Jogadores do Papão cantam música homofóbica para provocar rivais

Jogadores do Paysandu usam canto homofóbico para 'provocar' azulinos após título estadual - Crédito: Reprodução/Instagram Caique Oliveira

A festa dos jogadores do Paysandu pelo 48º título de Campeonato Paraense, na noite de domingo (6), acabou tendo toques de polêmica. Ainda no gramado do Mangueirão, alguns jogadores, entre os quais Caíque Oliveira, Alan Calbergue, Elielton e Paulo Ricardo entoaram uma música de cunho homofóbico dirigida aos azulinos. 

“Remista é gay”, diz uma das passagens do cântico, que é usado nos estádios por uma torcida organizada do Paysandu proscrita pela Justiça. O vídeo foi publicado pelo volante Caique Oliveira em sua rede social e causou imediata repercussão.

Vários torcedores repudiaram o ato homofóbico. “Jogadores e torcedores a cada jogo provam que as ações são apenas de marketing mesmo. ‘Pq’ na prática o preconceito corre solto com a desculpa de que é ‘apenas uma brincadeira'”, disse um internauta. 

Outro perfil recordou a briga entre torcidas do próprio Paysandu por conta de uma delas ter levado uma bandeira com as cores do arco-íris para o estádio da Curuzu. “A Alma Celeste levou uma bandeira do arco-íris pro campo, mas a Terror Bicolor rechaçou, fez onda”. 

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Diante das críticas, o clube emitiu nota na qual enfatiza que “há anos realiza e incentiva” ações contra o preconceito e diz que vai “orientar” os atletas sobre o assunto.

Nota do Paysandu:

“O Paysandu Sport Club, que há anos realiza e incentiva campanhas contra todo e qualquer tipo de preconceito, não compactua com tal atitude. O clube informa ainda que os atletas serão orientados sobre o assunto”.

Privilégio evangélico: Congresso perdoa dívidas de R$ 1 bilhão de igrejas

Um projeto aprovado pelo Congresso Nacional pode anular dívidas tributárias de igrejas acumuladas após fiscalizações e multas aplicadas pela Receita Federal. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o valor do “perdão” seria de quase R$ 1 bilhão. O texto aguarda a sanção ou veto do presidente Jair Bolsonaro, que tem na bancada evangélica um importante pilar de sustentação política de seu governo. Ele tem até 11 de setembro para decidir se mantém ou não a benesse aos templos religiosos.

Como revelou o Estadão/Broadcast no fim de abril, Bolsonaro promoveu na época uma reunião entre o deputado federal David Soares (DEM-SP), filho do missionário R. R. Soares, e o secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, para discutir os débitos das igrejas. O presidente já ordenou à equipe econômica “resolver o assunto”, mas os técnicos resistem. Bolsonaro também já defendeu publicamente a possibilidade de acabar com taxas ainda pagas pelas igrejas e “fazer justiça com os pastores, com os padres, nessa questão tributária”.

David Soares foi autor da emenda que introduziu, durante a votação na Câmara dos Deputados, o perdão que pode beneficiar inclusive a Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada pelo pai do deputado. A instituição tem R$ 37,8 milhões inscritos na Dívida Ativa da União, além de outros débitos milionários ainda em fase de cobrança administrativa pela Receita.

Contatado por telefone e informado do conteúdo dessa reportagem, o deputado disse que não concederia entrevista.

A frase do dia

“Um dos subprodutos do revisionismo histórico contra as experiências socialistas, operado através da vilanização moral de Stalin, foi conduzir amplas parcelas de esquerda à domesticação. Para a democracia liberal, uma esquerda namastê e lúdica é um lindo objeto de decoração”.

