Clubes se reúnem e decidem terminar o Carioca em campo ainda em 2020

Com o calendário do futebol parado por conta da pandemia da Covid-19, representantes dos clubes do Rio se reuniram na tarde de hoje (1) e decidiram que o Campeonato Carioca será finalizado dentro de campo, descartando a possibilidade de que a disputa seja encerrada.

Por meio de vídeo-conferência, dirigentes da elite fluminense foram unânimes e definiram pela manutenção do torneio, que será disputado ainda neste ano. As datas, no entanto, ficam congeladas até que a situação seja normalizada. A CBF já havia garantido que disponibilizaria datas e os clubes ratificaram o desejo comum de jogar as partidas restantes.

A reunião contou com as presenças dos presidentes de Botafogo, Vasco e Fluminense, mas o Flamengo foi representado pelo diretor-executivo Bruno Spindel, e por Cacau Cotta, diretor de relações externas do clube.

O encontro também reuniu Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), e dirigentes dos sindicatos dos atletas e dos treinadores.

Durante pouco mais de duas horas de conversa, os presentes discutiram os cenários possíveis e decidiram que farão uma nova rodada de discussão na próxima semana.

As jovens apostas do Leão

Remo 2x1 Carajás (Ronald)

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo anunciou ontem a renovação de contato do polivalente Ronald, jovem atleta cuja atuação diante do Carajás pelo Campeonato Estadual foi aprovada pelo torcedor e impressionou o técnico Mazola Junior. Aos 17 anos, ele é atacante e atua como lateral-esquerdo. É uma das joias das divisões de base do clube e sua ascensão não é um fato isolado.

Por necessidade e opção técnica, o Remo tem aproveitado com mais generosidade os jogadores revelados na base. Em comparação com o PSC, essa estratégia fica ainda mais visível. As jovens revelações bicolores tiveram pouquíssimas chances durante o campeonato. O goleiro Paulo Ricardo é a exceção, tendo sido escalado no último Re-Pa.

No Evandro Almeida, Ronald ganhou espaço desde que foi escalado na fogueira em jogo contra o Carajás. Improvisado na lateral esquerda para substituir o titular Ronaell, que se contundiu aos 14 minutos, Ronald mostrou personalidade e categoria, contribuindo para a virada azulina diante do lanterna do campeonato.

Caminhava para virar titular, mas uma contusão o afastou do Re-Pa na semana seguinte, mas o bom rendimento na estreia não passou despercebido e Ronald acaba de ter seu valor reconhecido pelo clube.

Figura ao lado de outros atletas que podem representar um futuro melhor para o Remo, tanto nos campos quanto no aspecto financeiro. Wallace, Hélio, Warley, Pingo e Lailson também integram esse grupo saído da base e que já mostrou qualidade para brigar por vaga no time titular.

A partir de agora, o caminho desses garotos passa pela boa vontade da comissão técnica e a paciência do torcedor.

Parazão: uma novela (ainda) longe de desfecho

Sofreu novo adiamento o esperado retorno das atividades na Federação Paraense de Futebol. Com isso, as discussões sobre o futuro do Campeonato Estadual também serão postergadas. O prazo de retorno do expediente da entidade foi definido para o dia 20 de abril. A data anteriormente prevista era o próximo dia 6, segunda-feira (6).

Para atender as reivindicações de dirigente de clubes, ansiosos por uma definição, a FPF concordou em realizar na segunda-feira uma videoconferência com os representantes dos clubes.

A preocupação com o avanço do novo coronavírus no Estado – que ontem registrou o primeiro óbito pela doença – é o motivo da prorrogação da quarentena na FPF. Há quem diga, porém, que a direção da entidade está protelando ao máximo a tomada de cisão sobre o campeonato.

A corrente que pede o encerramento imediato do Parazão não é majoritária e os debates tendem a ser acalorados e de pressão máxima sobre a FPF, que tradicionalmente é avessa a qualquer tipo de confrontação interna.

Por outro lado, há a expectativa de que em quatro ou seis semanas a doença arrefeça no Estado, permitindo que as medidas de isolamento social sejam abrandadas, pelo menos parcialmente. Tal cenário abriria espaço para o retorno dos jogos com portões fechados nas rodadas complementares da competição regional.

