Náutico lança camisa antirracista e faz autocrítica histórica

Náutico lançou hoje uma camisa inspirada no movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam, em português), fazendo uma autocrítica sobre seu histórico de exclusão da comunidade negra nas dependências da agremiação. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o clube pernambucano mostra imagens de casos de racismo sofridos pelos atacantes Taison, na Ucrânia, e Neymar, na França. “Isso precisa acabar”, diz o narrador.

Em seguida, é dito que o Náutico é um clube orgulhoso de sua própria história, “com títulos, grandes craques, uma torcida fiel e apaixonada e um estádio com alma”. “Mas tem uma parte do nosso passado que a gente não se orgulha”, segue. “Fomos o último clube grande [de Pernambuco] a permitir negros vestindo a camisa alvirrubra. O preto não fazia parte das nossas cores”, conta o narrador.

A partir daí, o vídeo é protagonizado pelo ex-goleiro Nilson, ex-goleiro do Santa Cruz e do Náutico que sofreu ataques racistas de torcedores do alvirrubro quando defendia as cores do tricolor pernambucano no início dos anos 2000. “Era um coro racista, imitando um som de um macaco. E foi um som muito forte. Você se lembra daquele som novamente, e você sabe que aquilo foi feito por causa da cor da sua pele”, relembra o jogador.

“Gostaríamos de apagar esses casos de racismo do nosso passado, mas isso não é possível. Um pedido de desculpas não é suficiente”, retoma o narrador. “O que a gente pode e vai fazer é contribuir cada vez mais no combate ao racismo estrutural e a violência contra os negros”, finaliza. Em seguida, Nilson aparece no vídeo vestindo a nova camisa e, de punho cerrado, diz: “o Náutico também é preto!”.

La Spaak, a diva esquecida

Catherine Spaak | 有名人
Catherine Spaak | Romanian postcard by Casa Filmului Acin. B… | Flickr

Catherine Spaak foi um dos rostos mais fotografados do cinema italiano nos anos 60. Fez filmes importantes, gravou discos de sucesso e estrelou revistas de moda a partir da figura bela e elegante, de porte aristocrático.

Nascida na França, de origem belga e naturalizada italiana, é filha do escritor Charles Spaak e sobrinha do ex-premier belga Paul Henri Spaak. Tem hoje 75 anos e é casa com Orso Guerrini.

Construiu carreira no cinema trabalhando com diretores italianos, em dramas, comédias e até filmes de faroeste. Como cantora, chegou a ser comparada em estilo à francesa Françoise Hardy.

catherine spaak, rome airport, 1966 Stock Photo - Alamy

Na sua época, foi considerada como uma das mulheres mais bonitas do mundo. Dentre os filmes mais importantes, estão La Calda Vita (1963), O Exército Brancaleone (1966) e La Matriarca (1969).

Como cantora, estourou nas paradas com a música “L’Esercito del Surf”, gravada em 1964. Composta por Mogol e Pataccini, a música foi regravada pela cantora brasileira Wanderléa sob o título de “Exército do Surf”, no auge da Jovem Guarda.

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Lula: por um Brasil de democracia, paz e justiça

PT lança Plano de Reconstrução do Brasil com Lula, Haddad, Gleisi e Mercadante. 21 de setembro de 2020

A partir de hoje o Brasil exercerá plenamente sua soberania, não para oprimir quem quer que seja, mas para promover a integração da América Latina, a cooperação com a África, relações econômicas equilibradas e democráticas entre os países, defender o meio ambiente e a paz mundial”, disse Lula, em discurso paralelo.

As únicas palavras sensatas do discurso de Jair Bolsonaro hoje na ONU foram as primeiras: o mundo precisa mesmo conhecer a verdade. Mas na boca de uma pessoa que não tem compromisso com a verdade até esta frase soa falsa.

O que se esperava ouvir hoje de um presidente são coisas simples, que estão indicadas no Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil, apresentado ontem pelo Partido dos Trabalhadores. Algo assim:

Senhoras e senhores desta Assembleia, o Brasil se envergonha de ter tido, ao longo desta gravíssima pandemia, um governo que ignorou a ciência e desprezou a vida, o que resultou em mais de 136 mil mortes e milhões de contaminados pela Covid.

