Jogadores do PSC recebem ameaças e agressões de torcedores antes de embarque

Ninguém contava com essa. Os jogadores do PSC tiveram uma surpresa e tanto na tarde desta sexta-feira (25) no embarque para Fortaleza. Um grupo de torcedores com camisas de uma facção que foi extinta pela Justiça hostilizou os atletas, chegando a dar empurrões e chutes, além de xingamentos desde a chegada da delegação até a subida para o piso superior do aeroporto de Val-de-Cans.

Os manifestantes alegavam, aos gritos, que estavam lá para protestar contra a atual fase da equipe na Série C. Sem seguranças acompanhando o grupo, os jogadores ficaram expostos às ameaças. Nas imagens postadas nas redes sociais, os gritos eram dirigidos aos mais conhecidos da equipe, como o ídolo Nicolas. “Se perder, já sabe”, gritava a turba.

Sem marcar há 14 partidas, Nicolas foi o alvo preferencial do grupo. As imagens mostram o atacante sendo cercado e levando um tapa nas costas. O volante Bruno Paulista levou um chute nas pernas e se voltou para encarar o torcedor que o empurrou.

Outro que sofreu ataque foi o goleiro Victor Souza. No meio do empurra-empurra, ele se esquivou de um chute antes de tomar a escada para a área de embarque. Em nota oficial, o clube condenou “os atos de agressividade” e informou que tomará “as providências cabíveis”. “O Paysandu Sport Club entende que o torcedor é livre para expressar publicamente suas manifestações e sentimentos, mas jamais vai admitir atos de violência.

No domingo, às 15h30, o PSC joga com o Floresta no estádio Domingão, em Horizonte (CE). Com cinco pontos, o time está na 8ª posição do Grupo A da Série C do Brasileiro.

A longa noite sem gols

POR GERSON NOGUEIRA

Nicolas vive jejum de gols no Paysandu — Foto: Jorge Luís Totti/Ascom Paysandu

A má fase de Nicolas é um problema que incomoda o PSC e desperta indagações em toda parte. Ninguém reconhece mais o jogador agudo, eficiente e fundamental das temporadas anteriores. Não marca há 14 partidas. A última vez foi na goleada sofrida para o Remo pela 4ª rodada do Campeonato Paraense, no começo de abril. O jejum alcança hoje 80 dias, algo inédito no histórico de Nicolas no clube.

Ainda mantém o posto de principal goleador do time, com cinco gols na temporada – divide essa marca com Gabriel Barbosa, que já bateu asas rumo a novos projetos. Longe de servir consolo só serve para acentuar a imensa dificuldade que a equipe tem sentido para marcar gols.

No Paraense, o Papão registrou sua pior artilharia em quatro anos, apesar da conquista do bicampeonato. Na Série C, a pindaíba ofensiva permanece: foram apenas três gols marcados em quatro rodadas. Muito pouco para quem sonha em conquistar o acesso.

Ao mesmo tempo, a baixa produção de gols está diretamente associada à ineficiência de Nicolas no comando do ataque neste ano. Muitos fatores são levantados como forma de o mau momento, mas na prática ninguém sabe explicar ao certo o que se passa com o ídolo da Fiel.

Preso a um contrato de longa duração, o atacante foi sondado por outros clubes (Sport, Goiás e Vasco) no início do ano, mas não teve como sacramentar nenhuma negociação. Chegou a se desgastar no contato com dirigentes e técnico do Vasco, mas permaneceu na Curuzu.

A dúvida é se o ânimo é o mesmo, após ter perdido a chance de disputar a Série A ou mesmo a Segunda Divisão. Já na faixa dos 30 anos, Nicolas sabe que a carreira é curta e a valorização não dura sempre, principalmente numa divisão sem grande visibilidade.

Tudo piora, é claro, quando ele não faz gols, justamente o que despertou o interesse em seu futebol. Pode-se dizer, sem erro, que jogando no nível atual o artilheiro saiu por completo do radar de outros clubes.

Em defesa do jogador, cabe considerar que as deficiências criativas apresentadas pelo PSC no Parazão, com Itamar Schulle, e na Série C, com Vinícius Eutrópio, comprometem o rendimento dos atacantes. Não há vida inteligente no meio-campo e, com isso, Nicolas e os demais homens de frente ficam inteiramente isolados e sem chances.

No ano passado, mesmo com carências no elenco e várias trocas de treinadores, o time ainda produzia jogadas que permitiam a Nicolas usar com presteza seu talento na área e a vocação para o cabeceio. Em 2021, nem o jogo aéreo básico é explorado. Por isso, o longo hiato não pode ser colocado exclusivamente na conta do centroavante. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Enfim, um reforço que chega para ser titular

Marcos Jr. foi o reforço anunciado ontem pelo Remo. Uma aposta para dar mobilidade e força de marcação ao meio-campo. É mais um segundo volante que chega. Não é criativo, embora saiba jogar próximo à área. Pode ser importante como terceiro homem, auxiliando o meia-armador. É, por assim dizer, um Erick Flores mais jovem, atuando no meio com boa utilização na cobertura dos laterais.

A torcida, porém, precisa entender que o ex-bicolor (passou pela Curuzu em 2018) está sem jogar nesta temporada, abrindo dúvidas sobre sua real situação física e técnica. A última participação foi como titular no Vasco, onde atuou 66 vezes e marcou três gols durante a Série A 2020. A má notícia é que o Almirante foi rebaixado.

