Em meio à pandemia de coronavírus, terminou o julgamento que por dois anos investigou crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar na Argentina. O Tribunal Federal de Mar del Plata, divulgou o veredicto de um julgamento que coletou evidências fundamentadas por mais de 300 testemunhas que permitiram esclarecer parte do que aconteceu entre 1976 e 1983, sob a ditadura militar do ditador Rafael Videla, informa a Telesul.
O processo examinou a privação ilegal de liberdade, tortura, assassinato e desaparecimento de 272 vítimas em centros clandestinos operados pelas Forças Armadas e de Segurança do país durante o final da década de 1970 e o início da década de 1980.
O veredicto final foi anunciado por meio de uma audiência na internet que, sem a presença dos familiares das vítimas devido ao cumprimento de medidas de segurança diante da pandemia, continuou seu curso, onde 38 pessoas receberam sentenças.
Juntamente com os 28 acusados que foram condenados à prisão perpétua, outros sete acusados também foram condenados a penas que variam de 7 a 25 anos de prisão.
Em entrevista coletiva, concedida nesta segunda-feira (27), o ministro da Saúde, Nelson Teich, informou que a pedido da Confederação Brasileira de Futebol, o Ministério avalia liberar a retomada dos campeonatos de futebol. Segundo Teich, a a avaliação é a respeito de jogos sem público.
“Isso é uma coisa que a gente está avaliando. Não que tudo que a gente avalia é para ser definido, não é definido, ainda. Mas, são algumas iniciativas que, de alguma forma, poderiam trazer uma rotina um pouco melhor para o cotidiano das pessoas, porque o enclausuramento tem impacto muito grande no bem-estar”, afirmou.
Mais cedo, o próprio presidente Jair Bolasonaro havia falado sobre o assunto. Favorável ao fim do isolamento social, ele disse que esperava da pasta um parecer que permitisse o retorno gradual de jogos de futebol, inicialmente com os portões fechados.
“Naquela situação Scottie Pippen foi um pouco egoísta. Não pensou muito no time”. Esta foi uma das frases de Michael Jordan no segundo episódio de “Arremesso Final”, exibida aqui no Brasil pela Netflix. MJ falava sobre o comportamento de seu companheiro e a forma como ele abordou o tema foi comentada por Steve Kerr, que fazia parte daquele elenco e hoje é técnico do Golden State Warriors.
Muita gente conhece os feitos de Michael Jordan como atleta, certamente o melhor jogador de basquete de todos os tempos e um dos melhores esportistas dentre todas as modalidades, mas pouca gente consegue entender a cabeça por trás.
Carismático como jogador, ele foi um dos primeiros a se entender como empresa e a transformar tudo o que passava ao redor dele em acordo comercial. É dele a famosa frase “Republicanos também compram tênis”, quando questionado se apoiaria publicamente os democratas de seu amigo Barack Obama nas eleições americanas de anos atrás. Quase sempre avesso a declarações fortes sobre contextos políticos ou sociais, Jordan deixa que sua história no basquete fale por si para que seu legado, como empresário, se eternize (e potencialize seus lucros).
Certo ou errado, é o caminho que ele escolheu e sua trilha como homem de negócios tem se mostrado mais do que acertada. O único momento em que abriu uma espécie de exceção para que sua vida pessoal se tornasse pública foi quando seu pai, James Jordan, faleceu em 1993, vítima de um assassinato cruel na Carolina do Norte devido a dívidas dele (James) para casas de aposta locais.
Meses depois Michael, que também sempre gostou bastante de jogos de azar (suas partidas de golfe com valores assombrosos de aposta são conhecidas), afirmou que não tinha mais vontade de jogar basquete por falta de motivação e que partiria para uma experiência no beisebol, realizando o sonho de seu pai. Foi uma espécie de licença-poética para homenagear James Jordan.
Dono dos melhores contratos publicitários quando atleta (ele foi o primeiro a assinar um vitalício com a Nike de seu amigo Phil Knight), Jordan é dono de uma marca com seu próprio nome (a desejada Jordan Brand), sócio de um time da NBA (o Charlotte Hornets) e o primeiro atleta da história a se tornar bilionário (atualmente seu patrimônio está acima da casa dos US$ 2,5 bilhões). Com tantas facetas e momentos extraordinários assim, fica estranho que sua vida seja pouco comentada nestes momentos de redes sociais pulsando todo tipo de informação. Nem mesmo as suas constantes atuações em situações de filantropia são conhecidas (estima-se que ele já tenha destinado mais de US$ 50 milhões).