O principal obstáculo à tese de encerramento do campeonato nas condições atuais de classificação é a inexistência de qualquer item sobe isso no regulamento do campeonato. Como a aclamação de um campeão sofreria bombardeio de todos os lados e teria fragilidade jurídica por afrontar regras básicas do direito esportivo, é improvável que a FPF aceite bancar o fim imediato do torneio.

Um meio-termo, capaz de agregar apoio da maioria, seria a programação das semifinais entre os quatros primeiros colocados até a 8ª rodada, logo após o fim da quarentena, apressando a definição de campeão e vice, e dos classificados à Copa do Brasil e Série D 2021.

De toda sorte, o pagamento de três cotas aos clubes que disputam o Estadual representou um alívio para os dirigentes. Remo e PSC receberam, cada um, R$ 399 mil. As parcelas eram de R$ 133 mil.

Os outros oito clubes receberam R$ 171 mil (valor de três cotas de R$ 57 mil), o que pode permitir que Águia, Independente, Carajás, Itupiranga e Bragantino reativem seus elencos e voltem à disputa.

Diante dos pedintes, entidade nega faturamento fabuloso

A CBF acaba de confirmar a fama de mão-de-vaca. O diretor Walter Feldman, tucano de origem, fez declarações ontem no sentido de baixar a bola e diminuir a pressão dos clubes por ajuda financeira.

Diante da crise generalizada a partir das medidas de confinamento e a suspensão dos campeonatos, praticamente todos os clubes brasileiros foram bater à porta da entidade, cujo último balanço revelou um superávit de quase R$ 1 bilhão.

Gorda, paquidérmica e pouco generosa, a CBF não conseguiu até hoje dizer a que veio quanto a estender a mão para os que fazem a grandeza do futebol no país. Sem os clubes não haveria patrocínio milionário e nem acordos com a Globo e o grupo Turner.

Clubes fazem a roda girar, revelam jogadores, arcam com as despesas do futebol e mobilizam milhares de torcedores. Merecem, pelo menos, mais respeito em momento de tamanha dificuldade.

No Rio, clubes e federação defendem o Cariocão

No Rio, os clubes querem jogar. Diretorias de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco irão reunir na semana que vem, mas a posição unânime é pela retomada do campeonato assim que passar a tormenta do novo coronavírus. Ninguém abre mão das cotas pagas pela Globo, patrocinadora e manda-chuva no futebol carioca. Federação e sindicado de atletas também apoiam a continuação do torneio. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 02)

A frase do dia

“Seu salário será reduzido. Mas não fique triste: Piriguedes tá injetando R$ 1 trilhão nos bancos. Quando o corona se for, o Bradesco, o Itaú e o Santander vão emprestar uma graninha pra você pagar os boletos atrasados. Com aqueles juros de pai pra filho que você já conhece”.

Paulo RJ

Clubes lançam campanha para ajudar ambulantes durante a quarentena

Clubes lançaram 'Re-Pa Solidário' através das redes sociais - Crédito: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Um dos personagens mais emblemáticos dos estádios paraenses é o vendedor ambulante. Porém, durante a pandemia do novo coronavírus e consequentemente, a paralisação do Campeonato Paraense, os vendedores ficaram sem a sua fonte de renda: a venda nos jogos.

Pensando nisso, Remo e Paysandu se uniram para ajudar aqueles que estão sendo prejudicados no atual momento. Através das redes sociais, Leão e Papão convidaram os seus torcedores para doarem álcool em gel, produtos de higiene pessoal ou alimentos não-perecíveis.

Confira os pontes de arrecadação:

Local: Estádio Evandro Almeida (Baenão)
Data: 04/04 (Sábado)
Horário: 09h às 16h

Local: Estádio Leônidas Sodré de Castro (Curuzu)
Data: 04/04 (Sábado)
Horário: 09h às 16h

O universo paralelo de quem aposta no confronto com as instituições

A imagem pode conter: texto

Por Efraim Neto, no Congresso em Foco

Ao que tudo indica, Bolsonaro quer seguir cada vez mais a cartilha do confronto com as instituições. A intenção já está cada vez mais clara: pôr a culpa de suas irresponsabilidades em um suposto inimigo. No último pronunciamento em rede nacional, duplicou a aposta no corriqueiro confronto; e agora triplica sua aposta.

