Procurador-geral de Justiça é alvo de pedido de impeachment

Gilberto Valente Martins - Divulgação/MPE/PA

O Procurador-Geral de Justiça do Pará, Gilberto Valente Martins, é alvo de um pedido de impeachment e afastamento imediato, protocolado hoje na Assembleia Legislativa do Pará. O autor é o promotor de Justiça Alan Pierre Chaves Rocha. O protocolo foi feito um dia depois de o procurador geral denunciar o governador Helder Barbalho e mais oito pessoas, no caso da compra dos respiradores. No pedido, o promotor explica que faz a solicitação na condição de cidadão e baseado em informações obtidas através de meios de consulta pública.

A justificativa, segundo o requerente, é que mesmo extrapolando o limite com gasto pessoal no primeiro quadrimestre de 2019, o procurador contratou 12 assessores jurídicos, para promotorias da capital, na condição de comissionados, mesmo sem autorização da lei orçamentária. Rocha pede ainda que, além da perda imediata do cargo público, o Procurador-Geral de Justiça seja inabilitado para exercício de cargo público por oito anos.

A Assembleia Legislativa do Pará informou que o pedido vai ser encaminhado para a Procuradoria da Casa Legislativa e, dependendo do parecer, é formada uma comissão de deputados para analisar a denúncia. Após a formação, os deputados terão dez dias para se posicionar sobre o pedido. O Ministério Público do Pará ainda não se pronunciou sobre o caso. (Do UOL)

Verdades incômodas

“Você mora de aluguel e precisa do salário para pagar o aluguel mensal? Você não tem teto. Você financiou um imóvel por 35 anos e se perder seu emprego não vai poder pagar as parcelas e o banco pode tomar a sua casa? Você não tem teto”.

Mariana @outrarosa, no Twitter

Pra que serve o Exército brasileiro? The Economist responde

A revista britânica The Economist publicou uma matéria sobre o Exército brasileiro. É de 2017, mas continua atualíssima, ainda mais com a mamata bolsonarista:

Poucos lugares ilustram melhor o papel moderno do exército brasileiro do que Tabatinga, uma cidade de 62.000 habitantes na fronteira comum entre Brasil, Colômbia e Peru. A fronteira, protegida pela floresta amazônica, não mudou desde que os portugueses construíram lá um forte agora em ruínas no século XVIII.

Mas Júlio Nagy, um comandante local, está de olho nas ameaças não convencionais. Em fevereiro e março, suas tropas interceptaram 3,7 toneladas de cannabis. No ano passado, eles destruíram uma pista de pouso construída por garimpeiros ilegais. Dentro de um pequeno zoológico administrado pelo exército – lar de tucanos, um jaguar e até mesmo um peixe-boi – araras resgatadas de traficantes de animais gritam intermitentemente.

A última vez que uma grande cidade brasileira foi atacada foi em 1711, quando um corsário francês capturou brevemente o Rio de Janeiro. A análise oficial da defesa do país afirma que “atualmente o Brasil não tem inimigos”.  (…)

Estrategistas brasileiros dizem que a falta de adversários militares não justifica economizar na defesa. Gangues de criminosos que operam em áreas de fronteira podem oprimir a polícia civil e, no futuro, o Brasil espera dissuadir os estrangeiros ambiciosos de seus recursos naturais.

Manter o controle sobre terrenos extensos e variados não é barato. No entanto, novas ameaças exigem novas respostas. E os próprios altos escalões do exército dizem que sua forma atual – pesada com pessoal pouco qualificado, pouco equipamento e cada vez mais desviada para o policiamento de rotina – é inadequada para os objetivos declarados do governo.

O exército brasileiro cresceu durante a guerra fria. Em 1964, seus generais deram um golpe; durante seu primeiro ano em gastos com defesa de energia aumentaram 75%. O orçamento militar disparou novamente após a queda da junta em 1985, quando os novos líderes procuraram formar um exército moderno sob o domínio civil. Desde 1989, os gastos com defesa caíram de 2,5% do PIB para 1,3%, aproximadamente a média regional. Mesmo assim, o exército reteve influência suficiente para resistir a cortes orçamentários nominais.

Com 334.000 soldados à sua disposição, o governo teve que encontrar maneiras de implantá-los. O Brasil lidera a missão de estabilização da ONU no Haiti, para a qual contribui com 1.277 soldados de paz. Mas sua contribuição para a manutenção da paz está logo acima da do vizinho Uruguai, cuja população é menor do que a de nove diferentes cidades brasileiras. Para a maior parte de suas forças, o Brasil adotou o que Alfredo Valladão, da Sciences Po, uma universidade em Paris, chama de “mentalidade policial” – colmatar as lacunas deixadas pelos órgãos de segurança doméstica.

