Bolsonaro estava estranho

Por Moisés Mendes

Bolsonaro apareceu com uma franja fashion para anunciar a demissão de Mandetta como o que definiu como um “divórcio consensual”. E assegurou que demitiu Mandetta para defender a vida e os empregos.

Parecia confuso, lento e estalando a boca seca. Falou da mãe, misturou a história da mãe com os trabalhadores informais, olhou quase sempre pra baixo e repetiu a palavra ‘probremas’.

Bolsonaro estava muito branco. O tom geral foi o da defesa do fim do isolamento e a reafirmação do confronto com governadores e prefeitos.

Uma frase estranha, mal construída: “Não furtarei a minha responsabilidade”.

Uma cutucada em Dória Junior:
“Jamais mandaria as minhas Forças Armadas prenderem quem estivesse nas ruas”.

A impressão que deixou é a de que estava sem forças.

Dino dribla EUA e Bolsonaro para levar 107 respiradores da China para o Maranhão

O governador Flávio Dino (PCdoB) montou uma verdadeira operação de guerra para levar ao Maranhão em tempo recorde 107 respiradores e 200 mil máscaras compradas da China em março.

A logística, envolvendo 30 pessoas, foi traçada para evitar que o lote fosse desviado ou vendido aos Estados Unidos ou confiscado por Jair Bolsonaro – como já havia acontecido outras vezes, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, desta quinta-feira (16).

Com a ajuda de uma importadora maranhense, Dino negociou diretamente com uma empresa chinesa, que enviou os equipamentos e suprimentos médicos para a Etiópia, escapando da rota que passaria pela Europa – onde poderia ser desviada.

O secretário estadual Simplício Araújo, de Indústria e Comércio, que coordenou a empreitada, diz que o cargueiro que saiu da China e aterrissou em São Paulo teve o frete pago pela mineradora Vale.

Em São Paulo, a carga foi colocada em um avião fretado e enviada direta para o Maranhão, onde passou pela Receita Federal. A estratégia, de evitar a liberação na Alfândega em São Paulo, foi montada para que os equipamentos não fossem retidos pelo governo Bolsonaro.

“Se não fizéssemos dessa forma, demoraríamos três meses para conseguir essa quantidade de respiradores. Assim que os equipamentos chegaram já os conectamos para ampliar a nossa oferta de leitos de UTI”, disse Araújo à Folha. A operação levou 20 dias, ao custo de 6 milhões de dólares.

A frase do dia

“Bolsonaro pretende avaliar quem fica no lugar de Mandetta até amanhã. O candidato que apresentar as mesmas características de Ricardo Salles, do Meio Ambiente –reputação ilibada e inconteste desejo de matar — dispara na preferência do segundo maior criminoso do planeta”.

Palmério Dória, jornalista e escritor

Botafogo busca ajuda de gigantes europeus na luta por títulos mundiais

A diretoria do Botafogo está empenhada em conseguir o reconhecimento da Fifa como títulos mundiais para as conquistas de 1967, 1968 e 1970 do Torneio de Caracas. A competição era disputada entre clubes europeus e sul-americanas e tinha grande relevância internacional. No primeiro ano de sua conquista, por exemplo, o Glorioso derrotou o Barcelona da Espanha na grande decisão.

A diretoria do Botafogo está ousada e não quer medir esforços na luta pelo reconhecimento da Fifa. O site “Mais que um Jogo” apurou que o presidente Nelson Mufarrej pretende pedir a ajuda de gigantes europeus na sua empreitada. O dirigente vem reunindo ainda mais provas de que o Torneio de Caracas era tratado como Mundial e entrará em contato com outros vitoriosos, como o Barcelona, para conseguir este feito junto à Fifa.

Nesta semana, em entrevista à Rede Bandeirantes, o dirigente disse que o próprio Barça trata o título como Mundial: “O Botafogo foi campeão mundial naqueles anos. Os jornais estampavam isso como registro. O Barcelona foi campeão (em 1957) e também tem este título em seu centro histórico. Vamos trabalhar muito em busca deste reconhecimento”, disse ele. (Da Gazeta Esportiva)

Sem certeza do fim da Libertadores, Mundial de Clubes 2020 deve ser adiado

Técnico Jurgen Klopp comemora gol de Roberto Firmino para o Liverpool na final do Mundial de Clubes 2019 contra o Flamengo - Giuseppe Cacace/AFP

Por causa da pandemia do novo coronavírus, a Fifa já adiou o primeiro Mundial de Clubes que organizaria com 24 participantes, que seria em 2021 na China, e deve ser obrigada também a postergar a última edição que pretende fazer do torneio no formato atual, com sete times e que está marcado para dezembro de 2020, no Qatar. O Liverpool (foto acima) venceu o torneio mundial interclubes em 2019.

Não há garantia das confederações que seus torneios continentais serão concluídos em 2020, o que inviabilizaria a realização do Mundial em dezembro já que não haveria clubes classificados. O problema é o mesmo em cada continente: fronteiras fechadas que inviabilizam o deslocamento dos clubes.

