Mick Jagger posando com seu Aston Martin, em 1965.
Mês: novembro 2020
Justiça Eleitoral proíbe eventos presenciais de campanha em Belém
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu suspender, a partir desta quinta-feira, 5, comícios, bandeiraços, passeatas, caminhadas, carreatas e quaisquer tipos de eventos presenciais de campanha. A proibição vale para espaço aberto, semiaberto e até em formato drive-in, confraternizações e arrecadações de fundos de campanha, que possam vir a causar aglomerações de pessoas.
A decisão atende preocupação manifesta em ofício pela Procuradoria Regional Eleitoral do Pará, de terça-feira, 3, que pede a proibição de “atos presenciais de campanha que causem aglomeração de pessoas, tais como: comícios, bandeiraços, passeatas, carreatas e similares”.
A medida visa conter a propagação do vírus da covid-19 no estado. De acordo com o TRE, a “conjuntura de extrema gravidade e incertezas decorrente da pandemia da covid-19 está por exigir postura responsável de todos e, sobretudo, daqueles que almejam ocupar cargos nos Poderes Legislativo e Executivo, responsáveis pela definição e execução de políticas públicas, bem assim da própria Justiça Eleitoral”.
A resolução, assinada pelo desembargador Roberto Gonçalves de Moura, prevê, ainda, o uso de força policial para fazer valer as novas orientações, podendo os responsáveis pelo descumprimento serem enquadrados em “crime de desobediência”.
O procurador regional eleitoral do Pará, Felipe de Moura Palha, afirmou, na tarde desta quinta-feira, 5, que a suspensão dos eventos presenciais de campanha política ocorreu porque “todos os candidatos estavam desrespeitando medidas sanitárias”. Foi a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE) que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu pela proibição.
“Se percebeu que todos os candidatos estavam desrespeitando as normas sanitárias estipulados pelo próprio governo do Estado, através da Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública) e as secretarias municipais de Saúde. Se percebeu que em quase todos, se não todos, os atos de campanha presencial, pessoas estavam sem máscaras, sem manter o isolamento necessário de 1,5 metro”, disse o procurador.
Pandemia de memes – XXXIV
Record demite comentarista que responsabilizou Mariana Ferrer por estupro

Por Mauricio Stycer
O comentarista Rodrigo Constantino foi desligado da Record. Ele escrevia no site R7 e fazia comentários na Record News. A decisão é uma consequência das declarações de Constantino sobre o caso da jovem Mariana Ferrer, que acusou um empresário de estupro em uma casa noturna de Jurerê Internacional (SC). Em uma transmissão ao vivo, Constantino afirmou que, se sua filha sofresse um abuso em condições semelhantes, ele não denunciaria o homem e a deixaria de castigo.
Em nota, a Record disse que “a decisão foi tomada em virtude das posições que o profissional assumiu publicamente sobre violência contra a mulher, em canais que não têm nenhuma vinculação com nossas plataformas. O jornalismo dos veículos do Grupo Record tem acompanhado com muita atenção o caso de Mariana Ferrer e o Grupo não poderia, neste momento, deixar qualquer dúvida de que justiça não se faz responsabilizando ou acusando aqueles que foram vítimas de um crime.”
A emissora acrescentou: “Apesar de ter garantias de liberdade editorial e de opinião, julgamos que o posicionamento adotado por Constantino não compactuou com o nosso princípio de não aceitar nenhum tipo de agressão, violência, abuso, discriminação por questões de gênero, raça, religião ou condição econômica.”
Em mensagem no Twitter, Constantino comentou a decisão: “A Record foi mais um veículo que não aguentou a pressão. O departamento comercial pede ‘arrego’, pois recebe pressão de fora, dos chacais e hienas organizados, dos ‘gigantes adormecidos’. Sim, perdi mais um espaço, mas sigo com minha total independência e com minha integridade”.
Na quarta-feira, Constantino foi afastado da Jovem Pan, onde trabalhava. Em nota, a empresa afirmou que acredita que “a vítima não deve ser responsabilizada pelos atos de seu agressor” e comunicou a demissão de Constantino:
“Diante do ocorrido nesta quarta-feira em uma live independente promovida fora de nossas plataformas por um de nossos comentaristas, o Grupo Jovem Pan esclarece que desaprova veementemente todo o conteúdo publicado nos canais pessoais e apresentado nessa live.”