Queremos anunciar que, a partir deste momento, vamos realizar testes em massa na população para conhecer as verdadeiras dimensões da pandemia e enfrentá-la.

Vamos recompor o Orçamento da Saúde para ter hospitais, médicos, enfermeiros e remédios; investir o que for necessário para salvar vidas.

Vamos manter o auxílio emergencial de R$ 600 e instituir o Mais Bolsa Família, para que este valor seja pago mensalmente a todas as famílias vulneráveis.

Os bancos públicos abrirão imediatamente crédito para as pequenas empresas. Retomaremos já as obras paradas para reativar a economia e gerar empregos.

O governo brasileiro nunca mais fará propaganda enganosa de remédios sem comprovação científica nem voltará a desmoralizar medidas coletivas de prevenção.

A partir de hoje, estamos decretando o Desmatamento Zero da Amazônia. Três anos de proibição total de queimadas e derrubadas, para que a natureza tenha tempo de se recuperar da destruição.

Convocamos as Forças Armadas para combater o incêndio do Pantanal, a começar pelos 4 mil hoje deslocados para fazer provocação militar irresponsável em nossa fronteira com a Venezuela.

Os povos indígenas são irmãos da natureza e guardiões do meio ambiente. Terão prioridade nas ações emergenciais de saúde. Seu território e suas culturas voltarão a ser respeitados, com a retomada das demarcações de reservas e terras indígenas.

Os cientistas e os agricultores brasileiros desenvolveram a mais avançada tecnologia para o cultivo de grãos e produção de proteína animal.

Este conhecimento, a partir de hoje, voltará a ser utilizado em benefício da segurança alimentar do planeta e do povo brasileiro, de maneira social e ambientalmente sustentável. A partir de hoje está proibido em nosso território o uso indiscriminado de insumos e sementes que representam risco à saúde humana.

Não é preciso destruir para botar comida na mesa. É preciso, sim, entregar terra, tecnologia e financiamento a centenas de milhares de famílias que trabalham no campo para alimentar as cidades.

Estamos criando hoje um banco de terras públicas para retomar a reforma agrária no Brasil. E reativando o financiamento da agricultura familiar.

É desta forma, garantindo segurança alimentar para nossa população e produzindo com abundância, respeito ao meio ambiente e à saúde humana, que o Brasil quer contribuir para saciar a fome no mundo.

Senhoras e senhores,

Esta assembleia foi criada, ao final da mais devastadora guerra de todos os tempos, para construir a paz, promover a educação, a saúde, o trabalho digno, a produção de alimentos e o equilíbrio nas relações econômicas.

Passados 75 anos, não tivemos sequer um dia sem guerras. O colonialismo deu lugar a outro tipo de dominação, ditada pela concentração de capitais e a especulação financeira. O acesso à educação e saúde é uma miragem para a imensa maioria. As relações de trabalho regridem ao que eram no século 19.

E, vergonha das vergonhas: 800 milhões de crianças passam fome todos os dias, no mesmo planeta em que uns poucos privilegiados nem sabem como gastar – ou sequer como contar – suas inacreditáveis fortunas.

Como alertou papa Francisco: “Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade”.

No Brasil, a partir de hoje, tudo que o estado fizer será no sentido de reverter séculos de desigualdade, o racismo estrutural que nos legou a escravidão, o patriarcado que discrimina as mulheres, superar o preconceito, a fome, a pobreza, o desemprego.

A partir de hoje o Brasil exercerá plenamente sua soberania, não para oprimir quem quer que seja, mas para promover a integração da América Latina, a cooperação com a África, relações econômicas equilibradas e democráticas entre os países, defender o meio ambiente e a paz mundial.

O Brasil quer para si o que deseja para todos os povos do planeta: soberania, autodeterminação, acesso compartilhado ao conhecimento, às vacinas e medicamentos imprescindíveis, regras justas de comércio, ação internacional efetiva para o desenvolvimento e o combate à pobreza no mundo.

O Brasil quer para todos democracia, paz e justiça.