Com a ajuda dos filhos, conforme revelado em matéria da Folha de S. Paulo de quinta-feira (26/03) “Filhos de Bolsonaro atuam em gabinete paralelo para tentar reverter desgaste do pai”, o ex-capitão quer que sua base eleitoral acredite que a culpa pela crise no País, sanitária ou econômica, seja atribuída aos governadores, ao Parlamento, à imprensa e, até mesmo à justiça.

O que ele não sabe, ou finge não saber, é que isso está cada vez mais claro. As pessoas e a sociedade não enxergam nele a suposta credibilidade que possuía em 2018, quando o “inimigo” era apenas o PT. Seu poder político parece ir cada vez mais rápido pelo ralo.

Assessorado por seus filhos, Bolsonaro busca construir os eixos de sustentação do seu poder. Vale aqui a seguinte ressalva: essa família acredita que, pelo simples fato de ter o cargo mais importante do País em suas mãos, eles podem fazer tudo o que querem.

Os eixos de atuação de Bolsonaro estão alicerçados no princípio de demonstrar força e em enfrentar o natural declínio de popularidade durante a crise do coronavírus. Do ponto de vista ideológico, busca de todas as maneiras, via narrativas ou atos oficiais, reforçar sua aliança com evangélicos, agropecuaristas e caminhoneiros, conhecidos apoiadores de sua gestão e, também, de sua campanha eleitoral. Do ponto de vista econômico, mobiliza os mesmos empresários que a ele deram suporte na disputa eleitoral.

Como disse Flávio Dino para o portal Uol, Bolsonaro só sabe adotar um único comportamento político, que, na visão dele, é bem-sucedido. “Um sentido egoísta do conceito de sucesso que faz com que ele acredite que esse método extremista, atrapalhado, atabalhoado e agressivo seja certo. Ele não entende outro código, outro dicionário, outra gramática. Faz isso o tempo inteiro, desde que assumiu o governo”.

Apesar das perdas políticas já reais, como estar apenas com quatro dos 15 governadores que o apoiaram em 2018, e por ter sido abandonado por personalidades de expressão, Bolsonaro vem acreditando que sobreviverá até o segundo semestre deste ano. Para tanto, conta com o respaldo da rede que o acompanha desde a campanha eleitoral de 2018 para municiar a militância digital, cuja coordenação de suas intervenções é sabidamente exercida por Carluxo.

É com essa estratégia que ele emana diretrizes ao seu núcleo mais fiel que se materializam em ações nas redes sociais e também em ações de pequenos grupos, nas ruas, tentando gerar um clima de intimidação. Assim como nas eleições de 2018, tanto Bolsonaro quanto o chamado gabinete do ódio, buscam organizar manifestações se utilizando da estrutura do Estado – via campanha institucional contratada sem licitação –, e na conhecida força digital que possui junto ao núcleo olavista.

Apesar de não se conhecer seus financiadores, a estrutura que se vê pelos diversos locais do Brasil é robusta: carreatas, trios elétricos e buzinaços apontam para o risco de convulsão social, em uma real campanha de manifestações contra a quarentena.

É no tom de ações e manifestações “voluntárias”, como fez durante o pleito eleitoral, que Bolsonaro busca disseminar vídeos, relatos de manifestações e depoimentos dramáticos em todo o País, pedindo a reabertura do comércio, indústria e serviços.

No final de semana, algumas dessas estratégias foram reveladas. Diversas passeatas ocorreram no País, mas foram pífias. E, como revelou o jornalista Fabio Pannunzio, “caminhoneiros ameaçam greve para forçar governadores e prefeitos a reabrir o comércio. É o exército bolsonarista entrando em operação para a perpetração do golpe. A consequência será o desabastecimento, a barbárie e o estado de sítio”.

Desde o começo da crise do coronavírus, Bolsonaro já demonstrou não ser capaz de lidar com pressões e com a realidade socioeconômica que afeta o Brasil (e o mundo!). E busca fazer isso com ações conflituosas em seu (des)governo, como aponta o antropólogo Piero Leirner, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e especialista em estratégia militar, em entrevista ao El País, em outubro de 2018: “O padrão é sempre aparecer com uma ordem semanticamente paralela à desordem anterior. Se há uma desordem, digamos hipoteticamente, lançada por meio de uma contradição em um assunto econômico como, por exemplo, Paulo Guedes dizendo “vou privatizar tudo”, Bolsonaro reage com um ‘não vamos privatizar as empresas estratégicas’ e, posteriormente, a questão é resolvida com um ‘vou acabar com o problema da violência’.”