Conhecido por ser o famoso “obsessivo por evolução”, Jordan sempre teve seu comportamento esportivo elogiado, sendo exemplo para todas as gerações que o viram jogar. Sua compulsão por melhorar vem de seu irmão mais velho, Larry, com quem jogava no quintal de casa e quem, teoricamente, seria “o” jogador da família Jordan.
Cortado no time do segundo grau, Michael chegou em casa, chorou de raiva e partiu para treinar. Cresceu 15cm em um ano, melhorou, se tornou um dos melhores do seu colégio e depois você já sabe. Seu lado de fora das quadras é que não é tão, digamos, explorado assim. Michael tem inúmeros livros publicados a seu respeito, mas quase nenhum com declarações conclusivas ou contundentes dele.
A construção de seu personagem comprometido com a evolução faz parte de um roteiro muito bem construído e quase sem buracos para quem pensa em carreira dentro e fora das quadras. Suas entrevistas quase sempre foram dadas a amigos, ex-atletas ou em situações protocolares. Não há nada mais apimentado, nada que a gente se lembre dele metido em alguma confusão. A maneira como ele sempre tratou a sua vida longe do basquete é reclusa, embora ele tenha mudado um pouco nos últimos anos.
Primeiro pela forma como anos atrás ele deu abertura à NBA TV para que enfim “Arremesso Final” fosse lançada depois de quase 20 anos. Jordan tinha algo absurdamente válido, e raro em uma relação com uma liga do tamanho da NBA, nas mãos: o controle sobre quando o documentário seria lançado. Na série, não custa já destacar, ele permitiu depoimento de Isiah Thomas, um de seus maiores desafetos e para quem MJ destilou o seu veto no Dream Team. Depois fazendo um discurso emocionante na cerimônia de homenagem a Kobe Bryant.
Lá, por exemplo, o mundo praticamente descobriu que ele é pai das gêmeas Victoria e Isabel, frutos de seu relacionamento com a modelo cubana Yvette Prieto, sua segunda esposa, e nascidas em 2014. A mãe de seus primeiros filhos (Jeffrey e Marcus), Juanita, teria recebido mais de US$ 160 milhões no divórcio, mas isso tampouco foi amplamente divulgado porque Jordan sempre conseguiu se blindar fortemente de quase todos os assuntos.
A forma zelosa como ele sempre se entendeu como figura pública também é bastante comentada por atletas como sendo um exemplo. Longe das confusões, seu legado como atleta continua vivo mesmo após duas décadas longe das quadras.
O médico cubano Raymond Garcia — que chegou a vender salgados nas ruas de Ponta de Pedra, na Ilha do Marajó, no Pará — chegou a Belém nesta segunda-feira (27) para se somar aos outros 85 médicos que vão trabalhar no combate à pandemia do novo coronavírus no estado.
Segundo a Secretaria de estado de Saúde (Sespa), o Pará registrou 100 mortes até o último domingo (26), tornando-se o nono estado com mais registros de casos confirmados e de mortes no país. Além disso, o Pará está com mais de 90% dos leitos ocupados, o que preocupa as autoridades.
Como forma de combater a doença, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), anunciou que 86 médicos cubanos que moram no estado iriam atuar no combate à doença.
Raymond Garcia sempre quis voltar a exercer a medicina. Com o fim do programa Mais Médicos — medida tomada pelo ministro Luiz Henrique Mandetta, quando ainda era ministro da saúde —, o médico foi para as ruas vender coxinha para poder sustentar a família.
O município no qual ele trabalhava, na Ilha do Marajó, é um dos locais de extrema pobreza em que médicos cubanos atuavam no país. A cidade, segundo dados de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem 31 mil pessoas e a taxa de mortalidade infantil média é de 17,24 para mil nascidos vivos. Já as internações em decorrência de diarreia são de 9,2 para cada mil habitantes.