Marcos Jr. não é um volante que costuma pisar na área, nem é de dar assistências. É um meio-campista mediano, que pode ser útil ao Remo se Bonamigo estiver disposto a povoar mais a meia-cancha, saindo do modelo atual com três homens de meio. Seria um jogador para atuar mais próximo a Uchoa e liberando Lucas Siqueira para ações mais ofensivas.

O lado positivo é que, ao contrário das últimas aquisições (Kiss, Flores, Rafinha, Jefferson), Marcos Jr. chega com status de titular. Será criado um lugar para ele no time, como terceiro homem ou disputando posição com Uchoa. Não deixou marcas na passagem pelo PSC em 2018 e saiu alegando razões particulares.

Victor Andrade, atacante especulado como possível reforço, não foi oficialmente confirmado. Era uma promessa das bases do Santos e surgiu na mesma fornada de Gabigol. Acontece que não se firmou mais em lugar nenhum. Estava na Coreia do Sul, após defender o Goiás no ano passado.

Direto do blog campeão

“No meu círculo de amigos, torcedores do Remo, há a consciência de que o clube vem em longo processo de soerguimento técnico e financeiro. Não esquecemos que, há pouco tempo, nem série tínhamos e o Baenão estava em ruínas. Os sucessos recentes são méritos dos últimos dirigentes e da torcida engajada. O torcedor consciente sabe que a meta a alcançar nesta Série B é manter-se nela, pela penca de problemas que o clube tem ainda a resolver, principalmente os financeiros. Agora, não há como negar que, nessa escalada, o sarrafo a ser ultrapassado vai sendo colocado em posição cada vez mais alta. Os times da Série B estão nivelados, vistos pelos adversários que o Remo enfrentou e pelos resultados gerais da competição até o momento. Vencer em casa é crucial para fazer uma boa campanha”.

Miguel Silva

“O time com Lucas Tocantins é outro, porém agora já compreendemos porque o atleta não permaneceu no clube anterior. No entanto, como ele disse, é possível ainda corrigir. Ao menos para conseguir manter-se na Série B para o ano seguinte”.

Antonio Valentim

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 25)

Por onde a água passa

Capa do e-book Por onde a água passacoletânea de artigos de antes e durante a quarentena,com auto-fotografia do autor e vista panorâmica para a baia da Praia do Itaguá, a partir do antigo do Cais do Porto de Ubatuba, Litoral Norte do Estado de São Paulo. Data: 05/07/2020.

Por Heraldo Campos

“Por onde a água passa produz modificações. Pode dissolver os minerais das rochas e arrastar seus componentes bem distantes para a deposição. Pode formar rios, lagos e oceanos, acumulando um volume considerável de espécies aquáticas. Pode tanto recarregar os aquíferos como transbordar em áreas de inundação e causar prejuízos econômicos em áreas urbanas.”

A introdução acima abria o e-book Por onde a água passacoletânea de artigos e foi a primeira coletânea publicada pelo autor em 2019, que reunia 74 artigos em fac-símiles escritos para o jornal Gazeta de Ribeirão,entre os anos 2006 e 2012, e que procurou divulgar o tema relacionado às Ciências da Terra, com ênfase no Aquífero Guarani.

Essa coletânea encontra-se disponível no repositório de documentos do CeReGAS – Centro Regional para la Gestión de Aguas Subterráneas (UNESCO) [1] e pode ser acessada, gratuitamente, também, através dos sites da Alumni USP [2]  e do Instituto Humanitas Unisinos [3]. A segunda e recente coletânea Por onde a água passacoletânea de artigos de antes e durante a quarentena que reúne 104 crônicas, escritas entre julho de 2019 e maio de 2021, foi motivada pela necessidade de se falar do nosso dia a dia, vivendo a maior parte do tempo em quarentena por causa da pandemia do coronavírus e abrange temas variados como geologia, política, futebol e muitas lembranças de um passado não muito distante. A sua publicação, em outro e-book, disponível no formato PDF, ISBN 978-65-88816-20-2, pode ser acessada, gratuita e diretamente, pela BASE ACERVUS – Sistema de Bibliotecas da UNICAMP [4].

Nesses tempos difíceis que estamos vivendo no Brasil e no mundo, espera-se com esta forma de abordagem dos temas aqui tratados que alguns deles possam estimular, modestamente, mentes e corações, na busca de um caminho mais esperançoso para o nosso país e para a maioria das pessoas. As águas passam e as pessoas também, mas não nos esqueçamos de que as memórias ficam registradas e elas nos movimentam de um lugar para o outro, mesmo que a maré, momentamente, seja contra a maioria.

“Cais do porto / Tenha pena de mim / Já é dia, nem vestígio sequer / Não será cais do porto / Aquela luzinha que lá longe apaga e acende / Fazendo sinal quem sabe pra mim”.

(trecho de “Cais do Porto” de Capiba).

Acessos

[1] CeReGAS – Centro Regional para la Gestión de Aguas Subterráneas (UNESCO)

http://ceregas.org/files/Repositorio%20documentos%20agua%20subterranea/Documentos%20del%20excel/50%20Por%20onde%20a%20agua%20passa%20Heraldo%20Campos%2021%2005%202019.pdf

[2] Alumni USP

http://www.alumni.usp.br/coletanea-de-artigos-por-onde-a-agua-passa-de-geologo-ex-aluno-da-usp/

[3] Instituto Humanitas Unisinos

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/593968-por-onde-a-agua-passa

[4] BASE ACERVUS – Sistema de Bibliotecas da UNICAMP

http://acervus.unicamp.br/index.asp?codigo_sophia=1165322

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.