Para Bolsonaro, como escreve Ricardo Kotscho, a pandemia do coronavírus, que se alastra pelo mundo em progressão geométrica, simplesmente não existe, assim como garante que nunca houve ditadura militar no Brasil. Em seu mundo particular, a realidade é uma fantasia e seus delírios são reais. Não tem limites, não tem noção do que está fazendo, não pensa nos outros.

A todo tempo, Bolsonaro e sua equipe buscam testar os limites do Congresso, da Justiça e da democracia. Essa é uma prática bem comum neste governo: primeiro diz algo, depois diz que não disse, depois usa as redes sociais digitais para dizer que nunca fez e, por fim, culpa o suposto inimigo.

No sábado, a Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou, em caráter liminar, que o governo federal não veicule em meios de comunicação a campanha publicitária “O Brasil não pode parar”. E nesta segunda (30/3), o STF sinalizou que barrará toda e qualquer medida de Bolsonaro que tenha como objetivo furar o isolamento, assumindo seu papel de mediador da democracia.

A aposta do ex-capitão e de sua família é alta e deve custar muitas vidas. O Brasil tem 4.579 casos, com 159 mortes registradas. Por este motivo, ficam, as seguintes perguntas: as instituições serão capazes ou corajosas o suficiente para impor limites a esse modus operandi de Bolsonaro? Nossa justiça terá ainda mais coragem de enfrentar essa realidade? Apenas o tempo irá nos responder e, até lá, espero que tenhamos sido capazes de salvar o maior número possível de vidas.

Justiça determina prisão de organizadores da Carreata da Morte em Belém

Do G1

A Justiça do Pará determinou a prisão de dois homens acusados de infração de medida sanitária preventiva e desobediência. Segundo a Polícia, Francisco de Assis Costa e Ivan Thiago Serra Duarte foram detidos na última segunda (30) por voltarem a organizar carreatas em Belém. No último domingo, eles já haviam assinado termo se comprometendo a não praticar o crime novamente. O G1 tentou contato com a defesa dos acusados até a última atualização desta matéria.

Segundo a Polícia, os dois pagaram fiança no valor de dois salários mínimos e foram soltos, para responder criminalmente às acusações em liberdade. Segundo o delegado Valter Resende, o crime foi tipificado pelo artigo 286 do Código Penal, que trata de incitar publicamente a prática de crime.

“Foi comprovado em relatório de emissão e filmagens que as medidas adotadas anteriormente não foram suficientes para refrear a conduta deles, uma vez que vieram a reiterar seus crimes”, afirmou.

Na contramão do mundo, Bolsonaro autoriza corte de salários

E mais uma vez o governo Jair Bolsonaro age contra os trabalhadores, ao usar a pandemia de coronavírus para editar uma Medida Provisória que autoriza o corte de salários e jornadas dos trabalhadores em qualquer percentual, podendo chegar em 100%.

E para compensar essa medida, os trabalhadores afetados irão receber uma compensação do governo equivalente a uma parte do que receberiam de seguro-desemprego em caso de demissão. E a complementação tem regras diferentes conforme o porte da empresa.

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, a medida já recebeu aval do presidente Bolsonaro e será editada até esta quinta-feira (2). Por se tratar de uma Medida Provisória, ela vai entrar em vigor após sua publicação e poderá ser adotada pelos empregadores – caberá ao Congresso validar o texto.

Se a empresa optar pela suspensão de contrato, as regras para os patrões mudam dependendo do faturamento. No caso de uma companhia dentro do Simples (faturamento bruto anual até R$ 4,8 milhões), o empregador não precisa dar compensação ao trabalhador durante os dois meses e o governo vai bancar 100% do valor do seguro-desemprego.

Quando o faturamento superar esse patamar, o patrão deverá arcar com 30% do salário do empregado. O governo entra com 70% do valor do seguro-desemprego. (Do Jornal GGN)