Veterano atacante entra em acordo e deixa o Remo

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Não completou nem dois meses a apagada passagem do atacante Zé Carlos pelo Remo. Um comunicado sucinto da diretoria informou que o atleta de 37 anos entrou em acordo e rescindiu contrato. Ele marcou dois gols com a camisa azulina e não conseguiu se consolidar como titular. Antes dele, o clube liberou o atacante Giovane e o volante Xaves.

Papão faz sondagens em busca de novo técnico

Técnico do Novorizontino confirma conversas com o Paysandu: 'Existe essa possibilidade' - Crédito: Divulgação/Novorizontino

Nomes começam a ser especulados, mas por enquanto a diretoria do Paissandu não confirma negociação com nenhum técnico, embora esteja sondando vários nomes. Segundo fontes do clube, Marquinhos Santos, Adilson Batista, Roberto Fonseca, Roberto Fernandes, Itamar Schulle e Givanildo Oliveira são nomes especulados.

Em termos reais, Roberto Fonseca, do Novorizontino, confirmou a sondagem, não descartou aceitar o convite, mas neste momento está focado na estreia do clube paulista na Série D.

“Conversamos sim. Existe essa possibilidade. Mas no momento, como todos sabem, estou empregado e por isso deixei nas mãos de quem cuida da minha carreira. Fiquei lisonjeado com o contato do Paysandu. Vamos ver como vai caminhar isso”, disse o treinador de 58 anos.

Desesperado, Cruzeiro faz aposta arriscada em Adilson Batista para tentar  escapar da queda - Esportes - HOME

Marquinhos e Adilson têm ganhos acima da política salarial do clube, o que dificulta a contratação. Outros nomes têm sido lembrados, mas o clube ainda não se manifestou oficialmente.

Pedro Profeta e Poeta, guerreiro da causa indígena

Por Egon Heck – do Secretariado Nacional do Cimi

Na carroceria de um caminhão, retornando da 10ª Assembleia Indígena, na aldeia Tapirapé, em Mato Grosso, no dia 9 de agosto de 1977. Na frente, da esquerda para a direita: Vaqueano Paresi, Xavante, Pedro Casaldáliga; atrás: Myry Tapirapé, Ituburé Bororo e Marlene Ossami. Foto: Antônio Carlos Moura/Cimi

Quiseram te matar, mas não conseguiram; quiseram te expulsar do Brasil, mas foi em vão; te acusaram de subversivo e comunista, e fortaleceram teu compromisso com a causa dos pobres e com a justiça; te caluniaram e transformaste esses impropérios em novas energias na construção do Reino de Deus.

Dom Pedro Casaldáliga – ou só Pedro, como sempre preferiu – é presença indispensável na caminhada do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Participou de maneira decisiva nas Assembleias Gerais, desde a primeira,em junho de 1975.

Foi marcante a presença de Pedro nas ruínas de São Miguel, na região missioneira do Rio Grande do Sul. Naquela ocasião, propiciou um momento magnífico ao celebrar a Missa da Terra Sem Males, com texto seu e música de Martin Coplas, em abril de 1977. Um momento inesquecível de celebração da memória do assassinato de Sepé Tiaraju e seus guerreiros Guarani.

Dom Pedro e Dom Tomás Balduino foram fundamentais na criação e consolidação do Cimi e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), pastorais que procuravam tornar realidade as decisões do Concílio Vaticano 2º e dos encontros de Medellín e Puebla. Pastorais que procuraram encarnar a radicalidade do Evangelho em dimensão nacional e continental.

A contribuição de Pedro também foi essencial para a elaboração do documento “Y-Juca-Pirama – O índio: aquele que deve morrer”, que denunciou, em 1973, a política anti-indígena da Ditadura Militar e causou grande repercussão nacional e internacional.

