes por avião para cumprir os 28 jogos.

Não há termo de equivalência com competições que impõem partidas isoladas em determinado país. Piora ainda mais o quadro a ausência de um protocolo sanitário específico para a Copa América.

Os protocolos das Eliminatórias e Libertadores não serão empregados no torneio continental. Em documento preliminar, a Conmebol chegou a divulgar que usaria o sistema da NBA: criaria uma bolha para resguardar os jogadores. Prometeu, ainda, vacina para todos os participantes, fato já desmentido pelo ministro da Saúde do Brasil.

Para arrematar, não custa lembrar que o Flamengo foi vítima de surto durante passagem pelo Equador no ano passado. Neste ano, o Grêmio passou pelo mesmo perrengue. O Independiente trouxe jogadores infectados para um jogo em Salvador, pela Sul-Americana.

O episódio mais recente envolveu o River Plate, que ficou sem goleiro para enfrentar o Santa Fé. A delegação sofreu um surto generalizado. E se isso ocorrer durante a Copa, em hotéis comuns para atletas, árbitros, dirigentes e parceiros?

A agressividade das novas variantes é de conhecimento público e o Brasil tem hoje média de 2 mil óbitos/dia. O risco é maior do que sinalizam a posição da Conmebol e a decisão do governo brasileiro, cujos cuidados com a pandemia obviamente não podem ser levados a sério.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 09)

Seleção não se rebelou contra CBF ou o governo; quer apenas garantir as férias

Neymar durante treino da seleção brasileira - Lucas Figueiredo/CBF

Por Rodolfo Rodrigues, no UOL

Fomos iludidos. Quem imaginou que os jogadores da seleção brasileira estariam se posicionando contra a realização da Copa América no Brasil por causa da grave crise da pandemia do coronavírus foi enganado. Quem também achou que a briga do grupo de Tite era contra o presidente da CBF, Rogério Caboclo, que se aliou ao presidente Jair Bolsonaro, por trazer a competição de última hora para o país, também se enganou. Ou ainda quem ainda pensou que os jogadores falaram em boicote após o caso de assédio sexual de Caboclo, também caiu do cavalo.

O tal ‘posicionamento’ foi sempre pelo interesse próprio dos jogadores, que queriam férias nesses meses de junho e julho, após o fim da temporada europeia 2020/21. Casemiro deu entrevista depois da vitória sobre o Equador dizendo que ‘todos sabem do nosso posicionamento’, mas em momento algum deixou claro que a insatisfação era contra a realização da Copa América no Brasil.

Todos sabemos que esse grupo de jogadores é o mais alienado na história do futebol, como bem disse Casagrande em seu blog no Globoesporte recentemente. Com exceção de Richarlison, o único que se manifesta em prol das minorias e contra as atrocidades do Governo Federal, os demais pensam apenas em mostrar para todos o incrível mundo de luxo em que vivem.

Neymar, nosso principal jogador, sequer consegue enxergar o que se passa no Brasil. Já fez diversos posts ao lado dos parças, sem máscara, e nem aí para a pandemia. Já vacinado, quer mais é aproveitar o longo recesso no calendário europeu, que parou completamente para a disputa da Euro 2020.

Não é de hoje que jogadores da seleção querem boicotar a Copa América. Em 2004, Parreira levou um time B para a edição disputada no Peru. Em 2007, na Venezuela, os dois principais jogadores abriram mão do torneio para ‘curtir’ férias: Ronaldinho Gaúcho e Kaká. No caso de Ronaldinho, a falta de compromisso com o técnico Dunga pesou na sua ausência para a Copa do Mundo de 2010.

Já que o futebol não parou para a disputa das Eliminatórias, da Libertadores (que recebe times da América do Sul toda semana aqui), ou do Brasileirão, qual o motivo dos jogadores boicotarem a Copa América? Por que os jogadores que chegam da Europa alegam cansaço ao final da temporada sempre antes da Copa América? Por que quando é Copa do Mundo ninguém vem cansado?