“Reafirmamos que as opiniões de nossos comentaristas são independentes e necessariamente não representam a opinião do Grupo Jovem Pan. No caso de Mariana Ferrer, defendemos que a vítima não deve ser responsabilizada pelos atos de seu agressor, apesar do respeito que todos nós devemos ter às decisões judiciais”, continua o comunicado.
“Em consequência do episódio, na tarde desta quarta-feira (4/11) Rodrigo Constantino foi desligado de nosso quadro de comentaristas”, finaliza a Jovem Pan.
O adeus de Lan, um craque do traço

Morreu Lanfranco Vaselli, o Lan, cartunista italiano apaixonado pelo Brasil onde construiu carreira de sucesso em várias publicações, principalmente na Última Hora e no Jornal do Brasil. Tinha 95 anos. Dono de um estilo voluptuoso, captou a sinuosidade das curvas da mulata carioca em muitos desenhos, tornando-a uma recorrência na sua arte.
Como chargista político, definiu o caráter ambicioso de então governador carioca Carlos Lacerda por meio da figura de um corvo, fixando, então, o apelido daquele político. Com seu inseparável cachimbo e o longo bigode, Lan consolidou-se como um dos maiores talentos do traço no Brasil e no mundo.
Pra não esquecer a poesia
Não me venha falar na malícia de toda mulher
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é
Não me olhe como se a polícia andasse atrás de mim
Cale a boca, não cale na boca notícia ruim
Caetano Veloso
Pandemia de memes – XXXIII
Eis que…
Enquanto isso…
Direto do Twitter
“A maior eleição da história dos Estados Unidos periga virar a papagaiada do século desde que Guedes falou que são “a maior democracia do mundo”, colocando a brasileira em terceirão”.
Palmério Dória, jornalista e escritor
Em nome da pacificação
POR GERSON NOGUEIRA
No ano mais difícil para todos os clubes, o Remo está livre das incertezas de uma disputa eleitoral. O único candidato de oposição, Marco Antonio Pina (Magnata), anunciou ontem pela manhã sua desistência. Entendeu que não é o melhor momento para o clube passar pelo desgaste de uma eleição. Agiu bem, mostrou preocupação com a instituição.
A notícia representa um alívio e tanto para quem luta pelo sucesso administrativo do clube. Há tempos que o Remo não tinha uma gestão com tantos êxitos em tão pouco tempo de mandato. Com Fábio Bentes, conseguiu se reequilibrar financeiramente e caminha para colocar em perspectiva saudável as pendências com a Justiça trabalhista.

Como irá ter mais um mandato, que tentou evitar para estimular a renovação, Bentes terá condição e tempo de implementar outros projetos. É inegável que, nesse caso, a continuidade conspira em favor do clube, e Magnata teve a grandeza de reconhecer isso, dizendo em sua mensagem que o Remo está indo bem dentro e fora de campo.
Além disso, tornou as contas do clube mais transparentes e conseguiu o quase milagre de recuperar o estádio Evandro Almeida, que estava em ruínas há cinco anos gerando prejuízos técnicos e monetários ao clube. Foi um esforço hercúleo, que envolveu a incansável mobilização de grupos de torcedores através da campanha “O Retorno do Rei”.
Há, porém, um lugar de honra para o trabalho desempenhado pelo presidente, que teve a sabedoria de priorizar o resgate do estádio e soube agregar esforços para chegar ao resultado tão esperado pela torcida. Depois da reinauguração, há um ano, o empenho agora é pela instalação de refletores, tornando o estádio plenamente utilizável em todas as competições, o que deve ocorrer no final de dezembro.
Só o que foi feito pela retomada do Baenão já seria suficiente para assegurar a Bentes a reeleição. Mesmo contando aliados importantes em diversos setores da vida azulina, Magnata (ou qualquer outro candidato) teria imensas dificuldades para derrotar um presidente que conseguiu conduzir o clube em meio às turbulências geradas pela pandemia.