Muitas dessas operações se enquadram na missão do exército. A lei federal concede a ela poderes de policiamento em um raio de 150 km (93 milhas) da fronteira terrestre do Brasil. Gangues internacionais há muito vêm sendo atraídas para a fronteira: Pablo Escobar, um traficante colombiano, teria um avião de carga que agora fica fora do zoológico de Tabatinga. O exército também é responsável pelas “operações de lei e ordem”. As tropas são uma visão comum durante eventos como eleições ou as Olimpíadas de 2016.

No entanto, o mandato do exército se expandiu para o trabalho policial mundano. Décadas de gastos excessivos e uma longa recessão esvaziaram os cofres da maioria dos estados brasileiros. Embora apenas 20% de seus pedidos de soldados para assistência de emergência sejam aprovados, eles ainda representam uma parte crescente da carga de trabalho do exército. Durante o ano passado, os soldados passaram quase 100 dias patrulhando as ruas da cidade – o dobro do número dos nove anos anteriores combinados.

A maioria dos brasileiros parece não se incomodar com essa tendência. Ao contrário de políticos e policiais, os militares são vistos como honestos, competentes e gentis. Apesar da sombra da ditadura, as classificações de confiança das instituições costumam colocar o exército no topo.

Os soldados estão tentando se adaptar ao seu novo papel. Em um centro de treinamento em Campinas, perto de São Paulo, eles são submetidos a gás lacrimogêneo e granadas de atordoamento, para que saibam como são essas armas antes de dispará-las contra civis.

Moradores de favelas do Rio lamentam o fim da missão do exército de 15 meses para expulsar gangues. Assim que eles saíram, a polícia retomou seus modos de ação rápida. Logo os gangsters estavam de volta também.

No entanto, confundir os limites entre a defesa nacional e a aplicação da lei é perigoso. Os soldados são policiais caros: a implantação de alguns milhares de um dia pode custar 1 milhão de reais (US $ 300.000) além de seus salários normais. Mais importante, a dependência excessiva do exército não é saudável para uma democracia. As tropas são treinadas para emergências, não para manter a ordem no dia a dia. E transformar uma demonstração de força de último recurso em uma presença de rotina corre o risco de minar a confiança do público nas autoridades civis.

O próprio exército aspira a um papel muito diferente. Um rascunho da próxima revisão oficial de defesa é curto em “ameaças” específicas – o termo aparece apenas um décimo da freqüência que em uma análise britânica semelhante de 2015 – mas muito em “capacidades” desejáveis.

Principalmente, ela postula, o Brasil deve proteger suas riquezas naturais. Esse risco pode parecer remoto. Mas se previsões pessimistas de mudança climática se concretizarem, o exuberante Brasil pode parecer atraente para potências estrangeiras desesperadas. (…)

Além disso, as forças armadas do Brasil de antigamente são péssimas para combater as ameaças de amanhã. Para afastar os intrusos na vasta floresta tropical ou na “Amazônia Azul”, como são conhecidas as águas territoriais ricas em petróleo do país, o Brasil precisará de uma força de reação rápida flexível, capaz de intervir em qualquer lugar a qualquer momento.

Isso requer equipamentos modernos e pequenas equipes de pessoal qualificado e móvel. No entanto, dois terços das forças terrestres trabalham com contratos que os limitam a oito anos de serviço, impedindo sua profissionalização. Três quartos do orçamento da defesa vão para a folha de pagamento e pensões, deixando apenas uma lasca para o kit e manutenção. Nos Estados Unidos, a proporção é inversa.

Antes que a recessão se enraizasse, o Brasil caminhava nessa direção. Em 2015, ela concordou em comprar 36 caças suecos Gripen por US$ 4,7 bilhões. Mas os gastos com equipamentos militares caíram dois terços desde 2012, deixando uma lista de projetos incompletos.

Um esforço com a Ucrânia para construir um veículo de lançamento de satélite foi cancelado em 2015. Um sistema de monitoramento com base no espaço destinado a detectar incursões cobre apenas 4% da fronteira. Um submarino nuclear de 32 bilhões de reais não está nem perto de ser concluído. E o único porta-aviões do país, nunca pronto para a batalha, foi desativado em fevereiro. (…)

Bolsonaro perdeu “amigo imaginário” com derrota de Trump, diz Le Monde

Por Cristiane Capuchinho, no site RFI

Na esteira das mudanças internacionais esperadas após a vitória de Joe Biden para a Presidência dos Estados Unidos, o jornal francês Le Monde publicou nesta terça-feira (10) uma reportagem sobre os reflexos da derrota de Donald Trump no governo de Jair Bolsonaro.