A ideia da Fifa, hoje, é adiar para dezembro 2021 o Mundial com sete participantes, mantendo o Qatar como sede porque o evento será teste para a Copa do Mundo de 2022. A Fifa não pode simplesmente cancelar essa edição em 2020 porque há um contrato assinado de patrocínio exclusivo com o grupo chinês Alibaba, de venda online. O campeonato terá que ocorrer, independentemente de quando será.

Já o Mundial turbinado com 24 clubes deve ficar para meados de 2022, meses antes da Copa do Mundo do Qatar. Ele seria inicialmente entre junho e julho de 2021, na China, mas foi adiado porque nesse período Uefa e Conmebol realizarão a Eurocopa e a Copa América, postergados de 2020 por causa da pandemia.

A China continuará como sede. A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) não sabe se conseguirá concluir a Libertadores depois de ouvir de representantes de governos da América do Sul que o acesso entre as fronteiras do continente dificilmente estará normalizado em 2020. O torneio parou com quatro rodadas da fase de grupos ainda a se realizar — a final única ainda está programada para 21 de novembro, no Maracanã.

Nenhuma confederação conseguiu concluir seu torneio continental em 2020. O mais adiantado era o da África, que teve que parar antes das semifinais. Raja Casablanca (Marrocos), Zamalek (Egito), Al-Ahly (Egito) e Wydad Casablanca (Marrocos) não sabem quando terminarão o campeonato que estava previsto para ter a final em 29 de maio.

O tombo dos maiorais

POR GERSON NOGUEIRA

Sem alternativa possível, o futebol brasileiro espera pelo arrefecimento da pandemia para saber como será a retomada do calendário. A partir daí, virá o desafio maior: descobrir como sobreviver aos profundos impactos econômicos e esportivos dos meses pós-quarentena.

Por ora, foram adotadas as providências de ordem prática, como a redução de salários e a concessão de férias coletivas. Diz o ditado que quanto maior a árvore maior o tombo. Pois isso fica evidenciado na situação dos clubes da Série A, que têm o maior faturamento e patrocínios mais vultosos.

A grana advinda dos pagamentos de direitos de TV, cotas de anunciantes e arrecadação de bilheterias só faz minguar, desde o dia em que todas as competições foram paralisadas. O medo do futuro e a tensão natural decorrente da pressão de atletas e funcionários são o tormento de quase todos os dirigentes neste momento.

A questão é que todo mundo foi impactado pela Covid-19, em todas as áreas de atividade. O futebol não é exceção, nem poderia ser. Vem daí a minha profunda estranheza com os queixumes de presidentes de clubes, alguns aqui do nosso Pará.

Foto: Alexandre Vidal

Que a situação está difícil nem é preciso falar. Cada um de nós passa por atropelos diários em razão do aperreio geral envolvendo a pandemia. Não adianta absolutamente nada abrir agora uma olimpíada de queixumes e lamentos.

Resta concentrar esforços e queimar pestanas pensando soluções ou, pelo menos, possibilidades de alguma providência prática. Amanhã, a Federação Paraense de Futebol patrocina uma reunião dos clubes em videoconferência para discutir cenários para o Campeonato Paraense.

Que desta vez os interesses meramente individuais não se sobreponham à causa coletiva. A torcida, que não participa dos debates, espera que o campeonato prossiga e termine em campo. Torcedor nenhum no planeta gosta de decisões tribunalescas. Nas redes sociais, as manifestações são claramente pela disputa dentro das quatro linhas. Quem curte tapetão é cartola, e cartola das antigas.

A hora é de deixar as pinimbas de lado e pensar no que pode ser feito daqui a dois ou três meses em relação a uma competição que tem ainda duas rodadas para finalizar de sua primeira fase. Depois, virão as semifinais e a grande decisão.

Os clubes, sob a mediação da FPF, têm a obrigação de promover a vitória do bom senso nesta reunião prevista para amanhã. É fato que todos estão com dificuldades para manter elencos, com especial dificuldade para os dois grandes da capital, argolados com pendências financeiras que a quarentena só fez agravar.

A decisão que todos esperam é que os clubes paraenses, como os de São Paulo e Rio, decidam pelo respeito ao regulamento e às regras do jogo. Não cabe outro caminho, sob o risco de prejuízos bem mais significativos mais à frente. O prejuízo da perda de credibilidade. Juízo, portanto.

Uma sugestão. Por que nossos gestores não apertam o cerco sobre a CBF, cujo último balanço atestou um superávit de R$ 900 milhões. Parar com essa lenga-lenga de pedir ajuda a uma parceira. Não, a CBF tem obrigação de ajudar mais. Já liberou alguns trocados, mas tem bala na agulha para contribuir de verdade. E, obviamente, os clubes têm que se unir par fazer esse tipo de cobrança.

E lá se vai um fantástico pugilista das palavras

Dias sombrios, noites tristes.