Raymond Garcia ficou muito angustiado no município, porque via as pessoas doentes, pessoas que lhe pediam ajuda, mas, com o fim do programa, a prática da medicina se tornou ilegal. Com uma filha de um ano e meio para sustentar, ele foi para as ruas trabalhar como ambulante e chegou a ganhar 15 reais por dia. Depois de muita procura, em 2019, passou a trabalhar em uma farmácia do município.
Neste sábado, 25, Raymond conta que teve a alegria de ser contactado pela Sespa e veio para Belém de barco em uma viagem que durou cerca de cinco horas. O médico, que é formado pela Faculdade de Medicina Dr. Salvador Allende, em Havana, capital cubana, entrou em contato com o Brasil de Fato para dividir a alegria.
“Eu chego a Belém 5 horas da manhã. O contrato foi feito diretamente pelo Helder Barbalho, meu e de outro colega. Quando eu chegar ao hotel, eu te ligo”, disse ele à reportagem.
Raymond chegou às 8h30. Devido à experiência que tinha em Cuba, ele atuará direto nas Unidades de Terapia Intensivas (UTIs). Nesta segunda (27), ele teve uma reunião no Hangar, onde o governo do estado construiu o hospital de campanha para saber onde será realocado.
Na última sexta-feira (24), o lamento de Raymond era por não poder ajudar. “Lamento pelo que acompanho desde o início da gestão Bolsonaro”, disse, em referência a medidas como o fim do programa Mais Médicos.
“Eu sou um dos médicos que ficou no Brasil após o fim da parceria Brasil-Cuba, em novembro de 2018. Fiquei na lista dos médicos aptos para voltar a trabalhar. Eu tenho habilitação para isso. Estou disposto a trabalhar entre os 86 médicos cubanos que o governador Helder Barbalho mencionou”, diz ele, que, a partir de hoje, voltará a atuar como médico, fazendo aquilo que sabe fazer de melhor: salvar vidas.
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, na noite desta segunda-feira (27), a abertura do inquérito contra Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sergio Moro. A decisão atendeu a um pedido que partiu do procurador-geral da República, Augusto Aras. O decano da corte foi escolhido através de sorteio.
O inquérito vai apurar os fatos narrados por Sergio Moro no dia em que anunciou sua saída do governo e denunciou que o presidente Bolsonaro teria interesse em trocar o diretor-geral da Polícia Federal por questões políticas. Ainda segundo Moro, o presidente gostaria de ter acesso a informações de inquéritos da PF, fato que o próprio Bolsonaro confirmou em coletiva de imprensa no mesmo dia.
Para Celso de Mello, os fatos denunciados por Sergio Moro têm relação com o exercício do cargo, permitindo assim investigação do chefe do Executivo.
“Os crimes supostamente praticados pelo senhor presidente da República, conforme noticiado pelo então Ministro da Justiça e Segurança Pública, parecem guardar (…) íntima conexão com o exercício do mandato presidencial, além de manterem – em função do período em que teriam sido alegadamente praticados – relação de contemporaneidade com o desempenho atual das funções político-jurídicas inerentes à chefia do Poder Executivo”, escreveu o ministro.
A partir de agora, começa a produção das provas. O pedido do PGR Aras, determinava que Sergio Moro apresente os documentos que comprovem suas declarações. Nesta etapa, quebra de sigilo telefônico pode ser decretado para comprovar a veracidade das mensagens divulgadas pelo ex-juiz.
A Fifa está estudando maneiras de ajudar os clubes dentro de campo quando o futebol voltar às suas atividades depois da pandemia do novo coronavírus. A entidade propôs uma mudança temporária na regra das substituições para lidar com a provável maratona de jogos. A sugestão é que cada equipe possa fazer cinco trocas por partida, sendo duas no intervalo, em vez das tradicionais três.
A proposta da Fifa está sujeita à aprovação da International Board (IFAB, na sigla em inglês), órgão que faz a gestão das regras do esporte, que deve se reunir nos próximos meses.
A ideia da entidade máxima do futebol é amenizar os efeitos da parada provocada pela pandemia da covid-19 e do desgaste físico dos atletas no retorno, aliado a uma pequena pré-temporada.