Martírio e esperança

Dirigindo-se “aos homens e mulheres que deram a vida pela vida”, Pedro Casaldáliga afirma, na sua Carta aberta aos nossos mártires: “por vocês, sobretudo, nossa América é o continente da morte com esperança”. Com suas palavras, também lembramos dos mártires de longe e de perto que derramaram seu sangue pela vida, em especial os povos indígenas e os mártires do Cimi, Padre Rodolfo e Simão Bororo (1976), Padre João Bosco Burnier (1976), Irmã Cleusa Rody Coelho (1985), Padre Ezequiel Ramin, Vicente Cañas (1987). A vida nasce da morte. O sangue derramado tornou-se um testemunho vigoroso, um sinal de Deus, visível aos olhos de nossa Fé.

Pedro deu um testemunho radical pela causa indígena, de maneira especial, com os Tapirapé, os Karajá e os Xavante de Marãiwatsèdè, cujas lutas e dramas apoiou com todas as suas forças. Assim foi também com o casal Luiz e Eunice e as irmãzinhas de Jesus, que, junto a D. Pedro, conviveram com os Tapirapé na Prelazia de São Félix. Em 1973, o sétimo boletim de um então nascente Cimi caracterizava este como “um dos mais aplaudidos e sérios trabalhos que já se tem feito junto aos povos indígenas do Brasil”.

Em tempos de repressão expressar compromisso com os mais fracos era motivo para perseguição – especialmente dura na região do Araguaia. O Cimi esteve solidário à Prelazia de São Félix nos momentos de perseguição e quando, em dezembro de 1975, o Padre Francisco Jentel, após vinte e um anos de presença solidária junto aos Tapirapé e ao povo de Santa Terezinha, foi covardemente expulso do país.

Pedro nos animou com sua inabalável esperança – “Podem roubar-nos tudo, menos a esperança”, afirmou certa vez

Raiz, Inspiração e testemunho profético

Cimi. Essas “quatro letrinhas malditas”, que incomodaram muita gente, têm no coração o pulsar profético desse nosso irmão com quem partilhamos caminhos de dor e alegria, de esperança e de martírio.

Pedro foi presença indispensável nas horas difíceis, como em 1977, quando alguns bispos quiseram silenciar ou extinguir o Cimi. Foi nosso anjo da guarda. Nos animou com sua inabalável esperança – “Podem roubar-nos tudo, menos a esperança”, afirmou certa vez. Pedro foi pedra na qual pudemos recostar nossas cabeças com total confiança.

A dupla guerreira e aguerrida, Pedro e Tomás, são nosso horizonte no compromisso e testemunho junto aos povos indígenas na luta pelas suas vidas e direitos. Assim como são e sempre serão aliados da primeira hora dos oprimidos,dos camponeses, dos povos tradicionais e todos os lutadores pela justiça e paz no campo e na cidade.

Pedro, os povos indígenas e o Cimi

Em sua humildade evangélica radical, Pedro foi sempre uma presença solidária junto aos povos indígenas e missionários. Nunca aceitou nenhum‘cargo’ no Cimi. Por ocasião do Congresso dos 30 anos do Cimi, não podendo estar presente, enviou uma mensagem que até hoje continua fortalecendo nossa caminhada de solidariedade com os povos indígenas.

Nela dizia: “me faço presente de coração nesse Congresso dos 30 anos de memória, missão e utopia, caminhada de generosidade, teimosia e esperança. Somos soldados derrotados de uma causa invencível. Devemos continuar sendo, na oração e no sonho, radicais”. Nós, do Cimi – e  certamente também os povos indígenas – somos imensamente gratos a Deus e a Pedro.

*Publicado em fevereiro de 2018, atualizado em setembro de 2020

Crise no PSC: Hélio revela briga do executivo em hotel de Porto Alegre

Veja os documentos que comprovam acusação de Hélio dos Anjos contra diretor executivo do Paysandu - Crédito: Jorge Luiz / Ascom / Paysandu

Para acrescentar um molho extra de veneno à crise desencadeada com a demissão do técnico Hélio dos Anjos, o ambiente no Paissandu foi sacudido pela revelação de que o executivo de futebol Felipe Albuquerque teria se envolvido numa briga em Porto Alegre, em 2019, ocasião em que esteve prestes a ser demitido pela diretoria do clube.