Breno Altman, jornalista

Campeão, Hélio rebate críticas e elogia o adversário

Técnico queria maior intensidade do time no jogo — Foto: Jorge Luiz/Paysandu

“Nos sentimos muito privilegiados de fazer parte desse clube nesse momento histórico, porque título é sempre histórico, título marca. Vejo isso como muito especial. É o meu décimo título de campeonato estadual. E feliz porque os dois Campeonatos Paraenses que disputei na minha vida, tive a felicidade de ganhar. Mérito, sempre, dos meus jogadores. Muitas vezes [o técnico] é tido como burro, ultrapassado, velho, já não sabe mais nada… todos os adjetivos chulos que eu sei que, quando perde, o treinador recebe. Mas levantar taça é para poucos e, graças a Deus, levantamos mais uma”.

“O Remo é forte, o Remo tem objetivo, o Remo tinha os seus sonhos, o Remo veio para o jogo de total imposição. Não gostei do jogo, mas é decisão e decisão se ganha. Tem decisão que você não tem a plástica que quer, mas você ganha. Realmente minha equipe não jogou do jeito que joga, mas eu levo em conta o adversário e que vários garotos que foram campeões, hoje, nunca tinham sido campeões. Você tem que entender o lado psicológico de um grupo, que em clube grande a pressão é muito grande. Nós decidimos os dois clássicos depois dos 45 minutos. Isso demonstra o trabalho que existe”.

Hélio dos Anjos, técnico do PSC

O passado é uma parada

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A estrela Ursula Andress como ‘Honey Ryder’ em “Dr. No”, 1962.

A conquista de Hélio

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu é o campeão paraense de 2020

O PSC é o campeão da temporada com todos os méritos, após duas vitórias na decisão, perfazendo 3 a 1 no placar agregado. Um título sem contestações, obtido com suor e luta, dentro das tradições históricas do clube. E pensar que a diretoria do clube defendia o encerramento sumário da competição lá em abril, em meio à pandemia. Se isso tivesse ocorrido, a torcida teria sido privada da festa pela conquista em campo.

No jogo, o PSC entrou com a mesma formação da quarta-feira, claramente se mantendo à espreita de um erro do adversário, que não ocorreu. Nicolas era o mais adiantado, com Vinícius Leite e Mateus Anderson ajudando os laterais Collaço e Tony. Os avanços eram calculados, sem afobação.

O Remo entrou modificado, com Charles à frente da defesa, auxiliado por Lucas e Djalma. No ataque, Tcharlles e Ermel pelos lados e Zé Carlos centralizado. Quando a escalação foi anunciada, ficou claro que Mazola Junior pretendia conter os laterais do PSC, ponto forte da equipe bicolor, e explorar a presença de um jogador de referência na área.

A opção por Zé Carlos só daria certo se o time tivesse por hábito explorar o jogo aéreo. Como não fez isso, as melhores chegadas ao ataque ocorreram com Tcharlles, que chegou a cabecear uma bola no poste direito de Gabriel Leite, e com Ermel, autor de duas finalizações perigosas.

Quando se adaptou ao novo desenho do Remo, o PSC se estabilizou e passou a tocar a bola com tranquilidade, a partir do meio-campo, com PH e Uchoa bem na troca de passes, controlando bem o jogo.

O Remo teve duas perdas sérias. Lesionado, Djalma precisou ser substituído por Gelson, alterando por completo a transição da equipe. Aos 39 minutos, Fredson cometeu duas faltas violentas sobre Nicolas em sequência e levou merecidamente o cartão vermelho. Aliás, o clássico foi tecnicamente fraco, marcado por chutões e erros de passe.

Gelson e Uchôa disputam bola na beira do campo

Ainda na etapa inicial, Ermel foi derrubado por Micael (que já tinha amarelo) e o árbitro goiano deixou de expulsar o zagueiro. Mas, no balanço das atuações, o PSC saiu em vantagem da primeira metade do jogo. O placar lhe dava o título e tinha um jogador a mais.

Hélio dos Anjos soube explorar muitíssimo bem essa situação. Renovou a segurança defensiva colocando Wesley no lugar do amarelado Micael, trocou Mateus por Uilliam, PH por Serginho e Alan Calbergue por Luís Felipe. Desenho óbvio de quem pretendia valorizar a posse de bola sem recuar.