“Quando as competições recomeçarem, o calendário estará sobrecarregado com uma frequência de jogos superior ao normal”, afirmou um porta-voz da Fifa. “A segurança dos jogadores é a nossa prioridade e a carga de jogos poderá aumentar o número de lesões. Assim, perante o desafio que as ligas enfrentam, a Fifa propõe um maior número de substituições de forma temporária. Uma mudança adicional poderá ser usada em contexto de prolongamento”, acrescentou. (Do R7)
Sergio Moro é um homem honrado. Convocou a imprensa para anunciar que deixava o Ministério da Justiça porque o presidente da República queria interferir ilegalmente na Polícia Federal.
Quando juiz da Lava Jato, determinou a quebra do sigilo telefônico de Lula e suspendeu a medida às 11h13 do dia 16 de março de 2016. Mas às 13h32 do mesmo dia a escuta ainda era feita e captou uma conversa do ex-presidente com a presidenta Dilma Rousseff. Nesse momento, o sigilo telefônico de Lula estava garantido pela Constituição, mas o então juiz remeteu a gravação à Globo e ali terminou, de fato, o mandato da presidenta da República. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Às 6 da manhã do dia 4 de março de 2016, a Polícia Federal chegou à casa de Lula para conduzi-lo coercitivamente a Curitiba por determinação do juiz Sergio Moro, que queria um espetáculo público de humilhação do ex-presidente. Os artigos 218 e 260 do Código de Processo Penal somente autorizam a condução coercitiva quando o réu não atende ao chamado para interrogatório ou quando a testemunha, intimada, não comparece. Lula não era réu e nem havia sido intimado. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Sergio Moro condenou o candidato à frente nas pesquisas com uma sentença que não tinha qualquer base fática razoável, criticada por juristas de todo mundo, mutilando as eleições presidenciais. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Quando se descobriu que a Odebrecht fazia doações ocultas ao Instituto Fernando Henrique Cardoso e os procuradores da Lava Jato sugeriram investigar apenas para aparentar isenção, Sergio Moro impediu com o argumento de que não convinha “melindrar alguém cujo apoio é importante”. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Sergio Moro violou os mais triviais deveres de imparcialidade e isenção de um juiz, como soubemos pelas revelações da Vaza Jato. Conspirou com a acusação e a dirigiu em muitos momentos. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Sergio Moro confessou que, ao aceitar ser ministro, pediu uma pensão para sua família caso morresse. Artigo 317 do Código Penal: “solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem”. Como não se consegue vislumbrar algum motivo para essa vantagem ser devida, somos pelo menos autorizados a cogitar corrupção passiva, exatamente o crime pelo qual condenou Lula. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Moro quis aprovar um pacote punitivista, com ranço de fascismo, que superlotaria o já bárbaro sistema prisional que abriga quase um milhão de presos. Usou, entre outros argumentos, o de que medidas populares traziam capital político para a reforma da previdência. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Essa breve recapitulação aponta em tese para os crimes de violação de sigilo telefônico, abuso de autoridade, prevaricação, corrupção passiva e um maquiavelismo rasteiro. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Sergio Moro assumiu o Ministério da Justiça de um presidente fascista, racista, defensor da ditadura e que tem como ídolo um homem que enfiava ratos e baratas em vaginas de mulheres. Sua mulher afirmou em fevereiro deste ano que Bolsonaro e Moro são “uma coisa só”. Se ela, que priva da intimidade dele, pensa isso, como podemos nós duvidar? Mas Sergio Moro é um homem honrado.
Kennedy Alencar escreveu em um tuíte que Moro é mais perigoso para a democracia brasileira do que Bolsonaro. Não sei exatamente o fundamento do jornalista. Mas é evidente que nenhum dos dois tem escrúpulos. Nenhum dos dois respeita a Constituição. Nenhum dos dois tem qualquer pudor de violar normas e o Estado de Direito para satisfazer interesses políticos ou pessoais. Mas Sergio Moro é um homem honrado.
A diferença é que Bolsonaro atenta contra a democracia sem esconder que atenta contra a democracia. Vai às portas dos quartéis discursar em atos que pedem a volta da ditadura. Moro atenta contra a democracia passando-se por um homem honrado. Por campeão da moralidade. Por herói da probidade. A diferença entre Bolsonaro e Moro é a que existe entre quem aponta um revólver à luz do dia e aquele que na calada da noite apunhala a vítima adormecida. Ou a diferença entre um membro da SS e uma espécie de Iago, o ardiloso personagem do Mouro de Veneza. Mas Sérgio Moro é um homem honrado.