Cabe observar que, ao longo dos quatro meses de paralisação do futebol, a gestão do Remo não deixou os salários sofrerem atrasos e manteve as contas em dia, sem descuidar dos acordos trabalhistas e nem do Profut.
A engenharia que permitiu passar incólume pelo duríssimo período de interrupção das atividades pode ser creditada às parcerias, promoções criativas para manter o torcedor mobilizado e convênios com o Governo do Estado. Quando as competições reiniciaram, mesmo sem contar com a bilheteria dos jogos, o Remo se manteve a salvo de problemas com a folha de salários, velho calcanhar-de-aquiles de inúmeras gestões no passado.
Resultados começaram a ser obtidos graças à preocupação em sanear e dignificar o clube, cuja imagem era de mau pagador no mercado da bola. A contratação de reforços foi facilitada pela seriedade da diretoria.
Em tempos de comunicação fácil e instantânea entre atletas e técnicos, clubes que não cumprem obrigações contratuais perdem credibilidade e não conseguem contratar bons nomes. A própria vinda do técnico Paulo Bonamigo só foi possível pela estabilidade contábil que o clube tem conseguido manter.
Sem o desgaste natural de uma eleição, a tendência é que o Remo caminhe ainda mais unido pelos próximos dois anos.
Papão blinda elenco em nome do objetivo maior
A comissão técnica do Papão faz contas, tenta desanuviar o ambiente, procura se afastar das arengas do período pré-eleitoral e se concentra no objetivo maior: garantir três pontos no confronto de sábado, em Salvador, contra o Jacuipense. É fundamental que o time conquiste quatro vitórias nas cinco rodadas restantes no grupo A da Série C.
Uma rápida aferição de possibilidades permite ter esperanças. Nos dois jogos fora de casa, o Papão pode conquistar os seis pontos, levando em conta os tropeços do Jacuipense como mandante e a fragilidade técnica do Imperatriz, adversário da rodada seguinte.
Depois desses jogos, restarão os confrontos com Ferroviário (em queda), Botafogo-PB, lutando para não cair, e o Re-Pa. O cenário ideal seria vencer os quatro jogos antes da rodada final, por razões óbvias, a fim de não depender do resultado do clássico.
Vai daí que o primeiro passo tem que ser dado no sábado. Dependerá desse jogo o êxito da caminhada e a tentativa de uma reação heroica dentro da competição. Para tanto, é necessário que o time volte a render no nível do que mostrou contra o Ferroviário, em Fortaleza.
Aquela partida, pela objetividade e perfeita execução de um plano de jogo, deve ser tomada como parâmetro a partir de agora. Em nenhum outro momento do campeonato, o PSC conseguiu ser ao mesmo tempo ofensivo e compactado. Não permitiu que o adversário se impusesse e soube explorar cirurgicamente as facilidades que apareceram.
É necessário também que jogadores como Nicolas e Uilliam Barros voltem a jogar em bom nível. Sem isso, o esforço estará comprometido na origem. Nicolas é referência técnica e principal artilheiro, mas não atua bem há várias partidas. Não fica claro se o problema é técnico ou físico, mas é óbvio que ele nunca teve rendimento tão precário.
Há, ao mesmo tempo, a preocupação com a saída de Vinícius Leite, cuja participação no jogo em Salvador ainda é incerta. O jogo será no dia 7 e seu contrato vence no dia 10, quando estará liberado para assinar com o Avaí. Se não atuar, João Brigatti precisará definir de imediato o seu substituto – Elielton, Bessa, Mateus Anderson ou Vítor Feijão?
Direto do blog campeão
“A vitória sobre o Treze (PB) foi tão fortuita quanto a sofrível campanha do time, em toda esta Série C. O pseudo ‘ambiente de otimismo’ há muito não existe para a torcida, que reza para que o time não caia para a Série D, expertise de remistas. Com um elenco fraco, onde apenas se destacam Uchoa, Vinícius Leite (de saída) e Nicolas (em visível queda de rendimento) nem técnico europeu escaparia do iminente fracasso”.
George Carvalho
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)