As mexidas foram precisas. O PSC continuou a valorizar a posse da bola, sem se expor e chegando com perigo quando a bola era lançada a Vinícius Leite – o gol da vitória sairia por aquele lado. Hélio comprovou que tem perfeito domínio das valências e características de seus jogadores.

Por isso, os maiores méritos pelo título cabem a Hélio, pragmático no uso de jogadores que encaixam no planejamento de jogo. É verdade que nem sempre alcançou a aproximação desejada, seu setor defensivo teve sérios problemas quando pressionado pelos lados, mas foi sempre superior ao rival nos dois confrontos da decisão.

Depois da pandemia, cometeu o erro de adiantar a zaga como forma de pressionar a saída dos adversários. Isso quase lhe custou a ida à decisão na semifinal com o Paragominas. Teve, porém, a humildade de recuar a tempo da ideia infeliz e o time recuperou o equilíbrio defensivo, seu ponto forte.

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Ontem, no 2º tempo, mesmo quando perdeu Luís Felipe, expulso, Hélio não se abalou. Manteve o time tocando a bola, controlando as ações e cansando um Remo já desgastado desde o 1º tempo. Tony perdeu grande chance logo no reinício e Vinícius Leite mandou duas bolas perigosas.

Era questão de tempo para chegar ao gol e ele veio, aos 51 minutos. Em jogada pela esquerda, a bola foi conduzida com habilidade por Vinícius Leite, que achou Uchoa na entrada da área. O chute saiu rasteiro, certeiro, garantindo a vitória e o merecido caneco.

Escalação mudou, mas Remo sentiu muito a falta de ER

O torcedor, descontados os excessos da paixão, costuma ser sábio. As críticas a Mazola pela derrota na quarta-feira foram justas. Ele até providenciou mudanças na formação do Remo e ensaiou um esquema mais audacioso, com Djalma e jogadores nas extremas, Tcharlles e Ermel.

Apesar desse aceno a quem cobrava ofensividade, o técnico manteve suas convicções e escalou Zé Carlos, atacante cujo condicionamento físico não permite jogadas em velocidade. Como previsto, o veterano entrou e não conseguiu jogar. Foi substituído quando Fredson levou o vermelho.

Mais do que um centroavante pesadão no ataque, o Remo sofria com a falta de criação no meio. O PSC também joga sem meia, mas tem um conjunto já habituado a jogar assim. O Remo não estava preparado para a perda de seu meia-armador e maior referência, Eduardo Ramos, contundido.

Sem ele, a opção natural seria Carlos Alberto ou Robinho. Mazola preferiu ir de Djalma, que acabou lesionado no começo do clássico. Lançou Gelson, perdendo a chance de mudar as características da pressão que o time precisava impor. Sem isso, o Remo jogou como Hélio dos Anjos previa e desejava. Com o adendo de ter um homem a menos, Zé Carlos.

Logo no recomeço, com Tcharlles solitário na frente, as chances rarearam ainda mais. Mazola trocou Ermel e Everton por Hélio Borges e Carlos Alberto. O time conseguiu botar a bola no chão, mas tinha imensas dificuldades em sair de seu campo. Hélio apoiava, mas tinha que se preocupar com Vinícius Leite e Diego Matos.

Ronald ficou no banco. É o único velocista do time e era a melhor alternativa pelos lados para abrir a marcação adversária. O técnico não o colocou em campo e o Remo perdeu o jogo sem fazer a 5ª substituição, como havia acontecido na quarta-feira.

Luís Felipe ainda foi expulso aos 37’, mas o equilíbrio numérico não alterou a ordem natural das coisas. No desespero, sem forças para impor a pressão final e errando em todas as tentativas no ataque, o Remo abrir a defesa e sofreu o gol nos instantes finais.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 07)