Depois de Moraes Moreira moleque do Brasil, que partiu na segunda-feira, perdemos ontem mestre Rubem Fonseca, que muita gente (boa) já definiu como o pugilista das palavras. Reinventor da narrativa policial. Dono de estilo cru, bruto, mensagens rápidas como golpe de punhal, economia de adjetivos. Um realismo furioso salta de suas páginas.

O mineiro Fonseca deixa legado fantástico a leitores de todas as idades e lições preciosas a jovens candidatos a escritores. Tive a sorte de devorar quase todos os livros – “A Coleira do Cão”, “Lúcia McCartney”, “Feliz Ano Novo”, “Agosto”, “O Cobrador” e “José”, último romance dele. Todos guardados e relidos de vez em quando. Temática urbana, narrativa sempre moderna.

Foi, seguramente, um dos maiorais gigantes da literatura mundial. Segundo Zuenir Ventura, Fonseca tinha pavor de virar celebridade. Recluso, levava vida discreta como a de um monge. A filha disse que ele morreu como um passarinho. Dádiva dos que têm merecimento.  

Recuerdos inspirados nos Jogos Memoráveis

O azulino e tricolor Sérgio Soeiro comenta comigo que acompanhou o programa da Rádio Clube com saudade angustiante. “Estive em ambos os jogos, no auge da juventude (fanático e pobre de marré deci) e tenho na mente as lembranças daquela manhã/tarde: o sistema de som do estádio tocando ‘Satisfaction’ (Stones, of course), timaço, as primeiras doses de caninha… Saudade”.

Ronaldo Passarinho também contribui para a memorabília daquela página gloriosa do nosso futebol. “Fiquei emocionado com a crônica de hoje (terça). Eu era o vice-presidente de Futebol do Remo. Meu tio, Saint-Clair Passarinho, foi um grande amigo de José Aguiar Barroso, pai do Aderson e do Mego. Saint-Clair, remista fanático, ex-atleta do time na década de 1930, falecera dias antes do memorável jogo. Ao término da partida, Mego entregou-me sua camisa como uma comovente homenagem à família do meu tio”, recorda Ronaldo.

Já o Miguel Silva conta que foi ao Mangueirão, mas acabou não ficando para ver o jogo. “De tanta gente que adentrou ao estádio, o jogo era de portões abertos, me assustei com o sufoco que se formou, pulei para dentro do fosso e saí, indo embora. Assisti no sofá de casa, pois o jogo foi transmitido direto pela TV (lembram?), para toda Belém. Inusitado”

Jorge Paz Amorim aplaude a iniciativa da Rádio Clube do Pará. “Excelente a ideia de homenagear os áureos tempos do rádio com jogos que marcaram época. No entanto, sinto falta de mais narração e menos intervenções contemporâneas. Naquele narrado pelo saudoso Jaime Bastos, ficou um gostinho de quero mais; assim como ficou na vibrante locução de Ronaldo Porto direto da Bombonera”.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 16)

Juiz (diz que) se confundiu: D. Marisa tinha R$ 26 mil, e não R$ 256 milhões

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Os advogados do inventário de Marisa Letícia Lula da Silva afirmaram hoje que ela tinha R$ 26 mil em investimentos em certificados de depósito bancários (CDBs) — e não R$ 256 milhões, como afirmou o juiz Carlos Henrique André Lisboa, da 1ª Comarca de Família e Sucessões de São Bernardo do Campo (SP).

De acordo com nota emitida pelos advogados, o magistrado confundiu o valor unitário de cada certificado com o valor unitário de debêntures de outra natureza, e acabou estimando um valor dez mil vezes maior que o real.

Questionado, o juiz afirmou que “é vedado ao magistrado manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem.” A notícia de que Marisa Letícia teria investimentos de R$ 256 milhões de reais foi amplamente compartilhada, inclusive por membros do governo Bolsonaro — dois filhos do presidente, Carlos e Eduardo Bolsonaro (respectivamente vereador no Rio de Janeiro e deputado federal) e Regina Duarte.

Fake news sobre Dona Marisa com valor mil vezes maior que o real foi divulgada por dois filhos de Bolsonaro, por Regina Duarte e pela Jovem Pan. O PT já anunciou que irá processar os responsáveis pela divulgação de fake news na internet. (Transcrito do UOL)

Rejeição a Bolsonaro explode e atinge 58,2%, diz pesquisa

Pesquisa divulgada nesta quarta (15) pela consultoria Atlas Político mostra uma queda significante da popularidade do presidente Jair Bolsonaro. 58,2% dos entrevistados desaprovam a gestão, enquanto 37,6% a aprovam. É a pior avaliação desde fevereiro de 2019, quando 43% dos entrevistados avaliaram o governo como ruim ou péssimo.

Perguntados sobre o impeachment, 46,5% dos entrevistados disseram ser a favor, 43,7% contra e 9,8% não souberam responder.

A pesquisa também revela que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é o mais bem avaliado integrante do governo. A possível demissão do ministro é rejeitada por 76,2% dos entrevistados. 72,2% apoiam a quarentena durante a crise do novo coronavírus.

Confira a pesquisa completa aqui.