O que houve na sexta-feira, 24 de abril, foi o primeiro lance da campanha eleitoral de 2022. O cavalo passou selado. Era o momento de se descolar da figura desgastada de Bolsonaro, prestes a sofrer um processo de impeachment, ridicularizado mundialmente, com o peso da morte de milhares de brasileiros nas costas pela sua negativa insana da pandemia. Moro não abandonou a magistratura para ser por algum tempo ministro de um homem que desprezava, que humilhou publicamente em uma lanchonete de aeroporto, e depois voltar a ser um homem honrado comum .
Moro tem um projeto de poder e é também o projeto de poder dos sonhos da direita, do mercado, da Globo, porque não traz, diferentemente de Bolsonaro, efeitos colaterais. Um hipotético presidente Moro teria enfrentado a pandemia ao modo de Doria, que passou de alguém que maltrata morador de rua a herói da saúde pública. Se o programa da direita, o projeto neoliberal, tem que ser executado por um psicopata alucinado, que seja, eles aceitam. Paciência. Mas se puder ser por alguém que tem a esperteza e o cálculo de ostentar virtudes públicas e republicanas ao mesmo tempo em que viola todas elas, muito melhor. Por um homem honrado.
MARCIO SOTELO FELIPPE é advogado e foi procurador-geral do Estado de São Paulo. É mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP
Nunca dei a importância devida à conquista do tetracampeonato. Curti mais a Copa do Mundo de 1970, menino, quando ainda vivia em Baião. As lembranças do período falam alto ao coração, por motivos óbvios – camaradagens, presença de meus irmãos e amigos, o inconfundível cheiro de jasmim nas ruas –, mas é inegável que o tetra (24 anos depois do tri) foi uma festa de maior amplitude. Transmissão em cores já era normal, jogos exibidos ao vivo também, Galvão Bueno idem.
Acompanhei ontem a reprise daquela decisão. E pensar que abri mão de cobrir a Copa norte-americana em função de tarefas no jornal. Em meu lugar, foi o amigo Sérgio Duarte (que dirigia a 99 FM e tinha inglês fluente), juntamente com a equipe de Guilherme Guerreiro. Lamento até hoje ter desistido. Calejado pela frustração de 94, fiz questão de ir às Copas de 2002, 2006 e 2014.
Todos que amaram ver a Seleção de Telê em 1982, sem o prazer de festejar o título, não encontravam motivos relevantes para se apegar ao time que Parreira montou com alguns remanescentes da má jornada de 1990 na Itália. Dunga era a lembrança mais forte (e negativa), mas Taffarel também veio da experiência anterior.
Ironicamente, ambos foram importantíssimos em 1994. Lembra até o ocorrido com Gerson em 1966, quando o meia saiu como covarde e acabou se erguendo em 1970 como um dos pilares do tricampeonato.
De nome estigmatizado (a campanha na Itália virou “era Dunga”), o volante carniceiro se reinventou nos EUA. Foi o melhor passador, fez lançamentos preciosos e atuou como verdadeiro líder dentro e fora de campo.
Na finalíssima, diante da Itália, que havia sido a pedra no sapato em 1982, a Seleção mostrou na plenitude o que tinha de mais singular: a capacidade de jogar coletivamente, aproveitando ao máximo as principais individualidades – Romário e Bebeto.
Passados 26 anos, é justo reconhecer a qualidade do time, embora seu ponto de referência estivesse na força de marcação e na segurança da última linha, com o gigante Aldair à frente. Cafu e Branco honravam com eficiência a tradição brasileira de grandes apoiadores laterais.
Zinho, outro que saiu marcado de 1994 como enceradeira, cumpria um papel decisivo na transição de um time que não tinha meia-armador de ofício. Aliás, talvez por isso mesmo, aquela seleção até hoje receba tantas críticas. A estrutura e a maneira de jogar subvertiam a lógica dos esquadrões nacionais campeões do mundo.