Em um texto ácido, o diário francês classifica Trump como um “amigo imaginário” do presidente brasileiro e diz que Bolsonaro perdeu “de uma só vez um modelo, um mentor e seu único verdadeiro aliado de peso no cenário internacional”.

A reportagem afirma que a demora para parabenizar Joe Biden por sua vitória na corrida pela Casa Branca é apenas um sinal “da atmosfera sombria que reina no centro do poder em Brasília”.

Nas últimas semanas, o presidente brasileiro havia reiterado seu apoio a Trump, lembra o jornal. “Espero, se essa for a vontade de Deus, comparecer à posse do presidente brevemente reeleito nos Estados Unidos. Não preciso esconder isso. É do coração”, afirmou Bolsonaro no dia 20 de outubro.

Enquanto a contagem dos votos nos EUA não terminava, o chefe de Estado brasileiro voltou a se posicionar em relação à vantagem dos democratas. “A esperança é a última que morre”, disse no dia 4 de novembro.

Viúvo de Trump

Segundo o jornal francês, nos últimos dois anos “o ‘Trump dos trópicos’ apoiou, imitou (às vezes extrapolando em vulgaridade e exagero) seu mentor americano, elevado ao posto de ícone”.

“Jair Bolsonaro, que gosta de posar na companhia da bandeira americana ou de ouvir religiosamente os discursos na televisão do presidente que deixa o cargo, já esteve nos Estados Unidos quatro vezes em apenas dois anos. Por um tempo, ele cultivou o sonho de nomear seu próprio filho, Eduardo, como embaixador em Washington (antes de ser forçado a desistir)”, assinala o texto.

A reportagem lista as numerosas decisões tomadas no Brasil seguindo interesses americanos nos últimos dois anos, como a política dura contra Cuba ou a posição próxima de Israel, a negação da epidemia de Covid-19 ou ainda a defesa inveterada da hidroxicloroquina. E acrescenta que o Brasil não recebeu, em troca, nenhuma vantagem, sobretudo no setor comercial. Trump seria então para Bolsonaro “um amigo imaginário”, citando o editorialista Leonardo Sakamoto.

Sob pressão

A mudança política nos Estados Unidos deixa o governo brasileiro em uma situação delicada, segue o texto. “O encrenqueiro brasileiro, odiado por parte da comunidade internacional, agora é alvo fácil, sem ter um protetor para defendê-lo dos ataques”.

Um exemplo é a política ambiental. No debate de 29 de setembro contra Trump, Joe Biden decidiu falar sobre a Amazônia e se dirigir diretamente a Bolsonaro: “Pare de destruir a floresta. Se vocês continuarem, enfrentarão consequências econômicas importantes”, ameaçou o democrata.

Diante deste cenário, a reportagem afirma que é possível que haja uma mudança de ministros antes da posse do democrata na Casa Branca. Os cargos de Ricardo Salles, no Meio Ambiente, e de Ernesto Araújo, nas Relações Exteriores, estariam em risco. Ou então, indica o diário francês, o presidente brasileiro pode escolher usar a carta do nacionalismo, para tentar mobilizar sua base sobre o tema da soberania nacional na Amazônia.

Uma tacada certeira

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo esperou por semanas para contratar um meia-armador para reforçar o time na fase mais aguda da Série C. A espera terminou com a concretização do empréstimo de Felipe Gedoz, que estava no Nacional do Uruguai e em atividade, uma das exigências da comissão técnica. Ontem à tarde, após uma corrida para garantir os documentos de transferência no último dia da janela de transferência internacional.

Felipe Gedoz

A diretoria azulina manteve sigilo o tempo todo, tanto que as informações sobre Gedoz só vazaram na quinta-feira (5) ainda na forma de especulação. Na sexta-feira, a notícia da transação foi confirmada em detalhes por Jones Tavares, na Rádio Clube do Pará.

Para os uruguaios, o negócio soou interessante porque Gedoz não estava nos planos do técnico Jorge Giordano. A ideia de buscar um camisa 10 de renome foi da diretoria, com o aval do técnico Paulo Bonamigo, que dispõe hoje de apenas dois especialistas na posição, Eduardo Ramos e Carlos Alberto.

Daniel Costa, que está no Manaus, foi sondado quando ainda estava no XV de Piracicaba e quase fechou contrato com o Remo. O negócio não evoluiu porque Bonamigo deixou claro que quer um jogador que se diferencie de Eduardo Ramos e possa contribuir com a aceleração no meio.   

A preocupação no Leão é com o grau de dificuldade que a próxima fase da Série C deve oferecer, com grupos formados pelos melhores times da fase de classificação. Depois da vitória sobre o Treze-PB, domingo, o Remo ficou a 2 pontos de garantir presença na segunda etapa da competição.