Tomar uma posição política, boicotar a Copa América e peitar CBF, Conmebol e Governo Federal seria histórico. Mas muito improvável vindo desse grupo de jogadores, marcado por choro cai-cai dentro de campo.

Manifesto pífio e patético é a cara do jogador de futebol médio no Brasil

Os jogadores da seleção brasileira divulgaram um manifesto após a vitória sobre o Paraguai, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, no qual se disseram contrários à organização da Copa América, fizeram críticas à Conmebol, mas que não se recusariam a jogar, sem especificar também o motivo pelo qual são opostos à realização do evento no país. No UOL News Esporte, com Domitila Becker, Mauro Cezar Pereira afirma que o manifesto é patético, reflete o que é o jogador de futebol médio no Brasil e só perde em constrangimento para a carta da Dona Lúcia após o 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014.

“Manifesto patético, um texto escrito por algum assessor, aliás, um texto muito pobre, constrangedor, que é a cara do jogador de futebol médio no Brasil. Os jogadores de futebol no Brasil, salvo exceções, são pessoas muito bem-sucedidas profissionalmente, esses de sucesso, claro, que ganham muito bem, que merecem tudo o que conquistam, porque trabalharam para isso, mas são geralmente alienados ou omissos, como a comissão técnica da seleção brasileira”.

Seleção brasileira perfilada para a partida contra o Paraguai pelas Eliminatórias, vitória por 2 a 0 em Assunção - Christian Alvarenga/Getty Images

Embora não se surpreenda com o conteúdo, o jornalista diz que a partir do momento em que os atletas revelaram que gostariam de se manifestar, era de se esperar alguma posição mais contundente e chama a atenção para o fato de o texto divulgado ignorar a participação da própria CBF e do governo federal na realização da Copa América no Brasil.

“Ninguém é obrigado a se manifestar com relação a nada, as pessoas se manifestam quando elas querem, mas a partir do momento em que eles dizem que são contra a Copa América no Brasil e que o Casemiro, depois do jogo anterior contra o Equador diz ‘queremos falar’, você imagina que vão dizer algo que tenha algum conteúdo, que faça algum sentido. Não faz nenhum sentido o que eles escreveram ou que alguém para eles escreveu”, diz Mauro.

“Atacam a Conmebol pela organização da Copa América, mas não citam a CBF, que foi quem intermediou a vinda da competição ao Brasil junto ao governo federal. Então, a partir do momento em que você critica a Copa América no Brasil, você tem que criticar a Conmebol, a CBF e o governo federal. Não tem como você ficar nessa mureta e ao mesmo tempo falar ‘sou contra a Copa América’. Você é contra e faz o quê, amigo? Emite essa cartinha mequetrefe que só perde no quesito constrangimento para a carta da Dona Lúcia depois do 7 a 1, é um negócio horroroso isso que eles fizeram”, completa.

Mauro cita o fato de a divulgação ter ocorrido em stories do Instagram, que se apagam em 24 horas, a falta de citarem o motivo pelo qual são contrários à Copa América, se é pela pandemia, assim como lamenta a declaração do zagueiro Marquinhos na entrevista coletiva sobre não dever se manifestar vestindo a camisa da seleção brasileira.

“Por que são contra a Copa América? Por que não disseram? É por conta da covid, da pandemia, do número de mortos, por que? Por que eles são contra a Copa América, mas aceitam jogar as eliminatórias viajando pela América do Sul, que continua sofrendo muito com a pandemia? É um continente pobre onde muita gente está morrendo, não é só no Brasil. A carta é pobre, é a cara do que é o jogador de futebol brasileiro, salvo algumas exceções, de alguns que se posicionam. O Marquinhos ainda falou que quem quiser se manifestar, que o faça de casa e não com a camisa da seleção brasileira, que é bem a cara do que são geralmente os jogadores de futebol profissionais e a entrevista do Tite, depois o Juninho Paulista, é um negócio pavoroso, são pessoas realmente que não se posicionam para nada”, conclui. (Do UOL)