Ao comentar o caso, ontem, o técnico Hélio dos Anjos disse que o presidente Ricardo Gluck Paul gosta de “passar a mão na cabeça de dirigente”. O fato ocorreu quando a delegação do PSC estava concentrada em um hotel, em Porto Alegre (RS), para o duelo contra o São José pela 15ª rodada da Série C. Após o time garantir o empate por 1 a 1, o diretor executivo de futebol teria se desentendido com um funcionário do hotel.

A vítima, identificada como Henrique Figueiró Cruz, disse na ocasião que teria sido agredido com um soco no rosto ao impedir que o dirigente bicolor entrasse com duas mulheres no quarto. Após a agressão, o funcionário registrou um Boletim de Ocorrência (BO) e entrou na Justiça com uma ação de reparação por danos morais.

Presidente desmente técnico

A respeito do caso, o presidente Ricardo Gluck Paul negou que o executivo tenha sido “apadrinhado” pela diretoria. “Quando aconteceu isso em Porto Alegre, fizemos uma reunião no quarto do Hélio dos Anjos. Eu, Luciano (supervisor do PSC), Hélio e Guilherme dos Anjos (auxiliar-técnico). Nós quatro decidimos juntos que era um caso de uma advertência verbal, que não era pra desligamento, demissão ou vir a público. Foi decidido por nós quatro. Agora vem a falta de caráter de não assumir que tomou uma decisão conjunta. Ninguém passou a mão na cabeça de ninguém. Nós decidimos juntos. Decidimos isso porque o Hélio e o Guilherme saem de noite pra jantar, toma vinho, chega tarde. Eu também faço isso também. Quem não pode sair desse regramento são os atletas, que têm uma rotina de sono, de ambiente e alimentação controlados. Cada um tem um papel ali”, disse Ricardo.

O presidente observa que Hélio não teve coragem de admitir que concordou com a decisão tomada: “Naquele momento, nós quatro, juntos, avaliamos que bastava uma advertência verbal e foi o que a gente fez. O diretor foi punido com uma advertência. Depois ele se justificou, assumiu o erro, arcou com o processo, fez o acordo. Então é muito lamentável a gente ver de um profissional com mais de 60 anos de idade patrocinar o linchamento de uma pessoa nas redes sociais e com mentira. Porque não tem coragem pra dizer que, junto comigo, tomou a decisão de aplicar uma simples advertência. Ele também é responsável por essa decisão. É realmente um caso que eu tive que viver pra ver essa falta de carinho, de caráter, de humanismo”.

Queda de alto impacto

POR GERSON NOGUEIRA

Presidente do Paysandu desmente Hélio dos Anjos: 'Ninguém passou a mão na cabeça de ninguém' - Crédito: Jorge Luiz/Paysandu

Pressão por resultados, estresse pós-quarentena, queda de braço com outras áreas, insatisfação com a política de contratações, fadiga pela convivência prolongada. Todas essas razões – ou, pelo menos, metade delas – explicam a saída de Hélio dos Anjos do comando técnico do PSC, anunciada ontem, após exatos 472 dias no cargo. Demissões de técnicos são corriqueiras, mas a de Hélio causou abalos profundos.

De personalidade forte, Hélio ficou magoado com a avaliação pesada que a diretoria fez da derrota em casa contra a Jacuipense. Entendia que o título estadual conquistado frente ao maior rival deveria servir como salvo-conduto temporário, capaz de afastar questionamentos sobre resultados fortuitos. Ledo engano.

O veterano treinador revelou a amigos o desconforto ante o que considerou críticas injustas ao seu trabalho, principalmente após bater uma das metas da temporada: a conquista do Parazão. Além disso, ressentia-se da demora na contratação de um zagueiro, fato atribuído às divergências com o diretor de futebol Felipe Albuquerque.

Os conflitos com Felipe parecem remontar a arengas antigas, relacionadas ao futebol goiano, mas se aprofundaram nos últimos meses, a ponto de não haver mais diálogo entre ambos. A coisa explodiu de vez no incidente envolvendo o atacante Nicolas, no último sábado.  

