A conquista de Hélio

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu é o campeão paraense de 2020

O PSC é o campeão da temporada com todos os méritos, após duas vitórias na decisão, perfazendo 3 a 1 no placar agregado. Um título sem contestações, obtido com suor e luta, dentro das tradições históricas do clube. E pensar que a diretoria do clube defendia o encerramento sumário da competição lá em abril, em meio à pandemia. Se isso tivesse ocorrido, a torcida teria sido privada da festa pela conquista em campo.

No jogo, o PSC entrou com a mesma formação da quarta-feira, claramente se mantendo à espreita de um erro do adversário, que não ocorreu. Nicolas era o mais adiantado, com Vinícius Leite e Mateus Anderson ajudando os laterais Collaço e Tony. Os avanços eram calculados, sem afobação.

O Remo entrou modificado, com Charles à frente da defesa, auxiliado por Lucas e Djalma. No ataque, Tcharlles e Ermel pelos lados e Zé Carlos centralizado. Quando a escalação foi anunciada, ficou claro que Mazola Junior pretendia conter os laterais do PSC, ponto forte da equipe bicolor, e explorar a presença de um jogador de referência na área.

A opção por Zé Carlos só daria certo se o time tivesse por hábito explorar o jogo aéreo. Como não fez isso, as melhores chegadas ao ataque ocorreram com Tcharlles, que chegou a cabecear uma bola no poste direito de Gabriel Leite, e com Ermel, autor de duas finalizações perigosas.

Quando se adaptou ao novo desenho do Remo, o PSC se estabilizou e passou a tocar a bola com tranquilidade, a partir do meio-campo, com PH e Uchoa bem na troca de passes, controlando bem o jogo.

O Remo teve duas perdas sérias. Lesionado, Djalma precisou ser substituído por Gelson, alterando por completo a transição da equipe. Aos 39 minutos, Fredson cometeu duas faltas violentas sobre Nicolas em sequência e levou merecidamente o cartão vermelho. Aliás, o clássico foi tecnicamente fraco, marcado por chutões e erros de passe.

Gelson e Uchôa disputam bola na beira do campo

Ainda na etapa inicial, Ermel foi derrubado por Micael (que já tinha amarelo) e o árbitro goiano deixou de expulsar o zagueiro. Mas, no balanço das atuações, o PSC saiu em vantagem da primeira metade do jogo. O placar lhe dava o título e tinha um jogador a mais.

Hélio dos Anjos soube explorar muitíssimo bem essa situação. Renovou a segurança defensiva colocando Wesley no lugar do amarelado Micael, trocou Mateus por Uilliam, PH por Serginho e Alan Calbergue por Luís Felipe. Desenho óbvio de quem pretendia valorizar a posse de bola sem recuar.

As mexidas foram precisas. O PSC continuou a valorizar a posse da bola, sem se expor e chegando com perigo quando a bola era lançada a Vinícius Leite – o gol da vitória sairia por aquele lado. Hélio comprovou que tem perfeito domínio das valências e características de seus jogadores.

Por isso, os maiores méritos pelo título cabem a Hélio, pragmático no uso de jogadores que encaixam no planejamento de jogo. É verdade que nem sempre alcançou a aproximação desejada, seu setor defensivo teve sérios problemas quando pressionado pelos lados, mas foi sempre superior ao rival nos dois confrontos da decisão.

Depois da pandemia, cometeu o erro de adiantar a zaga como forma de pressionar a saída dos adversários. Isso quase lhe custou a ida à decisão na semifinal com o Paragominas. Teve, porém, a humildade de recuar a tempo da ideia infeliz e o time recuperou o equilíbrio defensivo, seu ponto forte.

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Ontem, no 2º tempo, mesmo quando perdeu Luís Felipe, expulso, Hélio não se abalou. Manteve o time tocando a bola, controlando as ações e cansando um Remo já desgastado desde o 1º tempo. Tony perdeu grande chance logo no reinício e Vinícius Leite mandou duas bolas perigosas.

Era questão de tempo para chegar ao gol e ele veio, aos 51 minutos. Em jogada pela esquerda, a bola foi conduzida com habilidade por Vinícius Leite, que achou Uchoa na entrada da área. O chute saiu rasteiro, certeiro, garantindo a vitória e o merecido caneco.

Escalação mudou, mas Remo sentiu muito a falta de ER

O torcedor, descontados os excessos da paixão, costuma ser sábio. As críticas a Mazola pela derrota na quarta-feira foram justas. Ele até providenciou mudanças na formação do Remo e ensaiou um esquema mais audacioso, com Djalma e jogadores nas extremas, Tcharlles e Ermel.

Apesar desse aceno a quem cobrava ofensividade, o técnico manteve suas convicções e escalou Zé Carlos, atacante cujo condicionamento físico não permite jogadas em velocidade. Como previsto, o veterano entrou e não conseguiu jogar. Foi substituído quando Fredson levou o vermelho.

Mais do que um centroavante pesadão no ataque, o Remo sofria com a falta de criação no meio. O PSC também joga sem meia, mas tem um conjunto já habituado a jogar assim. O Remo não estava preparado para a perda de seu meia-armador e maior referência, Eduardo Ramos, contundido.

Sem ele, a opção natural seria Carlos Alberto ou Robinho. Mazola preferiu ir de Djalma, que acabou lesionado no começo do clássico. Lançou Gelson, perdendo a chance de mudar as características da pressão que o time precisava impor. Sem isso, o Remo jogou como Hélio dos Anjos previa e desejava. Com o adendo de ter um homem a menos, Zé Carlos.

Logo no recomeço, com Tcharlles solitário na frente, as chances rarearam ainda mais. Mazola trocou Ermel e Everton por Hélio Borges e Carlos Alberto. O time conseguiu botar a bola no chão, mas tinha imensas dificuldades em sair de seu campo. Hélio apoiava, mas tinha que se preocupar com Vinícius Leite e Diego Matos.

Ronald ficou no banco. É o único velocista do time e era a melhor alternativa pelos lados para abrir a marcação adversária. O técnico não o colocou em campo e o Remo perdeu o jogo sem fazer a 5ª substituição, como havia acontecido na quarta-feira.

Luís Felipe ainda foi expulso aos 37’, mas o equilíbrio numérico não alterou a ordem natural das coisas. No desespero, sem forças para impor a pressão final e errando em todas as tentativas no ataque, o Remo abrir a defesa e sofreu o gol nos instantes finais.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 07)

Marieta: país vive catástrofe e governo não aceita contestações

A atriz Marieta Severo considerou que o cenário de turno do país é catastrófico. Ela ressaltou que o governo Bolsonaro não aceita críticas e que ideologiza todos os temas importantes para o país, sobretudo a cultura. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ela disse: “A nossa profissão [de artista] é crítica, é contestação. E eles [o governo] não aguentam contestação. Tudo isso que está acontecendo é orquestrado, não é por acaso. Estão acabando com o cinema, o teatro não tem apoio nenhum. É absolutamente catastrófico você pensar num governo que tem a sua cultura como inimiga – é ter o país como inimigo.”

Marieta ainda declarou: “Eu respeito profundamente quem não quer se posicionar, mas eu preciso dizer, falar. A gente tem que se colocar politicamente, cada vez mais. Estamos indo para um terreno de um conservadorismo absurdo, louco, medieval”.