Romário, senhor absoluto da grande área, conduziu o Brasil à final e acabou pagando um preço alto por isso. Os italianos cercaram-no com até três marcadores. Teve uma grande oportunidade, aos 4 minutos do tempo final da prorrogação, mas a bola saiu caprichosamente à direita do gol de Pagliuca quase triscando no poste.
Em grande forma, Bebeto se movimentava o tempo todo, trocando de direção com a bola nos pés, um estilista leve e ágil. Recebia às vezes a ajuda de Mazinho, o mais avançado volante da equipe.
Antes que a memória me traia, quero destacar a excepcional figura de Aldair, seguramente o melhor zagueiro daquele mundial. Diante da Itália teve uma atuação soberba, minimalista, sem nenhum excesso. Com excepcional poder de antecipação, era um beque que dominava a bola como só ilustres camisas 10 sabem fazer.
A três minutos do fim da prorrogação, ele dominou com destreza e arte uma bola alta vinda da defensiva italiana, apesar do cansaço de quase 120 minutos de embate. Aldair foi um legítimo sucessor de Domingos da Guia e Mauro Ramos, embora sem o devido reconhecimento. Foi craque, o que não é coisa muito comum de se dizer sobre defensores.
Nem lembrava mais como tinham sido difícil e torturante a sequência de penais. Baresi e Márcio Santos perderam os primeiros. Albertini e Romário marcaram. Evani fez 2 a 1 para a Itália. Branco foi lá e empatou. Massaro bateu o 4º da Azzurra e Taffarel fez pegada maravilhosa. Dunga marcou 3 a 2 para o Brasil. Faltava uma cobrança para cada lado. Baggio mandou nas nuvens e tudo virou festa.
“É tetra! É tetra! É tetra!”. Um bordão histórico que virou meme definitivo nos gritos emocionados de Galvão Bueno, quase um 12º campeão mundial pela participação como animador da massa.
No blog, lembrança de Chico e da sovinice da CBF
O amigo Jaime, confinado em Atlanta (EUA), observa que Caxiado que sempre nos aperreios e sarros chamava ‘dr. Chico Melo’ para socorrer, numa sempre e respeitosa brincadeira. “Deus tenha misericórdia de sua alma”, diz, em memória de Francisco, que nos deixou há sete dias.
“Quando vejo a CBF com seus jogadores milionários, anunciarem, depois de três meses de pandemia no Brasil, que arrecadou R$ 5 milhões entre 10 jogadores da seleção, fica a impressão de que estão dando esmola. Parece que a indiferença com o sofrimento alheio são apenas esmolas, mesmo que ajudem 32 mil famílias como dizem. E vendo que só o Neymar arrecada mais de R$ 300 milhões. Comparando com os outros astros do futebol europeu, só o Cristiano Ronaldo já doou mais de 2 milhões de euros. Falta de humanidade e consciência em relação aos europeus”.
Rádio Clube promove uma feliz viagem ao passado
No rádio, a grande atração para a torcida paraense é a série Jogos Memoráveis, da Rádio Clube, consolidada ao resgatar um punhado de páginas legendárias do nosso futebol. Ontem, outro show. Grandes narrações de Ronaldo Porto e Guerreiro reconstituindo Vasco x Remo e o Re-Pa 690. Destaque para a vibrante voz do “pequenininho” Geo Araújo na partida que deu ao Papão a Copa dos Campeões. Depoimentos marcantes do goleiro Marcão (PSC) e do meia Alex Oliveira (Remo). Programa se torna imperdível para quem ama futebol e sofre com esse jejum forçado.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 27)
O bilionário Bill Gates está financiando a produção das sete idéias mais promissoras para uma vacina, enquanto ele se concentra novamente em seu trabalho filantrópico sobre o mortal coronavírus.
“Se tudo desse certo, estaríamos em escala de fabricação em um ano”, disse Gates no “Fareed Zakaria GPS” da CNN. “Pode demorar até dois anos.”
O segundo homem mais rico do mundo disse que a produção de vacinas provavelmente não começará em setembro, como alguns já disseram.
“Dr. Fauci e eu fomos bastante consistentes em dizer 18 meses para criar expectativas que não são muito altas ”, disse Gates, referindo-se a Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e membro da força-tarefa de coronavírus da Casa Branca.