Antes do jogo com o Imperatriz, o Departamento de Saúde recomendou que Nicolas fosse poupado, a fim de evitar o agravamento de uma lesão muscular branda. O jogador insistia em ser escalado. Conversou com os médicos e com Hélio. Por fim, teve ligeiro papo com Felipe. O técnico soube e entendeu como interferência do diretor.

Depois da goleada de 6 a 1, Hélio nem parecia feliz com o resultado. Na entrevista, foi logo falando de sua insatisfação com as cobranças e os problemas internos. Citou o caso Nicolas, dizendo que até momentos antes do jogo o atacante teve a escalação ameaçada.

Ontem, em meio à repercussão de sua saída, Hélio disse não aceitar interferência em seu trabalho, confirmando as afirmações de sábado: “Acabou a confiança nas pessoas de comando do clube. Respeito só o Maurício (Ettinger, vice-presidente do clube)”.

Diante da reação da torcida, que protestou nas redes e na frente da sede em Nazaré, Ricardo Gluck Paul explicou que o técnico foi de fato muito cobrado durante as semifinais do Parazão e no início da Série C. Destacou que a cobrança é constante e abrange todos os profissionais do clube.   

Um caso clássico de choque de ideias e de disputa por espaço de poder. Acontece nas melhores famílias e, por óbvio, em ambientes de trabalho. Hélio, apesar da boa avaliação e números respeitáveis, não era intocável. Aliás, ninguém é. Ao bater de frente com o diretor de futebol, mais forte dentro da engrenagem, perdeu a guerra e pegou o beco.

Em termos práticos, quem perde mais é o PSC. Não só pela descontinuidade de um trabalho que já durava um ano e meio, mas, acima de tudo, pela adaptação de Hélio ao clube e suas particularidades. A mudança de comando pode causar turbulências em uma campanha que ainda não se estabilizou no Brasileiro.

Por outro lado, se a troca era inevitável, melhor que aconteça agora, ainda no começo da Série C e com tempo suficiente para que o novo comandante possa implantar nova sistemática de trabalho.

Quanto ao festival de fofocas que assola as redes sociais desde ontem, é preciso compreender a realidade atual do clube, já imerso em trepidante campanha eleitoral, com os prós e contras típicos desse tipo de disputa fratricida, onde o fair play é furiosamente pisoteado. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Rejeição a executivo pode respingar no novo comandante

A demissão de Hélio repercutiu porque ele mantinha sólida identificação com a torcida. Não por acaso: só em 2020, foram 22 partidas, com 13 vitórias, quatro derrotas e cinco empates, com um título estadual pelo meio. Ciente dessa popularidade, o técnico usou o Twitter para dizer que não abre mão de seus princípios. O discurso, populista e certeiro, teve efeito devastador entre os torcedores, que imediatamente se voltaram contra o “vilão” Felipe Albuquerque.

A consequência mais provável é que, se o executivo for mantido, a ira da torcida se estenda ao novo treinador. Itamar Schulle, ex-Santa Cruz, e Marquinho Santos (que já passou pela Curuzu), são os nomes especulados. 

O escolhido precisará ter perfil cascudo, pois as cobranças serão terríveis, sempre com a inevitável comparação com Hélio. É fundamental que o time dê respostas imediatas. Detalhe: o próximo compromisso é contra o Ferroviário, melhor time do grupo A, em Fortaleza.

Kalou: reforço que pode devolver o brilho à Estrela Solitária

O marfinense de 35 anos, que teve grandes momentos no futebol europeu, chegou como segunda opção ao Botafogo, depois da inútil e cansativa luta pela contratação de Yaya Touré logo no início da pandemia. Para manter a estratégia de buscar astros ainda em bom nível técnico, Salomon Kalou foi contratado.

Chegou ao Rio e levou apenas duas semanas para se condicionar. Estreou e foi muito bem contra Corinthians e Vasco, atuando pela beirada esquerda e finalizando bem. Apesar disso, sente os efeitos da fase técnica ruim e da sequência de erros de arbitragem que castigam o time no Brasileiro.

Deixa, porém, a certeza de que é um reforço à espera de um encaixe. Kalou precisa que o Botafogo cresça em conjunto e volume de jogo para que sua contribuição técnica seja realmente notada e frutifique.