Sem opções no mercado brasileiro, a diretoria voltou sua atenção para o futebol sul-americano, buscando um armador que faça o jogo fluir e saiba trabalhar na transição de jogadas. Gedoz foi lembrado por ter se destacado em 2017 no Atlético-PR, passando depois por Goiás e Vitória.

Contou também o fato de ser jovem e ter grande experiência internacional, com atuações no Defensor e no Nacional, além do Brugge, da Bélgica. O acordo com o atleta não foi divulgado, mas, segundo fontes do clube, está dentro do orçamento praticado no Evandro Almeida.

Gaúcho de nascimento, com cidadania uruguaia, Gedoz teve passagem pela Seleção Brasileira sub-21, fato que remete a um dos grandes ídolos azulinos das últimas décadas, o meia Gian.

Uma das fortes características do meia recém-contratado é o talento para chutes de média distância. É um exímio cobrador de faltas, tem boa aproximação com os atacantes e costuma marcar gols.

Apesar da queda de rendimento na temporada, razão de ter perdido espaço no Nacional em plena Copa Libertadores, Gedoz tem qualidade para se destacar na Série C revivendo seus melhores momentos.

O jogador ficou de chegar na madrugada. Será apresentado hoje para iniciar treinamentos com o grupo. Caso seu nome saia no BID até sexta-feira, será a novidade no Leão contra o Santa Cruz na partida que pode garantir a classificação antecipada à segunda fase.

Flamengo põe Ceni diante do maior desafio da carreira

Rogério Ceni, ídolo são-paulino como atleta, está de novo na berlinda como técnico cobiçado por um grande clube. Ele é a bola da vez para assumir o Flamengo em substituição ao catalão Domenèc Torrent, que foi despachado ontem após uma impressionante coleção de goleadas – Independiente Dell Vale (5 a 0), São Paulo (4 a 1) e Atlético-MG (4 a 0).

À frente do Fortaleza, Ceni vem construindo meticulosamente uma imagem de técnico moderno, disciplinador e diferenciado em relação a seus colegas brasileiros. Inquieto, instalou no clube cearense um ambiente de grande profissionalismo, com cobranças permanentes que levam o time a evoluir, apesar das óbvias limitações técnicas.

No aspecto da maturidade, quem evoluiu foi o próprio Ceni, depois de um pulo errado que podia ter queimado seu filme. Atraído pelo Cruzeiro no Brasileiro do ano passado, ficou pouquíssimo tempo, não resistindo ao boicote dos jogadores e à fritura da diretoria.

Enquanto o Cruzeiro afundava rumo ao rebaixamento, ele voltou ao ninho e retomou o trabalho com afinco, como se nem tivesse havido a interrupção. A campanha do Fortaleza na Série A é o maior atestado da capacidade profissional de Rogério Ceni.

Falta, porém, o teste definitivo: comandar um grande clube com a experiência adquirida nos últimos três anos. Antes, passou pelo próprio São Paulo sem repetir à beira do campo as façanhas que protagonizou embaixo das traves.

As notícias mais recentes indicam que ele aceitou negociar com o Flamengo, mas depende da liberação pelo Fortaleza. É uma decisão importante como evolução de carreira. Obviamente, treinar o Flamengo não é a mesma coisa que dirigir o tricolor cearense.

As pressões se amplificam e a responsabilidade triplica. Com o elenco estrelado que terá à mão, caso aceite a missão, Ceni terá todas as condições para conquistar o que surgir pela frente. Ao mesmo tempo, será cobrado como nunca, justamente por ter sob seu comando os melhores jogadores em atividade no país.

Ao mesmo tempo, fica sempre no ar o aspecto negativo do não cumprimento de contratos, como é prática entre os técnicos brasileiros, sempre dispostos a quebrar acordos para assumir outros clubes. Nesse aspecto, Ceni é igualzinho aos demais.

Inchada, Segundinha começa com poucos destaques

A Tuna, vencedora na estreia, deu sinais de que pode finalmente cumprir uma campanha que leve ao acesso. A boa vitória por 3 a 1 sobre o União Paraense, no sábado, com direito a um golaço do meia-atacante Lukinha, garante tranquilidade neste começo de competição, mas terá que se confirmar nas próximas rodadas.

O São Francisco goleou o Vênus, ontem, e é outro que tenta engatar uma trajetória que garanta o retorno à primeira divisão do certame estadual.

Já o Caeté, treinado por Artur Oliveira, teve dificuldades frente ao Pinheirense, mas acabou vitorioso e confirmando a expectativa quanto a um papel de destaque na Segundinha.

De toda sorte, é cedo ainda para projeções numa competição nivelada por baixo e com abundância de participantes. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 10)