Em nome da pacificação

POR GERSON NOGUEIRA

No ano mais difícil para todos os clubes, o Remo está livre das incertezas de uma disputa eleitoral. O único candidato de oposição, Marco Antonio Pina (Magnata), anunciou ontem pela manhã sua desistência. Entendeu que não é o melhor momento para o clube passar pelo desgaste de uma eleição. Agiu bem, mostrou preocupação com a instituição.

A notícia representa um alívio e tanto para quem luta pelo sucesso administrativo do clube. Há tempos que o Remo não tinha uma gestão com tantos êxitos em tão pouco tempo de mandato. Com Fábio Bentes, conseguiu se reequilibrar financeiramente e caminha para colocar em perspectiva saudável as pendências com a Justiça trabalhista.  

Remo "não vai contratar de forma aleatória", afirma Fábio Bentes |  Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Como irá ter mais um mandato, que tentou evitar para estimular a renovação, Bentes terá condição e tempo de implementar outros projetos. É inegável que, nesse caso, a continuidade conspira em favor do clube, e Magnata teve a grandeza de reconhecer isso, dizendo em sua mensagem que o Remo está indo bem dentro e fora de campo.

Além disso, tornou as contas do clube mais transparentes e conseguiu o quase milagre de recuperar o estádio Evandro Almeida, que estava em ruínas há cinco anos gerando prejuízos técnicos e monetários ao clube. Foi um esforço hercúleo, que envolveu a incansável mobilização de grupos de torcedores através da campanha “O Retorno do Rei”.

Há, porém, um lugar de honra para o trabalho desempenhado pelo presidente, que teve a sabedoria de priorizar o resgate do estádio e soube agregar esforços para chegar ao resultado tão esperado pela torcida. Depois da reinauguração, há um ano, o empenho agora é pela instalação de refletores, tornando o estádio plenamente utilizável em todas as competições, o que deve ocorrer no final de dezembro.

Só o que foi feito pela retomada do Baenão já seria suficiente para assegurar a Bentes a reeleição. Mesmo contando aliados importantes em diversos setores da vida azulina, Magnata (ou qualquer outro candidato) teria imensas dificuldades para derrotar um presidente que conseguiu conduzir o clube em meio às turbulências geradas pela pandemia.

Cabe observar que, ao longo dos quatro meses de paralisação do futebol, a gestão do Remo não deixou os salários sofrerem atrasos e manteve as contas em dia, sem descuidar dos acordos trabalhistas e nem do Profut.

A engenharia que permitiu passar incólume pelo duríssimo período de interrupção das atividades pode ser creditada às parcerias, promoções criativas para manter o torcedor mobilizado e convênios com o Governo do Estado. Quando as competições reiniciaram, mesmo sem contar com a bilheteria dos jogos, o Remo se manteve a salvo de problemas com a folha de salários, velho calcanhar-de-aquiles de inúmeras gestões no passado.

Resultados começaram a ser obtidos graças à preocupação em sanear e dignificar o clube, cuja imagem era de mau pagador no mercado da bola. A contratação de reforços foi facilitada pela seriedade da diretoria.

Em tempos de comunicação fácil e instantânea entre atletas e técnicos, clubes que não cumprem obrigações contratuais perdem credibilidade e não conseguem contratar bons nomes. A própria vinda do técnico Paulo Bonamigo só foi possível pela estabilidade contábil que o clube tem conseguido manter.

Sem o desgaste natural de uma eleição, a tendência é que o Remo caminhe ainda mais unido pelos próximos dois anos.

Papão blinda elenco em nome do objetivo maior

A comissão técnica do Papão faz contas, tenta desanuviar o ambiente, procura se afastar das arengas do período pré-eleitoral e se concentra no objetivo maior: garantir três pontos no confronto de sábado, em Salvador, contra o Jacuipense. É fundamental que o time conquiste quatro vitórias nas cinco rodadas restantes no grupo A da Série C.

Uma rápida aferição de possibilidades permite ter esperanças. Nos dois jogos fora de casa, o Papão pode conquistar os seis pontos, levando em conta os tropeços do Jacuipense como mandante e a fragilidade técnica do Imperatriz, adversário da rodada seguinte.

Depois desses jogos, restarão os confrontos com Ferroviário (em queda), Botafogo-PB, lutando para não cair, e o Re-Pa. O cenário ideal seria vencer os quatro jogos antes da rodada final, por razões óbvias, a fim de não depender do resultado do clássico.

Vai daí que o primeiro passo tem que ser dado no sábado. Dependerá desse jogo o êxito da caminhada e a tentativa de uma reação heroica dentro da competição. Para tanto, é necessário que o time volte a render no nível do que mostrou contra o Ferroviário, em Fortaleza.

Aquela partida, pela objetividade e perfeita execução de um plano de jogo, deve ser tomada como parâmetro a partir de agora. Em nenhum outro momento do campeonato, o PSC conseguiu ser ao mesmo tempo ofensivo e compactado. Não permitiu que o adversário se impusesse e soube explorar cirurgicamente as facilidades que apareceram.

É necessário também que jogadores como Nicolas e Uilliam Barros voltem a jogar em bom nível. Sem isso, o esforço estará comprometido na origem. Nicolas é referência técnica e principal artilheiro, mas não atua bem há várias partidas. Não fica claro se o problema é técnico ou físico, mas é óbvio que ele nunca teve rendimento tão precário.

Há, ao mesmo tempo, a preocupação com a saída de Vinícius Leite, cuja participação no jogo em Salvador ainda é incerta. O jogo será no dia 7 e seu contrato vence no dia 10, quando estará liberado para assinar com o Avaí. Se não atuar, João Brigatti precisará definir de imediato o seu substituto – Elielton, Bessa, Mateus Anderson ou Vítor Feijão?

Direto do blog campeão

“A vitória sobre o Treze (PB) foi tão fortuita quanto a sofrível campanha do time, em toda esta Série C. O pseudo ‘ambiente de otimismo’ há muito não existe para a torcida, que reza para que o time não caia para a Série D, expertise de remistas. Com um elenco fraco, onde apenas se destacam Uchoa, Vinícius Leite (de saída) e Nicolas (em visível queda de rendimento) nem técnico europeu escaparia do iminente fracasso”.

George Carvalho

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)

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