CBF e a política do caos

POR GERSON NOGUEIRA

A crise da CBF, esboçada na manifestação interna dos jogadores da Seleção Brasileira contra a realização da Copa América (depois que Colômbia e Argentina desistiram), foi explicitada ontem com o afastamento do presidente Rogério Caboclo, acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da CBF. Será substituído pelo paraense Antonio Carlos Nunes, que é o vice-presidente mais idoso.

O coronel reformado da PM-PA terá 30 dias na presidência, enquanto as denúncias contra Caboclo são apuradas. Ao mesmo tempo, caberá a Nunes tomar decisões quanto à Copa América, cuja realização no Brasil foi decidida de comum acordo entre o presidente da CBF e o presidente da República, gerando críticas generalizadas e repúdio até da Seleção.

As providências não podem esperar e, por isso, Nunes vai hoje a Assunção com outros vice-presidentes para reunir com a Seleção. Deve ouvir o técnico Tite e os líderes do grupo de jogadores. A ideia é pacificar e baixar a poeira criada pelas divergências entre o escrete e Rogério Caboclo.

Os jogadores e Tite se irritaram por não terem sido consultados quanto à realização da Copa América. Até mesmo no universo do futebol, normalmente avesso a questões sociais e sanitárias, o açodamento da CBF em acolher o torneio revoltou atletas e integrantes da comissão técnica.

Nunes tentará mediar a situação. A primeira hipótese é a de adiamento da primeira rodada da Copa. Caso o grupo não aceite jogar, haverá o cancelamento com devolução das cotas recebidas pelos participantes.

Especulações surgidas ontem à noite indicam que Tite já sinaliza que permanecerá no cargo, depois do afastamento de Caboclo. Há, ainda, a possibilidade de formação de uma seleção formada por atletas que jogam no Brasil para a disputa da competição.

Aos que gostam de se iludir com aquele bairrismo estéril de sempre lamento informar que a presença de Nunes na presidência da CBF não significa rigorosamente nada. Será um interino no sentido estrito do termo, acatando ordens dos verdadeiros e ocultos poderosos da entidade.

O interesse do governo em promover a Copa América, movido pela intenção de embaralhar as peças do tabuleiro como resposta à CPI da Pandemia, pode dificultar a ação de Nunes em busca de uma solução.

Desimportante há tempos, o torneio perde ainda mais interesse em meio ao caos gerado por uma doença que já matou mais de 470 mil brasileiros. Interferências do governo na CBF eram comuns na ditadura militar. Médici mandou afastar João Saldanha para entronizar Zagallo, em 1970.

O velho Marx ensinou que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. A conferir.

Renan Gorne marca o gol do Remo contra o Brasil de Pelotas

Bom começo faz Leão garantir a primeira vitória

O Remo só precisou atuar bem no 1º tempo para derrotar o Brasil de Pelotas por 1 a 0, sábado à noite, no Baenão. Foi a primeira vitória azulina na Série B 2021, suficiente para garantir presença na parte de cima da classificação. Renan Gorne marcou o gol, aos 26 minutos, desviando de cabeça um cruzamento perfeito do lateral direito Tiago Ennes.

Com o Baenão registrando alta temperatura, o Remo adotou uma postura ofensiva desde os primeiros minutos. Buscava jogadas pelos lados, com Marlon na esquerda e Dioguinho e Tiago pela direita. Foram de Dioguinho as participações mais agudas no começo do jogo.

O meia-atacante, que voltava a atuar como titular, esteve perto de marcar aos 21 e aos 24 minutos, em cabeceio e chutes. O Brasil só se defendia, às vezes com até oito jogadores em torno da grande área.

Insistiu tanto na cautela que, ao sofrer o gol de Renan Gorne, teve dificuldades para avançar suas linhas. Sem repertório, ficava esticando bolas para o ataque, que geralmente saíam pela linha de fundo.

Houve, porém, um lançamento longo do zagueiro Leandro Camilo para o atacante Luiz Fernando, que recebeu livre diante do goleiro Vinícius, mas se atrapalhou na hora de aplicar o drible. Trombou com o goleiro e saiu reclamando um pênalti que não existiu.

Na etapa final, aproveitando a habitual queda de intensidade do Remo, o Brasil se arvorou a atacar. Sem qualidade, mas com muita disposição, dedicou-se a cruzar bolas em direção à área remista. Não levou perigo real, mas incomodou em diversos momentos.

Depois do jogo, o técnico Paulo Bonamigo explicou a diminuição de ritmo da equipe. Atribuiu ao desgaste físico e à dificuldade em atacar pela maneira como o Brasil passou a atuar.

Em parte, é verdade. As trocas no ataque – Gorne por Cariús e Jefferson por Rafinha – reduziram a agressividade. As mexidas no meio (Gedoz por Erick Flores e Uchoa por Artur) comprometeram a organização.

Bonamigo não disse, mas faltou iniciativa para ocupar espaços e impor pressão na saída de bola do time gaúcho. Repetiu-se o cenário de outros jogos: o Remo arrefece depois de fazer gol e confia em vantagens precárias, como o 1 a 0, submetendo-se a riscos desnecessários.

Tiago Ennes, Dioguinho, Romércio e Rafael Jansen foram os melhores. Artur mostrou qualidade nos 15 minutos finais.

O desgaste exibido pela equipe é um problema. A partir desta semana, o Remo enfrentará uma maratona de cinco jogos em apenas 12 dias.

Papão tenta iniciar sequência vitoriosa na Série C

Contra o Botafogo-PB, hoje à noite, na Curuzu, o PSC tem a oportunidade de cravar a primeira vitória no Brasileiro. O técnico Vinícius Eutrópio tem todos os titulares à disposição. Na estreia em Tombos, o time precisou ser reativo. O desafio agora é produzir um balanço ofensivo eficiente. A melhor referência é a final do Parazão diante da Tuna. O time mostrou força para atacar e fazer gols. Gabriel Barbosa estava em campo.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 07)

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